Projeto que valoriza o Centro Histórico de Cuiabá será lançado neste domingo

Da Assessoria | A Associação Angeli lança neste domingo, 01 de Outubro, ás 19hs o Projeto “Valorizando o Centro Histórico de Cuiabá: Projetando na História” que tem por objetivo, valorizar, chamar a atenção da população para a importância dos patrimônios históricos de Cuiabá, principalmente pela aproximação dos 300 anos de fundação da cidade.

Igrejas como a Nossa Senhora da Boa Morte, Nossa Senhora do Rosário – São Benedito e Nossa Senhora do Bom Despacho que são verdadeiros tesouros patrimoniais da cidade e por muitas vezes passam despercebidos pela população receberão durante 30 dias uma projeção especial, com apresentações culturais, painéis contando suas histórias para que durante as visitações de fiéis e turistas todos possam conhecer a importância dessas obras e assim contemplar as joias históricas de nossa cidade. Este projeto pretende iniciar um movimento de valorização do centro histórico através da arte e da cultura usando o que há de mais moderno e tecnologia para atingir a conscientização cultural da cidade sobre a riqueza de seu patrimônio histórico.

Com a chegada da primavera aproxima-se o mês de outubro dedicado a conscientização da saúde da mulher e é nessa sensibilidade da alma feminina o que projeto se lança nos pilares da Associação de melhoria de qualidade de vida, desenvolvimento artístico e cultural aliadas a confraternização da população dando início ao movimento Outubro Rosa em Cuiabá

Essa é exatamente a preocupação da Associação Angeli, despertar, conscientizar, revitalizar, valorizar a cultura e desta forma chamar a atenção para os monumentos, utilizando-os como chamariz para os destinos patrimoniais, ajudando a incrementar o turismo em nossa cidade/região e assim chegar aos 300 anos da capital de Mato Grosso com a cidade revitalizada, moderna, com qualidade de vida, gerando uma capital cidadã, renovando a cidade, perpetuando a história, transformando os patrimônios em ícones turístico-culturais.

Num momento em que todas as atenções estão voltadas para o Projeto Cuiabá 300 anos, a Associação Angeli também se engaja nessa luta e um dos seus primeiros passos é cuidar e valorizar as joias arquitetônicas da cidade que precisa ser vista pela população e bem cuidada para que também sejam um forte potencial turístico, assim como em diversas cidades do Brasil onde os pontos de visitação a monumentos históricos são o cartão de visita aos turistas e a população.

Na abertura, que será na Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito o Instituto Flauta Mágica fará um concerto e teremos ainda, Cerrado Groove com Henrique Malouf e a Chuva de Poesias com Luciane Carvalho.

 

Programação:

19h – Missa

20h – Lançamento do Projeto: Valorização do Centro Histórico de Cuiabá: Projetando na História e Campanha Outubro Rosa

Atrações: Flauta Mágica, Cerrado Groove com Henrique Malouf e Chuva de Poesias com Luciane Carvalho.

Share Button

Projeto ‘Bom de Bola, Bom de Escola’ abre inscrições até preenchimento das 400 vagas

 

Por Alessandra Barbosa | Começa a partir desta terça-feira, 11, as inscrições para o programa Bom de Bola, Bom de Escola. Serão disponibilizadas 400 vagas para alunos de escolas públicas de 6 a 14 anos.

Serão formadas equipes masculina, feminina e portadores de deficiência nas modalidades de futebol com 140 vagas, futsal com 110, atletismo com 90 e o tênis de mesa com 60.

Os alunos interessados deverão procurar a direção da escola e solicitar uma declaração que comprove que está regularmente matriculado e frequentando as aulas. Em seguida, o aluno deverá se dirigir ao Complexo Esportivo Dom Aquino, acompanhado pelos pais ou responsável para efetuar sua inscrição. As inscrições seguem até que todas vagas sejam preenchidas.

Entre as novas características do programa estão o Termo de Cooperação Técnica entre as Secretarias e Conselhos Municipais envolvidos, como: Educação, Saúde, Assistência Social, além da Secretaria de Esporte, Cultura e Turismo.

“É muito importante para a nossa gestão reviver um programa como este que há décadas conseguiu trilhar um novo caminho para a vida das pessoas. É justamente esta a nossa proposta que queremos levar aos lares cuiabanos um pouco de esperança para o futuro dos nossas crianças e jovens. Tivemos várias reuniões até chegarmos neste novo modelo, que pudesse englobar os serviços de algumas Secretarias que trabalham, diretamente, a favor do ser humano. Nossas expectativas são as melhores possíveis” ressaltou o prefeito Emanuel Pinheiro.

