TCE-MT suspende convênios para revitalização de Salgadeira entre o Sedec-MT e a Casa de Guimarães

Auditoria foi determinada anteriormente pelo presidente do TCE, conselheiro Gonçalo Domingos de Campos Neto – Foto: Divulgação

Da Assessoria | Medida cautelar concedida pelo conselheiro interino do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Moises Maciel, suspendeu a execução de três convênios ainda vigentes firmados entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Associação Casa de Guimarães, entre eles o de revitalização do Complexo da Salgadeira. A decisão interrompeu ainda qualquer pagamento com recurso público para a Associação e impediu que ela firme novos convênios com órgãos ou entidades da Administração Pública Estadual.

A cautelar foi concedida em Representação de Natureza Interna (Processo nº 360058/2017) proposta pelo Ministério Público de Contas e está disponibilizada no Diário Oficial de Contas que circula nesta segunda-feira (25/06). Em caso de descumprimento, a multa diária é de 10 UPFs.

Foram suspensos os Convênios nº 1327/2017 e nº 0630/2017, firmados entre a Sedec e a Associação Casa de Guimarães, vigentes, respectivamente, até 21 de agosto de 2018 e 2 de fevereiro de 2019. Já o Convênio nº 0165/2018, que envolve também a Secretaria de Estado de Cultura (SEC), no valor de R$ 946 mil, tem por objeto a realização de ações orientativas e recreativas para o uso sustentável do Complexo da Salgadeira.

Em análise preliminar, o MPC constatou que o site da Associação da Casa de Guimarães não traz cópia do Estatuto Social, a relação nominal dos dirigentes e cópia integral dos convênios, contratos, termos aditivos, parcerias, ou outros ajustes firmados com o Poder Executivo. Também inexiste no endereço eletrônico a prestação de contas desses convênios, o que fere a Lei de Acesso à Informação (LAI).

Para a realização de uma auditoria que não estava prevista no Plano Anual de Fiscalização do TCE-MT, o conselheiro comunicou a Presidência do TCE-MT, que acionou a Secretaria-Geral de Controle Externo (Segecex), que por sua vez solicitou à Secretaria de Informações Estratégicas do TCE-MT que verificasse supostas irregularidades que justificassem uma auditoria. Em resposta, a SIE apontou que a Associação firmou pelo menos 86 convênios com órgãos da Administração Pública Estadual e a Municipal, sendo credora de mais de R$ 35 milhões

“Tendo em vista a existência de fortes indícios de ilegalidade em 33 convênios firmados pela Casa de Guimarães, mesmo ela não tendo prestado contas de outros firmados anteriormente, além da destinação dos recursos públicos recebidos no montante de R$ 31,7 milhões para empresas de propriedade da responsável, Erika Maria da Costa Abdala, e de terceiros ligados a ela por vínculos de parentesco”, detalha trecho da informação prestada pela SIE.

Prejuízo aos cofres públicos

Para justificar a concessão da medida cautelar, o conselheiro Moises Maciel alertou para a existência de perigo de dano ou de risco ao processo caso a cautelar não fosse concedida. O principal objetivo é evitar atos ilegais, que podem já ter causado sérios prejuízos aos cofres públicos, e que ainda podem ser agravados.

Na decisão, o conselheiro sugere que a auditoria determinada anteriormente pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Gonçalo Domingos de Campos Neto, deve ser apensada aos autos da decisão. A Portaria nº 084/2018, que autoriza a auditoria e disponibiliza os servidores, foi publicada no DOC de 07/06.

Os convênios firmados entre a Administração Pública e a Associação Casa de Guimarães foram alvo da Operação Pão e Circo, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. A operação foi deflagrada em 22 de maio deste ano para apurar “fortíssimos indícios de práticas de ilícitos penais, como organização criminosa, peculato, falsidade ideológica, fraude e licitações e lavagem de capitais”.

Fonte: Tribunal de Contas de Mato Grosso

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O maior perigo É a tradição política brasileira de um governo não concluir as obras do antecessor, seguindo a máxima idiota de “não colocar azeitona na empadinha do outro”, mesmo com prejuízos para a população

A Arena e seus três por cento

    Como cuiabano, arquiteto e urbanista de formação, a Copa do Pantanal sempre me interessou como oportunidade jamais vista de grandes investimentos públicos e privados na Grande Cuiabá e assim acompanho o desenrolar das chamadas “obras da Copa” desde suas definições até hoje na expectativa de serem concluídas. Em um país onde é quase inviável a realização de obras públicas era previsível que num pacote de obras com cerca de 50 a 60 projetos de porte, muitas delas fossem concluídas após a Copa, ainda assim benéficas à cidade. O importante são as obras, a Copa foi um belo e extraordinário pretexto.

    O maior perigo era a tradição política brasileira de um governo não concluir as obras do antecessor, seguindo a máxima idiota de “não colocar azeitona na empadinha do outro”, mesmo com prejuízos para a população. No caso esse perigo deu logo a impressão de ter se dissipado com a eleição de um novo governo e as expectativas de inovação que prometia. Aguardava-se que as obras seriam retomadas e entregues ao povo com probidade administrativa e qualidade técnica.

Posse tomada, o novo governo paralisou as obras para as devidas auditorias. Só que passados 3 anos e meio poucas delas foram retomadas, concluídas ou consertadas, com demandas jurídicas intermináveis, inexplicáveis sendo o governador reconhecido como um dos maiores juristas do Brasil, com passagem marcante no Ministério Público Federal e no Senado da República. Cito como exemplo o caso da “ilha da banana”, cuja demolição foi iniciada para dar lugar ao “Largo do Rosário”, mas não concluída porque uma das desapropriações não foi resolvida. Uma, minúscula. Outro exemplo é a Arena Pantanal, destacada à época na imprensa internacional como o sétimo melhor projeto de estádios em construção no mundo e pela crônica esportiva internacional presente na Copa 2014 como a mais funcional das Arenas. Ficaram faltando 3% da obra. E faltam até hoje. Ou até mais, após quase 4 anos de um abandono disfarçado, sob alegação da obra não ter sido recebida por causa dos 3%. É tratada pelo governo como um “elefante branco”, quando a obrigação seria fazê-la render, atraindo turistas e eventos, e até abrigando funções como a Escola José Fragelli, a única manifestação correta de simpatia do governo para com a Arena Pantanal.

Em um ou mais artigos cheguei a crer não se tratar esta situação pós-Copa de um caso de incompetência administrativa, mas de um plano intencional de desconstrução política das obras da Copa, destruindo e demonizando no imaginário popular aquilo que foi o maior evento esportivo-cultural em Mato Grosso e o maior pacote de obras públicas e privadas na história da capital do estado, apesar dos seus muitos problemas. Seria por medo da sombra política de um governo anterior confessadamente corrupto, morto e enterrado politicamente? Ou vaidade?

Semana passada foi noticiado que o juiz Roberto Teixeira Seror “mandou o Governo anular a suspensão do contrato” com a empreiteira que tocava a obra do COT de Várzea Grande alegando que “como já dito alhures e demonstrado por farta documentação carreada aos autos, a morosidade, ao que consta do conjunto probatório, se deu por parte do contratante, o Estado, que criou entraves burocráticos, paralisou a obra de forma sucessiva sem justificativa, deixou de efetuar o pagamento das medições em dia, e, portanto, deu causa ao atraso na conclusão da obra”. Decepcionado, o despacho do juiz é um reforço para minha triste leitura do pós-Copa Pantanal. A impressão é que os muitos problemas nas importantes obras da Copa não são tratados para serem resolvidos, mas como pretextos para a desconstruí-las. E os 3% que faltam na Arena são, de fato, apenas uma desculpa para abandoná-la.

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Eduardo Mahon: A literatura sem pedágios de Luciene Carvalho

CUIABÁ DO AGORA – Eduardo Mahon

A literatura sem pedágios de Luciene Carvalho

Na resenha anterior, pretendi mostrar como a terra influencia a literatura em seus diversos momentos históricos, mais especificamente fenômenos ligados à Cuiabá e suas transições no tempo e espaço. Tracei um paralelo entre o cânone “aquiniano” que pretendia idealizar a imagem mato-grossense e cuiabana como uma espécie de Éden, cruzando-se raças fortes e corajosas, com a poesia da geração seguinte que se viu aturdida com o crescimento da cidade, com a descaracterização daquela vida bucólica da pequena urbe. O projeto identitário foi concebido pela dupla D. Aquino Correa e José de Mesquita.

No excelente ensaio A Cruz encobre a Espada, o escritor e estudioso Luiz Renato de Souza Pinto deixa anotado: “A construção de elogios, opúsculos, narrativas encomiásticas e qualquer texto de caráter laudatório a ‘grandes’ homens do período colonial e imperial brasileiro era apenas parte da tarefa a que se dispuseram cronistas como Varnhagen, Capistrano de Abreu, também serve de espelho para José de Mesquita, oferecendo outra visão para a historiografia nacional”. A conclusão de seu artigo retrata a força institucionalizadora do grupo literário da época: “José de Mesquita escreve para registrar uma visão canônica da história. A sua verdade legitima a ocupação do espaço do saber pelos que dominam o conhecimento. Seu cânone gira em torno de uma profusão de ideias capazes de reproduzir forças políticas nos embates. O lugar social de Mesquita é a representação institucional de uma suposta verdade, construto que procura não colocar o preto no branco, no sentido conotativo, e sim tapar os pontos escuros com a pátina do silêncio, já que, como diria Ferro (1985, p.37): esses silêncios sobre as origens, assim como todos os silêncios ligados à legitimidade, são garantidos pela própria força das instituições”.

Pois bem. A relação com a imagem idealizada de Mato Grosso e de Cuiabá parece ter gerado sofrimento nos escritores que a confrontavam com a realidade. Como simples amostragem, recorri à poesia de Moisés Martins que recorda o passado com nostalgia, Ronaldo de Castro que se revolta e denuncia e de Silva Freire que pretende uma reconciliação com o telúrico – três formas diferentes de perplexidade diante de uma cidade que crescia e continua crescendo. Enfim, apontei na poesia de Marli Walker uma nova perspectiva de visão sobre a terra – o olhar do migrante, o desengano com a opulência aparente, o custo ambiental, a exploração da terra e das famílias que gravitam em torno do agronegócio.

O cânone sobreviveu no tempo, porém. Parece-me que a produção mato-grossense era filtrada, recebida e reconhecida, desde que não se afastasse muito do padrão estabelecido inicialmente por Aquino/Mesquita. Outros poetas poderiam muito bem nos servir para retratar a terra pela visão canônica (terra mater) como, por exemplo, Maria de Arruda Muller:

No enredamento feraz, das silvas tropicais/ Cheias de ásperas, terríficas surpresas./ Dormias sob o céu estrelado, no silêncio/ Feito de mil sons da Natureza!…/ Vieram a ti, paulistas desabridos,/ Panache sem par, de homens destemidos/ Homens “de sertão”, impávidos, fogosos/ Mais feitos de aço, que de carne,/ Trazem a esta solidão, imensurável,/ O som da língua portuguesa,/ Misturado ao jargão do curiboca…/ Eles vieram, apresar índios e encontraram/ Tanto ouro, que em vez de ir, aqui ficaram!/ Berço de aborígenes valentes,/ Paiaguás, borôros, guatós, coxiponés/ Rebentos das raças ameríndias/ Que, na imensidade do torrão, viviam/ Há milênios, livres, soberanos…/ Mansos uns, outros agressivos,/ Receberam o invasor, apreensivos./ Coroada e rica, de silva e de flores/ Em ti se mesclam, frondes de gramíneas./ – Os épicos bramidos das torrentes,/ Os tonos do trovão, o grito das araras,/ Tudo convida a ficar, nela permanecer!/ Mas, o chocar de inúbias nas monções de caça/ Assusta e impele a luta, homens de outra raça/ Porque, do áureo metal, eras matriz,/ Metal que, então como hoje, tenta e impele,/ Tendo, no seio virginal a misteriosa flama/ Atraindo homens como chama a mariposa,/ Enfrentam a luta, afrontando a morte!/ Os pés cansados, da intérmina jornada,/ Pele curtida, veste esfarrapada,/ De Itu, Porto Feliz, de Sorocaba,/ Em grandes levas, vadeando rios/ Galgando serras, varando socavões e brenhas/ Transpondo cachoeiras, precipícios,/ Elegeram estes sítios pra morada!/ Moreira Cabral, Sutil, Martins Bonilha/ Contemplai Cuiabá, após “Forquilha”…

Já vimos que a festejada poeta comungava da mesma visão dos “homens destemidos” de Aquino/Mesquita. Veremos agora como observa Cuiabá, mais particularmente:

“Cidade Verde”, de claro céu e ardentias/ luminosas de arrojado pôr-de-sol…/ As tuas águas correntias,/ os teus suaves arrebóis…/ e tuas matas de ametista,/ que fascinam a fantasia de um artista!/ Terra tapisada de flores, broquelada/ de gemas…/ És Ariel, preso ao mundo pelos pés./ Atenta a um forte impulso, para a liberdade/ que a ferrovia te dará, gentil cidade./ “Cidade Verde”! Ao tropel de loucas ilusões/ fatigado: o seio palpitante/ patenteou alfim, o bandeirante,/ a ofuscadora e incrível realidade,/ nas tuas grupiaras e monchões…/ Daí, o núcleo, todo alacridade/ Do “Senhor Bom Jesus de Cuiabá”./ Rainha e primogênita desde a fundação,/ és de Mato Grosso e da Pátria o coração:/ vigias os misteriosos estendais, que balizam os pontos cardeais…/ De norte ao sul, de leste ao oeste,/ riquezas tão faustosas, quais de Ali Babá./ Dos confins da Amazônia ao Apa sorridente,/ o látex corre a flux e a ilex viridente,/ quanto mais se ceifa, mais de adensa em mata agreste./ E os diamantes, o ouro; do Garças ao Galera/ que fizeram a grandeza de vividas eras!/ “Cidade Verde”, és um tesouro!/ Tens ainda o mesmo ouro/ que fez ricos os reinos;/ sob o solo e no caráter dos teus filhos,/ Terra mater,/ ele faísca em mil fulgores./ Amplia a tua história!/ Escalando o céu de tua glória,/ filha de audazes, mãe de heróis!

A relação com a terra dá-se noutro eixo quando se trata dos últimos fluxos migratórios. Com relação aos “chegantes”, além de Marli Walker, eu bem poderia apontar Luiz Renato, Marta Cocco e o excepcional Santiago Villela Marques. Deste último, reproduzo “Confidências do Mato-Grossense” que retirei da coletânea “Nossas Vozes, Nosso Chão”, didática que deveria ser mais apoiada pelos poderes públicos. Eis Santiago:

Nesta vida de meus anos
nunca nasci em Mato Grosso.
Mas que saudade me dá
de morrer aqui.
O corpo encerrado no oco
do último tronco de cedro
antes que o inverso leve
da praia as folhas de jacarés
no vento,
e caia a pena do tuiuiú
madurada à força.
Além da chuvinha de agosto
ninguém não vai chorar por mim
que não tenho fazenda, não
nem sou dono de gado
nem sujo a mão de soja.
Que eu sou mato-grossense
e o Mato Grosso é dos outros.
Mas sou tantos couros
que quando me esfolarem
a pele de bicho morto
nem vai doer.

