O voto masoquista no Procurador

Por Eduardo Mahon Pense um instante: quanto tempo o Procurador Mauro se manteria no cargo de prefeito, se fosse eleito? Na campanha eleitoral, ele não tem um único candidato a vereador e, provavelmente, o PSOL não fará nenhuma cadeira na Câmara dos Vereadores de Cuiabá. Minha aposta é que não esquente a cadeira por seis meses.

Como se sabe, o partido controlado pela família do político não se coliga com nenhum outro, dificultando ainda mais a governabilidade. Diz o Procurador Mauro que governará por meio de plebiscito. Além de ilegal, ele não tem a menor ideia do custo milionário de uma consulta popular dessa natureza, ainda mais com pautas municipais.

Cuiabá não merece uma instabilidade dessa natureza. O voto de protesto deve ser consciente, sobretudo em tempos de crise. É a Câmara dos Vereadores – onde o Procurador Mauro não terá um único aliado – quem regula a vida municipal. São os vereadores quem aprovam as contas encaminhadas pelo prefeito, autoriza empréstimos, aprova convênios, fiscaliza a administração direta e indireta e, até mesmo, autoriza consulta popular como tanto prega o candidato do PSOL.

Noutras palavras, nem se o prefeito quiser, poderá convocar referendo ou plebiscito, conforme art. 11, XVII da Lei Orgânica de Cuiabá. É o mínimo de conhecimento que se esperava de um político que se candidata seguidamente de dois em dois anos. Lamentavelmente, o Procurador Mauro vem a público com uma plataforma revolucionária sem qualquer base fático-jurídica.

Temos uma composição atual da Câmara dos Vereadores de Cuiabá que seria impossível ao Procurador Mauro governar. Dos 25 vereadores da Casa, apenas 7 poderiam eventualmente servir de sustentação para um governo do Procurador Mauro, pertencentes ao Partido dos Trabalhadores. Isso porque a Executiva Nacional já determinou aos filiados do PSOL: “refutamos desde já qualquer aliança com partidos da direita, tais como: PSDB, DEM, PMDB, PR, PRB, PTB, PSD, PPS, PSC, SD e PP”.

Assim sendo, sobram o PT, o PSB e o PV que somam apenas 7 cadeiras, o que significa que o Procurador Mauro não teria força para aprovação de lei, indicações para cargos públicos, aprovação de contas. Nem o tão esperado plebiscito poderia ser efetivado sem apoio maciço do parlamento municipal.Essas constatações podem parecer excessivamente técnicas.

Mas fico sinceramente preocupado com o tipo de experiência que cidadãos inteligentes pretendem se aventurar. Parece-me que entramos num estado de desesperança tão grave que alguns cidadãos são capazes de se flagelarem com a ingovernabilidade. Hoje, mais do que nunca, será exigido um redobrado trabalho dos vereadores cuiabanos, porquanto reformas administrativas para equacionar as contas públicas devem ser realizadas, sob pena de insolúvel crise financeira. Em pleno jubileu de 300 anos de Cuiabá, a cidade não pode permanecer à deriva.

Penso que, francamente, o Procurador Mauro não quer se eleger de verdade. Se quisesse mesmo, poderia começar a carreira política no Poder Legislativo, seja como vereador, seja como deputado estadual. Sim, teria condições, base eleitoral e não seria nada mal àquele que pretende governar algum dia. A experiência parlamentar poderia amadurecer o candidato profissional a ponto de fazê-lo visualizar a importância da coligação partidária para dialogar e para governar.

A crônica megalomania política do Procurador Mauro nos leva a crer que o PSOL está a serviço apenas para abocanhar um naco do fundo partidário e promover uma única pessoa – ele mesmo, o líder, o presidente, o maioral Procurador Mauro. Imaginem se governasse de forma autocrática, sem qualquer base de apoio.

Se a Presidente da República não se mantém no cargo sem apoio parlamentar, o que dizer de um prefeito que se recusa à composição política? Seria uma tragédia para Cuiabá. Eu não mereço isso. Você também não. Não seja masoquista – vote com responsabilidade.

Share Button