Rosa dos ventos – poema de João Bosquo, do livro Abaixo-Assinado

Qual caminho seguirei
que rumo na vida
tomarei diante tal fato?

Não posso pegar na metralhadora
não posso correr por entre farpas de arame
se dispensado fui do exército.
Estão patentes os fatos
mendigos mendigando
entre lixos formam moradias
nas calçadas corpos estendidos.

Poesia, por mais lírica,
não ameniza a vida
mesmo que diante tal fato
ela se encontre.

Se eu calar
covarde serei.
Covarde serei
por não tentar
despertar as pessoas
do sono que agora dormem.
E ficar na tocaia
para desejar-lhes: Bondia
que é dia de bonança.

(Os homens estão acordados
estão sorrindo, estão dando as mãos
estão encarando, estão cara-a-cara
diante tal fato.)

No momento
nada é mais que sonho.
Minha poesia na tocaia
na esperança de desejar-lhes – Bondia
dia que não precisarei de caminhos
dia que não haverá caminhos
por que todos os caminhos
será um só caminho…

Agora, agora
preciso achar o caminho
mais fácil de chegar
nos corações dos homens…
Ensina-me Rosa dos Ventos!
><>Do livro “Abaixo-Assinado” (1977), editado em parceria com Luiz Edson Fachin.

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