Língua Portuguesa

a Sírio Possenti 

Nada é perfeito como a língua que falamos
No dia a dia de nosso cotidiano claro-escuro
Cheio de obstáculos para os sentimentos
Guardados a sete chaves nas artérias do coração

Nada é mais imperfeito que o sentir diário
Mesmo todas as palavras contidas no dicionário
Não são capazes de explicar esse pulsar
Esse abrir repentino e fechar das retinas

As letras, fonemas, palavras, orações juntas
Justas, milimétricos dois e dois são quatro
O abecedário inteiro a nosso dispor aqui…

Tudo, imagina tudo, corre atrás da perfeição
Porém, sem sentir o interno de todos nós,
Somente a língua, impassível, continua bem dita.

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Olhos Vendados

Este momento que vejo tudo, embora de olhos fechados,
sigo (como é possível seguir) rumo ao norte prometido
Uma visão panorâmica de olhar, como de soslaio,
de olhos fechados e vejo o infinito que nunca se acaba
e do infinito dos olhos vejo outros olhos sem fim

Sigo pelos caminhos infinitos, entre lágrimas e estrelas,
que percorrem por todo nossos sentimentos e ver que
mesmo os caminhos finitos, felizes ou tristes, são iguais
E registram as pegadas de todos os caminhantes
cósmicos – independente do carma – de forma simples…

Todos os caminhos são iguais, desd’as águas do Pantanal,
a foto dum segundo da galáxia do telescópio Hubble,
assemelham-se aos universos microscópicos laboratoriais
e podemos ver, sentir e distinguir com olhos vendados.

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Quando Estive na Espanha com João Cabral de Melo Neto

Quando, num sonho, estive na Espanha
para conhecer João Cabral de Melo Neto
o poeta Pernambuco, Severino, Recife
constatei que o sonho era coisa estranha

Estranhei que as parlendas espanholas
não tinham rimas, nem quebras línguas
menos ainda histórias de toureiros
em arenas sangrentas de saciar gritos

eufóricos gritos da plateia inusitada
que queria a poesia e o poeta cabralinos
para um fim de tarde inesperado…

Tudo no sonho, bom que se diga, vale
como enredo de um poema bem dito
porém não consegue fixar-se no papel.

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De Tapetes, Pássaros e Peixes – poema João Bosquo

Ninguém mais se lembra dos tempos
belos tempos, que a gente andava
de tapete voador aos pares de ares
e descia em qualquer estação do ano

Voar nestes tempos, até passarinho
Com asas cansadas, prefere andar
Nas calçadas mesmo correndo risco
De, num momento, ser atropelado…

O tempo voa, todos, em regra, dizem
Sem meio que entender o que é dito,
Desfeito no mesmo batido dia-a-dia

Não possuo asas, nem tapete voador
Contrariamente tenho nadadeiras
E vou sereno pelos rios até o pantanal.

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Todos os poemas que busco – poema de João Bosquo

Todos os poemas que busco
Dentro e fora de minha alma
Não são lidos, nem lindos,
Apenas poesias que escrevo só

Só escrevo poemas vasculhados
Pelo sentir desbragados
Dos olhos abertos ao ver tudo
Inclusive o rio que corre solene…

Os poemas são uma busca
Um procurar de sentido da vida
De um porque e ser poeta

Como todos os humanos
Apenas de profissão diversa
Mas de um sentir semelhante.

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Quem acha a poesia escondida? é a pergunta do mais recente poema

Poema Escondido

Vamos ver, quem acha a poesia escondida?
O poema, vestindo terno ou um velho jeans,
é apenas uma roupagem de rimas e métricas
como são as escolhas de escolas literárias

O poema das arcádias, do lirismo derramado,
do Barroco, feito barro, impregando os sonetos,
o Romantismo, sem ser romântico, de Castro Alves,
sem querer veste-se de Parnaso sem sentido

O poema de símbolos, corre atrás do pré-moderno
a Semana de 22 e todos os Andrades se misturam
e depois se processa o edifício do concretismo…

Não importa o estilo, mas a essência poética
nas entrelinhas que correm perfeito um lambari
dourado nas águas do rio rumo ao mar Pantanal.

