Opção preferencial – por Jairo Pitolé Sant’Ana

Opção preferencialJairo Pitolé Sant’Ana (*) Mesmo convivendo com cerca de 45 mil mortes anuais no trânsito – mais de…

Publicado por Jairo Pitolé Sant'Ana em Quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

 

Mesmo convivendo com cerca de 45 mil mortes anuais no trânsito – mais de cinco mortos a cada hora – resultado de uma frota de mais de 90 milhões de veículos, a grande maioria (81%) formada por automóveis e motocicletas, boa parte dos brasileiros, pelo menos os 50% da população conectada à internet, prefere o transporte individual ao coletivo, mesmo reclamando dos constantes congestionamentos a que estão sujeitos.

A conclusão é de um estudo do projeto Comunica que Muda, de uma agência especializada em comunicação de interesse público. Durante dois meses, entre 5 de agosto e 5 de outubro de 2016, foram analisadas 392.932 menções sobre o tema mobilidade urbana nas principais redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, Google+ e Mediun, além de blogs e comentários em sites).

No universo pesquisado, quatro entre 10 menções (43,7%) priorizavam o transporte individual, enquanto 58,9% manifestaram o desejo de adquirir um veículo, seja carro ou moto. Apenas 29,5% – menos de três em cada 10 pessoas – mencionaram de forma positiva o transporte coletivo e suas alternativas. O restante, 26,8%, preferiu ficar em cima do muro e não dar sua opinião.

Também pudera! Poucas cidades brasileiras possuem transportes coletivos de qualidade, seja metrô ou ônibus. Dá pra contar nos dedos quantas são servidas pelo metropolitano – uma rápida pesquisa na internet mostra apenas 13 municípios, entre os 41 com mais de 500 mil habitantes.

Quanto ao VLT, ou metrô de superfície, alguns estão na mesma situação de Cuiabá. Ou seja, começou, mas não terminou e não se sabe quando fica pronta, apesar das constantes promessas de retomada das obras, desmentidas logo em seguida com anúncios oficiais de adiamento da suspensão do contrato, como divulgado nest’A Gazeta, na edição de 26 de janeiro deste ano.

A situação é bem mais lamentável quando se trata de ônibus. Embora a frota de ônibus e micro-ônibus tenha crescido proporcionalmente mais que a frota de automóveis entre 1998 e 2016, a questão está quantidade. Enquanto o número de automóveis registrados no Denatran saltou de 17,05 milhões para 51,01 milhões, a de ônibus e micro-ônibus saiu de 290,7 mil para 982,5 mil unidades.

Convenhamos que num país onde apenas 3 em cada 10 pessoas possuem automóvel, a equação não fecha quando se trata de transporte cujo modal é o ônibus. Tanto que 58% das menções sobre o transporte público, analisadas pelo Comunica que Muda, se referia ao problema de excesso de passageiros (ônibus lotados), com as pessoas viajando como se fosse sardinhas em lata.

Mesmo oferecendo um péssimo serviço, os empresários do setor alegam aumento de custos e insistem em reajustar o preço da passagem, embora em Cuiabá o prefeito tenha negado. Talvez o binômio – passagem cara + péssimos serviços – seja um bom motivo para o espantoso aumento da frota de motocicletas (e motonetas) no país. De 2,7 milhões de unidades em 1998 saltou para 24,7 milhões em dezembro do ano passado. Paralelamente, o número de mortos envolvendo este veículo triplicou na década. São mais de 12 mil mortes anuais.
Enquanto isso, vai-se empurrando coma barriga. Até quando, não se sabe.

(*) Jornalista – e-mail coxipoassessoria@gmail.com

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