O deputado e o sexo do Mickey – Por Wellen Cândido Lopes

Por Wellen Cândido Lopes Em Mato Grosso temos 8 deputados federais, uma representatividade muito pequena, frente a um Estado com um futuro promissor. Pressupõe-se que em virtude do reduzido quadro, os mesmos se dediquem dia e noite para as melhorias de Mato Grosso. Fui surpreendida nestes dois últimos dias pela mídia, com a preocupação de um dos nossos deputados com suposta orientação sexual de desenhos animados.

A Política pautada na Idade Média teve forte influência do cristianismo. A governança neste período era pautada pela religião, fortalecendo os ideais do clero e da nobreza. Com a Revolução Francesa e o surgimento do Iluminismo, a Era da Razão acabou rompendo com velhos paradigmas e com o desenrolar da evolução histórica, ultrapassamos a Idade Moderna e chegamos aos dias atuais em uma era contemporânea. É notório que o direito e a sociologia tendem a evoluir com os fatos sociais. Neste sentido, Émile Durkheim entendia que os fatos sociais emergentes atuariam como resposta à organização social.

Sob o aspecto sociológico e político, a sociedade orgânica defendida por Durkheim deveria ser composta por indivíduos diferentes mas que, em sua totalidade, formaria uma coesão social. Nos dias atuais, o discurso da diversidade busca sua consolidação, entretanto, ainda enfrenta resistência dos mais conservadores. Como se voltássemos à Idade Média, ainda temos em nosso Congresso Nacional, uma bancada de parlamentares que “publicamente” se diz “conservadora”.

O projeto de lei 122/2006 que dispõem de temas referentes ao respeito e a diversidade de orientação sexual, ainda encontra resistência para aprovação, talvez porque nossos representantes não evoluíram ao ponto de se manifestarem em relação à projetos polêmicos. Provavelmente a preocupação maior da classe política é não se envolver em medidas impopulares que venham a influenciar no resultado eleitoral. O conceito de família tradicional, ainda se sobrepõem à pluralidade de entidades familiares, sendo esta última focada nos diversos tipos de relacionamentos.

Desde o ano de 1990, a Organização Mundial da Saúde excluiu o termo homossexualismo. O prefixo “ismo” significa doença, o que levou a ser substituído por “homoafetividade,” referindo-se a orientação sexual dos indivíduos em relação a outros sujeitos sociais. No atual cenário contemporâneo, a inclusão da diversidade deveria ser algo natural, não sendo necessário buscar instrumentos legais para confrontar resistências.

Voltando ao cenário regional, não me surpreenderá com a notícia de amanhã nos veículos de mídia, em que o deputado mato-grossense, venha se pronunciar no sentido de “emparedar” o Batman a assumir seu romance com o Robin, ou talvez anunciar que a Barbie e o Ken estão em conflitos e que Barbie assumiu ser lésbica.

Por fatos como este é natural o cidadão se decepcionar com a politica cada vez mais em decadência. O New York Times noticiou que no Congresso Brasileiro temos um palhaço profissional, nosso querido Tiririca. Esta preocupação do deputado mato-grossense com a sexualidade dos personagens Mickey e Simba é acreditar que nós somos um povo “abestado,” como diria Tiririca. Óh! E agora, quem poderá nos defender? O Chapolin Colorado?

Wellen Candido Lopes é advogada, pedagoga e doutora em Ciências Jurídicas e Sociais

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