“Sinto quase que um dever patriótico não abandonar Portugal”, diz Miguel Sousa Tavares

Alex Rodrigues

O escritor português Miguel Sousa Tavares admitiu nesta sexta-feira,20, ter planos de viver no Brasil. Seu projeto era mudar-se ainda este ano, mas a grave crise econômica que seu país enfrenta o fez repensar.

“É um projeto sobre o qual ainda não me decidi. Planejava me mudar na metade deste ano e viver metade do ano no Rio de Janeiro, metade em Portugal. Só que Portugal anda tão ruim que eu sinto quase um dever patriótico de não o abandonar. Ficar e ao menos tentar resistir a esta crise até que possamos voltar a levantar a cabeça”, disse o escritor, depois de sua palestra na 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília (DF) até a próxima segunda-feira (23).

Autor de Rio das Flores, No Teu Deserto e Equador (adaptado para a televisão e exibido, no Brasil, pela TV Brasil), o escritor e jornalista afirma que seria a pessoa mais feliz do mundo se pudesse se dividir entre os dois países.

“O Brasil é um país que me fascina, com muita coisa ainda por descobrir. Há uma modernidade e, ao mesmo tempo, um primitivismo que me causa grande alegria quando venho ao país. Somando a esta, acho que já são 45 vindas”, disse Tavares.

O escritor ainda comentou que a obra de autores brasileiros, com destaque para Jorge Amado e Érico Veríssimo, foi o que primeiro chamou sua atenção. Em seguida, a música e o cinema. No texto que leu durante sua apresentação, o português chegou a confessar sentir inveja dos autores brasileiros.

“[Inveja] da sua inesgotável matéria-prima de inspiração, das suas inacreditáveis histórias, que não seriam verossímeis em nenhum outro lugar senão aqui. Da sua infinita capacidade de romancear num país que, 500 anos depois da descoberta oficial, tem tanto ainda por descobrir. Eu sou filho de um imaginário gasto e cansado, de um continente velho e exaurido que é a Europa”.

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