Neste primeiro momento, o projeto vai abranger as unidades de ensino públicas próximas do Complexo Esportivo Dom Aquino. A aula inaugural está prevista para o dia 19 de agosto.

O programa foi criado em 1998 e recebe em 2017 uma serie de aprimoramentos da Prefeitura de Cuiabá, encabeçada por uma equipe técnica da Secretária de Cultura, Esporte e Turismo.

Fonte: Secom Cuiabá

Leia também:

O novo Bom de Bola, Bom de Escola vai atender 400 crianças

Share Button

Gosto de falar e falo Cuiabá em poemas; hoje 8 de abril a capital verde festeja 300-2 anos de fundação

Gosto de Ser Cuiabá

Gosto de ser Cuiabá
Do gosto de peixe
Peixe de rio, frito
Ensopado e mojica

Gosto de ser Cuiabá
De ser sal da terra
De pé rachado
E caminhar à tarde

Gostar de Cuiabá
É trazer – preguiça –
Traços de verde
Correr na veia

Gostar do gosto
Que Cuiabá supera.

Share Button

Cuiabá 300-2: Poemas que de certa forma falo da Cidade Verde

Sou Poliéster

Sou Poliéster, fui Durango Kid
Sai ileso ao caminhar de Far-West
Pelas antigas ruas cuiabanas

Calcei Conga, matei aulas,
Furtei mangas e cajus de quintais
Que nunca foram de minha casa…

Pescar em rios que atravessam
A Cuiabá tricentenária é vício
Que escapa por desobrigação
Do progresso urbano permanente

Nadar? Jamais, nem em sonho
O algodão doce das roupas
Desmaterializaram-se e sobra apenas
Uma certeza simples: sou poliéster. Continue Reading

Share Button

Poema que de alguma forma falo: Cuiabá 300-2 anos de fundação

Cuyabensis 300 anos

Descobri, meio que sem querer,
Que em latim, velho latim antigo
– Mesmo porque somos latinos –
Cuiabano se escreve cuyabensis

Cuyabensis de trezentos anos
De trezentos traçados, veredas
Córregos, rios, lagos mansos
E chuvas em abril… Oito de abril

Sabia que a palavra “cuyabensis”
Existia, não durante a época do latim,
Mas criada entre zero e trezentos…

Trezentos anos tem o cuyabensis
As Minas de Sutil, o olhar do sol amanhecer
E ver a luz do entardecer ao anoitecer. Continue Reading

Share Button

Poema que de alguma forma falo Cuiabá, que hoje comemora 300-2 anos de fundação

Cuiabá, Cuiabanos e Cuiabana

Cuiabá 300-6 é contagem regressiva
Para o tricentenário da cidade verde
Ano que vem será menos cinco
E Cuiabá não para, não para, não para…

Meu coração, quando bate, não para
De ser cuiabano, de ser otimista
De acreditar que o homem cuiabense
Além de hospitaleiro é esse mesmo…

Como também é o cuiabanense
Quando olha para o sol se pondo
E lembra: amanhã é dia de fazer feira

Cuiabá caminha, calma e solene
No seu andar, morena… Antes de tudo
Melhor de tudo é o coração da cuiabana. Continue Reading

Share Button
1

Cuiabá 300-2 vista e revista por nossos escritores e poetas

Cuiabá 300-2. Roubo o título de nosso cronista urbanista José Antônio Lemos dos Santos, o arquiteto que conhece Cuiabá 300 em todos os seus traçados. No seu último artigo, publicado também aqui neste Diário de Cuiabá, José Lemos lamenta a falta de continuidade da política urbanística registrada em lei, 30 anos atrás para comemorar os 300 de Cuiabá forma mais bela… A política tupiniquim nunca tem continuidade por conta da nossa natural vaidade de acharmos que devemos ser os primeiros, embora os primeiros em Cuiabá, todos sabem, foram os índios paiaguás.

Mas, vamos combinar, apesar de tudo, de todos os percalços, Cuiabá continua. Somos Cuiabá! Assim é o pulsar de todas as vozes cuiabanas daqueles de tchapa e cruz ou naturalizados pela culinária (quem comer cabeça de pacu não sai daqui, já dizia Benjamim Ribeiro), pela cultura, pela arte ou, enfim, pelo calor cuiabano.

