SEC cancela divulgação do resultado do Edital MT Literatura que estava sendo questionado nas redes sociais

A segunda edição do Prêmio MT Literatura, cujo resultado seria divulgado nesta quarta-feira, 28, pela Secretaria de Cultura do Governo José Pedro Taques, foi cancelado e novo edital, com novos prazos serão publicados. Segundo informações, foi detectado um vício formal e a SEC se viu obrigada a republicar novo edital, com novos prazos, esse vício só foi descoberto após a polêmica nas redes sociais. Estes novos prazos estão sendo definidos porque é preciso levar em conta todos os trâmites burocráticos e prazos.

O Prêmio MT Literatura estava cercado de polêmica. Desde a publicação do resultado da habilitação definitivo, em 24 de agosto, os questionamentos da já vinham sendo feitos, alguns inclusive colocando a lisura do processo em questão, o que, vamos combinar, não vem ao caso.

A polêmica se acentuou, quando depois de publicado o resultado definitivo dos habilitados, porque o edital MT Literatura teve nada mais nada menos que 4, isso mesmo, quatro editais de retificação.

O primeiro foi de retificação do cronograma, logo depois da publicação do primeiro edital. Ai veio a segunda retificação, a terceiro e a quarta, imagina, foi publicada entre o resultado preliminar e o resultado definitivo de habilitados e inabilitados, lá no dia 22 de agosto, refazendo todo o organograma.

A escritora Cristina Campos, membro da Academia Mato-grossense de Letras, foi uma das que mais se revoltou com a inabilitação, mesmo porque – veja a ironia – ela com o seu editor foi quem percebeu o primeiro problema do edital original e questionou a SEC que imediatamente publicou a primeira retificação.

Ainda, segundo Cristina Campos, o sistema de inscrição não aceitava a anexação dos documentos que o edital pedia. Foi orientada pelos servidores da secretaria que efetivasse o cadastro e na hora da análise técnica a comissão a chamaria. O tempo passou, para sua surpresa, foi considerada inabilitada e mesmo entrando com o recurso não foi aceita a sua inscrição. Cristina Campos questiona ainda o nível do resultado, já que o mesmo não vai refletir “a riqueza da produção literária de Mato Grosso”, afirma.

O concurso recebeu 90 inscrições, bem mais que o da primeira edição, fato louvado pelo secretário e governador José Pedro Taques. Mas, sempre um mas, 60, ou seja dois terços, foram inabilitadas.

A Academia Mato-grossense de Letras, que tem a frente acadêmica Marília Beatriz de Figueiredo Leite, também se manifestou. A presidente da entidade disse que a AML “está indignada com o processo de seleção. Se você rechaça 60 por cento dos inscritos isso significa retrocesso e não uma forma de expandir”, afirma a acadêmica.

As 8 horas da manhã desta terça, logo depois da entrevista da matéria da TVCA ir ao ar, o escritor, jurista e polemista Eduardo Mahon fez um post na sua página do Facebook: “A presidente da AML posicionou-se contra a estranha exclusão de 70% de inscritos num concurso literário com 4 retificações do edital. O Estado, ou melhor, o governo segue surdo às colocações e contribuições da sociedade, razão pela qual só tenho a lamentar.”

Pipocaram críticas e defesas ao processo desenvolvido pela SEC.

Luiz Marchetti, cineasta, mestre em design em arte mídia, atuante na cultura de Mato Grosso, fez um print de um texto de sua autoria no Circuito-MT, no qual elogia o Sesc Arsenal e por vias transversas ‘rufa’ a lenha o processo da SEC: “os servidores do SESC Arsenal trabalham sem o dom oficial de desprezar os profissionais. Esse tipo de moagem-fetiche tornou-se anomalia em alguns territórios que deveriam nos representar e hoje distorceram transparência para feroz detalhismo, inviabilização e, consequentemente, em desprezo. Diversos profissionais evitam esses espaços, seus editais e a antipatia que conquistaram com seu Modus operandi. Regras exageradas e minuciosas buscas de erros em editais num Estado com tão poucos projetos (pouquíssimos, sim senhores) é a doença que gera essa aridez de ineditismo, sangue novo e jovens artistas na nossa agenda cultural. A maioria dos artistas de MATO GROSSO ainda sonham em fugir deste lugar ou mudar de carreira”.

No debate, descobri que o escritor Eduardo Mahon também foi eliminado por ‘sua incompetência’ ao não saber anexar os PDFs de seus documentos no sistema da secretaria de Cultura. Ele, porém, me contradiz e afirma que, assim como fez Cristina Campos, “ligou para a Secretária Adjunta Regiane alertando não haver campos separados para certidões e documentos pessoais e que ela me passou para o técnico em informática que o orientou a converter tudo em PDF e enviar em duas janelas diferentes – a obra em si e os documentos mais certidões”.

“Evidentemente que cumpri todos os passos e me informei diretamente com a SEC. Ainda assim, a Secretaria informou que meus documentos não chegaram. Deveriam ter humildade para reconhecer o problema no sistema e abrir novamente o prazo. É lamentável fazer de uma iniciativa louvável um motivo de crítica. Mais uma fragilidade que o governador Pedro Taques não merecia, aliás”.

Paulo César Desidério Costa, um dos poucos que defenderam o edital, escreveu: “Me assustei com a considerável queda no número de postulantes. Mesmo assim, entendo que as questões burocráticas podem ter sido cruciais para tal. Ao fazer o ato de inscrição esse era o meu maior medo (é a minha cara ser eliminado por ter esquecido algum documento) e, justamente por isso, liguei na secretaria para tirar TODAS as dúvidas que eu tinha. Foram minutos de ligação, mas no fim, ao menos habilitado o meu projeto esteve. Enfim, falta informação e também correr atrás da informação já que elas não de apresentam de maneira clara”.

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR
nas redes sociais: @joaobosquo

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1 Resultado

  1. Marcos Soares disse:

    Não entendi a colocação da Senhora escritora Cristina campos quando diz que o Prêmio não vai refletir “a riqueza da produção literária de Mato Grosso”. Ela foi desrespeitosa com os demais escritores, que foram habilitados. Só ela tem competência para ‘refletir’ a riqueza da literatura de MT? Desce do salto querida e respeite seus companheiros.