Portanto, além das novas fronteiras, há uma nova percepção de Mato Grosso, como era de se esperar com a contemporaneidade. O poeta denuncia a desigualdade social e confessa o “despertencimento”, percebendo a si mesmo como um mero objeto. Esse sentimento de exclusão não é uma grande surpresa. As análises literárias que cuidam de fluxos migratórios voluntários e compulsórios registram essa reação. O que me chama atenção é como o próprio mato-grossense, o próprio cuiabano, passou a se perceber. Mesmo em Cuiabá, esse paradigma poético de D. Aquino começou a ser revisto. Na cidade que passara pelas obras modernizantes, novas impressões surgiram sobre o relacionamento com a terra natal.
Um olhar menos idílico e mais realista surgiu no final do processo de reestruturação da cidade, ultimado com a queda da antiga catedral. Caía um símbolo. Como a poesia contemporânea se relaciona com essa Cuiabá renovada? Teremos algum vestígio de ressentimento, de resistência ou de luta? Ou as mudanças já estarão integradas na mentalidade do escritor? Qual o cenário que escolhem para a nova literatura produzida na capital?

Para responder à questão, gostaria de apontar Luciene Carvalho. A escritora é comumente estudada pelas múltiplas escrituras femininas em sua obra literária. No entanto, gostaria de analisar especificamente o relacionamento dos autores com a própria terra. No livro Ladra de Flores, ela também tenta escapar da descaracterização da cuiabania, fugindo para o quintal, porto seguro da poeta:

(…)
Vi o tempo que passava
Na Cuiabá dos meus trajetos
E a cidade era tão eu…
O que eram lágrimas
Fez-se pranto e arritmia
Não sabia
Se solidões
Ou poesia
Já na Barão, novo dilema
Como atravessar
O cinturão dos conhecidos
Amigas de infância e parentes
P’ra chegar ao meu quintal?

O quintal atual de Luciene Carvalho, localizado numa das antigas casas do Porto é um recorte da memória da poeta, uma fotografia onde ela vive ou se refugia. A topologia do Porto, aliás, está descolada da capital, talvez porque, desde o início, os habitantes do distante bairro tenham vivido à parte, com sua própria comunidade religiosa, sua escola pública e sua pracinha onde brincavam as crianças. O Porto é, de certa forma, uma oposição à cidade e à tradição, um mundo à parte ou uma outra tradição. A melhor poesia de Luciene Carvalho que representa essa bolha apartada do corpo urbano é “Outros Tempos”, do livro Porto:

Fui andando pelas ruelas/ tão aquelas/ do Porto de Cuiabá// têm história…/ crianças de hoje/ brincam com netos/ de vizinhos de outros tempos// o dono da padaria/ conhece Dona Maria/ sobrinha do seo João/ Jacira que lava a roupa/ em outros tempos foi louca/ de amor por Sebastião/ que hoje toca a padaria/ porque casou com Sofia/ a filha de um alemão./ E, aqui no bairro do Porto/ vizinho é de porta adentro/ é um bairro de outros tempos,/ tem outra arquitetura./ E o que se procura acha:/ é linha, anzol, borracha;/ macumba é na baianinha,/ chá de folha é no Suat// hortaliça, arame, linha/ tem vidraceiro, engraxate/ café moído na feira/ cabelereira, sapato// o que tem de história triste/ muito serviço barato.// tem puta de qualidade/ tem putinha de tostão/ pano de prato/ cultura/ tem pedinte/ tem cafetão/ tem virgem/ tem traficante/ tem carretel, tem barbante/ suor trabalho, mistura// tem Cuiabá neste bairro/ que em Cuiabá não tem/ tem tanta história importante/ que Deus salve o Porto, amém”.

Como se vê, as referências de Luciene Carvalho são completamente diferentes do cânone que tratava da Cuiabá bela e radiante, lugar para bravos e destemidos, terra de heróis que se doavam pela pátria. Para a poeta contemporânea, a tradição desloca-se para outra geografia, muito embora a intimidade típica de cidade pequena esteja sempre presente. No entanto, temos claro uma “Cuiabá do Agora”, representação de cidade que muda e a escritora segue esse fluxo contínuo. Novos cenários são integrados à paisagem. Muito mais do que na poesia, é na prosa que Luciene inverte o eixo saudosista. Cuiabá é usada como um cenário qualquer, sem o ressentimento típico da Cuiabanália, por exemplo. Percebam o tom de Ronaldo de Castro, na poesia Meninos de Rua:

Um crime sob os céus se perpetua,
que à bandeira da pátria traz vergonha…
É o desfile da infância seca e nua
a transpirar miséria, fel, maconha.
Qual lixo humano, soltos pela rua,
são meninos sem pais, a voz tristonha
a pedir pão, mostrando a face crua
da dor de quem não come e quem não sonha.
A rua, amarga escola de bandidos,
é o palco dos meninos preteridos
pela nação que não é mãe – é algoz…
Ó pátria desgraçada!… Os maltrapilhos
da rua, eles também são vossos filhos
– apertai-os no peito junto a vós!

É no livro Conta Gotas que a escritora evidencia mais agudamente essa “nova cidade”: febril, caótica e sensual – a metrópole que Cuiabá virou. No conto Nervoso, temos a periferia cuiabana sendo escolhida como cenário: (…) lanchonetezinha chinfrim, estreita e comprida, fruto de uma casa cuiabana revisitada. O texto não tem nostalgia, não usa expressões como “demolição”, “esquecimento”, uma melancolia típica na resistência à urbanização. Prossegue a escritora: então falei que ia na sua casa e fui no campinho do CPA IV. O bairro citado é distante do centro de poder cuiabano, deslocado do quadrilátero histórico tradicional e das igrejas respectivas. Dá-se o mesmo no conto Revelação: num domingo, ela havia sido liberada para ir a uma matinê no Clube Náutico, ali no comecinho da Várzea Grande, passando um pouquinho a ponte do Porto. Na ida, tudo certo, a turminha da vizinhança se divertiu pelo caminho e se esbaldou com o som de discoteca que embalava aquele fim de anos 70.

Durante a formação do cânone literário mato-grossense, nas primeiras décadas do século XX, seria vedado o cenário, a forma, e a intencionalidade da escrita de Luciene: os arrabaldes como CPA IV e a vizinha Várzea Grande estavam fora do interesse da capital. Isso para não dizer do enfoque principal do trabalho da escritora que é a revelação da mulher, seus desejos, mistérios, rituais, cobiças. Quero, porém, voltar a me concentrar no relacionamento com a terra. No mesmo Conta Gotas, a periferia é sempre relembrada, uma margem que está integrada com o centro, não cobra e não deve nada à tradição. Eis um trecho do conto Rota:

Ela desceu do ponto de ônibus da Prainha, perto do calçadão ainda meio tonta; passou em frente à joalheria onde haviam comprado as alianças em setembro passado, numa tarde de risos e cumplicidade. As lágrimas sucumbiram às lembranças, desabando pelo seu rosto, enquanto descia a 13 de junho em direção à farmácia Pax. Comprou uma Água de Melissa de um balconista solícito que, vendo seus olhos cheios de lágrimas, perguntou se ela queria mais alguma coisa. Quero, quero sim – ela pensava, enquanto seus lábios murmuravam um obrigada pálido “quero voltar as horas, mudar o caminho das coisas, quero acordar de novo nesse sábado…” ela decidiu ir a pé pra casa após pagar a nota da farmácia. Sua dor precisava de espaço e sua cabeça tinha entrado num rodamoinho de pensamentos sem controle… quero acordar de novo neste sábado e não inventar moda de querer ir à casa de Frederico pra ter uma conversa sobre nós dois – esse negócio de discutir relação é bobagem – ainda que eu saia de casa, que eu não pegue o ônibus do CPA, que eu vá ao Porto visitar Anginha. E mesmo que eu pegue o ônibus, que eu desça na subida do Araés e vá ver Zulma, que eu desça no centro e torre meu cartão. Quero qualquer força que me mude a rota, que me impeça de chegar à casa do meu Fred e usar a chave na porta.

O trato com a cidade é diferente. Os casarões já estão no chão, a igrejinha não existe mais. O aspecto provinciano deixou Cuiabá. Já estão incorporadas as mudanças que não são opostas. Explico a provável razão: a escritora Luciene Carvalho nunca partilhou das regalias do “centro”, dos costumes dos abastados, das viagens internacionais. E, se algum dia gozou do fausto das mais tradicionais famílias, o hábito não se incorporou à mulher geograficamente plantada no Porto, uma outra cidade, um outro universo. Em geral, há saudade da perda. Se imaginarmos que a escritora não comunga do sentido convencional de tradição e nem tampouco pretende replicá-la, não há porque a obsessão com um passado naturalmente mutante.

A vida da escritora está vinculada ao quotidiano urbano quando sai do mundo paralelo que é o quintal remanescente. Ela não se lamenta por ter perdido nada porque nada era realmente seu. Da mesa aristocrática, Luciene nunca se fartou. Aquele idílio cuiabano, cantado em verso e prosa, não pertenceu à maioria da população cuiabana. A atenção da escritora está voltada para uma cidade que, até então, era apagada na literatura: a Cuiabá da mulher comum que ganha um salário mínimo, anda de ônibus, espera nas filas de banco e consome comida de rua. Destaco um dos contos de Luciene Carvalho que mais me impressiona:

As lentes dos óculos Jackie O. refletem o cumprimento ‘oi!!!’ e só então seu dia começava de verdade. A calça branca de lycra agarrava com vontade o quadril farto que se demorava na ferragem da roleta, enquanto mãos cegas fingiam procurar o vale-transporte nos escaninhos mais que conhecidos da bolsa curta de camelô. Aquele breve interlúdio matinal vinha dando alma nova à manhã dela; já não se preparava apenas para limpar os corredores intermináveis do Hospital Geral, já não se exasperava com clorofórmios e desinfetantes, já não se incomodava com o escarro do pai que se levantava para continuar o porre interrompido na noite anterior; já não lhe pesava a chegada dos 45 anos. Não! Acordava para ele, se vestia e maquiava para ele; o cobrador da linha 508. Tinha que ser pontual para pegar o ônibus certo e poder realizar aquela cena matinal: unhas pintadas com esmalte vermelho escondiam o contato com os corrosivos e descansavam por um minuto sobre a caixa de dinheiro. O cabelo alisado com chapinha no fim-de-semana exigia que ela se inclinasse em direção à bolsa para mostrar seu balanço, a língua umedecia o lábio roxo de cuiabana antiga e: ‘Oi’!!!

O que se evidencia no texto de Luciene é a empregada doméstica, a secretária, a babá, a frentista, a enfermeira, milhares de mulheres do povo grandemente desaparecidas da primeira geração de escritores mato-grossenses. Esse “apagamento” como tão bem estudado por Marli Walker é simplesmente uma barreira imposta por intelectuais alinhados com o conservadorismo provinciano: não se publica e, se publica, não se comenta. Daí que a poesia divergente desaparece dos compêndios, das antologias, dos estudos universitários, da bibliografia enfim. Luciene Carvalho encontra-se desafiando o “standard” feminino consolidado em Mato Grosso: a mulher do lar, obediente e intelectualmente conformada. Mulheres havia, é certo, mas nenhuma com os quadris metidos na “calça de lycra”, as unhas enfeitadas de “esmalte vermelho” e os “lábios roxos”. Essas mulheres de Luciene Carvalho não estão castradas, para resumir numa frase.

De qualquer forma, essa “nova Cuiabá”, igualmente feminina e sensual, não censurada e livre de pedágios institucionais, vai surgir entre 1980 e 2000, mostrando-se mais mundana do que supunham os autores pudicos, religiosos e patrióticos que forjaram o cânone mato-grossense. Os tempos são outros: é a vez do agora. Luciene Carvalho continua produzindo. Estou à espera de “Dona”, o novo livro. A poeta promete que vai dar BO. Ela sabe o que está fazendo, sabe o quê e quem está provocando. Como dizia Bakhtin no seu Teoria do Romance: “por trás da narração do narrador lemos uma segunda narração: a narração do autor sobre a mesma coisa narrada pelo narrador e, além disso, sobre o próprio narrador. (…) Não perceber esse segundo plano intencional e acentual do autor implica não compreender a obra”. A gente está sacando tudo, Luciene. Vá em frente!

CUIABÁ DO AGORA – Eduardo MahonA literatura sem pedágios de Luciene CarvalhoNa resenha anterior, pretendi mostrar…

Publicado por Eduardo Mahon em Segunda, 25 de junho de 2018

 

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Entre Aspas: O surpreendente depoimento do ex-governador Silval Barbosa no qual relata as ‘exigências’ dos membros do TCE/MT para deixar as obras da Copa 2014 serem executadas

><> | Os conselheiros Antônio Joaquim, Valter Albano, José Carlos Novelli, Waldir Teis e Sérgio Ricardo, por conta da denuncia de SB estão afastados pelo STF.

O que nos surpreende, na lista de acusados de extorsão, é a inclusão do nome de Valter Albano, ex-secretário de Educação de Administração, de Educação e Fazenda (governos Dante de Oliveira), período no qual entrevistei diversas vezes e teve como assessora de imprensa a jornalista Dora Lemes, que nos dava a convicção de que ela não estava assessorando um corrupto.

Valter Albano diz NÃO. Silval Barbosa não pode mentir em sua delação. Deixo, portanto, minhas barbas de molho.

Eis a matéria assinada pelo jornalista Pablo Rodrigo, repórter do GD. Abre aspas:

Silval diz que relatórios do TCE na Copa foram usados para chantagem

O ex-governador Silval Barbosa voltou a denunciar os 5 conselheiros afastados do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de extorsão. Durante depoimento à Justiça Federal, o ex-gestor disse que a maioria dos relatórios das obras da Copa produzidos pela Corte de Contas tinha cunho de pressioná-lo para ceder a supostas chantagens.

“Só eu sei o que passei de chantagem, de extorsão, pra realizar essas obras da Copa aqui e todas. Esses 5 conselheiros me extorquiram enquanto eu não fiz um acordo pra eles deixarem eu tocar todos os programas”, disse Silval durante seu depoimento.

“E quando eu atrasei chegaram a suspender obr- veja vídeoas do MT Integrado. Está em minha colaboração. Então era uma coisa horrível, podre. Por isso hoje eu me sinto confortável em estar colaborando com a Justiça para ver se isso acaba”.

O ex-governador também explicou que só cedeu às pressões dos conselheiros por conta do acordo que o Estado tinha com a Fifa para receber os 4 jogos da Copa do Mundo de 2014. “Numa gestão normal, se você vir pressionar hoje aqui vocês conseguem empurrar, dizer não ou não ceder pressões”, afirmou.

Os conselheiros do TCE foram acusados pelo ex-governador Silval Barbosa de terem recebido R$ 53 milhões de propina em troca da autorização da Corte de Contas para o governo dar continuidade nas obras da Copa do Mundo e da aprovação das contas do último ano de governo de Silval Barbosa.

Dentre os conselheiros que foram citados por Silval, estão o ex-deputado Sérgio Ricardo (que já estava afastado do TCE), José Carlos Novelli, Antonio Joaquim, Valter Albano e Waldir Teis.

O afastamento foi terminado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) na 12ª fase da Operação Ararath, denominada Malebolge, e que foi deflagrada no dia 14 de setembro do ano passado.

Todos os conselheiros afastados negam as acusações.