Eis os depoimentos de quem ama Cuiabá e seus motivos Continue Reading

Share Button

Linha Internacional – por José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos

O que tem a ver aeroporto internacional, gasoduto, Manso, ferrovia, Porto Seco, Arena Pantanal e até o nosso queridíssimo Sol com eleições municipais, vereadores e prefeitos, conforme venho tratando nos últimos artigos? De fato, alguns questionam, parece claro que não se trata de assuntos da alçada municipal. A estes argumento que o prefeito é a maior autoridade pública municipal estando na Lei Orgânica entre suas atribuições “fiscalizar e defender os interesses do Município”. Aos vereadores cabe entre outras coisas cobrar e fiscalizar em nome do povo o cumprimento da lei. Inclusive o exercício dessa atribuição. Óbvio que existem competências administrativas e legislativas que não podem extrapolar os limites do município, mas essa história de cada um no seu quadrado só vale na música popular atual. Até ao cidadão cabe cuidar de sua cidade e lutar por ela. O que seriam “interesses do Município” citados na Lei Orgânica?

    Valendo para quaisquer dos assuntos citados no início do artigo cito por exemplo a inauguração da linha aérea entre o Aeroporto Marechal Rondon em Várzea Grande e Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, prevista para o próximo de 5 de dezembro, a partir de articulações do governador Pedro Taques. É claro que não se trata de assunto da competência administrativa nem legislativa do governo do estado, mas como é um assunto do maior interesse para um estado centro continental, em especial para Cuiabá e Várzea Grande, o governador, com apoio de diversos segmentos da sociedade, correu atrás dos setores competentes em todas as esferas públicas e privadas, e chegou à definição da linha. Não se trata portanto apenas de mais uma linha aérea para o 14º aeroporto mais movimentado do país, mas sua primeira linha internacional com fortes possibilidades de consolidação ligando direto o centro da América do Sul a um outro país, concretizando a internacionalização do Marechal Rondon, podendo puxar outras linhas internacionais e ajudando a alavancar novas perspectivas para a economia de Mato Grosso, turismo, comércio, lazer, cultura, etc.

    A grande vocação natural de Cuiabá com sua posição central no continente é ser um grande encontro intermodal de caminhos. Basta reparar que do jogo de xadrez ao futebol, o meio do campo tem papel fundamental e é o espaço de maior movimentação. Na logística a tendência é acontecer o mesmo. Aproveitar essa potencialidade natural foi a motivação do então prefeito Dante de Oliveira, e depois como governador, buscar a internacionalização do Marechal Rondon. Como Taques, também estava fora de seu quadrado administrativo, mas no mais absoluto sentido de responsabilidade política para com os interesses do estado. Agora falta 1 mês para a inauguração prevista e tudo ficou quieto. Não se fala mais no assunto. O que estaria acontecendo?

    Certamente que a ligação internacional de Cuiabá não é um tema inócuo, mas envolve interesses de outras cidades que também pleiteiam tal privilégio. Pauzinhos podem estar sendo mexidos contra o projeto de Mato Grosso. Já tivemos por duas vezes uma linha internacional que foram interrompidas por questões absolutamente fáceis de superar quando existe determinação política em todos os níveis para superá-las. Não seria importante neste momento a intervenção dos prefeitos da Região Metropolitana ou, ao menos dos de Cuiabá e Várzea Grande, das Câmaras Municipais, das lideranças empresariais, em especial do trade turístico? Ou vamos deixar que a oportunidade passe novamente até que um dia a vantagem comparativa natural da posição central seja usurpada e inviabilizada definitivamente por outras localidades com mais disposição de lutar pelos próprios interesses municipais e regionais?

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU-MT e professor universitário.             joseantoniols2@gmail.com

Share Button

Prêmio Territórios 2016 será lançado nesta sexta-feira, 19 no bairro Jardim Vitória, em Cuiabá

A edição 2016 do Prêmio Territórios, que visa incentivar projetos culturais que promovem a inclusão social, será lançada nesta sexta-feira, 19, no Centro Comunitário do Jardim Vitória, às 14 horas. A cerimônia vai contar com a de apresentações artísticas de crianças e adolescentes atendidos pelo projeto Hip Hop Contemporâneo, selecionado no edital do ano passado.

O público que lá comparecer vai ter a oportunidade de ver o resultado de ações educativas desenvolvidas por dois meses a partir de diversas modalidades do movimento Hip Hop, como oficinas de break, MC, grafite e DJ, entre outras.

