Só Selma Arruda Salva – por Enock Cavalcanti

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro

Meus amigos, meus inimigos: a juíza Selma Arruda, além de manter na prisão inimigos políticos do atual governador, firmando a moralidade administrativa no Estado, ainda que sob o sacrifício seleto do PMDB de Silval Barbosa, merece agora também muitos encômios por destravar situação de incômodo que, há anos, vinha sustentando cizânia dentro do plantel de notáveis operadores do Direito que compõem o Tribunal de Justiça, excelso plenário da Justiça em nosso Estado.

Ora, que pena que o desembargador Tadeu Cury, de tão saudosa memória, não esteja vivo para participar dos atuais festejos, ele que também foi alvo do vitupério dos maledicentes.

Sim, depois de tantas sentenças incômodas colhidas no STF, no STJ e no próprio TJ-MT, eis que os magistrados denunciados como corruptos pelo desembargador Orlando Perri, então corregedor de Justiça, uma espécie de Robespierre pantaneiro, que tanto desgaste desnecessário trouxe à honra da magistratura mato-grossense, veem agora o Escândalo da Maçonaria colocado, finalmente, em pratos limpos.

Selma Arruda se projeta como juíza de escola, merecedora de muitos lauréis. Não se surpreenda se, amanhã, galgar os píncaros da carreira, quem sabe sendo convocada para substituir Cármem Lúcia, que anda falando em largar seu posto no STF.

Sim, aqueles que, no passado, foram os corruptos do Perri, do ministro Ives Gandra Martins Filho, agora respiram aliviados. Relembro o texto bíblico: estavam perdidos e foram achados. Estavam mortos, e reviveram. As manchetes deste início de 2017 os saúdam como os inocentes da juíza Selma. Ainda bem que ela teve tino e sabedoria para firmar que o desembargador José Ferreira Leite e os juízes Marcelo de Souza Barros, Marco Aurélio dos Reis Ferreira e Antônio Horácio da Silva Neto, vítimas do dedo acusador do Perri e tão cruelmente expostos, vejam só, são, afinal de contas, reconhecidos em sua boa-fé. Sofredores, como Dreyfuss! Merecedores, agora, de retumbante desagravo que poderá, certamente, ser convocado pela Amam – que saiu às ruas para aclamar o juiz Sérgio Moro, que nem é daqui. Por que não haveria de cantar e contar com louvor os feitos da juíza Selma, notadamente essa absolvição que demonstra a honradez e consagra a perseverança dos juízes maçons na defesa de suas biografias?

Em decisão de novembro de 2006, o CNJ firmara: “Não pode um juiz ser presidente ou diretor de Rotary, de Lions, de APAEs, de ONGs, de Sociedade Espírita, Rosa-Cruz, etc., vedado também ser Grão Mestre da Maçonaria…”. (CJN, Pedido de Providências Nº 775106). Mas qual, tudo isto é passado! Sim, sob o comando de Zé Ferreira, a Loja Maçônica GOE/MT podia contar com o TJ, sem problema nenhum, decide agora a juíza Selma, mandando às favas o que decidira o CNJ, o STF, mal influenciados pelas acusações disparatadas do Perri.

E os injustiçados de ontem podem contar agora com a juíza Selma Arruda, para o que der e vier. Afinal nunca foram peemedebistas! Tá tudo em casa, no âmbito do Poder Judiciário de Mato Grosso, esse supremo garantidor da Justiça em nosso Estado.

Tenho certeza que o MP, diante de tal espetáculo, há de deixar de encher o saco e se irmanar nesse momento impar. Que Deus seja louvado! E o Perri, hem? Deve ficar submetido a pesadelos dignos de Edgar Allan Poe.

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Enock Cavalcanti

Enock Cavalcanti é jornalista, bacharel em Direito, blogueiro, proprietário do Página do E (paginadoenock.com.br) e editor de Cultura do DC Ilustrado.

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