Não leio Veja, mas leio quem a lê e acabo sendo contaminado…

A revista VEJA é um caso perdido. Tive nesta sexta, 30, a alegria de recusar uma assinatural anual grátis. A proposta foi para voltar a ser assinante Veja, coisa que já fui décadas atrás. Como também informei que deixei de ser assinante de outras revistas da Abril, por causa da VEJA.

Mas não é disso que quero falar: tudo que sai nessa revista, 90 por cento, com exceção dos informes publicitários sobre ‘recall’, toda informação contida nas edições semanais da revista são suspeitas. Não importa qual seja a editoria: Política, Comportamento, Saúde (nessa área ela chega ser infame, mais que na política, pois mexe com o bem-estar da pessoa diretamente), Cultura (cinema, livros, CDs, DVDs), listas dos mais vendidos, tudo, rigorosamente tudo é manipulado e atende interesses comerciais do grupo Abril.

A única coisa que não podemos negar, em tempo algum, é o estilo Veja de escrever. Os caras (desculpe não usar o termo jornalistas) são bons. Os textos, agradáveis de ler e aquela mistura de informação permeada de opinião para os ‘analfabetos’ em semântica, são um prato cheio. Mas, também não quero entrar nessa seara.

A VEJA, convenhamos, não caminha sozinha nessa seara da impostura, da contra-informação, do desleixo ético, do uso de informações para chantachear e firmar negócios. Outros similares, mais ou menos, estão por aí, a grande maioria dos jornalistas sabem disso, mas não tem provas concretas e quando tem não podem veicular pois vão contra os interesses das empresas nais quais trabalham, quando não são usadas para chantagear e firmar negócios…

Isso sem falar no nosso Judiciário, enquanto arcabouço de leis, e formado por quem é formado, por brasileiros… Brasileiros frutos desta sociedade cuja ética é a de levar vantagem… “Eu levar vantagem, não ou outro”. Desse judiciário que se julga acima da LEI, o julgamento do mensalão do PT está aí para provar isso. Um tribunal formado por pessoas que se intimidam, não por bandidos, terroristas, assassinos etc., mas pela mídia por insegurança jurídica; enquanto outras se rendem por vaidade e falta de caráter… quem já esteve um dia num tribunal de pequena causas de seu bairro sabe do que estou falando.

O jornalista que queira prestar uma informação que contrarie os interesses dos poderosos (aqueles podorosos descritos por Paulo Moreira Leite) tem que estar muito bem calçado. Não apenas com provas substanciais como também financeiramente para suportar os processos, processos, processos, infinitos processos que só querem atrasar o seu dia-a-dia e provocar um desfalque financeiro e levar a desistir de levar um blog pessoal como fez o jornalista Fábio Pannunzio e vamos esperar até quando vai aguentar Paulo Henrique Amorim.

Tudo isso para dizer que sou contra a VEJA se intrometer na vida particular do ex-presidente LULA por sua impostura, falta de ética, seu anti-jornalismo (conforme está provada em tese acadêmica: http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/pesquisa-da-puc-veja-se-transformou-no-maior-fenomeno-de-anti-jornalismo.html), mas manifestar que sou totalmente favorável que a imprensa, de forma séria, vasculhe a vida dos nossos homens públicos, até de forma contudente.

Sobre isso fiz um comentário num post do jornalista Paulo Moreira Leite em seu blog e o transformou em outro post, no qual defendo a exposição da vida privada (que o homem público não tem) e acabar com essa impostura da imprensa brasileira de “o que é privado não se toca”. Ora, se o homem tem amantes, gosta de cheirar cocaína, tem quedas por adolecentes, a imprensa tem que tornar público… Alguns casos para derrubar preconceitos e noutros para caçar corruptos, transcrevo o post de PML: O leitor João Bosquo enviou uma bela contribuição para o debate sobre vida pública e vida privada. Não é preciso concordar com tudo o que ele diz. Mas é preciso reconhecer sua clareza. Vamos ler:

“Eu sou do time que defende que tudo deve vir a público, para o devido julgamento do público.