Para selar o encerramento, o projeto Hip Hop Contemporâneo prevê ainda o evento Batalha de MCs, hoje, a partir das 16 horas, na Praça Alencastro. Além de 12 atrações locais, os MCs paranaenses Quase Nada e Tripa Seca, duelam no espaço público da capital que sedia batalhas permanentes realizadas às quintas-feiras.

Além do lançamento do edital no período da tarde, artistas e públicos que se dedicam ao universo hip hop, celebram o encerramento do projeto aprovado no Prêmio Territórios envolvendo a comunidade do Jardim Vitória, um pouco mais tarde, a partir das 17h, na praça do bairro, 0s alunos protagonizam o evento ao lado de mais 11 atrações.

De acordo com o secretário de Estado de Cultura, Leandro Carvalho, projetos como este revelam que o potencial do Prêmio Territórios extrapola os objetivos de valorização e fortalecimento de atividades artísticas e culturais realizadas em espaços independentes, protagonizadas por profissionais da cultura.

“Eles ressignificam espaços, alcançam comunidades, multiplicam as ações e servem como força motriz para consolidação de uma cadeia produtiva da arte em suas mais diversas nuances”, pontua.

Uma das idealizadoras do projeto Hip Hop Contemporâneo, Lígia Viana, revela que o espaço que sedia o projeto, o Centro Comunitário do Jardim Vitória foi oxigenado com a presença de crianças e adolescentes focados na capacitação artística.

“O grafite, por exemplo, mudou a cenário. O Centro Comunitário se transformou em uma verdadeira galeria. Um projeto como este muda positivamente o cotidiano de uma comunidade periférica. Para se ter uma ideia, com as oficinas e shows previstos, mais de duas mil pessoas serão alcançadas. Além disso, mais de 15 coletivos dedicados ao hip hop estiveram envolvidos em todo o processo”.

Reforçando o caráter transformador de iniciativas como esta, o parceiro na empreitada, o DJ Taba, destaca a necessidade destas ações irradiarem para outros bairros e até outros municípios. Representantes de coletivos de Tangará da Serra e Sinop já demonstraram interesse em receber o projeto.

“Sem contar que não só os alunos, os arte-educadores também se beneficiam com este processo de engajamento. Eles têm que se aprofundar mais, pesquisar. E repassando seus conhecimentos, se aperfeiçoam enquanto profissionais. Ainda mais que são remunerados pelo trabalho”, diz. Lígia Viana completa: “A cultura de rua ainda é marginalizada e o incentivo que recebemos da secretaria, valorizou estas ações e fez com que a população as encarasse de forma respeitosa”.

Somando ao Hip Hop Contemporâneo, ao todo nove projetos foram contemplados na primeira edição do Prêmio Territórios: Chapada em Concerto (Chapada dos Guimarães), Passo Miudinho – Mestres da Cultura Popular de Mato Grosso (Várzea Grande), Samba no Coreto (Cuiabá), Chão Violado: Entre acordes e imagens (Poxoréu), Coletivo Cultural Toda Vida (Cuiabá), Oficina da Cultura (Sorriso), Violada Sertaneja: Encontro de Música de raiz (São José dos Quatro Marcos) e Espaço Cultural Teaf – Território de Arte e Cultura (Alta Floresta).

Com material da Assessoria

Share Button

Praça devolvida, vitória cidadã

No início de agosto de 2012 o noticiário local denunciava a aprovação pela Câmara de Cuiabá de projeto de lei do executivo autorizando a venda de 4 áreas públicas localizadas nos bairros Alvorada, Cidade Alta, Jardim Vitória e Jardim Cuiabá. Bem em frente à Arena Pantanal, palco da Copa, em uma delas encontrava-se a Policlínica do Verdão, excluída do pacote pelo prefeito da época após denúncia do fato em alguns de meus artigos. O promotor de Justiça Carlos Eduardo da Silva de imediato investigou o assunto e em outubro ainda de 2012 o Ministério Público Estadual pediu à Justiça que fosse decretada a indisponibilidade dos imóveis colocados à venda, pedido atendido no último dia 25 de março de 2014 pelo juiz Rodrigo Roberto Curvo, com a anulação da Lei Municipal 5574/12, o cancelamento da venda e a determinação da devolução do valor pago pelo terreno do Jardim Cuiabá, o único que chegou a ser vendido. Claro que os demais só não foram vendidos pela repercussão que o caso alcançou.

