Poema do Dia: ‘Das Mortes’, de João Bosquo

A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte
continua no mesmo lugar, a caminho
de quem vai para o Cemitério da Piedade

A casa de minha avó, Mariana, ficava perto
da Igreja Mãe dos Homens, longe do cemitério
onde se assistia as missas dominicais…

Frei Quirino, pároco da Boa Morte,
foi quem ajudou vó Amélia a desencarnar
As pessoas usavam luto: luto fechado,
tudo preto, nos seis primeiros meses

e o luto anunciava as mortes acontecidas
ninguém corria o risco de perguntar:
– como vai seu avó?, e ser surpreendido
com um “vovó morreu, não ficou sabendo”

II

Depois que vovô morreu, vó Mariana,
inconteste, vendeu a casa da Getúlio
e se mudou pra rua Nossa Sra da Guia
onde pouco tempo depois venho a óbito

A missa de sétimo dia, como todas as missas,
foi celebrada na Mãe dos Homens…

Quando meu pai, João Cartola, morreu
morava com ele na Joaquim Murtinho
e a missa, lembro, foi no Santuário
de Nossa Sra Maria Auxiliadora…

– As mortes acontecem na família da gente
com uma precisão de geração em geração.

><>Ainda da mesma seleção de poemas inscrita num concurso da Prefeitura (gestão WS),que foi cancelado por baixa qualidade dos participantes.

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