Saudade é uma coisa esquisita – um poema de João Bosquo

Saudade é uma coisa esquisita.
A gente que sente, sabe que sente
mas não está escrita na cara
e não tem outra identificação.

Às vezes, muito das vezes, dói
uma dorzinha gostosa de sentir
de saber que a qualquer momento
vai matar aquela doutora saudade.

Porém há casos, cruzes, perdoe-nos,
Senhor, a saudade é uma dor cruel,
quase infinita, de alguém que parte…

– Partiu tão de repente, imagina,
sem dizer: tchau!, até manhã!,
ou, pior, adeus!, até nunca mais.

><>Neste momento transitório – do qual todos nós somos passageiros – mesmo tendo a certeza que vamos encontrar todos no infinito amor  Divino a partida de alguém querido é muito dolorido.
Quando mudamos de casa, de emprego – até de família – nós levamos saudades e deixamos, mas são aquelas que de alguma forma são compensadas – telefone, e-mail, fotografia no Face ou ‘fofocas’ dos leva-e-traz.
Agora, a partida repentina, por acidente ou qualquer outro motivo, provoca uma certeza que a saudade é muito dolorosa de aceitar. Chego a calcular – num cálculo muito distante da realidade – a dor dos pais que perderam filhos em acidentes. Assim como o acidente, não tem como evitar a dor sentida.
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