Poesia do Dia: Último cangaço – do livro ‘Abaixo-Assinado’

Sou o rei do último cangaço
Lampião foi morto
de bala e traição

Sou o rei do último cangaço
como se não fosse
pagaria tudo a prestação

Sou o rei do último cangaço
pouco medo
muitas mortes em minhas mãos

Sou o rei do último cangaço
acordo dias
durmo as noites sem emoção

Sou o rei do último cangaço
Lampião herói
esquecido, mas meu irmão

Sou o rei do último cangaço
trago a morte escondida
debaixo do meu gibão

Sou a rei do último cangaço
como se não fosse
pagaria tudo a prestação.

><>Do livro “Abaixo-Assinado” (1977)

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