Veja vídeo:

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Ninguém ganha o jogo por antecipação; não vale a tradição, o poderio econômico, a fama e o alto salário dos jogadores, lembra Sebastião Carlos

Lição para fora do campo

Por Sebastião Carlos | Que lições podemos extrair da partida recém-finda? Uma delas, é que ninguém ganha o jogo por antecipação. Não vale a tradição, o poderio econômico, a fama e o alto salário dos jogadores. Começado o jogo, o que vale mesmo é a disposição de luta do time tido como inferior.

A outra, é que os gigantes também tombam. Começado o jogo, ainda que a grande habilidade, [alguns são mesmos extraordinários], dos craques do time inicialmente mais poderoso possa representar vantagem expressiva, no entanto, nem sempre ela se torna decisiva para alcançar a vitória.

Acabamos de assistir a dois eloquentes exemplos do que afirmo, e outros virão.

Vimos a poderosa Argentina, [5ª no ranking da FIFA] do grande Messi [2º melhor do mundo], tombar ante a quase desconhecida Croácia [20ª], sem nenhum jogador entre os maiores do mundo. Antes, já tínhamos visto o Uruguai [bi campeão mundial, 14º na FIFA, com um dos melhores cracks da competição, L. Soares] penar muito para ganhar por 1 gol do desconhecido Egito [45º na FIFA]. E agora, acabamos de assistir o poderoso Brasil [2º no ranking da FIFA], que tem 11 brasileiros entre os cem melhores do mundo [segundo o The Guardian] suar e chorar para vencer a Costa Rica [23ª da FIFA], uma seleção novata em Copa do Mundo e sem maior expressão, e mesmo assim só tendo conseguido nos minutos finais, já nos acréscimos.

Esta a lição maior: Não há poderosos, nem vitoriosos, por antecipação quando diante deles se antepõe um espírito aguerrido e determinado à luta. E não se ganha um jogo apenas pela vontade da torcida.

Para quem serve a lição? Para todos nós. Mas certamente servirá mais ainda para os que, auxiliados por áulicos espalhados por todos os cantos, em seus arredores e na imprensa submissa, já cantam vitória por antecipação, habituados que estão ao domínio da vida publica.

Para emoldurar, vem-nos um verso do grande e majestoso Fernando Pessoa [13/06/1888 – 30/11/1935] que neste mês se comemora os 130 anos, e que é também um recado aos poderosos do momento e aos seus submissos: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares”.

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Agora estamos sem Waldir Pires, um dos grandes homens públicos brasileiros, que desencarna aos 91 anos em Salvador

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil  Brasília

Segundo a assessoria do hospital, Pires teve uma parada cardiorrespiratória por volta das 10 horas. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas o político baiano não respondeu aos esforços e faleceu.

 Nascido em Acajutiba (BA), em 21 de outubro de 1926, Pires formou-se em Direito. Ingressou na política após militar no movimento estudantil, com o qual atuou nas campanhas em defesa da Petrobras.

Foi secretário de governo da gestão de Luís Régis Pacheco Pereira (1951-1955), deputado estadual e federal. Após a renúncia do ex-presidente da República Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, apoiou a posse de João Goulart, vice-presidente constitucional, cujo nome era vetado pelos ministros militares. Após o golpe civil-militar de 1964, teve seus direitos políticos suspensos e se exilou primeiro no Uruguai, depois, na França, onde se tornou professor da Faculdade de Direito da Universidade de Dijon e do Instituto de Altos Estudos da América Latina da Universidade de Paris, em 1968.

Após retornar ao Brasil, em 1970, retomou as atividades políticas. Em 1985, assumiu o Ministério da Previdência e Assistência Social durante o governo José Sarney. Em 1987, foi eleito governador da Bahia, cargo que ocupou até retornar à Câmara dos Deputados, em 1990, pela segunda vez. Em 2003, foi nomeado por Lula ministro-chefe da Corregedoria-Geral da União (CGU), posto que deixou em março de 2006, para assumir o Ministério da Defesa. À frente da pasta, enfrentou a crise do setor aéreo, uma das mais graves do governo Lula.

Source: Ex-ministro Waldir Pires morre aos 91 anos em Salvador

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Afrânio Silva Jardim: Os ‘legados’ negativos da Lava-jato

ALGUNS DOS MUITOS "LEGADOS" NEGATIVOS DA OPERAÇÃO "LAVA JATO". ELA AINDA NÃO MORREU, MAS JÁ VAI ENTRAR NO C.T.I. Como…

Publicado por Afrânio Silva Jardim em Domingo, 17 de junho de 2018

ALGUNS DOS MUITOS “LEGADOS” NEGATIVOS DA OPERAÇÃO “LAVA JATO”. ELA AINDA NÃO MORREU, MAS JÁ VAI ENTRAR NO C.T.I.

Como se costuma dizer: “perguntar não ofende”. Por isso, buscando ser acessível ao grande público, me utilizo desta forma mais didática para que mesmo pessoas leigas melhor compreendam algumas das questões técnicas que foram desconsideradas pelo nosso sistema de justiça criminal, no afã de condenar o ex-presidente Lula, em um inusitado Lawfare em nosso país.

Apesar de alguns aspectos positivos da Lava Jato, a verdade é que ela deixará sequelas indeléveis em nossa sociedade e também em nosso sistema penal e processual penal. Danos que perdurarão por gerações.

1 – MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.

Que providências foram tomadas pelos Procuradores da República de Curitiba, diante da humilhação a que foi submetido, publicamente, o preso Sérgio Cabral?

Como sabem, em desrespeito à lei n.4898/65 e à Súmula vinculante n.11 do S.T.F., ele foi algemado e acorrentado pelos pés, como se fosse um escravo no século XIX, além de outras práticas coercitivas abusivas.
Agora a lei não é mais para todos? Existem funcionários públicos acima das leis e da Constituição Federal, que proíbe tratamento degradante ou cruel a qualquer pessoa presa?

2 – O ATUAL PODER JUDICIÁRIO “TEM LADO”?

Será que a Ministra Carmen Lúcia ainda não percebeu que, em toda a sociedade capitalista, como a nossa, há uma divisão de classes sociais com interesses distintos?

Se percebeu, por que ela, enquanto Presidenta do S.T.F., foi jantar com grandes empresários e jornalistas ligados à mídia empresarial, passando informações sobre o futuro funcionamento daquele tribunal?
Por que ela nunca jantou com líderes sindicais, líderes populares e jornalistas ligados às mídias alternativas ???
Como cidadãos, não temos o direito de pensar que grande parte do nosso Poder Judiciário “tem lado”?

3 – O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PODE DEIXAR DE APLICAR UMA REGRA JURÍDICA POSITIVADA E CONSAGRADORA DE UM PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL?
PRISÃO COMO EFEITO DE ACÓRDÃOS RECORRÍVEIS (que dispensa a demonstração de sua necessidade).

De duas, uma: ou o S.T.F. declara inconstitucional o artigo 283 do Cod.Proc.Penal, que consagra o princípio da presunção de inocência, ou ele tem de aplicar a regra jurídica, que é clara e objetiva.
Fora daí é cinismo e puro ativismo judicial, violador do Estado de Direito.
Vejam a regra que o S.T.F. se nega a aplicar:

ARTIGO 283: Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA TRANSITADA EM JULGADO, ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

4 – SERÁ QUE NÃO HÁ LIMITES PARA TANTOS DISPARATES?

O Ministério Público Federal, em alegações finais, pugnou pela condenação do réu Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil, a uma pena de 30 (trinta) anos de reclusão !!!

Será que não têm mais noção do senso do ridículo a que estão expondo o Ministério Público???

Em que livros estudaram estes desorientados punitivistas ???

Em 16 anos, no Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro, participando de julgamentos de homicídios bárbaros e cruéis, jamais presenciei um juiz-presidente fixar uma pena tão alta e desproporcional. Aliás, em 31 anos do Ministério Público, jamais tomei ciência de uma sentença com pena de prisão tão elevada !!!

Mais do que perplexo, estou preocupado com o que está ocorrendo com o Ministério Público Federal !!!

5 – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.

Caso Lula. Alguém sabe explicar por que o juiz Sérgio Moro se negou a ouvir o testemunho do sr. Vaccari, referido pelo corréu Léo Pinheiro como participante direto das supostas tratativas para alienação do triplex pela OAS, fato este contundentemente valorado na insólita condenação do ex-presidente Lula???

Que juízo de conveniência teria predominado na decisão do juiz Sérgio Moro???

“Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas partes.
§ 1o Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se referirem.”

6 – Alguém sabe explicar se os Procuradores da República, para atuarem nos processos penais, são previamente lotados em órgãos de atuação ou execução, cuja atribuição esteja prevista em algum ato normativo, segundo critérios objetivos e impessoais???

Em outras palavras: como obedecer à regra expressa na Constituição Federal da INAMOVIBILIDADE dos membros do Ministério Público se eles não são lotados em órgãos dos quais não possam ser removidos??? Cargo público e órgão de atuação não são coisas distintas?

Ainda em outras palavras: alguém sabe explicar se o Ministério Público respeita o chamado “princípio do Promotor Natural”, que visa assegurar a independência funcional de seus membros, independência esta expressamente prevista na Constituição Federal???

7 – Caso Lula. COMPETÊNCIA DO JUIZ SÉRGIO MORO.

Alguém sabe explicar que tipo de conexão deslocou a competência da justiça estadual de São Paulo (Comarca de Guarujá) para o juízo da 13.Vara Federal de Curitiba ??? (caso do Triplex da OAS, que dizem que é do ex-presidente Lula).
Ainda: se houvesse alguma espécie legal de conexão, ela seria com qual outro crime da competência do juiz Sérgio Moro?

Ainda: se houve a conexão, por que modificar uma competência se não haverá unidade de processo e julgamento?

8 – ALGUÉM SABE EXPLICAR COMO PODEMOS TER EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA DE PRISÃO DIANTE DO QUE ESTÁ ESCRITO NO ARTIGO DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL TRANSCRITO ABAIXO ?
“Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória TRANSITADA EM JULGADO ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011)”.

9 – ALGUÉM SABE EXPLICAR SE HÁ ABUSO DE ACUSAÇÃO?

De que forma um ocupado Governador de Estado, como o do Rio de Janeiro, pode também ser, simultaneamente, chefe de mais de 12 organizações criminosas diferentes??? Caso Sérgio Cabral.

10 – CONDENAÇÃO QUE NÃO INDIVIDUALIZA O CRIME QUE O RÉU TERIA COMETIDO???

Alguém sabe explicar por que a 8ª. Turma do Tribunal Federal da 4ª. Região não disse quando, onde, como e nem de que forma o ex-presidente Lula RECEBEU o apto. Triplex de Guarujá, como pagamento de indevida vantagem, não sendo ele funcionário público e sendo este fato desvinculado de sua atividade como Presidente da República? Não é esta a conduta imputada ao ex-presidente?
Será que, na realidade, o ex-presidente foi condenado por condutas penalmente atípicas, tais como: gostar de um imóvel; visitar um imóvel; ter sido o tríplex lhe destinado; ter sido o tríplex lhe reservado; estar interessado na aquisição de um tríplex; ter sido um imóvel lhe atribuído; ter sugerido a realização de obras em um imóvel que poderia adquirir no futuro???

Tais condutas, apesar de não serem delituosas, foram referidas no acórdão para legitimar uma condenação absurda.

11 – Os acordos de cooperação premiada (delação premiada) podem conter cláusulas que contrariem expressamente o que está disposto no Cod.Proc.Penal, na Lei de Execução Penal e no próprio Cod.Penal ???

12 – O Conselho Nacional do Ministério Público pode legislar sobre o Direito Processual Penal?
As suas Resoluções 181/17 e 183/18 podem derrogar o sistema que está consagrado no atual Código de Processo Penal?

13 – Juiz pode dar publicidade a gravações resultantes de interceptações telefônicas ilegais?

14 – Juiz pode determinar interceptações telefônicas no escritório dos advogados de réus?

15 – Juiz pode dar publicidade a gravações telefônicas de conversas particulares entre pessoas que sequer são indiciadas no inquérito policial, violando o direito à intimidade das pessoas?

16 – Enfim, diante disto tudo pergunto: como afirmar que estamos em um verdadeiro Estado de Direito???
Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Processual Penal pela Uerj

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“Estamos no Estado que apresenta os maiores índices brasileiros de violência contra a mulher, uma tragédia sob todos os aspectos”, diz Eduardo Mahon

Ensinar a não bater (E.M)A deputada Janaína Riva apresentou um projeto para ensinar nas escolas métodos de prevenção à…

Publicado por Eduardo Mahon em Quarta-feira, 13 de junho de 2018

Ensinar a não bater (E.M)

A deputada Janaína Riva apresentou um projeto para ensinar nas escolas métodos de prevenção à violência contra a mulher. Foi o suficiente para que uma artilharia pesada fosse disparada nos grupos de discussão: a escola precisa ensinar matemática – é o melhor argumento. Os mais criativos dizem que a escola contemporânea precisa ensinar ao aluno a escrever machismo com “ch”. O tema vira piada. Ocorre que não é nenhuma piada. Estamos no Estado que apresenta os maiores índices brasileiros de violência contra a mulher, uma tragédia sob todos os aspectos. A escola precisa ensinar matemática? É claro. Mas, pense um segundo: quantas vezes, na vida prática, você utilizou a fórmula de báskara? Quantas vezes lembrou do logaritmo de base dez ou da fórmula do apótema da base de uma pirâmide triangular? O que mais temos no ensino é uma coleção de informações sem o menor nexo, sem que o professor saiba orientar quando e onde poderemos utilizar essa decoreba. Nas matérias humanas, dá-se o mesmo. Quem se lembra que a população de Palmas é de 217.056 habitantes?, que Ácia Balba Júlio Segunda Cesônia casou-se com Caio Otávio, primeiro imperador romano?, que “fato”, em bom português, significa terno enquanto facto é um acontecimento?

O que a escola ensina é uma eleição, ou melhor, uma convenção conforme o tempo e lugar. Não há conteúdo sagrado, um tabu escolar. As ementas das disciplinas estão a mudar e é bom que assim seja. Do contrário, estaríamos ainda na época das palmatórias, onde se aprendia os casos nominativo, genitivo, dativo, acusativo, ablativo, vocativo ou locativo, sob ameaça de ajoelhar no milho. A educação muda como a sociedade muda. Aprender na escola elementos do quotidiano que podem transformar a forma de convívio futuro é essencial. Não há regras na sociedade? Evidente. Por que a escola não ajudar a juventude a observar, entender e praticar valores e comportamentos? Não vejo qualquer problema. Mas e o seno, o cosseno e a tangente? Vão bem, obrigado. Ensinar valores em nada atrapalha o ensino da matemática, fiquem tranquilos. O que mais me causa perplexidade é gente esclarecida ser contra.

No mundo todo, há programas escolares de educação no trânsito. Por quê? A explicação é óbvia: as crianças e jovens, algum dia, serão condutores. Portanto, é preciso se habituar com a forma de convívio no trânsito, suas regras e, inclusive, a etiqueta: dar preferência ao pedestre, não guiar com luz alta, respeitar a velocidade. Ora, se crianças são ensinadas a respeitar placas de trânsito, qual a razão pela qual não seriam educadas para a não violência contra mulheres, pessoas com outras identidades sexuais, culturais e religiosas? Na minha opinião, o que mais falta no Brasil é o ensino da tolerância. Estamos ficando adoecidos. Há censores da vida alheia em toda a parte, pacíficos ou violentos. Não admitem a alteridade, o diferente. Incomodam-se com a diversidade. São esses mesmos que pretendem afastar a educação do caminho da tolerância. São esses mesmos que acreditam que a escola é lugar para decorar a tabuada, o emprego do hífen, a população de Palmas, a fórmula do apótema da base da pirâmide triangular.

