Preparando o começo – Artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

Na última quinta-feira, dia 4, o governador do estado e o presidente da Agecopa lançaram dois blocos de obras importantes para a cidade. Uma é a duplicação da Avenida Vereador Juliano da Costa Marques, ligando a Avenida do CPA, do Shopping Pantanal à Avenida Gonçalo Antunes de Barros, antiga Jurumirim. A outra abrange um complexo de obras viárias envolvendo a extensão da mesma Avenida Gonçalo Antunes de Barros, com a pavimentação de diversas ruas de acesso àquela avenida, inclusive a construção de uma ponte sobre o Gumitá. São algumas das denominadas obras de desbloqueio, necessárias ao funcionamento da cidade enquanto as obras principais da mobilidade urbana estiverem em execução. Muitas outras deste tipo estão programadas segundo o noticiário da Agecopa, tais como a duplicação da Barão de Melgaço, a ponte do São Gonçalo, a Avenida do Barbado, a rua da Mangueira, o túnel da Trigo de Loureiro a as ligações entre a Fernando Correia e a Archimedes Lima, entre outras.

São obras importantes para a cidade? Sem dúvida. Um dia seriam executadas ainda que a Copa não existisse. Mas duvido que as teríamos tão cedo não fosse a Copa. Daí o entusiasmo pela realização da Copa do Pantanal em Cuiabá. Ainda pensando na mobilidade urbana e no apoio à execução das grandes obras principais, reitero a idéia de que existem algumas obras muito pequenas, de baixo valor, mas que poderiam trazer grandes resultados para a circulação viária e que ainda não vi citadas na programação da Agecopa. Uma delas seria um retorno na Miguel Sutil entre as rótulas do Centro de Convenções e a do Santa Rosa, dispensando o fluxo de veículos destinados ao Coxipó e CPA de fazer o retorno na rótula do Santa Rosa, mesmo depois de suas obras concluídas. Outra obra pequena seria a ligação da Travessa Monsenhor Trebaure à Marechal Deodoro, que aliviaria a interseção com a Mato Grosso. Outra seria a ligação direta da Rua Tereza Lobo à Miguel Sutil, aliviando a rótula da Rodoviária. Outro dia a prefeitura pavimentou um trecho desse percurso, deixando uns 200 metros para se chegar à Miguel Sutil, justo o que daria um resultado extraordinário. A pavimentação da Rua 4 do Boa Esperança e de suas ligações ao bairro ajudaria muito a desafogar a Rua 1, principal acesso ao bairro e uma das únicas ligações da Fernando Correia com a Archimedes Lima.

Mesmo que algumas outras obras já tenham sido iniciadas antes, como a duplicação da Ponte Mário Andreazza, o lançamento deste pacote de obras em praça pública, com a presença do governador Silval Barbosa, marca de certa forma o início oficial das obras urbanas da Copa em Cuiabá. Ainda que atrasado, há que ser comemorado, do mesmo modo como o início da instalação do “puxadinho” da Infraero no Aeroporto Marechal Rondon. Começaram afinal! Não se pode esquecer, porém, de que estas obras de desbloqueio são como os andaimes em uma obra. Na verdade fazem a preparação para as obras principais da mobilidade urbana que um dia começarão e que serão, estas sim, os principais legados da Copa para Cuiabá. E aí é que mora a preocupação, pois estas obras estão na dependência de uma decisão local sobre o modal de transporte escolhido anteriormente para Cuiabá e que serviu de base para os projetos das vias e interseções do sistema, com tudo já aprovado em Brasília. A presidenta Dilma determinou que não apoiará projetos não definidos até dezembro próximo. Somados a implantação do modal com a reurbanização dos eixos viários estruturais da cidade, só estes investimentos ultrapassam R$ 1,0 bilhão, recursos que Cuiabá e Várzea Grande jamais viram em tão curto lapso de tempo, e que jamais verão passada esta oportunidade. A história nos julgará, a todos.

José Antônio Lemos dos Santos

José Antonio Lemos dos Santos, arquiteto e urbanista, é professor universitário. Troféu “João Thimóteo”-1991-IAB/MT/ “Diploma do Mérito IAB 80 Anos”/ Troféu “O Construtor” – Sinduscon MT Ano 2000 / Arquiteto do Ano 2010 pelo CREA-MT.

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