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Antes da Física Quântica – poema de João Bosquo

Não conhecer física, o princípio de Einstein,
demora mais para entender que o amor,
assim como todas as coisas universais,
também é variável no espaço e tempo

O amor, embora a causa primeira de tudo,
em nós, enquanto gente = energia concentrada,
é a mais instável dentre todas as equações
e invariavelmente apostamos no contrário

A causa primeira de tudo, repito, é o Amor
O Amor imanente, permanente em cada um,
contudo dessa permanência não entendamos

perfeitamente como ela se estabeleceu e fica
nos cobrando que amemos uns aos outros,
na mais simples das equações, como a nós mesmos.

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A luz de Nossos Olhos – poema de João Bosquo

A graça de estar vivo
E estar sempre atento
É o de poder conhecer
E fazer novos amigos

A graça de estar vivo
É poder olhar nos olhos
Dos amigos mentirosos
E assim poder amá-los

A graça de estar vivo
É perceber que igual
Somos a todos nós

Outros que também
Tentam se esconder
Da luz d’ olhos que nos veem.

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Com Efeito – poema de João Bosquo

Calma meu jovem

esta nova aventura

é suave tortura

no fundo do mar

 

Peixes que bailam

zumbidos alegres

ficarão gravados

nas retinas dos olhos

 

Magneticamente

sorrisos aparecerão

no brilho fecundo

das gotas do mar

 

Edifícios submersos

grampeados a golpes

à planta submarina

da Atlântida perdida

 

Que acolherá os corpos

camas e sereias

sombras de palmeiras

e a beleza de Iemanjá.

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Saudade é uma coisa esquisita – um poema de João Bosquo

Saudade é uma coisa esquisita.
A gente que sente, sabe que sente
mas não está escrita na cara
e não tem outra identificação.

Às vezes, muito das vezes, dói
uma dorzinha gostosa de sentir
de saber que a qualquer momento
vai matar aquela doutora saudade.

Porém há casos, cruzes, perdoe-nos,
Senhor, a saudade é uma dor cruel,
quase infinita, de alguém que parte…

– Partiu tão de repente, imagina,
sem dizer: tchau!, até manhã!,
ou, pior, adeus!, até nunca mais.

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Botafogo – poema torcedor, pois neste momentos que devemos dizer quem somos…

Por que a gente torce?
Torce porque é Botafogo
Botafogo Futebol e Regatas
Porque a gente é Garrincha
Camisa sete, ponta-direita
Driblando sempre pro mesmo lado

Torce porque é teimoso
A gente é meio Zagalo
Ponta-esquerda recuado
– A gente sempre recua
Quando está na esquerda
E vai pro centro
Justo no meio do jogo

Por que a gente é incrédula
Terminar o campeonato
É a nossa vitória
E a Estrela Solitária brilha
Mesmo sob placar adverso.

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Menina de abril – poema de João Bosquo

Menina de abril
dia primeiro
mentira foi

Não tem pão
legumes não tem

Menina de abril
dia primeiro
mentira foi

O prato sobre a mesa
vazio se encontra
A saliva mata a sede
a forme mata a fome

Menina de abril
dia primeiro
mentira foi

Ventos não ventam
salários não aumentam

Menina de abril
tudo é mentira
Que Pedroperário
de vida melhorou
a chuva
na lavoura choveu
e a colheita foi boa

Dia primeiro
mentira foi.
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A Passagem e o Relógio – um poema recente, recentíssimo

A passagem do tempo
é como um relógio…
Como a metáfora
de um relógio que não para
O tempo não para
e o relógio tic-tac, tic-tac
como um trem destreinado
segue até à última estação.
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‘Antigamente’, poema-trailer do nosso próximo livro “Cotidianos de Tempos e Temperos”