Tenho uma certa pena de gente quadrada, ou seja, que tem as arestas idênticas. Sofrem com a convivência em sociedade, almejando que sejamos uniformemente tratados para que nos tornemos idênticos. A educação contemporânea não está aí para isso, felizmente. Quer-se um ser humano pleno, sensível a problemas sociais e que tenha meios para transformar a realidade. Quer-se ética. Ensinar a não bater em mulher, a não agredir negros, a não insultar judeus, a não roubar o público ou o particular, a respeitar decisões majoritárias, a não ser beligerante, enfim, é muito mais importante do que decorar o ciclo de Krebs. Francamente, como tem gente que fecha os olhos para a realidade e nega-se ao óbvio! Diante dos índices avassaladores de violência contra mulheres, contra gays, contra negros, deveríamos mesmo tornar obrigatória a disciplina de humanidade. Pois o que mais falta hoje em dia é isso: humanidade – voltar a conscientizar o homem de que não é mais um macaco e que, portanto, precisa aprender valores, convívio, diálogo etc. Eis o beabá da educação.

Eduardo Mahon é advogado e escritor.

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Hoje, 13 de junho completam 4 anos do primeiro jogo da Copa do Pantanal, lembra Zé Lemos

Copa do Pantanal, 4 anos

Por José Antônio Lemos | O cuiabano sempre foi amante do futebol. Na minha infância jogava-se bola em qualquer lugar com qualquer objeto de aparência esférica que aparecesse, um papel amassado, uma laranja e às vezes até uma tampinha de garrafa abandonada no pátio da escola, com dois “bambolês” de traves. Porém nem mesmo o mais apaixonado cuiabano amante do futebol havia sequer pensado que um dia Cuiabá pudesse sediar uma Copa do Mundo, o olimpo mundial de tão querido esporte. E não é que aconteceu? No próximo dia 13 de junho já se completam 4 anos do primeiro jogo da Copa do Pantanal, evento que foi até o dia 24 do mesmo mês, abrindo com Santo Antônio e fechando com São João. Contudo, um triste processo de desconstrução política a faz parecer bem mais distante, já quase esquecida. Mas não dá para esquecê-la fácil.

Junho de 2014 chegou com os primeiros turistas. O primeiro, Cristian Guerra, chileno, chegou depois de 4 meses de viagem de bicicleta. E logo chegaram aos milhares, alegres, dando aula de como torcer aos brasileiros. Os chilenos uníssonos com seus “chi-chi-lê-lê”, os australianos de cangurus e coalas. E também vieram os russos, nigerianos, coreanos, os bósnio-herzegovinos, colombianos e os japoneses ensinando civilidade ao limpar a Arena após o jogo, lição usada pela torcida do Cuiabá no primeiro jogo de seu time após a Copa, mas ficou só nesse primeiro e depois esqueceram. Podiam relembrar.

Os colombianos trouxeram sua rainha, a bela Shakira e deixaram a lembrança do gol de James Rodriguez, escolhido por ele como o seu mais bonito, ele que depois foi eleito o Craque das Américas e que chegara como mero substituto do então astro maior colombiano machucado. Veio Bachelet, a presidente do Chile, Wolverine, o príncipe da Austrália e outras personalidades globais que nem foram percebidas em meio a turba alegre e festiva que lotou a Arena, o Fan Park, a Arena Cultural e a Praça Popular ponto de encontro de todas as torcidas. Fora dos jogos e das festas, o Centro Geodésico foi lugar de visitação constante, com os turistas sul-americanos procurando suas capitais no piso do marco.

Ao final as pesquisas noticiadas constataram que 91,6% dos visitantes aprovaram Cuiabá e recomendariam Mato Grosso como destino turístico. Em pesquisa do Ministério do Turismo 99% dos visitantes escolheram Cuiabá como a sede mais hospitaleira e a Arena Pantanal foi a preferida entre os jornalistas estrangeiros pelo site UOL, logo a UOL, sempre tão dura com Cuiabá. Até o New York Times se rendeu àquela que chamou de “a menor das cidades-sede”. Quer mais? Mais importante, cerca de três quartos da população local aprovaram as transformações trazidas pela Copa e acham que a cidade não passou vergonha, isso a 4 anos atrás, quando bem menos obras estavam concluídas ou em uso.

Mas para Cuiabá a Copa vai além dessa festa tão bonita. Ela elevou sua autoestima e ensinou o cuiabano a cobrar pelas obras e serviços públicos a que tem direito pressionando-o a continuar cobrando a conclusão de todo o legado prometido de obras públicas e que ainda estão a exigir muita atenção e cobrança pela população. Mas, uma vez aprendido, no rastro da cobrança das obras da Copa, que sejam cobradas também as demais obras públicas, muitas das quais vêm de bem antes da Copa e ainda se arrastam sem perspectivas de conclusão.

O importante é que a Copa do Pantanal, o evento em si, aconteceu com enorme sucesso em todos os sentidos, superando as expectativas dos maiores otimistas. Para aqueles que apostavam que a cidade seria o “patinho feio” da Copa no Brasil, Cuiabá acabou se mostrando como um belo tuiuiú serenando bonito no alto, para depois se assentar vitorioso no chão, como na letra do siriri tão conhecido.

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Entre aspas: Blairo Maggi, que se tornou ministro após o golpe, será julgado pela Justiça de MT no caso da compra de vagas no TCE-MT, assim decide o STF 

1ª Turma do STF decide que ministros só terão foro para supostos crimes cometidos no cargo – Notícias – Política

Felipe Amorim
Do UOL, em Brasília

A 1ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta terça-feira (12) que ministros de Estado só poderão ser julgados na própria Corte por supostos crimes cometidos durante o mandato atual e relacionados à gestão. A decisão foi tomada durante julgamento que tirou do STF e mandou para a primeira instância da Justiça do Mato Grosso um inquérito contra o ministro Blairo Maggi (PP). Ele é senador e está licenciado do cargo para chefiar a pasta da Agricultura.

Os ministros Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello votaram por enviar o inquérito para a primeira instância. Apenas o ministro Alexandre de Moraes foi favorável ao envio para o STJ.

A decisão representa um precedente na restrição do foro, mas por ser tomada em turma, e não no plenário, não está claro se a nova regra deverá ser aplicada automaticamente a todos os casos semelhantes. A 2ª Turma costuma adotar decisões diferentes da 1ª em outros temas processuais, como por exemplo a aplicação da pena de prisão para parlamentares

A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou Maggi por suspeitas de ter participado de um esquema de compra e venda de vagas no TCE-MT (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso), em 2009, quando ele era governador do Estado. O conselheiro do TCE-MT Sérgio Ricardo de Almeida também foi denunciado pela Procuradoria nesse processo.

Esta é a primeira vez que uma decisão do STF aplica a nova regra do foro privilegiado para um ministro de Estado e para um conselheiro de Tribunal de Contas. Em maio o plenário do Supremo decidiu restringir o alcance do foro para deputados federais e senadores. Com a decisão, só deveriam permanecer julgados no STF crimes cometidos pelos parlamentares durante o mandato e que possuíssem relação com o cargo.

A decisão de maio da Corte não fez referência ao caso de ministros de Estado, também protegidos pelo foro no Supremo, nem a conselheiros de tribunais de contas, que têm foro no STJ. A PGR então pediu, no inquérito contra Blairo Maggi, que a restrição do foro também fosse aplicada a parlamentares licenciados para ocupar o cargo de ministro.

Source: 1ª Turma do STF decide que ministros só terão foro para supostos crimes cometidos no cargo – Notícias – Política

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Canto Manifestação, letra de Carlos Rennó e voz coletiva dos artistas brasileiros

Música de Russo Passapusso, Rincon Sapiência e Xuxa Levy, letra de Carlos Rennó
Cantam: Ana Cañas, As Bahias e a Cozinha Mineira, BNegão, Camila Pitanga, Chico Buarque, Chico César, Criolo, Ellen Oléria, Fernanda Montenegro, Filipe Catto, Larissa Luz, Letícia Sabatella, Ludmilla, Luedji Luna, Marcelino Freire, Marcelo Jeneci, Marcia Castro, Moska, Paulo Miklos, Pedro Luis, Péricles, Pretinho da Serrinha, Rael, Rico Dalasam, Rincon Sapiência, Roberta Estrela D’Alva, Russo Passapusso, Siba e Xênia França.

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Eleições para nova diretoria do IHGMT será no próximo dia 26, na Casa Barão

O Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso irá renovar a sua diretoria. As inscrições para chapa já estão abertas e vai até o dia 26 de junho, quando também acontece o processo eleitoral, que poderá ser por escrutínio secreto ou por aclamação, se a assembleia geral reunida assim decidir.

Leia o edital completo:

Edital de eleição da Diretoria do IHGMT, gestão 2018-2020

A Diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, no uso de suas atribuições legais e estatutárias, faz publicar o Edital para convocação da Assembleia Geral dos Sócios Efetivos da Instituição para Eleição da Diretoria, exercício 2018-2020. O período para a efetivação de inscrições de Chapas será de 26 de maio a 26 de junho de 2018, realizada na sala do IHGMT, em todas as segundas e terças-feiras no período vespertino (14h00 às 16h30) e às quartas-feiras no período matutino (das 8h30 às 11h30). Somente poderão concorrer aos cargos da Diretoria e a votar os Sócios Efetivos em dia com a Tesouraria, até 2018. A inscrição somente será realizada por chapa completa: Presidente, 1º Vice-Presidente, 2º Vice-Presidente, 1º Secretário, 2º Secretário, 1º Tesoureiro, 2º Tesoureiro e Conselho Fiscal. A forma de eleição da nova Diretoria do IHGMT será realizada por escrutínio secreto, podendo também se dar por aclamação, por decisão da Assembleia Geral Reunida, o que se dará somente no caso de apresentação de chapa única (Artigo 17). A Assembleia Geral será instalada às 9h30, em primeira convocação, com a presença da maioria dos membros efetivos no pleno gozo dos direitos estatutários e, em segunda convocação, 30 (trinta) minutos após, ou seja, 10h00 com qualquer número (Artigo 22) e sob as mesmas condições. A votação é pessoal, presencial e intransferível, não sendo admitidos votos por procuração. O processo eleitoral será realizado no dia 26 de junho de 2018, última terça-feira do mês do citado mês, das 9h00 às 11h00, no salão lateral da Casa Barão de Melgaço, ao final do que serão apurados os votos, sendo vencedora a Chapa que obtiver maior número de votos. No caso de aclamação, deverá a mesma ser realizada às 9h30 do mesmo dia 26 de junho de 2018. Ao final do processo, o Presidente em exercício deverá proclamar a Chapa vencedora. Todos os eleitos deverão se comprometer a assinar a ata da Assembleia Geral e apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, a documentação exigida pelo Cartório para registro da nova Diretoria.  A ata consubstanciando o resultado final deverá ser assinada por todos os presentes (votantes e eleitos). Cuiabá, 26 de maio de 2018. Elizabeth Madureira Siqueira (Presidente).

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O potencial brasileiro para a implantação de novos museus e os 200 anos do Museu Nacional

Da Assessoria | No próximo mês, o Brasil comemora os 200 anos de fundação do Museu Nacional (RJ), hoje vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, um marco para o estabelecimento dessas instituições em terras brasileiras. No início do século eram 12 museus existentes e hoje são mais de 3,8 mil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), do Ministério da Cultura.

Do total de museus mapeados, 40% estão na região Sudeste e 27% no Sul do País. Nessas regiões estão concentradas 2540 instituições, sendo São Paulo o estado com o maior número (667), seguido por Rio Grande do Sul (475), Minas (432), Rio de Janeiro (324) e Paraná (302). A região Nordeste tem 21% da representatividade, com 809 museus. Já as regiões Norte e Centro-Oeste juntas tem apenas 459 instituições, o que representa 12%.

“Embora o número de museus tenha aumentado, o Brasil tem potencial para implantação de novas instituições. Para se ter uma ideia, no último levantamento realizado pelo Institute of Museum and Library Services (agência governamental independente que registra o número e o tipo de museus), em 2014, os Estados Unidos – com extensão territorial próxima a nossa –  contam com mais de 35 mil instituições, sendo maioria de pequenos museus, quase familiares”, afirma Nelson Colás, diretor de Relações Institucionais da Federação de Amigos de Museus do Brasil (Feambra). “O cenário é animador se pensarmos nas potencialidades. Entretanto, não podemos esquecer que ainda é necessário avanços na preservação, investimentos e qualificação de pessoal”, finaliza Colás.

 Museu Nacional (RJ) – Com acervo de mais de 20 milhões de itens, constituído principalmente por itens relacionados às áreas de Antropologia, Botânica, Entomologia, Geologia e Paleontologia, o Museu Nacional/UFRJ é a mais antiga instituição científica do Brasil voltada à pesquisa e à memória da produção do conhecimento, hoje reconhecida como centro de excelência de pesquisa em história natural e antropológica na América Latina.

Alguns números a partir da criação do Museu Nacional (RJ)

Após a Independência do Brasil novas instituições foram fundadas:

1838 – Museu do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro;

1895 – Museu de História Natural – Hoje Museu Paulista Ipiranga

1903 – Museu Júlio de Castilhos

1912 – Museu Paranaense

No período Republicano, destacam-se a criação:

1922 – Museu Histórico Nacional

1937 – Museu Nacional de Belas Artes

1938 – Museu da Inconfidência

1940 – Museu Imperial

1941 – Museu de Arte Brasileira; acoplado às dependências da FAAP

1951 – Museu de Arte de São Paulo MASP

1948 – Museu de Arte Moderna de São Paulo MAM

1954 – Museu de Arte do Rio Grande do Sul

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Marli Walker: um novo marco literário em Mato Grosso

MARLI WALKER: um novo marco literário em Mato Grosso (E.M)Considero “Pó de Serra” e “Apesar do Amor”, de Marli Walker,…

Publicado por Eduardo Mahon em Quarta-feira, 6 de junho de 2018

Considero “Pó de Serra” e “Apesar do Amor”, de Marli Walker, um marco para a literatura mato-grossense. Walker inaugura a visão realista sobre o desbravamento das terras nativas, fazendo uma contraposição evidente com o idealismo típico dos primeiros autores. Não sei realmente se os críticos Mário César Silva Leite e Marta Cocco estão corretos em afirmar ter havido um projeto literário parecido com o que se viu em termos nacionais após a independência: a visão grandiloquente da terra e do homem. José de Mesquita, irmão intelectual de D. Aquino, retrata a figura do bandeirante como o introdutor da salvadora fé cristã em Cuiabá:

Mãos de mulher, na velha e heroica Sorocaba,
fizeram esta augusta imagem do Senhor.
Trouxe-a não um estranho, um ádvena, um emboaba, mas Pedro de Moraes, paulista sem temor.

Dura a rota, cruel a jornada, em que acaba
o ânimo do mais rude e audaz desbravador:
rios nove a vencer, desde Araritaguaba!
Serras e boqueirões medonhos a transpor!

Mas quando, baldo o esforço, a energia vencida,
param em Camapuã desalentadamente,
vem a imagem buscar uma turma luzida,

que, entre festas e gáudio, às minas a conduz:
e doando o Bom Jesus à Cuiabá virente,
a linda Cuiabá consagra ao Bom Jesus!