Sem dúvida, fatos bem sucedidos como este de defesa e recuperação do patrimônio público contra a sanha daqueles que deveriam protegê-lo, demonstram que ainda podemos ter alguma esperança no pouquinho que ainda resta da República que pensávamos estar construindo. Aqui e ali alguns homens sérios ocupando cargos que sempre deveriam ser ocupados por pessoas desse jaez, aliados a uma pequena parcela de cidadãos ativos e vigilantes que ainda não entregaram a palha e a rapadura de vez, e apoiados por uma parte da imprensa que ainda acredita ser o quarto poder das verdadeiras democracias, formam um conjunto que às vezes chega a resultados como o que acaba de acontecer em Cuiabá. Tem que ser comemorado. Parece tão pouco, mas é muito.

Continue Reading

Share Button

Metamorfose urbana

Levados pelos novos tempos à condição de internautas, navegadores do ciberespaço, é quase certo que a maioria de nós já recebeu pelo menos uma vez um e-mail com um arquivo de auto-ajuda mostrando o sofrimento de uma lagarta ao sair do seu casulo para transformar-se em uma belíssima borboleta. Em um deles, uma pessoa resolve poupar-lhe o sofrimento cortando parte do casulo facilitando a saída. Depois viu que a borboleta não sobreviveu. O esforço e o sofrimento do animalzinho eram necessários ao seu pleno desenvolvimento até virar uma borboleta saudável. Depois na própria internet revivi aulas ginasiais relembrando que a lagarta para chegar à borboleta, primeiro se transforma em uma coisa meio disforme e estranha chamada pupa, cuja beleza só será entendida no processo miraculoso da metamorfose da qual ela é figura central, feiosa, mas tão indispensável que virou lição universal captada pela sensibilidade de Saint-Exupéry.

Cuiabá vive sua fase de pupa neste processo de transformação urbana, imenso e fortemente concentrado no tempo, trazida pela Copa. A cidade está revirada, transformada em um canteiro de obras, suja pela poeira das construções, cheia de tapumes, placas informativas e desinformativas, máquinas de todos os tamanhos, engarrafamentos, desvios por vias nunca dantes navegadas, mal preparadas ao protagonismo urbano que ora lhes são impostas. Tal como a lagarta, a cidade e seu povo sofrem o desconforto do momento. Um marciano que chegasse sem saber o que está acontecendo e como era a cidade a um par de anos atrás, com certeza praguejaria contra a situação de caos e desarrumação urbanística. Mas, quanto ao cidadão comum, este parece começar a imaginar a borboleta ao final do processo à medida que as obras ganham formas diante de seus olhos. Não mais só tapumes e desvios, mas pilares, pórticos, vigas, lajes tomando jeito de viadutos, pontes e trincheiras inimagináveis, estádios, avenidas, aeroporto. Está difícil, por exemplo, buscar alguém no aeroporto, mas o avanço rápido das obras e a antevisão delas prontas mitigam a irritação. É quase impossível chegar à sede do Cuiabá para comprar uma camisa do nosso campeão que ruma à série B, mas a visão das obras dos viadutos no caminho entusiasmam. A esperança começa a aparecer ao lado da irritação e incredulidade iniciais. Como estará a cidade ano que vem? Será possível? Ficará bonita? Dá tempo? Funcionará?

A Grande Cuiabá, como a lagarta, vive hoje o momento mais sofrido de um processo de transformação física não programado, nem sequer sonhado nas dimensões e intensidade com que acontece. Talvez a maior carga de investimentos públicos e privados concentrados no tempo em uma cidade, proporcionalmente. Podia ter sido menos desgastante se resultasse de um planejamento urbanístico, técnico e contínuo. Não foi. Aliás, o planejamento da cidade institucionalizado em órgão específico precisa ser retomado. Quem dera a lei estruturando a região metropolitana sancionada pelo governador no último dia 22 seja um passo nesse rumo. Haverá desta vez a indispensável compreensão política dos governantes quanto ao compartilhamento das autonomias nos assuntos de interesse comum? Tomara. A ação técnica nesses assuntos dependerá das decisões políticas conjuntas dos governantes. Sem elas continuarão prejudicadas as soluções que a cidade-metrópole exige. A mobilidade urbana e seu VLT é um exemplo. Que a esperança da borboleta e da cidade às vésperas da transformação nos ajude a suportar as bem vindas pupas e lagartas atuais e as que ainda estão por vir. E que a cidade e sua cidadania resultem mais fortes, ativas e participantes na sua construção e na luta por tudo a que tem direito.

*JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário

Share Button

Senadinho vive a Cuiabá 300-6

Qual é a Cuiabá 300-6 (contagem regressiva ao tricentenário) que se comemora neste 8 de abril? Como diz o poeta Moisés Martins “a cidade vive dos que vivem nela”, não apenas de suas gentes, tipos, personagens, mas também de suas instituições que acolhem suas gentes… Uma dessas instituições, que vive Cuiabá, é o Senadinho, uma confraria de cuiabanos aposentados que reúnem em torno das reminiscências. São esses ‘senadores’ que nos conta um pouco dessa Cuiabá que estamos a vivenciar todos os dias deste e outros séculos futuros.

Cuiabá é Festa de São Benedito, o santo preto, santo dos excluídos e em seus milagres não exclui ninguém. A Capela de São Benedito, anexo a Igreja de N. Sra. do Rosário, foi construída pelos negros da Comunidade Preto Velho, em 1823, com autorização de Dom Pedro. A festa, contudo, já se comemorava desde o ano 1722. Leopoldo Fioravanti Fortunado, devoto de São Benedito, que no ano de 1987, foi escolhido Rei, diz que “Cuiabá, capital de Mato Grosso, representa a festa de São Benedito, em sua essência que atrai toda a cuiabanidade”.

Cuiabá, sede da Copa do Mundo 2014, tem uma história de glórias futebolísticas. Fioravanti Leopoldo Furtunato, lembra que, na década de 60, assim que retornou do Rio de Janeiro, recém formado, começou a militar na área esportiva, junto ao Clube Atlético de Matogrossense. Com o seu desaparecimento Fioravanti passou a torcer pelo Operário de Várzea Grande, quando conseguiu-se conquistar o tricampeonato mato-grossense, com um elenco que “contava com jogadores da estirpe de Beto, JK, Gonçalo, Glauco e Darci”. Quem é operariano deve lembrar-se dessa zaga. Beto, funcionário público federal, que hoje também integra o Senadinho, era centroavante.

Continue Reading

Share Button

Tchá por Deus, ma quê qué esse? É cuiabanês…, segundo William Gomes

Bosquo, William Gomes e Passarinho

João Bosquo, William Gomes e J. Passarinho

O radialista William Gomes tem na certidão de registro de nascimento a localidade de “Bel Horzonte”, capital mineira. Um ano depois, porém, começou a respirar os ares desta Cuiabá, que neste 8 de abril completa 300-6 (esta é a contagem regressiva ao tricentenário). Por conta desse breve detalhe, seria William Gomes Lisboa da Costa, por acaso, um pau-rodado? Não! É apenas um detalhe desse cuiabano filho do corumbaense Bichat Gutemberg da Costa, e mimoseana, Rosa Fernandes da Costa, que naquele longínquo início da década dos anos 50 do século 20, moravam em terras das Minas Gerais.

Da infância, conta que estudou na antiga Escola Modelo Barão de Melgaço, quando ainda era no Palácio da Instrução, hoje sede da Biblioteca Estevão de Mendonça; seguiu-se para o Colégio dos Padres (naqueles tempos escola de aluno vadio) e Ginásio Brasil. O científico (hoje Ensino Médio) já foi em São Paulo, onde se formou em comunicação e administração de empresas.

Também foi em São Paulo que William Gomes iniciou no rádio como repórter esportivo. O conhecimento musical possibilitou a fazer programas de estúdio e ano de 1975 retorna a Cuiabá e começa a trabalhar como assessor de imprensa e trabalha, como radialista, em todas as emissoras AM: Rádio A Voz d’Oeste, Rádio Difusora, Rádio Cultura e também a Rádio Industrial, de Várzea Grande, quando de sua inauguração, e como professor, ministra aulas nas áreas de comunicação e administração, na UFMT, pela qual está aposentado.

Foi no rádio, porém, que William Gomes se tornou conhecido em toda a baixada cuiabana, por suas opiniões, calcada em um humor ácido, sobre a política regional, cujo “troféu Pequi Roído” era a principal marca e pelo linguajar cuiabano.

Ao dar início ao uso de expressões características do linguajar cuiabano, junto com seus comentários, passou a receber contribuições inesperadas do público ouvinte e a partir do ano de 1991 criou o quadro “Dicionário Cuiabanês”, dentro da onda de dicionários que pipocavam Brasil afora. A brincadeira evoluiu em no final da década ele lançou o livro “Dicionário Cuiabanês”, com 322 páginas.

O dicionário, porém, não chega a ser um dicionário – o próprio William Gomes reconhece isso na apresentação – e está mais para um glossário de expressões regionais, pois cada palavra vem acompanhada de uma frase para se entender a sua colocação dentro de uma ‘possível’ conversação.

