O sofá e a Agecopa — Artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

Agora que entramos nos últimos 1000 dias para a Copa do Mundo de 2014 quisera estar falando sobre o espetáculo proporcionado pelos atletas e pelo público durante o Sul-Americano de Vôlei em Cuiabá, pelo qual o governador Silval merece muitos aplausos; ou sobre os investimentos do setor hoteleiro com suas 10 novas torres sendo inauguradas ou em execução e mais 10 previstas até a Copa; ou sobre os investimentos do setor imobiliário com quase 100 condomínios de uma ou mais torres, ou sobre a fábrica de cimento do Aguaçu de R$ 360,0 milhões, ou ainda sobre os investimentos do setor comercial, destacando os R$ 85,0 milhões da ampliação do shopping Goiabeiras. Mas no setor público a situação é outra, e o caso da extinção da Agecopa nos força lembrar a antiga piadinha do fulano que, traído no sofá da sala, não teve dúvidas: vendeu imediatamente o sofá.

Seria de fato necessária a extinção da Agecopa? Ou melhor, será oportuna essa mudança a 1000 dias da Copa? Convém lembrar que 6 meses atrás o sofá foi reformado, quando adotaram o estilo presidencialista, em substituição ao colegiado. Esqueceram, porém de mexer no status de secretário de estado dos antigos diretores. Como um secretário poderia mandar em outro? Não deu certo. Aquela reforma parece não ter sido pensada o suficiente. E agora está sendo? E se não der certo, a Copa do Pantanal resistiria a uma nova mudança? Não seria melhor um ajuste? Está sobrando gente? Corta. Sobram políticos e faltam técnicos? Dispensem os políticos excedentes e contratem mais técnicos.

Apesar de aparentemente já decidido, cabem algumas considerações ao assunto. Primeiro, não me parece justificativa válida para a extinção da agência o fato de Cuiabá ter sido a única das cidades-sede a criar uma estrutura específica para tocar a Copa. A criação foi necessária pois, ao contrário das demais sedes, Cuiabá não dispõem de um órgão de planejamento da cidade. A insipiente estrutura que existia no IPDU foi desativada na administração municipal passada e extinta na atual. É a única cidade brasileira acima dos 500 mil habitantes nessa situação esdrúxula. As amplas e profundas transformações exigidas pela Copa seriam facilitadas se Cuiabá e Várzea Grande tivessem estruturas de planejamento urbano funcionando. Mas como absurdamente não têm, foi coerente a criação de uma estrutura que centralizasse os planos, a execução e controle dos projetos para a Copa. Se descambou por outros caminhos, a culpa não é da estrutura da agência.

Também não pode ser justificativa suficiente a estimativa de que a extinção da Agecopa irá economizar R$ 4,0 milhões por ano, já que a estrutura moribunda consumiria R$ 8,9 milhões por ano. Se está grande não seria mais fácil reduzir? A expectativa dos investimentos com a Copa, públicos e privados, é de tal grandeza e importância para a cidade e para o estado que mesmo os 8,9 milhões seriam bem gastos se as coisas funcionassem conforme seu objetivo público, que é a preparação da cidade. Se não for assim, qualquer centavo será caro.

Pouco a pouco estão querendo transformar a Copa do Pantanal em um problema insolúvel herdado do governo anterior, quando na verdade trata-se da maior oportunidade de investimentos que a Grande Cuiabá jamais viu para sua transformação urbanística. Querem arranjar um álibi para a incompetência. Mas a hora é de fazer, transformar as potencialidades da Copa em benefícios para o povo. Aquilo que foi o sonho da Copa virou um direito do povo cuiabano-várzeagrandense, além de um compromisso assumido por Mato Grosso perante o Brasil e o mundo. Não pode virar objeto de jogos políticos pequenos e arcaicos. A Copa tem que virar realidade. Em 1000 dias. Sem mais firulas ou futricas.

Share Button