A idealização romântica em Mesquita, comungada com D. Aquino, está presente em Civitas Mater:

Meu carinho filial e meu sonho de poeta
Vêem-te, ó doce cidade ideal dos meus amores,
Em teu plácido vale, entre colinas, quieta,
Como um Éden terreal de encantos sedutores.

É provável que, em maior ou menos escala, essa tendência tenha sido fixada como padrão por D. Aquino, uma espécie de alterego literário mato-grossense que virou canônico pela força institucional da própria personalidade e do elemento identificador que propunha. A exaltação de Aquino Correa já foi objeto de estudo de muitos pesquisadores: cidade verde, ouro reluzente, brava gente, amor pela pátria, são elementos que forjam uma identidade inventada, uma lição que Antonio Candido deixou a seus discípulos: interpretar o sistema literário historicamente, a fim de perceber que coincidências são, na verdade, um tipo, uma forma, um projeto intelectual e (por que não?) político.

Se os autores do final do século XIX e princípio do século XX tinham mesmo como proposta política a construção de um Mato Grosso de riquezas que abundavam e se entregavam ao conquistador, sem maiores turbulências, em Marli Walker percebemos o anticlímax dessa visão idealizada choca o leitor. O enfrentamento da escritora é notório. Ela não está interessada em idealizar a conquista da terra, forjar heróis ou elaborar epopeias. Dá-se justamente o contrário, em razão do momento histórico diverso. Com crueza e desencanto, narra o cerrado conquistado à força, ceifado, queimado, aniquilado em favor da grande produção agrícola. Se o locus literário é o mesmo, o ethos é radicalmente alterado. Por isso, Walker é um marco, ou melhor, uma das marcações históricas de uma “virada” interpretativa. Vejamos como define o “norte”:

há o silêncio encolhido nos restos de paisagem
há o solo recortado
há promessas que se foram
e há vida que não foi
há o susto
o injusto
o sujo
o feio
há o sangue no seio da espera
paraíso de leite e mel
partido ao meio

As esperanças de uma “terra prometida” não se concretizaram. Nem para os nativos, nem para os migrantes. Se, no início do século XX, a terra era uma promessa de riqueza, um destino de grandeza, no final já era tida como arena de conflitos. Marli Walker produziu em meio ao cerrado visto como oportunidade comercial e não como terra prometida. Era de se esperar a adesão ufanista ao modelo do agronegócio ou a denúncia das contradições do sistema predatório. Poucos poetas estão imersos nesse dilema e, por isso, a poesia de Walker produz efeitos diferentes dos tradicionais.

O poema “destino”, além de reproduzir a temática de muitos outros, em “Apesar do Amor”, faz um jogo de palavras com “capital”, identificando Cuiabá com o centro dos interesses financeiros do contraditório agronegócio que se nega a distribuir riqueza:

entre uma e outra safra
não se colhe para a fome
a colheita é o capital
na capital que é sem nome

A crítica da poeta intensifica-se no poema “celeiro”. Repetem-se as obsessões literárias de Marli Walker: o grão, a comida, a terra, a miséria em meio à produção. A cornucópia nortista (esse agressivo modelo desenvolvimentista que os chegantes ufanam-se), é profundamente questionada:

em cada grão a ração
o germe a fome a fé
estoque frio de comida
princípio início embrião
será pasto ou será pão?

O livro “Apesar do Amor” prossegue como reflexo da opção da autora por registrar o progresso deletério, a exploração irresponsável, o crescimento irrefletido. O pasto largo, o campo fértil, a semeadura constante vão contrastar com a mesa magra. “Os meninos” de Marli Walker (uma figura recorrente) são anjos famintos que morrem e viram sementes, mas não as sementes das quais vão surgir outras gerações. Não brota esperança nos campos e nos pastos da poeta. No poema “sementes”, a escritora questiona:

quantos grãos são necessários
pra abastecer os armários
das casas que não têm chão?
tantos grãos desperdiçados
tantos meninos ilhados
no mar inglório de grãos

A denúncia do desenvolvimento já se vê em Silva Freire e, principalmente, em Ronaldo de Castro. Mesmo o poeta Moisés Martins Mendes Júnior denuncia seguidamente o desmonte da terra acolhedora e o não reconhecimento nesta nova realidade. Há duas diferença marcante entre eles, contudo – o tempo e o ponto de vista. Os poetas citados não participaram do processo de desbravamento, estiveram longe das motosserras, dos tratores de plantio e colheita. O Mato Grosso de Silva Freire, no máximo, tinha no garimpo um símbolo de exploração. O de Marli Walker está repleto de um verde organizado, alinhado, metódica e artificialmente plantado, experiência não partilhada pela maioria dos escritores que sublinharam a terra.

Benedito Sant’Anna Silva Freire tinha o compromisso estético inovador, sem romper com o cânone tradicional, contudo. Portanto, ainda que houvesse o descontentamento com a modernidade, o elemento regional ainda estava bastante idealizado, ou melhor, reinventado pelo próprio autor. As minhas faiscantes de Aquino iriam ser mescladas com as peraputangas brilhantes de Freire. Até mesmo a visão do garimpo vem acompanhada por uma dose de romantismo. Parece-me que o mérito de Freire foi deglutir o nativismo para criar uma civilização própria, aquela que cabia no entendimento do bugre, mas que encantaria o estrangeiro. Nesse ponto, concordo integralmente com Mário César e Marta Cocco.

Já Ronaldo de Castro escracha o protesto, ressentindo-se de uma “Cuiabá Canalha”, no seu inesquecível Cuiabanália. Ele não entende o desenvolvimento por que passa. Quer romper, quer quebrar, quer impedir a todo o custo. Finalmente, Moisés Martins é essencialmente nostálgico, relembrando a belle époque vivida pela capital na primeira metade do século XX. São três grandes referências para compreender a crise contemporânea, a desfiguração da cidade-província, o despertencimento que causa a ruptura da tradição. O trio esteve imerso em Cuiabá, nas tradições cuiabanas, e não situados na lonjura da “nortista” Marli Walker. Portanto, o tempo e o espaço fazem toda a diferença na expressão final de cada um deles e, mais particularmente, da poeta analisada.

Vejamos como Silva Freire resiste ao processo de descaracterização da terra:

Cotxipó-da-ponte
É reduto e atalaia na resistência estacada
De seresteiros
Ou resumo orquestral
De chorinhos
Rasqueados
E valsas puras
Quase um turbilhão de abismo tropical de Rosa…
Ao violão
Violinos
Flauta
E cavaquinho

De Moisés Martins, cito a nostalgia como forma de resistência:

Cadê seus becos?
Em casa esquina, um “chinfrim”
Um bêbado alegre, trançando as pernas, “ansim, ansim”
Beco sem cara, chamado “Chico”
Sem moagem, sem fuchico
Sem vira-lata que late,
Sem biscate sem donzela,
Namorando na janela.
Sem feijoada na panela,
Sem carrinho do peixeiro, sem o grito do padeiro
Sem pagode, sem rasqueado, não é Beco não!
Onde andam os meus becos,
Do sovaco, quente, torto, urubu,
São Gonçalo e candeeiro.
Cadê meus becos? Cadê meus becos.
Entre prédios e arranha-céus, abafados,
Morrendo tudo que Deus me deu
Sepultado pelo tempo!

E, de Ronaldo de Castro, é claro que vou revisitar um trecho de Cuiabanália:

Ah! Cuiabá canalha
Cuiabanália
Cortesã das multinacionais
Com seu arsenal eletrônico
Agônico
Estereofônico
Biônico
Supersônico
Atômico

Os elementos antigos são sublinhados, a tradição da terra, engrandecida em Freire e Moisés. Ambos se perguntam onde está o meio ambiente típico, onde cresceram, onde quiseram ficar no tempo. Não se encontram mais espelhados no presente e, portanto, pretendem produzir uma espécie de inventário. Por outro lado, as multinacionais já estavam preditas e malditas pelo inquieto Ronaldo de Castro. Ocorre que o poeta ainda cita o aspecto telúrico da terra, da raça, dando continuidade às loas típicas ao povo mato-grossense, mais especificamente ao povo cuiabano. Ronaldo de Castro culpa o elemento externo, muito embora aponte para a leniência da própria cuiabania que se deixa dominar facilmente. Ainda assim, o nativo é pintado como vítima.

Já Marli Walker não pretende a continuidade da tradição, não se mostra revoltada e nem tampouco nostálgica. A visão literária trazida em “Pó de Serra” é exterior ao fenômeno da cuiabania típica. Embora a autora viva em Mato Grosso há mais de 30 anos, não bebeu do saudosismo de quem nasceu e cresceu entre 1918 e 1968. Além do mais, deliberadamente não se mostra sujeita a prosseguir com a tradição de cantar a terra simbólica, a terra agarrativa e linda, como diria Gervásio Leite, outro modernista cuiabano seduzido pela tradição.

A questão para Walker é desnudar o processo de colonização brutal, os efeitos deletérios, os enormes desertos de sentido da fronteira brasileira empobrecida e dominada por interesses financeiros. Como essa mulher está inserida nesse meio masculino de trabalho braçal? O que admirar e o que detestar? Qual o resultado do novo ciclo econômico? A desilusão com essa “nova bandeira”, o desencanto frente à ganância, o sutil trabalho de convencimento do leitor para as contradições do capitalismo, tudo isso é matéria-prima da poeta, um alvo que é o mesmo dos poetas já citados, mas sob enfoque absolutamente diferente.

De certa forma, a autora é também uma defensora de Mato Grosso e suas riquezas. É que cada qual defende a terra como pode. Ela o faz de forma realista e do ponto de vista dúplice: a poesia produzida por Walker volta-se contra os conterrâneos chegantes e os responsabiliza pela voracidade desregulada no trato com a terra. Mas o faz de maneira inovadora. Não vitimiza o nativo, não induz ao banzo ou à catarse coletiva. Deixo sublinhada a produção de Marli Walker porque ela alcança o ineditismo frente a duas correntes literárias que a precederam – de um lado, a terra romanceada e, de outro, o tom ressentido do que viria depois. Temos uma poesia equilibrada na realidade vivida com a migração e o horror diante do projeto de fixação financeiramente bem-sucedido e ambientalmente malogrado. Nesse sentido, convém destacar um poema de “Pó de Serra”:

Árvores mortas
Labirintos de madeira
Sonhos esculpidos
Com suor e fé
Paisagem com sede
De homens valentes
Imitadores do mundo
Tão pequeno, tão perto
Vigiando a respiração
Da mata remanescente
Invasores pós-modernos
Carentes de árvores
De peles-vermelhas
De água e pássaros
Carentes de paz

Como vimos, a denúncia não vem com a rudeza ressentida de Ronaldo de Castro, nem com a nostalgia de Moisés Martins, nem ainda com a reinvenção cabocla de Silva Freire a tentar mesclar o velho e o novo, o endógeno e o exógeno. De outro lado, não há o tratamento romântico emprestado ao bandeirante por Aquino Correa. Em Walker os adjetivos são outros: “invasores”. Noutro poema de Pó de Serra, aprofunda-se a desterritorialização do migrante:

Sociedade de povos errantes…
Imagens de sul, de sol e de sal
Nas tuas praças e no mapa da mina
Os teus pecados lamentam teu mal
Povos silenciados no teu sonho Capital

Novamente, percebe-se o jogo de palavras com “capital”, variando entre a grandeza e a morte. O povo identificado por Marli Walker veio do sul e do litoral, perdeu-se na própria gula exploratória e ainda não se encontrou.

Marli Walker caminha com ironia, tecendo uma crítica mordaz nas entrelinhas de sua poesia. O “verde que sobra na calçada” (presente no Pó de Serra) é um deboche sofisticado, por exemplo. Portanto, a literatura desenvolvida por ela seja um marco: o olhar de fora sobre esse novo ciclo econômico, concomitantemente ao olhar por dentro do elemento alienígena, algo inédito na literatura mato-grossense, comparável mesmo a Lobivar Matos que nos legou uma visão completamente distinta da tradicional sobre o negro, o índio, o trabalhador e os conflitos sociais contemporâneos, abrindo mão do tão precioso soneto. Vejamos um trecho de um poema do Sarobá de Lobivar:

Naquela roça grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações:
Naquela roça grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.
O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!
(…)
Quem faz o branco prosperar
ter barriga grande – ter dinheiro?
Quem?

A poesia de Marli Walker passa a ser leitura obrigatória para estudiosos que pretendam dialogar sobre o contemporâneo de Mato Grosso, uma terra continental. O Estado precisa ser enxergado além das típicas idiossincrasias convencionais, fora do rodamoinho costumeiro para onde são arrastados muitos escritores no rebojo do cânone literário e, finalmente, fora da gravidade cuiabana. Não pode passar despercebida essa poética nova que servirá de parâmetro para se compreender, no futuro, o que se passou conosco neste desencantado presente.

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Das quatro lagoas projetadas para o CPA só uma vingou, ainda que tenha precisado de mais de quatro décadas para vir enfim cumprir seu destino

Lição do Esgoto

Por José Antônio Lemos | O arquiteto é um profissional que tem no otimismo e na esperança, com pés no chão, suas principais condições de trabalho. Principalmente o urbanista. Trabalhando com aquilo que ainda não existe, mas visando sua futura existência ele tem que acreditar na possibilidade concreta daquilo que projeta. Assim, está sempre entre aqueles que acreditam que os problemas trazem em si o germe de sua própria solução e que quanto maiores as dificuldades, maiores as chances de grandes resultados, grandes não necessariamente no tamanho ou complexidade, mas também no seu inusitado ou simplicidade. Na maioria das vezes é preciso de coragem para expor a cara à tapa propondo algo singular, jamais visto, não por desejo de aparecer, mas apenas por ser aquela a solução cabível para aquele problema específico, também singular.

No último artigo tratei da paralisação nacional dos caminhoneiros e da possibilidade dessa grande crise forçar a solução para a grande questão da logística nacional dos transportes em especial para Mato Grosso, com o avanço da ferrovia e o desenvolvimento de outros modais de imensos potenciais no estado como o hidroviário, o dutoviário, o aeroviário e mesmo o rodoviário que sempre será necessário, mas sem ser o único como é agora. Possibilidades também para o uso da energia solar abundante e dos biocombustíveis como o biodiesel e o etanol com amplas vantagens ambientais e logísticas, com farta produção no estado, geradores locais de emprego e renda. Um grande problema visto como perspectiva para grandes soluções. Não desespero, mas esperança.

Este artigo é dedicado ao esgoto da lagoa do Parque das Águas em Cuiabá, problema antigo agravado com a criação do Parque, espaço urbano que cativou de pronto o coração dos cuiabanos. Antes já caía na lagoa e já era um grande problema, mas com o Parque a situação se expôs aos olhos do público também como agressão a um dos equipamentos mais queridos pela cidade. A propósito do Parque das Águas idealizado e implantado pelo prefeito Mauro Mendes, lembro lá por 1974 o engenheiro Sátyro Castilho projetando quatro lagoas para o futuro CPA buscando elevar a umidade do ar e proporcionar áreas públicas de qualidade para o lazer social urbano. Castilho, um bom nome a ser homenageado no local como um dos criadores do CPA. Das quatro lagoas só uma vingou, ainda que tenha precisado de mais de quatro décadas para vir enfim cumprir seu destino. O saudoso ex-prefeito coronel Meirelles, dizia que a boa arquitetura e o bom urbanismo precisam ter alma para se realizarem. E a alma do Parque das Águas se fortalece com a felicidade diária de seus usuários e, assim, não será fácil ser desleixado pelos gestores públicos. Tem muita gente zelando por ele.

