O novo presidente da Infraero, artigo de José Antônio Lemos

Desde a última quarta-feira (24/03) temos novo presidente na Infraero, Gustavo Matos do Vale, agora o definitivo, aquele que a presidenta Dilma sempre quis para o cargo. Pela convicção presidencial em seu nome, certamente trata-se de um executivo testado e aprovado em outras missões espinhosas, talhado para reconduzir a Infraero à sua antiga condição de respeito e admiração junto ao povo brasileiro. Mais do que uma simples mudança na condução da Infraero, há muito se espera, em especial em Cuiabá e Mato Grosso, uma nova forma de gestão dos aeroportos no Brasil. A mudança na direção da Infraero promete ser apenas a ponta de um iceberg de transformações, envolvendo inclusive a criação de uma Secretaria Nacional de Aviação Civil, com status de ministério e ligada diretamente ao gabinete da presidenta.

Em seu discurso de posse o novo presidente diz que sabe “o quanto é grande a expectativa por uma Infraero melhor” e de quanto o Brasil “é dependente de um setor aéreo eficiente, competente, responsável.” Diz que aposta que a Infraero trabalhará “incansavelmente, para termos aeroportos melhores e deixá-los prontos para os grandes eventos que o Brasil sediará.” Afirma ainda que o objetivo da empresa “é ganhar ou ganhar” e que “não existe “plano B”. Mais adiante diz que “as ações são nossas, Infraero, e a responsabilidade é rigorosamente nossa.” Um discurso animador e compatível com aquele que o ex-presidente Lula fez em resposta à desconfiança da comunidade internacional quanto a capacidade do Brasil realizar uma Copa do Mundo, quando então disse que o Brasil trabalharia sábados e domingos e em turno dobrado se fosse necessário, mas que o brasileiro mostraria não ser idiota.

Especialmente para Cuiabá e Várzea Grande é um discurso que reanima em relação à situação do Aeroporto Marechal Rondon, sobre o qual já paira um estado de descrença, principalmente pelo tratamento que vem recebendo da Infraero. O que esperar quando foi necessário quase 2 anos após a definição de Cuiabá como uma das sedes da Copa para a Infraero iniciar a elaboração dos projetos da nova estação de passageiros? E a Copa será em 2014, com a Copa das Confederações em 2013, sem choro nem velas! O que esperar quando depois de 8 meses de sua licitação até hoje não foi iniciada a implantação do MOP – o já simpático “puxadinho” – que seria uma obra emergencial para contornar uma situação caótica que ronda a ala de desembarque do Marechal Rondon? O de Brasília teve início mais ou menos na mesma época em que o nosso deveria ter sido iniciado, está pronto e foi onde se deu a posse do novo presidente. O pior é que não se dá nenhuma satisfação pública. O usuário que se lixe e que leve a pior impressão possível de Cuiabá e de Mato Grosso. A confiança que nos passa o discurso de Gustavo do Vale é que esta situação será mudada de imediato.

Desejando boa sorte ao novo presidente, lembro que o nosso aeroporto é o menor e o de menor investimento programado entre aqueles que vão atender a Copa em 2014. Talvez por isso seja sempre esquecido nas avaliações gerais da mídia sobre o assunto e pode ser até que passe despercebido nos relatórios que lhe estão sendo apresentados, sem o devido destaque. Para nós é o aeroporto mais importante do mundo e a mais ameaçadora pedrinha na chuteira da Copa do Pantanal. Nesta altura do campeonato pode ser até estrategicamente mais importante priorizar os aeroportos menores, com menores obras, como o de Cuiabá, de conclusão mais rápida, dando tempo para a conclusão dos de maior porte, ajudando a reverter com maior rapidez a desabonadora impressão negativa que envolve o setor aeroportuário nacional

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José Antônio Lemos dos Santos

José Antonio Lemos dos Santos, arquiteto e urbanista, é professor universitário. Troféu "João Thimóteo"-1991-IAB/MT/ "Diploma do Mérito IAB 80 Anos"/ Troféu "O Construtor" - Sinduscon MT Ano 2000 / Arquiteto do Ano 2010 pelo CREA-MT.

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