Lapada! Lapada! Anunciada pelo apresentador Roberto França tem o significado de chicotada e não de lamber o beiço depois duma “lapada” de pinga, como explica na página 199 –“Todo dia lá no Bar do Litú, ele toma uma lapada”. Não confundir com ‘lapa’, que significa grande, imenso, como exemplifica na mesma página “Ele tem um lapa de nariz”; agora, “lapação” quer dizer roubalheira.

Continue Reading

Share Button

Cuiabá 300-6

Às vésperas do tricentésimo aniversário de fundação, Cuiabá vive o melhor momento econômico de sua história. Plena em vitalidade, pujante, vive seu terceiro salto de desenvolvimento, previsto desde o final dos anos 80 para ser o salto da qualidade, impondo a seus líderes, administradores e cidadãos desafios seguidos e crescentes que exigem a compreensão correta de seu novo momento e o atendimento de renovadas e sempre ampliadas demandas por infraestrutura e serviços. Lembra o poeta Carmindo de Campos que vi em pessoa declamar: “Cuiabá minha velha e lendária cidade, você está remoçando …”.

Comemorando 294 anos no próximo dia 8, Cuiabá continua a contagem regressiva anual para o Tricentenário, sua maior efeméride no século. Em termos de planejamento a Copa já passou, agora é preparar a cidade para os 300 anos. E resta pouco tempo, só 6 anos! O aniversário de Cuiabá festeja uma cidade que nasceu entre as pepitas de um corguinho com muito ouro, tanto que era chamado pelos nativos de Ikuiebo, Córrego das Estrelas. E o Córrego das Estrelas desembocava em um belo rio, num lugar de grandes pedras chamado de Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão, em bororo. E a cidade floresceu bonita, Cuiabá, célula-mater do oeste brasileiro, mãe original de tudo o que sucedeu neste ocidente do imenso Brasil, mãe de cidades e estados.

Continue Reading

Share Button

Cuiabá em verde e rosa

Gosto não se discute, já é dito pelo menos desde a Idade Média. Ou, gosto se discute, como dizemos os pós-modernistas, includentes. Aparentemente discordantes, as duas afirmações querem dizer a mesma coisa, isto é, cada um tem o direito de gostar ou não gostar de qualquer coisa. As duas frases contrapõem-se à posição modernista, que em sua pretensão racional descambou para um determinismo prepotente, autoritário e excludente, convicta de que a beleza e a verdade eram sua exclusividade. A beleza e a verdade estão ao alcance de todos, cada um com seu jeito, caminho, modo de expressar e essa rica diversidade deve ser respeitada e assimilada, ainda que discordada.

O desfile de cada uma das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é um espetáculo artístico monumental compondo com os desfiles das outras escolas aquele que é o maior show da terra. Nesse contexto o desfile da Mangueira deste ano foi belo como sempre, ganhando inclusive o Estandarte de Ouro como a melhor das escolas, e teve Cuiabá como enredo. Claro que pelo Brasil e mundo afora houve quem gostasse mais de outras, o que é normal. Para a gente de Cuiabá, cuiabanos natos ou não, essa apreciação é mais complicada, pois para nós entram em jogo fatores adicionais tais como o afeto citadino (ou desafeto), a ligação direta com as pessoas, as coisas, a cultura, etc. Tem ainda a politicagem abominável com sua crença idiota de que o êxito de uma iniciativa pública é vitória do adversário e deve ser “neutralizada”.

Acompanhei o desfile por uma rádio do Rio e depois pela TV na expectativa de assistir a um espetáculo de carnaval preparado para ser visto como tal, e não a um relatório técnico-científico sobre Cuiabá. Neste caso buscaria o importante “Perfil Socioeconômico de Cuiabá”, produzido pelo extinto IPDU da prefeitura, que espero continue sendo editado todos os anos. Na minha avaliação de cuiabano, suspeita portanto, fiquei maravilhado com o desfile, na forma e conteúdo. Carnaval é fantasia e eu vi uma bela interpretação carnavalesca de Cuiabá a partir da visão da Mangueira sobre a cidade. O artista era a Mangueira e ela chegou a um resultado da maior qualidade, inclusive com propostas audaciosas como a exitosa dupla-bateria ou o belo carro de fechamento, maior que devia. Cantando a “capital da natureza”, lá estavam a história, a fauna, a flora e a cultura cuiabanas, em especial a exaltação em alto e bom som ao sonho da ferrovia, portanto, exaltação à continuidade da luta de Cuiabá por ela, já tão perto.