Voltando ao esgoto, este era intocável pois tinha origem nos órgãos máximos da administração estadual. Com receio de afrontar excrementos de tão altos escalões, o problema foi enrolado por várias administrações. Até que depois de muitas notificações, autuações e TACs malsucedidos, e com os usuários reclamando, o atual secretário municipal de Serviços Urbanos José Roberto Stopa no fim do mês de abril concretou os tubos que despejavam o esgoto na lagoa, fazendo retornar os efluentes aos palácios de onde originavam. No mesmo dia as providências fluíram e hoje o tão querido Parque das Águas está livre da poluição para felicidade de seu jacaré, seus peixes, capivaras e outros usuários bípedes ou não que compõem sua alma. Simples assim. Basta um gestor republicano decidido a resolver. Que a corajosa decisão sirva de inspiração para outros graves problemas que se arrastam circulando pelas repartições do Brasil afora.

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Precisamos LER e compreender a Carta Testamento de Getúlio Vargas para entender o que acontece com o Brasil

><> Precisamos reler a CARTA TESTAMENTO de Getúlio Vargas. De preferência e voz alta para que, além de nossos ouvidos, possa tocar mais fundo nossas almas.

Carta Testamento – Getúlio Vargas

Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci.

Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo.

A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.

Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre, não querem que o povo seja independente.

Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos.

Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação.

Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém.

Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

(Rio de Janeiro, 23/08/54)

PS: Aos professores de língua portuguesa a sugestão para que se adote o texto como suporte para análise textual, coesão e sintática.

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A paralisação dos caminhoneiros escancarou para o Brasil o quanto é grave o problema da logística nacional de transportes

Caminhoneiros e Ferrovia

Caminhoneiros fazem paralisação na BR 101, Niterói-Manilha, na altura de Itaboraí, no Rio de Janeiro – Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil

Por José Antônio Lemos | A paralisação dos caminhoneiros escancarou para o Brasil o quanto é grave o problema da logística nacional de transportes. A história nos esfrega na cara que o problema vai muito além de transporte de cargas e pessoas, e chega a envolver a vida de uma cidade, região ou de um país. Mais que segurança nacional, a questão da logística de transportes lato sensu envolve a segurança vital de um povo. Dizem que as grandes crises são oportunidades para grandes soluções e quem dera esta faça o Brasil rever sua política de transporte com ferrovias, hidrovias e dutovias pensadas como prioridade. Quem dera também resolva a dramática questão ferroviária de Mato Grosso.

Ao menos desde o começo do século passado discute-se a ligação ferroviária de Mato Grosso, mas foi na década de 1970 que o primeiro passo concreto foi dado com a inclusão do projeto no Plano Nacional de Viação. Depois em 1989 com a assinatura em Cuiabá pelo então presidente Sarney da concessão à Ferronorte de um verdadeiro sistema ferroviário para o Centro-Oeste brasileiro. Não se tratava só da ligação ferroviária de Cuiabá, mas de um grande sistema nela centralizado ligando-a aos portos e mercados do Sul/Sudeste brasileiro através de São Paulo, Uberaba e Uberlândia, aos portos amazônicos através de Santarém e Porto Velho, podendo chegar aos portos do Pacífico. Ano que vem a importante concessão completa 30 anos. De lá para cá os trilhos avançaram quase 800 km até Rondonópolis onde foi implantado o maior terminal ferroviário da América Latina. Não foi rápido, mas avançou. A grandiosa ponte sobre o rio Paraná, marco inicial das obras, neste dia 29 de maio completa 20 anos, monumento a uma grande luta que não pode ser esquecida.

Tudo caminhava ainda que devagar, até que em 2007 Mato Grosso indicou o diretor do DNIT. A expectativa era que nossa ferrovia enfim deslanchasse, mas aconteceu o contrário. De surpresa foi proposta uma outra ferrovia, a FICO ligando Goiás à Vilhena passando por Lucas do Rio Verde e Sapezal, que de imediato entrou no PAC-1 deixando de fora a Ferronorte, depois interrompida em Rondonópolis, isolando Cuiabá e todo o Mato Grosso platino do projeto ferroviário. Em 2010 a ALL devolve à União os trechos a partir de Rondonópolis. Era para acabar!

Aberta a porteira, de lá para cá outros projetos surgiram com a ferrovia parada em Rondonópolis e Mato Grosso sendo prejudicado das mais diversas formas. Todos esses novos projetos envolvendo vultosas somas de recursos e passando por regiões que demandam no mínimo demorados estudos ambientais. Moral da história, se as dificuldades eram muitas para a conclusão de um só projeto já iniciado quanto mais 4, ainda mais envolvendo ambiciosas disputas geopolíticas regionais.

Talvez o drama nacional exposto pela atual paralisação dos caminhoneiros restaure o bom senso aos gestores da política de transportes em nosso estado e no país. O antigo traçado da Ferronorte não exclui os demais projetos que podem continuar avançando em seus estudos enquanto avance a ligação de Rondonópolis à Cuiabá e Nova Mutum, a uma distância de menos de 600 km em região antropizada, sendo que o primeiro trecho até Cuiabá de 260 Km já no ano 2000 teve projeto apresentado em audiência pública. A viabilidade desta continuidade foi anunciada no Fórum realizado em novembro do ano passado em Nova Mutum com a presença do governador e dos presidentes do BNDES e da RUMO, atual empresa concessionária. Se tivesse sido prosseguida a obra depois da chegada em Rondonópolis, talvez a ferrovia já pudesse estar chegando à Sinop. Quem sabe os caminhoneiros trarão de volta o bom senso e a continuidade dos trilhos para Mato Grosso?

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“A vida está em suas mãos” é o tema da Campanha em Favor da Vida

Da Assessoria | A Campanha em Favor da Vida acontece todos os anos em todas as Casas Espíritas ligadas ao movimento Auta de Souza. Ela tem início duas semanas após o carnaval e encerra 12 semanas depois, com ênfase ao aborto.

O tema da campanha este ano é “Aborto, não! A vida está em suas mãos”.

Irmão Lix, em mensagem, questiona “Se, de acordo com a Lei 9605/98 (lei de crimes ambientais), que dispõe que prender um passarinho é crime inafiançável. Então, porque legalizar o assassinato do próprio filho indefeso que não tem para onde correr e nem como gritar? Será que as aves valem mais que a espécie humana?”, questiona. Ele diz ainda “o aborto provocado, mesmo diante de leis e regulamentos humanos que permitem, é um crime hediondo perante as leis divinas que são eternas e imutáveis”, lembra.

A Campanha em Favor da Vida também tem como foco a questão do suicídio.

A campanha encerra com uma grande mobilização na área central de Cuiabá, no próximo dia 26, sábado, a partir das 9 horas, quando voluntários do Grupo Fraterno de Cuiabá e Várzea Grande distribuirão mensagens em defesa da vida, evangelhos e realização palestras.

Este ano a mobilização será nas Praças Alencastro e da República.

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Orgulho e Constrangimento – Por José Antônio Lemos

Por José Lemos | Deixei para depois das comemorações este artigo sobre os 270 anos de Mato Grosso passado no dia 9 de maio último. Mas a espera era para ser de apenas 5 dias e não mais. A ideia era deixar passar as festividades oficiais para então comentá-las destacando o empenho do governo em divulgar a data e comemorar com o povo o orgulho em construir um estado campeão nacional na agropecuária, a tempos um dos principais responsáveis pelo que tem de positivo no PIB brasileiro e pelos elevados saldos anuais na balança comercial do país.  Orgulho em produzir alimentos e não armas e de ser uma das regiões do planeta que mais ajudam a matar a fome da população mundial. Só que não houve comemoração alguma, apenas algumas propagandas institucionais, quase que burocráticas. Por que? Aí me enrolei e fui tentar uma explicação.

    O dia 9 de maio foi instituído como aniversário de Mato Grosso pela lei 8.007/2003 de autoria do então deputado João Malheiros, sancionada pelo então governador Blairo Maggi. Por incrível que pareça não havia uma data congregadora de todos os mato-grossenses em função de seu torrão natal comum. Comemorava-se, quando se comemorava, junto com o aniversário de Cuiabá numa combinação bem expressiva da relação histórica umbilical entre o estado e sua capital, mas que foi perdendo o sentido à medida que o território mato-grossense foi ocupado pela salutar imigração oriunda das mais díspares regiões brasileiras, com outras culturas, outros costumes, ainda sem quase nenhum contato com a história da nova terra em que se instalava. Por que alguém recém-chegado lá em alguma extremidade de Mato Grosso comemoraria o aniversário de Cuiabá, ainda que a capital, mas uma cidade distante com pouco ou nenhum contato com a nova realidade desbravada?

    As conversas sobre a definição de uma data histórica para se comemorar o aniversário de Mato Grosso começaram na virada do século através de um grupo de discussão na Internet do qual tive a honra de participar junto a um punhado de mato-grossenses de coração, jovens e menos jovens, entre os quais o próprio deputado, preocupados com a integração e unidade estadual diante das revitalizantes levas imigratórias que se instalavam em Mato Grosso com suas bagagens histórico-culturais próprias, apenas se justapondo espacialmente sem qualquer liame integrador entre si e entre estas e a cultura local. O que tinham em comum esses novos mato-grossenses além de uma enorme esperança e da perspectiva de muito trabalho e dificuldades para transformar na sua nova moradia e fonte de vida aquele território até então quase inóspito, vazio e desconhecido aos seus olhos? Depois de muitos debates, discussões e até algumas desavenças sempre em alto nível, chegou-se ao dia 9 de maio de 1748 como o marco zero de Mato Grosso quando o Rei de Portugal Dom João V assinou Carta Régia criando duas Capitanias, “uma nas Minas de Goiás e outra nas de Cuiabá”.

    A Capitania das Minas de Cuiabá virou Capitania de Mato Grosso, e agora é o Estado de Mato Grosso, esse gigante produtivo graças à perseverança, coragem e trabalho de sua gente. O estado que mais cresceu no Brasil em 2017 com seu PIB avançando 11,2%, mais de 10 vezes o do PIB nacional e bem mais que o da China!  Tão extraordinário esse desenvolvimento que certamente constrangeu nossos governantes. Com que cara comemorar a pujança produtiva do estado com o governo em constante crise financeira, com dificuldades extremas para manter sua máquina administrativa e impossibilitado em atender aos investimentos e serviços que o próprio desenvolvimento exige e a sociedade cobra e tem direito? Será que isso explicaria a pífia comemoração?

Source: OrgulhoEConstrangimento210518e.doc – Documentos Google

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Rubenio Marcelo lança em Campo Grande livro de crítica cultural que também contempla autores de MT

Da Redação | O lançamento do livro Palavras em Plenitude – prosa e crítica cultural”, a 12ª publicação autoral do escritor Rubenio Marcelo, será na próxima terça-feira, 22, a partir das 19h30, em Campo Grande (MS). O evento será no auditório da Academia Sul-Mato-Grossense, que se situa na Rua 14 de Julho nº 4653, altos do São Francisco, na Capital Morena. Em seguida, o livro será lançado também no Festival América do Sul Pantanal (FASP), que vai acontecer de 24 a 27 de maio/2018 em Corumbá/MS.

    Aprovado pelo FMIC/Sectur-CG/MS e chancelado pela Ed. Life, o livro traz textos em prosa, enfeixando resenhas, crônicas, ensaios com enfoques de crítica cultural acerca de personagens regionais desta área e, dentre os contemplados na obra, nomes também de Mato Grosso, como Eduardo Mahon, Benedito Pedro Dorileo, Olga Maria Castrillon Mendes, além dos saudosos Dom Aquino Corrêa e Zulmira Canavarros, a ‘Coleção Obras Raras da Literatura Mato-Grossense’, e a Histórica 1ª Sessão Conjunta das duas Academias de Letras estaduais: AML e ASL, que ocorreu na sede da AML, em Cuiabá/MT, na noite de 10/09/2015.

O livro possui prefácio do escritor Geraldo Ramon, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras; apresentação de Valmir Batista Corrêa, da ASL e do IHGMS; além de comentário de ‘orelha’ de Samuel Medeiros, da ASL e do IHGMS; e resenha (quarta capa) de Paulo Nolasco, escritor e crítico literário.

O prefaciador assim afirma num trecho: “Este novo livro de Rubenio Marcelo é uma oportuna coleção de análises críticas, literárias e/ou outras, com crônicas originais, cada qual confeitada numa evolução temática específica, fluente e bem concatenada. Cada capítulo é uma peça colorida de uma vívida engrenagem, cuja textura global – além de transmitir interessantes informações – alenta a alma do leitor, conforme sua necessidade no momento.  Já o escritor e historiador Valmir Corrêa assegura: “O livro ‘Palavras em Plenitude’, de Rubenio Marcelo, reúne textos e ensaios autorais que sintetizam produção artística regional contemporânea, bem como a memória cultural, e também outros em prosa, todos dosados de expressiva qualidade literária”.

    Rubenio Marcelo é poeta, escritor, compositor e crítico cultural, membro efetivo e secretário-geral da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (Cadeira nº 35) e membro correspondente da Academia Mato-Grossense de Letras, empossado em 10/09/2015.

Autor de doze livros e três CDs, é filiado à União Brasileira de Escritores (UBE-MS). Recentemente, lançou o livro de poemas “Vias do Infinito Ser” (pela Ed. Letra Livre), e – em show aberto no Sesc Morada dos Baís / Campo Grande – o CD musical “Parcerias: na poética de Rubenio Marcelo”. Destacam-se também em suas produções os livros: “Graal das Metáforas”, “Horizontes d’Versos”,  “Voo de Polens”, e “Veleiros da Essência”. No mês de março próximo passado, lançou livro e o seu CD “Parcerias” em Portugal, no Departamento de Línguas e Cultura da Universidade de Aveiro, onde também realizou outras atividades culturais. Também advogado e revisor, reside em Campo Grande/MS. (Com material da Assessoria)

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‘Um Conto de Batman: na Psicose do Ventríloquo’, 1º Batman Fan Film do mundo concorre ao prêmio de melhor filme no Gen Con Film Festival 2018

Da Assessoria | 1º Batman Fan Film do mundo em formato longa-metragem concorre ao prêmio de melhor filme no Gen Con Film Festival 2018, que acontece em agosto, em Indianapolis, nos EUA, e integra o Gen Con 2018, mais tradicional e original evento de games do mundo. Obra sobre o ‘Homem Morcego’ pode render mais um prêmio internacional ao cineasta brasileiro Elvis delBagno.

Elvis delBagno é um diretor de cinema amante da arte conceitual e que não privilegia efeitos especiais ou reviravoltas constantes na história. Com ‘Um Conto de Batman: na Psicose do Ventríloquo’, 1º Batman Fan Film do mundo em longa-metragem, delBagno conquistou diversos prêmios internacionais e em agosto vai concorrer a mais um: melhor filme no Gen Con Film Festival 2018, que acontece nos EUA. Também em agosto, ele tenta participar do 22º CINE-PE, um dos maiores festivais do Brasil, com outra obra, ‘A Suíte Epifânica de Luíza’.

No Gen Con Film Festival 2018, Elvis concorrerá ao prêmio de melhor filme com a obra ‘Um Conto de Batman: na Psicose do Ventríloquo’, o 1º Batman Fan Film do mundo feito em formato longa-metragem e que rendeu diversos prêmios a delBagno em festivais internacionais.

