Papo Pedestre: Quem vai fazer os ônibus de Cuiabá andar no horário?

Certo. O governo de Mato Grosso, por meio da Agecopa, vai investir não sei quantos milhões nos projetos de mobilidade urbana, entre os quais o BRT, com dois eixos: Aeroporto-CPA e Tijucal-Centro, dentro dos compromissos assumidos com a Fifa para a realização da Copa do Mundo.

A mobilidade urbana é um dos principais legados que a Fifa quer deixar para os cuiabanos e várzea-grandenses, assim com a Arena e o Fan Park.

Há uma disputa conceitual sobre os projetos de mobilidade.

Alguns setores da sociedade vem se manifestando contra o BRT, apontando que os modais VLT e nomotrilho são mais eficientes ou, em outra linguagem, mais modernos por exigir menos desapropriações, que vem sem uma das principais preocupações de moradores e comerciantes que podem gerar uma ‘despensa’ extra em indenizações…

Todos, sem a devida exceção de praxe, que estão participando do debate sobre mobilidade urbana – diferente deste modesto blogueiro – não andam de ônibus, nem sabem o preço da tarifa (se querem saber, R$ 2,50 em Cuiabá e R$ 2,40 em Várzea Grande), não sabem, portanto, que o maior problema dos transportes coletivos de Cuiabá é que os ônibus não andam no horário e os usuários não fazem fila.

Não são o BRT, o monotrilho e VLT que vão resolver o problema. Todos esses modais dependem do complemento: ônibus, seja para levar passageiros dos bairros para os pontos iniciais, estações de transbordos – ou outro nome que queiram dar -, mas eles (os ônibus) não andam no horário.

Os ônibus em Cuiabá, nos horários de pico, só andam superlotados porque tem pouco ônibus. Será mesmo? Como tenho experiência em andar de ônibus (aqui em Cuiabá, Curitiba, São Luiz, Belém, Porto Alegre e Rio de Janeiro) sei que o problema inicial é falta de compromisso com o horário.

Como o usuário (como nós outro) sabe que o ônibus não tem princípio, ele pode vir como não vir na hora estabelecida, prefere viajar nesse que está à mão a esperar outro que ninguém sabe a hora dele chegar: que está no engarrafamento, quebrou a mola dianteira, o motor fundiu porque o mecânico esqueceu de colocar água no radiador ou, em última análise, porque o motorista resolveu terminar a partida de baralho (ou a morrinha) que está valendo uma ‘cerva’…

Não importa a justificativa… Quem teria que fazer os ônibus andar no horário: o prefeito, o secretário da SMTU, o diretor de trânsito, o fiscal de linha, os vereadores, não consegue porque não sente na pele o problema e só sabe dele de ouvir dizer – assim como uma fofoca – e não sabe, claro, apontar, nem se impor para resolver o problema.

Não me digam (como costumava dizer o ex-prefeito Wilson Santos) que o problema está no valor da tarifa… A tarifa de R$ 2,50 é uma das mais caras do Brasil (senão a mais cara), basta comparar a extensão das linhas. O itinerário mais longo deve ser (não tenho certeza) a linha Pedra 90-Shopping Pantanal…

Vou voltar com este Papo Pedestre mais vezes, focando alguns pontos que podem ser atacados pelo poder público e aos poucos melhorar a qualidade dos transportes coletivos. Tudo se resolve – ou de maduro – ou com boa vontade.

Até!

PS: Hoje, sem brincadeira, nós outro ficou quase uma hora no terminal de integração do CPA I esperando o 302. De pouco valeu ter saído serviço no horário, às 18h, e, coincidente, ter pego o 323 que passava no momento. Chegamos em casa depois das 19h.

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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