SEC corre contra o tempo e marca para a próxima quarta-feira, 25, a entrega dos prêmios aos contemplados do MT Literatura

Depois do chabu da Literamato e sua planejada apoteose que custaria R$ 3 milhões aos cofres públicos, autores participarão de noite de autógrafos coletiva no Paiaguás

Por João Bosquo | Quando seria a entrega dos prêmios e cheques aos vencedores do II Prêmio MT Literatura? Eis a pergunta que não queria calar. Os vencedores do certame, depois de idas e vindas, ficaram todos entusiasmados, diria até eufóricos, enfim tornariam público os seus trabalhos, com o anúncio que o mesmo aconteceria no dia 20, sexta-feira, dentro programação da LiteraMato, que prometia ser o grande evento literário de 2017, quiçá da década, com os 3 milhões de investimentos pretendidos pela Casa Guimarães, através de emendas parlamentares. Mas acabou dando chabu e não aconteceu.

A Secretaria de Estado de Cultura divulgou na manhã destas quarta-feira que premiação e lançamento das obras do 2º prêmio será no dia 25 de outubro, às 19h30 no auditório Cloves Vetoratto, no Palácio Paiaguás, como nas vezes anteriores. Presença garantida do governador Pedro Taques. A presença de representantes da Casa Guimarães não se pode garantir.

O cancelamento, vamos combinar, foi até providencial para a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) que, no último dia 10, disponibilizou em seu site, para participação popular, a minuta do regulamento para a 3ª edição do MT Literatura, para que os “interessados possam ter acesso ao conteúdo e contribuir com críticas e sugestões até o dia 30 de outubro”.

A pergunta que fica no ar é se o lançamento será no dia 25, ainda com o regulamento sendo debatido pelos interessados, ou a participação popular é apenas um ‘faz de conta’? Fica o questionamento.

Os escritores anunciados como premiados no 2º MT Literatura na categoria poesia são Luiz Renato Souza Pinto, com o livro “Gênero, Número, Graal”, um conjunto de oitenta e cinco poemas que atravessam os anos 1990, 2000 e a década atual, divididos em cinco partes: Sinto, Corpo, Neutro, Azul, Face. Em Sinto (verbo) os poemas que simbolizam ação. Os dois substantivos (CORPO E FACE) reúnem os poemas que remetem às coisas substanciais em nossa vida. Os dois adjetivos (NEUTRO E AZUL) qualificando algumas iniciativas. “No conjunto buscam aliar o humor e a leveza com alguma profundidade analítica e existencial”, diz o autor.

Na poesia, a outra premiada foi Divanize Carbonieri, com o livro “Entraves” que, segundo a professora e escritora Flávia Helena, que assina o texto de orelha, “não é apenas sobre obstáculos. “Entraves propõe, principalmente, caminhos. Todos, claro, cheios de percalços”. O livro é um conjunto de 30 poemas escritos ao longo de 2016.

Na categoria prosa, os premiados foram Teodorico Campos de Almeida Filho, com o livro “Os mesmos”. Neste livro, segundo a professora Maria de Jesus Patatas – a mesma que levou Mario Cezar a ser professor – diz que “o autor estabelece uma relação entre a história de Cuiabá e a história universal, citando localidades e acontecimentos verdadeiros enredados com a ficção, nos coloca como participantes ativos dos destinos do mundo, com personagens que estão, simultaneamente, dentro do mundo da fantasia e do mundo real, envolto numa nuvem que carrega o fantástico e a realidade”.

Outro premiado é Marcelo Leite Ferraz, com a obra “O assassinato na Casa Barão”, que poderíamos dizer é um romance baseado em fatos reais. O livro resultou de pesquisas do autor no Arquivo Público. Nele o autor narra a vida de um jornalista que investiga uma organização criminosa que, por sua vez, subverteu os princípios éticos da Maçonaria para tentar omitir um segredo místico da instituição.

Afonso Henrique Rodrigues Alves, com o livro “Contos do Corte” reúne, em cinco capítulos (infância, escrita-criação, erótico, misticismo, morte e homem-natureza) uma série de contos partidos das vivências pessoais do autor. “A maioria das histórias veio por sonhos ou depois de meditações”, diz.

Fernando Gil Paiva Martins, também premiado na prosa com “As intermitências da água”, um romance que “narra a história de uma cidade que passa por um fenômeno atípico,chuva em excesso seguido de seca em igual escala. Com isso, muitos terão que decidir o seu presente e, logo, também o seu futuro. O que cada um escolhe para si é um mistério que se revela a cada página, a cada gota que não cai, a cada quilômetro percorrido”. A conferir.

Na categoria infanto-juvenil, a escritora e acadêmica Cristina Campos, com a obra “Papo cabeça de criança travessa”, que tem as ilustrações assinadas por Vanessa Prezoto. A obra construída a partir do registro etnográfico de coisas interessantes – as “tiradas” – que as crianças repentinamente falam quando estão descobrindo o mundo, com os olhos livres de uma linguagem acostumada. De certa forma, é uma coletânea reinventada pela autora, a fim de valorizar imagens poéticas e filosóficas, neologismos e construções sintáticas não usuais. O livro, é claro, voltado às crianças.

O outro premiado, na categoria é Victor Angels, com “Mundo dos sonhos – O ferreiro e a cartola”, cuja obra narra a missão confiada à pequena Rita que é a de salvar o Mundo dos Sonhos. Depois de aceitar a proposta de um desconhecido, após encontrar uma cartola caída em seu quintal, Rita decide salvar um mundo onde tudo pode acontecer, somente para ter o seu irmão mais novo e sua mãe de volta em casa.

Na categoria revelação temos os nomes de Alexandre Rolim, com “Tikare: alma de gato”. Alexandre é mato-grossense de Tangará da Serra, repórter de jornais, sites, rádio e TV desde 2004, e nesta “ficção que registra/recupera histórias, mitos e práticas de um povo indígena que vive no imenso Chapadão do Parecis-MT, propõe uma reflexão sobre os modos de contato entre indígenas e não indígenas e sobre a necessária garantia de espaço para a vida dessas comunidades”.

A outra revelação é Helena Werneck dos Santos, com “NU”, um compêndio com 80 poesias inéditas. “Apesar de ter 17 anos, Helena é uma escritora contumaz. Desde que aprendeu a ler e escrever demonstra amor pelos livros e, justamente na adolescência, o desejo de escrever poesias aflorou”, nos conta a mãe, a jornalista Keka Werneck. “No poema que dá nome ao livro, propõe que sejamos despidos de tantas regras ditadas por vozes alheias e que a gente tenha experiência íntima de ficar nu e escrever a própria poesia”.

Desses dez, oito publicados pela Carlini & Caniato / Tanta Tinta enquanto outros dois, de Afonso Henrique e Helena Werneck pela Entrelinhas.

Esses livros, sim, amigos leitores, seriam lançados durante a Literamato, mas o evento, por conta de seus altos custos, que atingiriam o citado montante de R$ 3 milhões, acabou sendo barrado pelos técnicos pareceristas da Secretaria de Educação. Enquanto isso temos entidades e produtores querendo receber menos, bem menos que isso.

João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR
nas redes sociais: @joaobosquo

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