Pedro Casaldáliga, um lutador que não se rende, em cena no livro de Luiz Carlos Ribeiro e Flávio Ferreira

“Fica, Pedro!” conta a história do hoje debilitado padre e poeta espanhol, radicado em São Félix do Araguaia, Mato Grosso

O livro “Fica Pedro”, que será lançado na próxima sexta-feira, 11, é resultado de um longo período de pesquisas em livros, endereços virtuais, quilômetros percorridos entre buracos e estradas, feitas pelo dramaturgo, ator e videasta, Luiz Carlos Ribeiro, em parceria com o advogado e diretor da Cia Cena Onze de Teatro e membro da Academia Mato-grossense de Letras, Flávio Ferreira, e com o documentarista, fotógrafo e videomaker Antônio Carlos Banavita.

A gênese do livro, como já nos narrou Luís Carlos Ribeiro, se inicia a partir de uma leitura de uma revista – que este repórter recusa escrever o título – na qual em suas últimas páginas tinha uma matéria que perguntava algo como “aonde a igreja vai jogar o seu velho bispo?”, que falava da aposentadoria de Dom Pedro. O estalo veio na hora e guardou aquelas páginas e iniciou o trabalho de se falar de Dom Pedro.

LCR conta que já conheceu Dom Pedro em 1980, mas precisamente no dia 31 de janeiro de 1980, dentro de um teatro, em Goiânia, após a apresentação da peça “Rio Abaixo, Rio Acima – Ergue o mocho e vamos palestrar” de Glorinha Albuês, que encerrava a sua participação no projeto Mambembão. Luiz Carlos Ribeiro já acompanhava a trajetória de Dom Pedro a partir de sua atuação no Araguaia.

A obra conta a história de Dom Pedro Casaldáliga, bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, que após se aposentar, recebeu ordens do Vaticano para que deixasse a cidade, sob a alegação de que sua presença poderia constranger o bispo que havia sido nomeado para substituí-lo.

“No ano de 2006 recebemos o texto “Fica, Pedro!”, do amigo Luiz Carlos Ribeiro. Naquela ocasião Dom Pedro Casaldáliga se aposentava. Encantamo-nos com o texto, mas sentimos necessidade de saber mais sobre o padre para montar uma peça sobre a sua vida. E o que nos chamou a atenção foi perceber que tão poucos conheciam a história e a vida desse sábio homem. Triste constatar o pouco que se divulgava sobre ele aqui em Mato Grosso”, exclama Flávio Ferreira.

Com o apoio de Banavita, Flávio e Luiz Carlos percorreram mais de 2.400km até serem recebidos por Casaldáliga, e, durante longas conversas, puderam notar sua dedicação às causas dos pobres, negros, índios e posseiros. “Choramos por várias vezes nesses encontros, ora por emoção, ora por remorso. Foi daí que Luiz Carlos nos permitiu ser coautores da obra, onde inserimos textos e emoções vividas com o estimado bispo catalão”, diz Flávio.

Dom Pedro Casaldáliga, nascido em 16 de fevereiro de 1926 em Balsareny, na região autônoma da Catalunha – Espanha, reside no Vale do Araguaia desde 1968. Após receber ordens de abandonar o povo do Araguaia, a quem dedicou boa parte de sua vida, o caso foi amplamente divulgado na imprensa nacional e internacional, causando comoção e mal-estar na época, representando a violação dos seus direitos de ir e vir.

Seguidor da Teologia da Libertação, fundador da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Brasileiro, Dom Pedro é conhecido no Brasil e no mundo pelo trabalho que desenvolve em defesa da vida, da natureza e dos direitos dos menos favorecidos. Essa teologia que nos aproxima um pouquinho mais do Cristo de Deus, que veio nos ensinar a sua doutrina do amor.

Durante o período do regime militar, implantado no país de 1964 a 1985, foi a voz solidária e solitária do Centro-Oeste brasileiro, que denunciou as violações dos direitos humanos e injustiças sociais. Por cinco vezes foi alvo de processo de expulsão do Brasil, além de ter recebido inúmeras ameaças de morte. A mais grave aconteceu em meados de 70, no povoado de Ribeirão Bonito, Mato Grosso – território de sua jurisdição episcopal.

A edição de “Fica, Pedro!” é uma realização da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso, Museu Histórico de Mato Grosso , grupo Cena Onze e Entrelinhas Editora. O evento de lançamento acontecerá durante o tradicional Sarau do Museu com apresentações teatrais, música e poesia. A entrada é gratuita. (Com assessoria)

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Fonte: DC Ilustrado

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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