Não se veem mais poetas como de antigamente…
Os poetas de antigamente escreviam à mão
em brancos papéis suas diletas poesias…

Bem antes, porém, os poetas cantavam musas
intrusas, in métricas precisas e de cabeça
guardavam na memória e iam aos recitais

Depois vieram as máquinas Remington
os poemas passaram a surgir sob formas
até chegarmos no modernismo
e desaguou no concretismo…

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‘Tempo das águas’, poema-trailer do nosso próximo livro “Cotidianos de Tempos e Temperos”

Antes de se chegar ao Pantanal
A poesia procura o prumo das águas
E tenta primá-la em palavras
Fluviais, flutuantes frente ao início…

Antes de iniciar a chegar a termo
O tempo das águas se faz presente
Num ritmo frequente em chuvas
Em pingos gotejantes como dum rio

Que cai do céu para dentro de mim
As gotas são tantas, não posso bebê-las
Enxugar também não posso. Nadar

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‘Primeira Vez’, poema-trailer do nosso próximo livro “Cotidianos de Tempos e Temperos”

Da primeira vez, solitário e triste,
Que me vi, como num espelho,
Tentei um sorriso e meio
E quis enganar-me aos olhos…

Da segunda vez, embora triste,
Um tanto quanto solitário e só,
Busquei dentro de mim
Uma lenda e lembrei-me de você…

Da terceira vez, solamente
Quase uma semente, vi
Atrás da íris quando estava

Frente ao espelho – olho no olho –
Que possível ser só e triste
Mas sem medo, essencialmente.

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‘Apóstolos da palavra’, poema-trailer do nosso próximo livro “Cotidianos de Tempos e Temperos”

O homem procura a si mesmo agora
Sozinho por uma vereda desconhecida
E não entra sem saída e paga ingresso
O tudo que aqui sobra é o nada hoje

Era luz, primavera, verão, inverno outro

Outono, nenhuma outra estação era
Era a estação das cruzes, do fuso horário
De trocar vestimentas, homem, mulher

A mulher procura a si mesma, também
Embora dentro de casa, corredores fixos
Não levam aos mesmos lugares confusos

Apenas juntos, mãos dadas: Cecília, Manuel
Drummond e todos os apóstolos da palavra…
O nada que aqui falta é o tudo amanhã.

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‘De Madrugada’, poema-trailer do nosso próximo livro “Cotidianos de Tempos e Temperos”

Quando acordo de madrugada
fico ouvindo ao silêncio
os ruídos, pequenos barulhos
que são produzidos lá fora

Os barulhos são de passos
de insetos, minúsculos insetos,
e folhas que caem ao vento
docemente até o chão-chão

Só os pequenos barulhos das
coisas e dos bichinhos menores
os meus ouvidos captam

Ao ruído da grande máquina, e
mói os seres humanos, eu fico
surdo e concentro-me nos detalhes.

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“Recito enquanto leio”, poema-trailer do nosso próximo livro “Cotidianos de Tempos e Temperos”

O final de semana
começa no sábado
Domingo, quando o dia termina,
inicia a segunda-feira

Dá-se início a tudo
que não finaliza
mesmo que outros
e outros sábados
sábados, sábados e sábados
venham, amanheçam
e terminem como as noites

Tudo é tão sólido
Mesmo sem perceber as coisas
mesmo sem vê-las
elas acontecem
como planejado
a bilhões de milênios anos-luz

Nada está fora
do espaço elaborado
quando caminho
lentamente
dentro de mim
recito enquanto leio
Lucinda Nogueira Persona.

