Sebastião Carlos assume a presidência da AML em substituição a Marília Beatriz

Historiador volta à presidência pela terceira vez e noitada na Casa Barão serviu para revelar a arte da pequena Áurea Maria

Aurea Maria a jovem estrela na posse de Sebastião Carlos

Por João Bosquo | A posse de Sebastião Carlos Gomes de Carvalho na presidência da Academia Mato-grossense de Letras (AML) já tem um marco. A revelação da voz e do carisma da jovem – joveníssima – cantora Aurea Maria Barbosa Monteiro, de apenas 13 anos, que encantou a todos e marcou a noite.

Foram apenas duas, tão somente duas, canções uma de João Bosco e Aldir Blanc, o clássico “O Bêbado e o Equilibrista”, e outro clássico “Como Nossos Pais”, do recentemente falecido Belchior, que marcam momentos de excelência de nossa MPB e também marcam épocas na vida de nosso País. Foram dois momentos, mas quando a jovem talento terminou de cantar e o público pediu outra, era um sinal que o público ficou realmente extasiado.

A troca de presidentes da mais venerada casa de letras de Mato Grosso, a AML, aconteceu na noite desta terça-feira, 31. Deixou o comando a acadêmica Marilia Beatriz de Figueiredo Leite que, em seu discurso de despedida, fez um breve relato de sua gestão – que, segundo ela, foi bastante prejudicada pela ‘interminááááável’ reforma ou revitalização da Casa Barão de Melgaço.

Lembrou que a sua posse – dois anos atrás – nada mais, nada menos, contou com a presença do poeta goiano Gilberto Mendonça Teles, famoso pela exegese na obra de Drummond, e a inesperada aparição de Wladimir Dias-Pino – ambos se encontravam em Cuiabá participando do Setembro Freire. Falou da primeira reunião, ainda na Casa Barão e depois o périplo cuiabano, com destaque para uma realizada na Confeitaria Colombo.

Lembrou também – por conta da não entrega da obra – do protesto que alguns acadêmicos e jornalistas fizeram pichando os tapumes com versos. Até Ianara Garcia, da Globo local, neste dia fez-se poeta. Disse, não lembro, que uma viatura apareceu… Citou as comemorações do centenário de Gervásio Leite e a comemoração dos 95 anos da AML, no Palácio da Instrução, os dois eventos em 2016. Falou-se também da notificação extrajudicial que não resultou em nada, pois a Casa Barão de Melgaço só foi entregue pela atual gestão municipal, depois da intervenção do secretário Francisco Vuolo, da Cultura, que acertou os pormenores. E por derradeiro citou a instalação da Biblioteca “Therezinha de Jesus Arruda”, inaugurada no sábado, dia 28 de outubro.

O novo presidente abre o seu discurso falando do “Casarão de Barão de Melgaço” bicentenário, no qual se reunem vozes em defesa da soberania do solo pátrio, como também da cultura, da beleza da poesia e falou do grande legado de Augusto de Leveger, o nosso Barão de Melgaço, que hoje empresta o nome à casa.

Sebastião Carlos resgatou seu passado de militante político e fez uma dura crítica ao momento político que o país sobrevive ao citar nomes de acadêmicos que fizeram a história da entidade naquela casa – Dom Aquino Corrêa, José Barnabé de Mesquita, Lenine Póvoas, Clóvis de Mello, Silva Freire, Rubens de Mendonça, Maria Muller, Dunga Rodrigues, Estevão de Mendonça, Virgílio Corrêa… (devo ter omitido alguns nomes, não o acadêmico) e fez referência a um membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, um dos nomes de um dos nossos mais importantes heróis nacionais que é Cândido Mariano da Silva Rondon.

Carlos Gomes ressaltou, contudo, dando a coloração política, que esses notáveis não podem ser recordados apenas como referências de estudos, pesquisas, mas também como “luz, como uma importante faceta, nesta hora triste, sombria, vergonhosa que a pátria atravessa. Os exemplos de homens públicos são raros e se escasseiam a olhos vistos e a ética é destroçada em praça pública, a verdade humilhada, a virtude desprezada e o patriotismo tratado de modo vi. Esses mato-grossenses devem ser recordados e engrandecidos como exemplos de cidadania”. Faltou apenas, na boca do novo presidente, um FORA TEMER para arrematar com chave de honra o apaixonado pronunciamento.

Citou, como não podia deixar de citar, o trabalho de sua passagem anterior pela presidência da AML, a edição da Coleção Obras Raras de Mato Grosso que reúne obras literárias (romances, contos e poesias) publicadas entre os anos de 1917 e a década de setenta. Ele lembrou que, ao entregar essa coleção de livros na Biblioteca Nacional, um dos diretores comentou que seria importante para a cultura brasileira se, em cada um dos estados brasileiros, tivesse uma coleção como essa. São livros que se encontravam esgotados e esquecidos – incluindo aí o primeiro romance publicado por um autor nascido em Mato Grosso – e que, por sua importância para a história literária regional, foram reeditados a partir de 2008.

Uma falha imperdoável não poderíamos deixar de registrar, porém. Por que a leitura de correspondência de congratulações naquele momento de festa? Se a leitura, no nosso modesto modo de ver, não cabia a que se referia aos “mato-grossenses do NORTE”, menos ainda, já que não existe um Mato Grosso do Norte.

Presentes os acadêmicos Pedro Dorileo, Lucinda Persona, Tertuliano Amarilha, Moisés Martins, Nilza Queiroz, Elizabeth Madureira, Ubiratã Nascentes, José Carrara, Louremberg Alves, Eduardo Mahon, Fernando Tadeu, Ivens Scaff, Agnaldo Silva, João Vicente, Cristina Campos, Olga Castrillon e Luciene Carvalho.

O ativo secretário de Cultura de Cuiabá, Francisco Vuolo, compôs a mesa. Na distinta plateia juiz Antônio Pereira, os juristas Elarmin Miranda e Fábio Capilé, o advogado Renato Nery, o performático Neneto Sá, a ex-primeira dama do Estado, Maria Lygia Borges Garcia, acompanhada de seu filho o empresário Carlos Antonio, o juiz Jamilson Haddad, e o secretário de Cultura, Francisco Vuolo, no ato representando o prefeito Emanuel Pinheiro, entre outros.

Na parte cultural tivemos ainda as performances de Caio Augusto e Edilaine ‘recitando’ poemas de Carlos Gomes de Carvalho e as execuções dos hinos nacionais e do estado por conta do belo Quinteto Ciranda Mundo.

Voltemos ao início para fechar. Aurea Maria canta desde os sete anos, quando começou a estudar no Conservatório Dunga Rodrigues e, em 2012, faz sua estreia pública ao participar do recital no Colégio dos Padres. Está cursando a sétima série no Colégio Coração de Jesus, onde participa do coral; estuda técnica vocal com Raquel Rocha e piano. E de sua carreira, certamente, falaremos mais adiante nas páginas deste também histórico e persistente Diário de Cuiabá.

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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1 Resultado

  1. MARÍLIA BEATRIZ disse:

    Cada vez mais exemplar. Apenas um reparo a Notificação foi entregue no gov.de EMANUEL!