Já no CINE-PE 2018, delBagno vive a expectativa de concorrer com o filme ‘A Suíte Epifânica de Luiza’, que passa por avaliação dos jurados. Trata-se de uma obra poeticamente polêmica que aborda a história de uma idosa aprisionada em sua casa junto aos seus medos, angústias e aflições que marcaram sua infância.
Gen Con Film Festival 2018

Neste evento, Elvis está concorrendo ao prêmio de melhor filme longa-metragem com ‘Um Conto de Batman: na Psicose do Ventríloquo’, o 1º Fan Film do mundo do Homem-Morcego no formato de longa. A obra tem enredo autoral, prioriza as histórias dos personagens ao invés de explosões, lutas e efeitos especiais, e mostra uma narrativa lenta, por vezes, sem falas. Uma analogia à sociedade brasileira moderna aliada ao estudo profundo do Ser Humano.

O filme traz uma visão desvinculada das características “hollywoodianas” tradicionais, mas com produção robusta, fotografia marcante e enredo denso que não deixam dúvidas quanto à qualidade e importância do filme na carreira de Elvis.
Batman brasileiro de Elvis delBagno se mostra perturbado e confuso por se perder em seu ‘Eu’ a cada dia que tenta descobrir mais sobre si mesmo. Já o vilão, um boneco ventríloquo, tem sua existência explorada a fundo a fim de explicar a mente psicopata de um chefe da máfia.

22º CINE-PE

Já no festival pernambucano, Elvis está com o filme ‘A Suíte Epifânica de Luíza’ em análise dos jurados para concorrer ao prêmio em agosto. Sombrio, dramático e muito poético, a obra traz detalhes que remetem à solidão e a fatos da infância aprisionados na mente de Luiza, que não a deixam em paz. Sua imaginação e seres inanimados completam o sofrimento só. O espectador vivencia a atormentada vida da personagem, repleta de traumas, medos e polêmicas que transbordam poesia.

Uma obra do gênero ‘fantástico’, onde o roteiro, a produção, a filmagem, a sonorização e a edição são claramente autorais, respeitando uma narrativa lenta que seduz delBagno, ao mesmo tempo que o caracteriza como um cineasta diferente. Repleta de símbolos e metáforas bem construídas, a existência de Luiza se mostra sofrida, assustadora e cercada por monstros criados por ela mesma.

Após conquistar prêmios e prestígio em festivais de cinema ao redor do mundo, Elvis vive a expectativa de participar do CINE-PE 2018 para alcançar o reconhecimento também entre o público e crítica aqui do Brasil.

Elvis delBagno – Divulgação

Elvis delBagno gosta de utilizar o ambiente, o local das filmagens, como um dos protagonistas, pois é ele o responsável pelos males das pessoas, por uni-las ou afasta-las. Para mostrar o ambiente como um dos “astros” da obra, delBagno se inspira em nomes como Roman Polanski e Luis Bruñuel. “Aprecio demais essa peculiaridade, pois é o ambiente que faz você entender sobre o ser humano. Uma pessoa só é o que é devido aos incontáveis fatores e forças que o ambiente exerce sobre ela”, comenta Elvis.

Para delBagno, as crises existenciais sobrepõem os problemas externos e seus roteiros buscam mostrar o porquê daquela pessoa se tornar um vilão, quais motivos a levaram a esta condição. Elvis preza por filmes do gênero ‘Fantástico’ com toques surrealistas, de horror ou dramas que fogem do convencional. “Busco inverter histórias, dar outro fim ao final já conhecido, desestruturar narrativas. Assim, acredito que o filme se torna mais autoral, com características marcantes. Sempre procuro associar o filme a uma discussão política ou social de nosso país. E prefiro o ritmo do cinema clássico”, afirma delBagno.

Em breve, Elvis delBagno pretende anunciar um novo projeto, baseado em uma figura conhecida e exaltada na literatura brasileira. Algo bem brasileiro, na visão de um brasileiro, que não privilegia o conceito dos blockbusters.

Leia também: “Batman Brasileiro” concorre em duas categorias no FanFilm Awards 2018

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Como nossos pais, com Elis Regina em som e imagem remasterizados -Beleza!!!

 

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Entre aspas: Virou bagunça, sem dúvida nenhuma, e governo do Estado vira joguete nas mãos dos outros poderes

A Gazeta Digital traz duas informações que são no mínimo contraditória e mais, mostram como que as coisas estão totalmente fora do controle, feito casa da mãe joana, que ninguém sabe quem manda no governo.

A lógica diz que quem manda é o governador eleito, Pedro Taques, que é quem sabe a quantas anda os cofres público, pois é quem recebe os impostos e gerencia o orçamento.

O governo deixou de repassar o duodécimo da Defensoria Pública.

Pois bem, a defensoria pública vai receber os duodécimos atrasados conforme determinação da ministra Rosa Weber:

Aspas: A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu liminar na terça-feira (15) determinando que o Estado de Mato Grosso repasse os recursos de duodécimo atrasados à Defensoria Pública de Mato Grosso. O chefe do Poder Executivo, Pedro Taques, também deverá arcar com os valores obrigatoriamente até o dia 20 de cada mês.

Mais detalhes leia aqui: http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/149/og/1/materia/539829/t/justica-obriga-que-taques-pague-duodecimo-atrasado-ee-cumpra-calendario

No mesmo site está lá:

Aspas: O conselheiro interino do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Isaías Lopes da Cunha, determinou a suspensão do pagamento da Reajuste Geral Anual (RGA) pelo governo do Estado aos servidores públicos. Determinou ainda que o governo, por meio da Secretaria de Fazenda, adote medidas necessárias e urgentes para a realização de perícia contábil nas contas do Estado.

Mais detalhes leia aqui: http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/152/og/1/materia/539813/t/tce-suspende-rga-apos-governo-ultrapassar-limites-da-lrf-estado-recorre

Desta última decisão, pelo menos, o governo diz que irá recorrer.

Aspas: O Governo de Mato Grosso informa que irá recorrer da decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que suspendeu o pagamento aos servidores públicos estaduais da próxima parcela do Reajuste Geral Anual (RGA).

Mais detalhes leia aqui: http://www.mt.gov.br/-/9770468-governo-ira-recorrer-para-garantir-pagamento-do-rga

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Quer ver um tucano preso??? Vai querendo

O judiciário virou piada. Ninguém mais acredita que possa existir um resquício sequer de justiça como Lula preso e Paulo Preto solto.

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Vem pra Arena volta neste fim de semana e tem Ira! como atração principal, no sábado

Banda Ira! é atração principal do Vem Pra Arena deste fim de semana Foto: Divulgação

Da Assessoria | O “Vem Pra Arena” está de volta. Neste fim de semana, na Arena Pantanal, uma das bandas mais populares da história do rock nacional, Ira!, encabeçada pelo vocalista Nasi e pelo guitarrista Edgar Scandurra, é atração principal no sábado (12), às 22h. O evento conta ainda com outras atrações culturais já tradicionais ao evento, como a feira gastronômica, de artesanato e da economia criativa, a Mundo Criativo, até o domingo (13).

Talentos musicais de Mato Grosso compõem quase que a totalidade da programação. No sábado, no Palco Arena, o pequeno Augusto Michel – que representou o Estado no The Voice Kids -, dá início às apresentações. Na sequência, é a vez dos Catireiros do Araguaia, grupo de cultura popular que vem se mantendo por várias gerações em uma mesma família.

No palco de expressões multiculturais, às 20h30 é a vez do Slam de Tchapa e Cruz, comandado por jovens dedicados às batalhas de rima. Logo, o público se encantará também, com as apresentações dos grupos Folclórico Matutada, de Campo Verde, e os Mascarados de Poconé. Para fechar o sábado, o ponto alto é o show do Ira.

Ainda no entorno da Arena, outro palco, o “Praça” traz mais atrações. A partir das 18h, os visitantes que curtem se exercitar, podem participar do Aulão de Zumba do Sesc. Na sequência, tem Urban 65. Logo, às 19h30, Paulo Monarco revela o resultado do novo trabalho, o Abriram-se as Veias. Já às 20h20, é hora da Banda Caximir, o Bando, revelar o clássico repertório deste que é um dos principais grupos de vanguarda do rock mato-grossense.

Por fim, o lambadão agita o público com as irreverentes composições da Erre Som.

Já no domingo, o Vem Pra Arena é dedicado ao Dia das Mães. O evento que reúne amigos e famílias, começa às 18h30 com espetáculo de teatro, o Conversa de Botas e Batidas, da Cia de Teatro Vostraz. Logo, às 19h, a cantora e compositora Karola Nunes lança o EP Já É, com show especial. Outra atração que ressalta a força feminina, é Estela Ceregati, com as músicas do show Ar.

Tem ritmo brasileiro também. Às 21h, o Samba Brasilis aquece o Palco Arena com canções clássicas da música brasileira.

Intervenções artísticas também marcam o domingo. Os Andarilhos das Estrelas interagem com o público entoando músicas do cancioneiro popular e ainda no segmento das artes cênicas, Carlão dos Bonecos participa com suas marionetes. O coletivo Caixas no Caminho também realiza apresentações de teatro lambe-lambe. Tem ainda Capoeira Vip, intervenções do coletivo Clichês de Rua e grafite com o Movimento Rota.

A Biblioteca Itinerante Estevão de Mendonça e o projeto Inclusão Literária também compõem a programação, mais voltados ao segmento da literatura, estimulando o hábito da leitura.

O evento conta também com a participação do luthier de viola de cocho, Alcides Ribeiro e com oficinas de Pipas, pelo Teatro em Sena e recreativas, pelo Sesc.

De acordo com o secretário de Estado de Cultura, Gilberto Nasser, o “Vem Pra Arena”, é um dos projetos de maior relevância realizados pela atual gestão. “Iniciativa do Governo de Mato Grosso por meio da Secretaria de Estado de Cultura, leva para o entorno da Arena Pantanal opções gratuitas de lazer, entretenimento e cultura, além de abrir espaço às manifestações artísticas locais e fomentar o turismo, artesanato e gastronomia, gerando emprego e renda”.

Dentre os nomes que já passaram pelo projeto estão Lenine, Vanessa da Matta, Vanguart, Frejat, Tulipa Ruiz, Zeca Baleiro, O Terno, além de diversas atrações regionais. (Texto: Protásio de Morais)

Confira a programação:

SÁBADO 12/05

PALCO ARENA

18h30 – Augusto Michel – Tangará da Serra (The Voice)
19h30 – Catireiros do Araguaia – Barra do Garças
20h30 – Slam de Tchapa e Cruz
20h40 – Grupo Folclórico Matutada – Campo Verde
21h30 – Mascarados de Poconé
22h – IRA!

PALCO PRAÇA

18h- Aulão de Zumba – SESC
19h- Urban 65
19h30 – Show “ Abriram-se as veias” – Paulo Monarco
20h20 – Banda Caximir, o Bando
21h – Erre Som

DOMINGO 13/05 (Especial Dia das Mães)

18h30 – Conversa de Botas e Batidas / Cia. de Teatro Vostraz
19h- Lançamento do EP “Já é” – Karola Nunes
20h- Show “Ar” – Estela Ceregati
21h- Samba Brasilis

Intervenções Artísticas

1. Andarilhos das Estrelas / Tibanaré
2. Biblioteca Itinerante Estevão de Mendonça
3. Capoeira Vip
4. Clichês de Rua
5. Construção Viola de Cocho / Alcides Ribeiro
6. Inclusão Literária / Clovis Matos
7. Marionetes / Carlão dos Bonecos
8. Movimento Rota
9. Oficina de Pipas / Teatro em Cena
10. Oficinas Recreativas / SESC
11. Teatro Lambe Lambe / Caixas no Caminho

Entorno da Arena

1. Mundo Criativo
2. Feira Gastronômica
3. Feira de Artesanato.

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Cinco nomes se apresentaram e irão disputar as duas vagas abertas

Eleição na Academia Mato-grossense Letras agita os bastidores da Casa Barão

Por João Bosquo | A Casa Barão de Melgaço não para! A Academia Mato-grossense de Letras (AML) está em plena ebulição com o processo eleitoral que irá eleger os dois novos imortais… Ou será exagero do repórter em acreditar que exista uma ebulição nos bastidores para o pleito que acontecerá no prazo de até 30 dias??? Talvez, nem tanto. Mas conforme foi divulgado serão cinco candidatos na concorrência para as duas vagas e como se sabe o ser humano é competitivo por natureza.

São duas cadeiras, cujas inscrições encerraram-se no último dia 25 de abril. A primeira, a Cadeira 12, tem como patrono o poeta Antônio Cláudio Soído, sendo o seu último ocupante o poeta e jornalista Ronaldo de Arruda Castro. A segunda, a Cadeira 36, tem por patrono o poeta Pedro Trouy e seu último ocupante foi Luís Feitosa Rodrigues, poeta e professor.

Estão inscritos, para a Cadeira 12, o cantor, médico, compositor, professor aposentado da UFMT, pesquisador-historiador de Chapada dos Guimarães, João Eloy de Souza Neves, o nosso Doutor do Rasqueado; o jornalista Lorenzo Falcão, que também é cronista e poeta, e a professora Neila Maria Souza Barreto, historiadora e pesquisadora. Para a Cadeira 36, inscreveram-se a professora e poeta Marli Walker e o professor Valério de Oliveira Mazzuoli, jurista, pesquisador e consultor jurídico.

O presidente da AML, Sebastião Carlos Gomes de Carvalho instalou na segunda-feira, 30, as comissões de admissibilidade e de mérito que irão apreciar os currículos e as obras dos inscritos.

Segundo Sebastião Carlos, os pareceres de mérito têm apenas caráter recomendatório e não de eliminação dos candidatos, pois serão escolhidos em votação secreta e direta.

Os eleitores são os acadêmicos membros da AML. Em que pese imortais, cada um tem lá sua idiossincrasia, daí a importância do voto secreto. Daqui de fora, sei que a cadeira 12 dividirá os votos e sua eleição será mais dinâmica, com dois ou três escrutínios para chegar ao nome do vencedor.

João Eloy, além do talento musical, poeta e historiador de Chapada dos Guimarães é dono de uma simpatia cuiabana, sem esquecer que é o mais velho dos postulantes. Lorenzo Falcão, ex-editor deste DC Ilustrado, é autor dos livros “Mundo Cerrado” (poesia) e “Motel Sorriso” (contos) além de manter um website cultural. Contudo, do nosso modesto ponto de vista, Neila Barreto, recém-empossada sócia do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT) leva uma ligeira vantagem, pois muitos membros integram as duas instituições, mas acreditamos nos potenciais de João Eloy e Lorenzo Falcão.

Já a disputa pela cadeira 36 com dois respeitáveis nomes postulando a mesma, acredito, será a que vai suscitar a melhor disputa.

A poeta Marli Walker, autora dos livros “Inferno e Paraíso – na Poética de Adriane Rocha” (crítica literária), “Apesar do Amor”, “Pó de Serra” e “Águas de Encantação” (poesia), de antemão sei que tem os endossos de Lucinda Nogueira Persona e Ivens Cuiabano, autores das apresentações do livro mais recente da autora.

O professor, doutor Valério Mazzuoli, por seu turno, é autor de uma penca de livros sobre direito internacional, ambiental, alguns citados por ministros do STF, poliglota, conferencista renomado, aos quarenta anos é tudo aquilo que podemos tachar de jovem gênio da classe média que está predominando no nosso sistema jurídico.