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Soneto Militétrico – poema de João Bosquo

Gostaria de ser sintético
pouco mais hermético
pouco menos patético
mais ou menos héticoTer amigos incertos
pouco mais dialéticos
poder ser supradireto
e menos pós-poético

Contudo, profético
em versos aritméticos
revelo pré-cosmético

O mundo frenético
caminha disléxico
prum fim cibernético

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Ano Novo se Repete, também se Renova – poema de João Bosquo

O ano novo começa em primeiro de janeiro
E os anos, desde antes de nós, tem doze meses…
Os meses são os mesmos, os eventos se repetem
primavera, verão, outono e inverno…

Tudo se repete… mas, repara, nada é igual
A vida é um ciclo, círculo, só que em aspiral
tudo muda, tudo se transforma, tudo melhora
com o passar dos anos, dos dias, das horas

Nada, absolutamente nada, permanece no lugar…
Portanto é semelhante, entretanto é diverso,
se parece mas é diferente, é par mas é espelho

Tudo se repete mas está em movimento
nessa eterna mudança de lugar, de itinerário…
Tudo e nada tem sentido dentro do Universo.

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Assim Somos – poema de João Bosquo

Quem se lembrará de um dia como hoje
de um período como o nosso ainda
em que todos se dizem que não sabiam
e da responsabilidade… Ah!, como fogem
Quem, num futuro distante, abrirá o livro
e vai ler que tudo não passou de reflexo
de nós mesmos na realidade semi acabada
enquanto somos assim mesmos, meio vivos

meio mortos, meio sem pé e sem cabeça
Não é, portanto, o Congresso, a Câmara
os seus integrantes, nossos representantes

Somos nós – letrados ou não letrados –
ao fingimos de esquecidos e tentar esquecer
que somos apenas nós neste período, hoje.

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Aos Que Virão Depois de Mim – poema de João Bosquo

Amar o mar, não posso, não vejo
O meu desejo, sempre é o rio
Por qual navego só de olhar
Até chegar – no aconchego – no pantanal

Amar a neve, impossível
Vejo o postal, o que é neve?
Meu coração interroga e diz
Que ama o sol que brilha no peixe,
A gota de água doce do mar pantanal

Amar é assim: olhar e cuidar
Com os olhos as coisas no lugar…
No seu devido espaço, no devido tempo
Sempre guardando, com carinho, não pra si,
Mas pra todos que virão… – Venham!

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O buraco – poema de João Bosquo

De quem é este buraco?
Alguém tem que se responsabilizar
Está tomando proporções enormes
e ninguém sabe a extensão exata
onde começa, onde termina
Se é que tem um começo, meio e fim

De quem é este buraco?
Quem é o pai desta coisa?
Que enfeia a rua, o bairro, a cidade
Este buraco deve ter um dono
senão não estaria assim
cada dia maior, mais bonito
e dá até gosto em ver

De quem é este buraco?
Os motoristas de táxi, de ônibus
querem saber quem é o responsável
pela manutenção do buraco

O presidente da associação de moradores
já manteve audiência com o prefeito
foi à câmara de vereadores
pedindo a criação da lei
anistiando o dono do buraco
desde que o leve para casa

De quem é este buraco?
Olhando com um pouco de simpatia
Vê-se que (o buraco) tem alguma razão de ser…
Foram as chuvas, foi o verão
mas logo estaremos no inverno
Será que o buraco fica para a estação?
Será que outro cego vai cair de novo?

De quem é este buraco?
Por favor, ouçam a pergunta
O governador, sabemos, claro,
vai dizer não conhecer o buraco
O carteiro não é capaz
de dar qualquer notícia
A polícia já desistiu
de tentar autuar em flagrante
o autor desse delito

De quem é este buraco?
Alguém tem de fazer alguma coisa
O buraco está saindo da rotina
vazando pelas paredes
O pentacampeonato está sob risco
Não se faz mais gols nos estádios
por conta desse incidente

De quem é este buraco?
Os inquilinos, os condôminos
estão curiosos, querem uma satisfação
uma justificativa, ao menor que seja
As bancadas dos partidos políticos
pensam em um decreto legislativo
declarando o buraco de utilidade pública
Afinal, o buraco é mais em cima
ou mais em baixo?

