Poesia do Dia: O Museu do Rio Cuiabá – poema de João Bosquo

O Museu do Rio era construido
antes de ser o Museu do Rio.
Ele era erguido num tempo
de ser o Mercado Público
e depois virou Mercado do Peixe

Dentro e fora, só se via peixes
todos os peixes da baixada:
Pacu – claro – o primeiro da lista
pintado e caxara…

(A diferença entre esses dois
– se diferença pode haver –
o  pintado, como diz o nome,
tem pintas, enquanto o caxara
são listras transversais)

Piraputanga com limão e manga
é receita de televisão
(nos tempos idos não tinha TV)
pacupeva, piava, e todos
os peixes da família do P,
Jaú, jurupense e cheiro verde…
O Mercado do Peixe era assim

Cuiabá foi crescendo
o Mercado do Peixe, ali
ficando pequeno,
peixeiros e feirantes se misturavam
a fregueses afoitos
pelo peixe fresco
acabava de chegar
desde a primeira madrugada

O peixe do Mercado
é do Rio Cuiabá, às vezes
vem do Paraguai de Cáceres
do Teles Pires, o matrinxã…

O museu do Rio aí está
para lembrar tudo isso
até não poder mais lembrar
se a lembrança tiver desquecer…
– doer.

><>Ainda da mesma seleção de poemas inscrita num concurso da Prefeitura (gestão WS),que foi cancelado por baixa qualidade dos participantes.

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR
nas redes sociais: @joaobosquo

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