Numa metáfora futebolística, a disputa entre Valério Mazzuoli e Marli Walker é o Real Madrid, com Cristiano Ronaldo em seu melhor dia, contra o Sinop Futebol Clube… Um massacre. Mas, vale lembrar, entre os esportes coletivos o futebol é o único que (até com certa frequência) o mais fraco vence o mais forte. Daí usarmos o futebol como metáfora, temos que aguardar o final dos 90 minutos.

Nesta disputa vamos saber mais o que quer a AML. Um nome, tipo o imortal Gilmar Mendes, que “emoldura” o quadro de membros da Casa Barão, ou uma poeta que participará das atividades da entidade? Fica a interrogação.

Marilia Beatriz de Figueiredo Leite, que antecedeu Sebastião Carlos a frente da AML, diz que “foi uma alegria participar como presidente de um processo em que a busca deve ser pela qualidade literária. E tive a honra e a felicidade estar presidindo a instituição no momento em que foi eleito um ser emblemático de nossas letras Aclyse Mattos”, disse.

Eduardo Mahon, eleito em na gestão anterior do mesmo Sebastião Carlos, em 2007, afirma que “o que anima uma academia de letras é a eleição. Renovam-se as expectativas por um perfil que se somará aos demais”.

“Na gestão em que fui presidente, conseguimos eleger e dar posse a 10 novos acadêmicos, de forte perfil literário e cultural, de modo geral. Senti uma grande alegria da sociedade que aplaudiu cada novo acadêmico por sua criatividade e sensibilidade”.

Os 10 acadêmicos eleitos foram: Agnaldo Rodrigues da Silva, Cristina Campos, Fernando Tadeu de Miranda Borges, Flávio Ferreira, Ivens Cuiabano Scaff, João Carlos Vicente Ferreira, Luciene Carvalho, Lucinda Nogueira Persona, Marta Helena Cocco e Olga Maria Castrillon Mendes.

Para Sebastião Carlos “essa eleição se reveste de grande importância, sobretudo pelo significativo nível cultural apresentado pelos candidatos, demonstrando assim o crescente interesse que os intelectuais e estudiosos mato-grossenses mostram para pertencerem ao sodalício acadêmico. Ao mesmo tempo, mostra o dinamismo e a viva presença da Academia no seio da sociedade cuiabana e mato-grossense. Os dois a serem eleitos adentrarão num dos momentos mais ricos da história daquela que é a mais tradicional instituição cultural do Estado”.

Foi dado o tiro de largada à cata dos votos.

PS: Ainda em abril, Sebastião Carlos fui eleito, por unanimidade, membro da Academia Paulista de Letras Jurídicas. Entre os apoiadores de sua candidatura teve nomes como de Yves Gandra Martins, Ernani Calhau, Ruy Altenfeld, presidente da Academia.

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Entre aspas: O Brasil do golpe em cinco parágrafos

><>Celso Rocha Barros escreve artigo no qual – trecho abaixo – explica como as instituições funcionam para manter o status quo, período no qual o Brasil teve duas Constituições: uma pro governo Dilma e outra, em vigor, pro governo golpista de Mishell Temer.

Abre aspas:

O Brasil e a Recessão Democrática

Por Celso Rocha Barros | A direita tentou impedir a posse de Dilma Rousseff com base em boatos de Facebook: passado algum tempo, o candidato derrotado em 2014, Aécio Neves, admitiu que havia entrado com o processo “só para encher o saco”. E a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados foi um marco: daí em diante, as instituições brasileiras seriam ligadas ou desligadas conforme o interesse dos derrotados de 2014.

Em seu segundo mandato, Dilma tentou corrigir as atrocidades que fez na gestão macroeconômica no primeiro, que, não custa enfatizar, foram inúmeras. Ninguém deixou. Essa mesma turma que agora faz anúncio “Sem a reforma da Previdência, o Brasil vai quebrar” votou a favor do fim do fator previdenciário em 2015 para impedir Dilma de arrumar as contas públicas. Ao menos demonstraram coerência – involuntária – fracassando em aprovar a reforma durante o governo Temer. Eduardo Cunha esvaziava o plenário quando os vetos de Dilma às pautas-bomba iam à votação, e todos os parlamentares direitistas, dos mais radicais aos mais moderados e pretensamente civilizados, deixavam o recinto como um rebanho dócil.

Na verdade, o Brasil teve outra Constituição em 2015-2016, e ela foi revogada após o impeachment. Em 2015, delações eram provas suficientes para derrubar políticos e encerrar carreiras. Em 2017, deixaram de ser. Em 2016, era proibido nomear ministros para lhes dar foro privilegiado; em 2017 deixou de ser. Em 2016, os juízes eram vistos como salvadores da pátria, em 2017 viraram “os caras que ganham auxílio-moradia picareta”. Em 2015, o sujeito que sugerisse interromper a guerra do impeachment em nome da estabilidade era visto como defensor dos corruptos petralhas; em 2017 tornou-se o adulto no recinto, vamos fazer um editorial para elogiá-lo. Em 2015, presidentes caíam por pedaladas fiscais; em 2017 não caíam nem se fossem gravados na madrugada conspirando com criminosos para comprar o silêncio de Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro. Em 2015, a acusação de que Dilma teria tentado influenciar uma decisão do ministro Lewandowski deu capa de revista e inspirou passeatas. Em 2017, Temer jantou tantas vezes quanto quis com o ministro do Supremo Tribunal Federal que o julgaria no TSE e votaria na decisão sobre o envio das acusações da Procuradoria-Geral da República contra ele, Temer, ao Congresso. Em 2015, Gilmar teria cassado a chapa Dilma-Temer. Em 2017, não cassou.

leitor pode ter qualquer opinião sobre temas jurídicos: talvez não lhe pareça razoável considerar delação como prova; talvez não fosse razoável cassar a chapa no TSE; talvez seja legítimo nomear ministros para lhes dar foro privilegiado; talvez seja errado prender logo após o julgamento em segunda instância; talvez valha o benefício da dúvida quando o presidente é gravado combinando crimes.

O que é obviamente errado, e indiscutivelmente aconteceu no Brasil nos últimos anos, é um dos lados da disputa política ter o poder de ligar ou desligar instituições conforme seus interesses.

Leia mais: Blog do Barreto

 

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O Mundo Binário de Eduardo Mahon – por Ana Lúcia Rabecchi

Por Ana Lúcia G. S. Rabecchi | As histórias de Eduardo Mahon, além de serem nutridas pela experiência de leitura que reconhecemos num grande repertório, elas oferecem e tiram a ilusão de compreensão. O romance O homem binário e outras memórias da senhora Bertha Kowalski é uma alegoria das atitudes que o homem toma, ou se entrega, diante da perspectiva da morte, daí a narrativa ter como conteúdo a busca incansável por aquilo que ele, até então, não podia comprar: a imortalidade. Naturalmente essa busca é permeada pela discussão do conceito de humanidade de “forma mais radical”, como diz o autor, que termina por nos levar a uma reflexão do que seja humano versus desumano e da vida versus a morte. Vejamos a reflexão da psiquiatra Justyna Klos:

“Não é preciso nem mesmo estar num consultório médico, senhora Kowalski. Basta recorrer aos arquivos de história. Homens podem não ter humanidade alguma. O que chamamos de humanidade é, na verdade, uma construção tão rebuscada quanto fictícia. A humanidade, enfim, não é uma propriedade inata. E, se esse conjunto de atributos que apelidamos de humanidade não é partilhado por todos os seres humanos, é verdade que pode ser observado noutros seres, até mesmo nos virtuais. Basta não ter preconceito e levar a proposta do senhor Platek às últimas consequências” (p.143, grifo meu).

É exatamente discutir esse “e se…” que o romance faz ao nos deixar sufocados não pela morte em si, mas pela clausura da vida num software, que pode encarnar também a metáfora dolorosa do mito de Prometeu Acorrentado. Essas reflexões justificam a boa trama de O homem binário, onde vida e morte são verso e reverso da mesma moeda. A fragilidade e finitude da vida na realidade realçam o medo e a angústia da morte.

A vontade de se perpetuar mesmo numa vida diferente faz com que a empresa Continuum Co alcance sucesso com sua fórmula de prolongar a vida e vender a felicidade ao homem através da visão de eternidade. A morte, então, perde o “caráter monstruoso” e passa a ser um estado de mudança de existência, uma migração deste lugar para outro como diz a epígrafe Apologia de Sócrates, com a qual o romance mantém diálogo, dentre outras obras.

Mahon, porém, vai além, banaliza a morte ao exaltar ironicamente a ciência e a tecnologia que conseguem guardar a personalidade, mas não abrandar seus medos, pois Josef Platek se ressente de ser um homem torturado ao “virar uma alma sem corpo, penando sem espaço e sem tempo”, o que a personagem diz ser uma condenação “não dormir, não acordar, não envelhecer e não morrer”, ou seja, uma cópia desumana do homem.

Em Alegria a questão da aparência e da realidade que permeiam toda boa ficção continua em pauta. Assim como Macondo em Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Márquez, Alegria é uma ilha da imaginação. A narrativa passa da criação ao apocalipse cumprindo um ciclo de vida e morte, onde esta mostra suas múltiplas faces. A cidade é vitimada por uma epidemia de suicídio em massa de peixes que desencadeia o medo, a angústia, a tristeza, o desespero, a solidão e, consequentemente, o suicídio dos homens, que vai se transformar em epidemia por impotência diante de um fato inexplicável, onde “a morte alcança até quem não havia nascido” (p.107).

Assim como A peste, de Albert Camus, que serve de epígrafe em Alegria, a iminência da morte relembra ao homem a sua pequenez diante da finitude e o faz querer agarrar com todas as forças à vida, que teme perder a qualquer momento. O desespero das pessoas é narrado por um dos médicos da cidade que tenta amenizar os males sem sucesso, restando-lhe apenas a solidariedade e a compaixão.

A morte neste romance de Mahon é recorrente e faz com que o narrador vá refletindo sobre a postura do homem perante o mundo e a si próprio. Com seu senso de humanidade e/ou desumanidade vive toda tragédia e reflete: “Há solidão em qualquer lugar, não é preciso buscá-la, com tanto afinco. Na ilha estive nessas condições sem buscar por elas” (p.160). A ilha, então, vem ser a clausura do homem abandonado à própria sorte.

Nessa contação de história, cujo final nos desestabiliza, valemo-nos de Garcia Márquez em O amor no tempo do cólera, para também afirmar a suspeita de que em Alegria “é a vida, mais que a morte, a que não tem limites”.

* Profª. Drª Ana Lúcia G. S. Rabecchi é professora da UNEMAT – Cáceres.

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Entre aspas: Blairo Maggi encerra sua carreira pública pela porta dos fundos, denunciado pela PGR

><>O motivo da nova denuncia é ainda sobre a compra da vaga de conselheiro ocupada pelo ex-deputado Sérgio Ricardo, vaga essa que seria de Éder Moraes, etc. e tal.

O futuro ex-senador, ex-governador reeleito chegou a ser cogitado candidato a presidência da república, porém faltou coragem e tino político, preferiu o mais fácil que foi a eleição a senador e agora melancolicamente a carreira chega ao fim, como ministro de um governo golpista.

Abre aspas:

Ministro Maggi é denunciado no STF 

Além de Blairo Maggi, o conselheiro afastado do TCE Sérgio Ricardo também foi denunciado

ARQUIVO
Maggio denunciado por compra de vaga no TCE

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

O ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ontem, quarta-feira (02), por corrupção ativa, praticada duas vezes. Ele é acusado de ter participado de um esquema de compra de vagas no Tribunal de Contas de Mato Grosso.

Além das condenações previstas no Código Penal para tais crimes, a procuradora Raquel Dodge pede que seja determinada a perda da função pública de Maggi, bem como a reparação do dano patrimonial, no valor de R$ 4 milhões.

Na denúncia, ela ainda solicita o pagamento de indenização por danos morais coletivos, acrescido de juros de mora e correção monetária pelos danos causados à imagem e à credibilidade das instituições públicas.

As negociações em torno da compra de uma cadeira na Corte de Contas teria iniciado no ano de 2009, época em que Maggi respondia pelo Governo do Estado.

Leia mais no Diário de Cuiabá

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Luiz Renato lança o seu terceiro romance, “Xibio” que fecha a trilogia amazônica

Por João Bosquo | O escritor mato-grossense Luiz Renato de Souza Pinto lança no próximo dia 10 de maio, em Ouricuri (PE), o romance “Xibio”, que fecha a trilogia amazônica iniciada em 1998, com “Matrinchã do Teles Pires”. O livro também será apresentado durante a quarta edição do Congresso Internacional do Livro, Leitura e Literatura do Sertão (CLISERTÃO), na Universidade de Pernambuco (UPE), que acontece  entre os dias 7 a 11 de maio, em Petrolina. O lançamento em Cuiabá será no Sesc Arsenal no dia 25 de maio, das 19 às 22 horas, no espaço da Choperia. Na véspera acontece um pré-lançamento durante a Feira Literária do Colégio Máxi.

Luiz Renato diz que o romance “Matrinchã do Teles Pires”, que dá início à trilogia, trata da colonização do norte do Mato Grosso ao longo dos anos setenta, durante a ditadura militar que expandiu as fronteiras agrícolas avançando sobre a região amazônica.

Em 2014, foi publicado segundo romance, “Flor do Ingá”, no qual se desdobra a aventura e é apresentando o cotidiano de um casal que se conhece em Londrina (PR) e vem para Mato Grosso, quando então se separam.

Agora, segundo Luiz Renato, vinte anos depois, fechando a trilogia, “Xibio”, editado pela Carlini&Caniato, destaca a vinda de nordestinos para garimpos de diamante em Mato Grosso e Goiás. Mesclando elementos da cultura local com pitadas do nordeste, o volume apresenta a cidade de Ouricuri, daí a razão do lançamento nessa cidade, de onde parte um garimpeiro que vem para Balisa, região deTorixoréo atrás do minério.

Padre Cícero, Frei Damião, São Sebastião, Lampião, Luiz Gonzaga e Patativa do Assaré compõem o mosaico de fundo histórico para complementar a viagem.

O escritor explica que entre 2015 e 2018 foram 16 viagens ao nordeste para pesquisas e desenvolvimento empírico das situações de busca e apreensão de elementos para se transformar em literatura.

“Matrinchã do Teles Pires”  foi objeto de monografias de graduação e especialização no campus da Unemat de Tangará da Serra, sob a orientação do professor doutor Dante Gatto, dissertação de mestrado de Luzia Oliva, na Unesp, Campus de São José do Rio Preto (SP), bem como objeto de artigos da professora doutora Gilvone Furtado Miguel, da UFMT de Barra do Garças (MT).

Acerca de “Xibio”, o escritor paranaense Cézar Tridapalli registra em redes sociais que “ao costurar com lirismo realidade objetiva e interior, faz um passeio pela vida de Irene, afetada por experiências tão dolorosas quantos as flechadas recebidas por São Sebastião (e é Irene quem lhe ameniza as dores). De quebra, no meio da leitura, a personagem lê o meu “O beijo de Schiller”, um fragmento que também fala da imagem de uma Irene mitigando o sofrimento de Sebastião, onde se misturam dor e sensualidade”. Em texto que registra a trilogia em sua edição finalizada, a professora doutora Luzia Oliva retrata o que significa a realização dessa empreitada. (Com material da Assessoria)

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