A sociedade é preconceituosa com os gays. Pois bem, através da exposição que homens públicos podem ser gays e não influir na sua capacidade de administrar é que esses preconceitos serão derrubados. Não hoje, mas num futuro.

Eu gosto de contar, nesses casos de “solteirices” de homens públicos, o Brasil, um dia, também perdeu por causa desse preconceito babaca, embora no final do século 19, a coisa fosse um pouco mais braba, e Joaquim Murtinho – o nosso Joaquim Murtinho – não pode ser candidato a presidência da república.

Joaquim Murtinho, professor, médico, engenheiro, industrial e banqueiro, foi ministro de Campos Sales, o 4º presidente, e saneou as finanças brasileiras, com uma política fiscal duríssima, de fazer inveja aos neoliberais de hoje. Tão severas foram suas medidas que chegou a falir a sua casa bancária em Cuiabá. Que beleza! Veja a integridade desse homem. Faliu o seu banco para salvar o Brasil do colapso. Quantos homens públicos hoje teriam coragem de fazer isso?

Joaquim Murtinho era “o cara” para suceder Campos Sales, achavam todos. Ao perguntar para o presidente se ele iria lançar o ministro das Finanças com candidato à sua sucessão, Campos Sales candidamente alegou que não poderia porque Joaquim Murtinho era solteiro e o Brasil precisava de uma primeira dama.

Sacaram?

A vida do homem (mulher) público deve ser exposta aos mínimos detalhes, principalmente quando sai da reta social. Se é homicida, pedófilo, espanca filhos e mulher, trai a esposa… Neste quesito, traição, a nossa imprensa/mídia acredita que é falar da vida privada. Não é. Renan Calheiros provou que não é.

A infidelidade conjugal é tão ou mais grave que a infidelidade partidária.

Todos em Brasília, com as exceções de sempre, sabiam que Renan Calheiros era dado a ter casos extras-conjungais, nenhum órgão de imprensa tupiniquim, contudo, achava que deveria divulgar, sob o torpe argumento de invasão de privacidade. Não é.

O gestor público, pode parecer diferente, é igual a todos os demais: tem mulher, filhos, enfim, um rol de despesas que isso implica. Como sabemos, principalmente os casados, que as esposas, mesmo aquelas que dizem não se intrometer da vida “financeira” do marido, sabe o quanto ele ganha e quanto gasta, pois as despesas estão ali dentro do lar.

Um homem, casado, quando arruma uma filial, e o nome filial já diz muito bem o que é: despesa (o assalariado comum, coitado, não tem como manter uma outra família) e para cobrir essa despesa ele começa a “trabalhar” em dobro e o dinheiro nunca aparece. No caso do agente e gestor públicos, como não tem como trabalhar em dobro, começa a corrupção.

É conhecida nos bastidores do judiciário a história de um destacado desembargador – que não podemos revelar o nome, mesmo porque não se encontra entre nós para se defender – sempre se pautou pela lisura, até um certo dia arrumar uma “namorada” e por conta disso a separação e despesas dobradas. Esse ilibado senhor começou a vender liminares… Tristemente perdeu o respeito de seus pares.

Esse tipo de baixaria, acredito, é necessária. Assim como se a pessoa é usuária de algum tipo de substãncia não lícita. Conta a crônica política, que nos idos da campanha de 1989, uma ala do PMDB queria liberar a informação que determinado candidato era usuário de cocaína. O doutor Ulisses Guimarães, em cima de sua autoridade, proibiu, segundo ele, tal baixaria. Se ela tivesse divulgada, quem sabe o resultado da eleição não seria outra. Quem sabe?”. Fecha aspas. (http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2009/05/06/leitor-pede-baixaria/)

Lógico, algumas pessoas, no debate dos comentários, acharam que estava falando da condição da mulher, que sou contra e não é nada disso. Apenas derrubar imposturas, como a da VEJA.

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