Pastor Ariovaldo Ramos: eles não vão parar, temos de ocupar o Brasil agora!

Por Pastor Ariovaldo Ramos – O profeta Jeremias, em muito conhecida fala, disse: Trago à memória o que me traz esperança.

A memória é uma ferramenta preciosa para a manutenção da esperança,

Quando é uma memória má, desperta a necessidade de aprendizado, quando é memória boa, sugere um caminho a considerar. De qualquer maneira, parafraseando o profeta, nos permite confessar que vivemos.

Estamos diante da discussão sobre a malfadada PEC 241, que propõe, em nome da austeridade, congelar gastos, por 20 anos, para, pretensamente, salvar, economicamente, o país, onde saúde e educação, entre outras rubricas estratégicas, deixam de ser investimentos para serem considerados gastos a serem contidos.

Há uma propaganda intensa, por parte do comando do golpe, dizendo ser medida de aparente administração das contas públicas, uma prática comezinha, levada a efeito em todos os lares, com alguma responsabilidade orçamentária.

Dizem isso como se a população brasileira tivesse de ser lembrada de prática familiar, para entender a importância do que se estar a propor.

Não há necessidade da feitura desse esforço, nós todos temos memória que nos remete, com extrema proximidade, ao que resultará à nação a aplicação dessa medida.

FHC foi, oito anos, presidente do Brasil, além de ter sido por dois anos ministro da Economia no governo Itamar, governo responsável pelo plano real.

Ele foi eleito para um período de seis anos, mas, deu um golpe na constituição e estabeleceu a reeleição, permitindo dois períodos de quatro anos, da qual ele foi o primeiro beneficiário.

Ele usou o princípio que norteia a PEC maldita, para governar.

Em seu governo privatizou tudo que conseguiu, desvalorizou os ativos do país e os vendeu por preço irrisório, financiando os compradores, através do BNDES.

Os compradores, ao invés de investirem o que não gastaram na compra, para alavancar a prestação de serviço, esperaram que cada serviço, com clientes cativos, passasse a se pagar, de modo que, o tempo todo, trabalharam com o nosso dinheiro para ter o melhor e o mais lucrativo negócio, onde você recebe por um produto que não precisa entregar com a qualidade prometida.

Ele foi subserviente à geopolítica estadunidense, fazia parte de sua tese, de modo que, quando ele saiu, vendíamos aos tais, a maioria do que exportávamos – estávamos cativos.

E os tais não se interessavam por manufaturados, apenas por matéria-prima e commodities, condenando-nos a uma economia agropecuária e extrativista.

FHC pôs em curso, portanto, ao sucateamento e desmonte da indústria nacional: siderurgia, indústria naval, indústria automobilística, indústria da construção civil e a indústria de manufaturados, de modo geral.

Jogou para o limbo da história a mão de obra não qualificada, impondo, de forma abrupta e atabalhoada, a informatização, por causa dos interesses do cliente majoritário.

Não investiu centavo algum na modernização do país; nem mesmo aos buracos das rodovias federais tapava; não deu nenhum por cento de aumento ao funcionário público federal.

E, mesmo em relação a estabilidade da moeda, e à vitória sobre a inflação, que era a desculpa para o não investimento, ainda que mantivesse um insuficiente programa social, vingou, de fato.

Rapidamente desvalorizou a moeda: de um dia para o outro, pois, o dólar estadunidense dormiu valendo um real e acordou custando um real e noventa centavos, e, no final de seu governo a moeda já estava em crise de estabilidade, a ponto de ter defecções em sua equipe econômica; e o dragão inflacionário começou a despertar.

Não bastasse isso, e, olha que não falei da educação e da pesquisa acadêmica, nem da ingerência do FMI, no final de seu governo, fomos brindados, por causa da falta de investimento em energia, com sucessão de apagões que deixavam às escuras a maioria dos estados brasileiros, o que é, sem dúvida, a mais eficaz forma de sabotar a economia de uma nação.

E, não fora a ascensão do governo popular, a falência teria nos alcançado inexoravelmente.

Sim, temos memória, sabemos o que significa a aplicação do princípio que sustenta a PEC 241.

Sabemos, por memória, o futuro que nos aguarda.

A câmara federal fez o que se sabia, agora resta o senado, o mesmo que implementou o golpe de estado, diante da comprovada inocência da presidenta.

Eles não vão parar, então, se não queremos esse passado como futuro, se queremos evitar o congelamento da saúde, da educação, da moradia, do progresso, do crescimento, da sobrevivência por 20 anos; temos de tomar todos os espaços, a exemplo do que estão a fazer os estudantes, temos de ir para a rua, temos de ocupar o Brasil agora!

Nosso luto vem do verbo lutar!

Fonte: https://www.nocaute.blog.br/brasil/pastor-ariovaldo-ramos-eles-nao-vao-parar-temos-de-ocupar-o-brasil-agora.html

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Namarra

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