De quem é este buraco?
Os feirantes já não fazem a feira
os lojistas mandaram para o SPC
contudo, o buraco resiste
Um crítico de arte
se curvou ante o constante buraco:
“É a nova vanguarda”, disse

De quem é este buraco?
A verdade deve ser dita
A cidade não é mais cidade
as ruas não mais existem
as casas edificadas, os prédios
e conjuntos habitacionais inteiros
perderam a personalidade
o caráter físico

Tudo se integrou à paisagem insólita
Agora, apenas o buraco
domina os pontos cardeais
E ninguém é capaz de responder
“De quem é este buraco?”. Continue Reading

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Caminhar sem pés – um poema de João Bosquo

Caminhar por sobre as águas
Como uma canoa aprendiz
De conhecer as veredas mansas
E rasas de todos os rios

Caminhar sem pés
Com o pensamento fito
No galgar sereno
Da elevação sem traumas

Sem traumas, porém, o corpo não sai
Do porto, e somente parte no fim
No fim do entardecer
A partida, sempre, precisa
Ser mais cedo
Antes do amanhecer

Canoa não tem asas, não voa
Calma navega sem pressa
Até chegar ao grande mar azul
Oceano pantanal de todos nós.

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Juan – poema de João Bosquo, do livro Abaixo-Assinado

A todos aqueles que partiram.

Juan, quantas vezes lutastes
por mim e por meu povo?
Quantas vezes você
ao nosso lado dizendo:
– Vamos pegar o rifle
vamos pegar a enxada
vamos fazer este azul
o azul mais bonito do mundo

Juan, qual o segredo
da amizade mais pura?
O mais puro sentimento
é amar a gente da gente?
Torna-me puro e fecundo
como teu sangue escorrido
sob o fogo da metralha O instante é de tristeza infinita
de beijos malogrados
momentos de amores roubados
poemas de regressos inacabados

Juan, quantas vezes lutarás
por mim e por meu povo?
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Quem Pensa em Silêncio – um poema de João Bosquo

Quem pensa em silêncio
Pensa melhor
Quando desce de navio
O rio que atravessa
A cidade
E existe desde a nascente

Quem pensa em silêncio
Não diz o que pensa
E espera o curso do rio
Cumprir seu próprio curso
Para finalmente desembarcar

Quem pensa em silêncio
Olha as margens
Como uma mensagem
Paisagem de futuras paragens

Quem pensa em silêncio
Fica quieto até o fio
De voz dos peixes
Poder ser ouvida
Pelos ouvidos do coração.

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Poema do dia: Minha Poesia é Curta

Minha poesia é curta
pouca inteligência à mostra
poucos centímetros de um decassílabo
e sobrevive apenas uma década

A sobrevida dos versos
no papel ecológico
é menos ainda que na web
que escritos na memória

a) do computador aposentado
b) no notebook esquecido
c) no desktop reformatado

A poesia, porém, não parte
“Stop!”, diz o poeta!
Foi a rima que se perdeu.
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Poema do Dia: Lembranças III

O gesto fecundo
fazíamos espontaneamente
Mesmo com frio
acudíamos a todos
com nossas piadas
mentiras de loucos…
(o vento vinha
lembrando minuano)

Não tínhamos nada
além de nossa capacidade
de inventar palavras de alento
– Eles não suportavam
a nossa criatividade
e fizeram questão de arrasar…
Hoje restam apenas lembranças.
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Poesia do Dia: Último cangaço – do livro ‘Abaixo-Assinado’

Sou o rei do último cangaço
Lampião foi morto
de bala e traição

Sou o rei do último cangaço
como se não fosse
pagaria tudo a prestação

Sou o rei do último cangaço
pouco medo
muitas mortes em minhas mãos

Sou o rei do último cangaço
acordo dias
durmo as noites sem emoção

Sou o rei do último cangaço
Lampião herói
esquecido, mas meu irmão

Sou o rei do último cangaço
trago a morte escondida
debaixo do meu gibão

Sou a rei do último cangaço
como se não fosse
pagaria tudo a prestação.

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