Posse de Aclyse Mattos na AML foi uma noite de poesia

A festejada solenidade teve Casa Barão com lotação esgotada, tanto que muitos assistiram de pé

O auditório da AML lotou e muitos assistiram em pé – Foto: Facebook

Por João Bosquo e Enock Cavalcanti | A solenidade comandada pela professora Marilia Beatriz Figueiredo Leite, que está se despedindo do cargo de presidente, fechou com chave de ouro sua temporada à frente da Academia Mato-grossense de Letras , marcada pela ‘interminável’ reforma da Casa Barão de Melgaço. O mandato da atual presidenta se encerra em outubro e ela será sucedida pelo historiador e polemista Sebastião Carlos.

Os imortais mato-grossenses estavam, vamos combinar, alegres, daríamos esfuziantes com a chegada do novo acadêmico. Quem estava contrariada era a própria Marília Beatriz que foi orientada a não quebrar o protocolo e fazer o seu discurso devidamente sentada. Para quem não sabe a professora quando fala, em meio a sua fala, costuma meter cacos no texto digitado.

O poeta, letrista e compositor Moisés Martins – que agora também terá a companhia do também músico Aclyse Mattos, disse que “a AML estava de parabéns por receber um ilustre intelectual. Uma pessoa que vem para congregar mais ainda. Um jovem que vem oxigenar a nossa instituição”.

O intrépido acadêmico Eduardo Mahon, poeta, contista e romancista, ex-presidente da AML, destaca o fato de Aclyse Mattos estar adentrando a Casa Barão de Melgaço por ser um literato. “Como disse uma vez Vinicius de Morais: o que tinha de ser. O que tinha de ser dentro da academia era a literatura e é essa a nossa bandeira. Aclyse vem fortalecer o grupo da literatura. A Academia é o lugar de todas as letras, mas sobretudo da literatura”, declara.

O acadêmico José Cidalino Carrara disse que a “AML se engrandece com a aquisição de um poeta, de um intelectual de qualidades reconhecidas como de Aclyse. Fernando Tadeu, professor e pro-reitor de Cultura da UFMT, festejava o fato de ter estudado, quando adolescente, na mesma turma do novo imortal.

O deputado Alan Kardec, a reitora da UFMT, Myrian Serra e o secretário dos 300 anos, Junior Leite, ficaram no dispositivo das autoridades, ao lado dos acadêmicos. Izis Dorileo fez as honras do cerimonial. A PAGINA DO E fez transmissão ao vivo de parte do evento, que está lá, registrada no Facebook.

O poeta acadêmico Ivens Cuiabano Scaff, que está dentro dessa leva de novos membros literatos, foi quem fez o discurso de recepção e explicou que “não precisou escrever um ‘discurso’ mas apenas usar versos e mais versos do recém-chegado. E ao ler esses versos, Ivens confessava um ponta de inveja de querer escrever esta ou aquela tirada. É bom esclarecer que a inveja confessada não é pecado.

O empossado Aclyse Mattos, como regra da imortalidade das academias, lembrou de todos os antecessores da cadeira e, em especial, de Rubens de Castro, o Baiano, que veio para Corumbá e adotou com sua cidade natal. Rubens de Castro publicou dois livros em vida e tem oito inéditos.

A parte cultural ficou por conta do mestre da viola de cocho, Habel Dy Anjos que – junto com Fidel Fiori – fez a música ambiente e depois executou o Hino Nacional Brasileiro com seu amado instrumento. Na parte do piano, Habel Dy Anjos lembrou a primeira vez que esteve na Casa Barão de Melgaço, e que naquele mesmo piano tocara a nossa inesquecível Dunga Rodrigues, com ele acompanhando na viola. Quase no final, o Quinteto de Cordas da UFMT executou uma valsa de Zulmira Canavarros, que Aclyse fez questão de dançar com a esposa, em cena muito aplaudida. Para fechar, realmente com chave de ouro, a execução digital do Hino de Mato Grosso, travou no meio da música e a plateia, para nossa alegria, levou até o final, no gogó, os versos de Dom Aquino: “Salve, terra de amor, terra do ouro/ Que sonhara Moreira Cabral!/ Chova o céu dos seus dons o tesouro/ Sobre ti, bela terra natal!”.

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