Silval diz que pagava mensalinho para deputados… Pra provar apresenta um verdadeiro reality do balcão de recebimento de propina viva

><>O ex-governador Silval Barbosa, em sua premiada delação, disse que pagava uma espécie de mensalinho para os deputados, incluindo o atual prefeito de Cuiabá.

Essa história de mensalinho, marmita (lembra?)  sempre esteve permeando o universo politico local. Agora um delator apresenta o pagamento das referidas mesadas (outra denominação) aos então deputados Alexandre César ,  Emanuel Pinheiro (PMDB), atual prefeito de Cuiabá, Luciane Bezerra (PSB), atual prefeita de Juara, Hermínio Barreto (PR) e Ezequiel Fonseca (PP), atual deputado federal.

Duas aspas: a primeira da Gazeta Digital, que foca em Alexandre César e corre o risco de perder o cargo  procurador e a segunda, do DC, que foca em Emanuel Pinheiro, que já rebateu de pronto, dizendo que não recebeu propina.

Não esquecer que essas são partes de uma delação com 21 anexos. 

Alexandre César pode perder cargo de procurador do Estado

Celly Silva, repórter do GD

O procurador do Estado e ex-deputado estadual Alexandre César (PT) corre o risco de perder o cargo após os telejornais da TV Globo mostrarem, na quinta-feira (24), um vídeo em que ele aparece recebendo maços de dinheiro das mãos do ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), Sílvio César Corrêa Araújo, no Palácio Paiaguás.
Reprodução/TV Globo

Por meio de nota emitida nesta sexta-feira (25), a Procuradoria Geral do Estado (PGE) afirmou que considera as imagens graves e aguardará a retirada do sigilo da delação de Silval Barbosa para, caso identifique alguma infração aos deveres do cargo público de procurador que Alexandre César exerce, tomar as providências cabíveis, que podem incluir a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que por sua vez, pode culminar com a demissão.

O vídeo em que o ex-deputado foi flagrado faz parte do acordo de delação premiada firmado entre Silval e o Ministério Público Federal (MPF), que já foi homologado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), no início de agosto.

O dinheiro entregue a  era uma espécie de “mensalinho” pago pelo ex-governador a parlamentares em troca de apoio na Assembleia Legislativa (ALMT), falta de fiscalização na gestão do Executivo e consequente complacência com os diversos esquemas que são alvos de processos criminais contra Silval Barbosa, conforme ele próprio.

Ao Gazeta Digital, Alexandre César afirmou que não teve acesso ao conteúdo da denúncia de Silval Barbosa em razão do sigilo judicial do processo e que, por conta disso, não tem condições de se manifestar a respeito, o que fará após tomar conhecimento dos autos.

Na delação, Silval diz que filmou Pinheiro com propina

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

O prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB) foi um dos deputados estaduais que receberam propina do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). O atual chefe do Executivo da Capital ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa entre os anos de 2010 a 2014, período em que o peemedebista esteve à frente do Palácio Paiaguás.

Em delação premiada firmada junto a Procuradoria Geral da República (PGR), Silval Barbosa apresentou uma gravação em vídeo onde aparece o ex-deputado recebendo dinheiro. O fato teria ocorrido entre 2012 e 2013.

O dinheiro foi entregue por Sílvio César Corrêa Araújo, ex-chefe de gabinete de Silval e seu braço direito no governo. Ele também firmou termino de colaboração premiada junto a PGR, e atualmente cumpre prisão domiciliar e é monitorado por meio de tornozeleira eletrônica.

Conforme o ex-governador, o pagamento era uma espécie de “mensalinho”, o qual era pago a diversos parlamentares para garantir apoio ao seu governo. No total, nove deputados teriam sido gravados recebendo a propina.

Na delação, Silval afirma que cada parlamentar recebia cerca de R$ 600 mil para não fiscalizar as obras do MT Integrado. À Procuradoria Geral da República, o peemedebista revelou que se comprometeu a repassar aos deputados entre 3% e 4% de um total de R$ 400 milhões.

As obras do MT Ingegrado estavam orçadas em R$ 1,4 bilhão com a promessa de interligar, com malha asfáltica, os 141 municípios mato-grossenses.

Silval foi mais além e afirmou que o esquema de pagamento aos deputados já estava em vigor na gestão do hoje ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), que o antecedeu no governo do Mato Grosso.

As declarações de Silval foram confirmadas pelo ex-deputado estadual José Riva, que também negocia um acordo de delação premiada com PGR. Em depoimento, o ex-presidente da Assembleia Legislativa garantiu que o prefeito de Cuiabá se beneficiou do mensalinho.

Por meio de nota, o prefeito Emanuel Pinheiro garante que nunca recebeu propina para apoiar o governo de Silval Barbosa. Ele diz que “refuta toda e qualquer ilação que possa ter sido alegada com intenção de enredá-lo nas supostas práticas criminosas que teriam sido admitidas numa possível delação”.

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR nas redes sociais: @joaobosquo

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