Quando a Gente Bebe

Quando a gente bebe
Os olhos ficam empapuçados
Com uma vontade de chorar
Sem motivo
Mesmo com esse salário mínimo

Quando o Lula bebe
Tudo continua como antes
O chope gelado, o vinho tinto
Embora o salário mínimo
Vá para duzentos e sessenta

Quando a gente bebe…
– como diria Jânio Quadros –
Bebe porque é líquido e certo
Se fosse sólido a gente comeria
Se o salário mínimo desse

Quando o Lula bebe
Tudo se mostra certo
Embora torta a política palaciana
Do Palloci, do arrocho
Do mísero salário mínimo.

2004
Poemas de João Bosquo
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