Continue Reading

Share Button

Cuiabá, a Pérola e os Porcos

Desde que Cuiabá ganhou a sede da Copa do Pantanal repeti algumas vezes que esse privilégio e responsabilidade teria sido um estratagema do Senhor Bom Jesus de Cuiabá para dar uma sacudida nos cuiabanos,governantes e governados, para que se liguem no momento especial que a cidade vive, agora polo de uma das regiões mais dinâmicas e produtivas do planeta, visando a festa do Tricentenário em 2019, esta sim a maior efeméride cuiabana no século. E parece que esse plano começa a dar certo. A Copa resgatou o futuro no imaginário cuiabano, virando sua cabeça cidadã para a frente e para o alto.

O que ainda resta alcançar é a distinção entre a cidade e os problemas que a cidade enfrenta. Na verdade ela é vítima de um sistema de gestão urbana defasado, ilegal e corrupto, por isso incompetente. A má gestão pública fez a cidade deficitária em infraestrutura, equipamentos e serviços urbanos que deixaram de acompanhar seu dinamismo. As novas administrações municipais de Cuiabá e Várzea Grande trazem esperança de superação para esta situação crítica. A cidade embora tricentenária revitalizou-se e está em pleno desenvolvimento como uma adolescente saudável que não pode ser criticada por necessitar de vestuário novo e maior a cada momento. Cuiabá está viva e moderna como atestam os avanços trazidos pela iniciativa privada em empreendimentos de grande porte e alta sofisticação no ramo imobiliário, no comércio, saúde, educação, lazer e indústria de um modo geral, que não podem passar despercebidos.

Continue Reading

Share Button

A Cidade e o Natal – artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

     Venho do tempo em que se ensinava que a liberdade de um terminava onde começava a do outro. De lá para cá o mundo evoluiu muito, ou pelo menos se transformou e, mesmo que não quiséssemos, todos nos transformamos com ele. A vivência, a leitura, a conversa com os amigos ensinam que as melhores tendências do mundo atual apontam para uma visão de inclusão, compartilhamento e sustentabilidade. Melhor se diria hoje que a liberdade de um não mais termina, mas se complementa na liberdade do outro. Não mais a liberdade solitária, mas a liberdade solidária. Ou somos todos livres ou não somos livres.

     O Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo que veio para religar o homem a Deus, como Maomé, Buda e outras figuras grandiosas, conforme seus seguidores de fé. Aliás, a palavra “religião” vem de “religar”, expressando justamente essa “re-ligação” divina, o mais importante estágio da evolução humana, não importa o tanto que o homem ainda venha evoluir. Religado a Deus o homem começa a pensar no outro como irmão e que a felicidade está na comunhão, comum-união de todos na grande família divina. A felicidade solidária, não mais solitária. Amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas.

     Continue Reading

Share Button

Novo prefeito, nova cidadania – artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

Como se repete a cada dois anos, domingo passado tivemos a grande festa da democracia no Brasil, agora com a eleição dos novos prefeitos nas 50 cidades brasileiras que ficaram dependentes do segundo turno nestas eleições municipais de 2012. As eleições democráticas são antes de tudo um amplo processo de reflexão da sociedade sobre seu presente e seu futuro, reafirmando ou corrigindo rumos e concluindo com a escolha daqueles que serão responsáveis por sua condução nos próximos anos. Trata-se de momento especial em que a sociedade debruça sobre seus problemas e potencialidades, avalia os caminhos a seguir e, sobretudo, amadurece seus conceitos sobre a democracia, ajudando a aperfeiçoá-la. Não há derrotados ou perdedores, só vencedores.

Continue Reading

Share Button

Cuiabá, o líder necessário – artigo de José Antônio Lemos

por José Antônio Lemos

Ainda deveria tratar a questão da Policlínica do Verdão saudando o prefeito Francisco Galindo por sua mensagem à Câmara de Vereadores revogando a Lei autorizativa para a venda daquele equipamento, mas ao mesmo tempo criticá-lo por fazê-lo de uma forma “casada” com outra autorização, agora para venda da área do Terminal Atacadista. Ou vende uma, ou vende outra. Por que essa pressa na venda de uma das áreas de maior valorização em Mato Grosso, ao lado da Arena Pantanal, um dos palcos da Copa? Porém, mesmo importante, o assunto não supera o caráter decisivo do segundo turno na escolha do prefeito da cidade.

Ainda que o quadro tributário privilegie as esferas estadual e federal, desequilibrando assim o poder político, apesar disso pode-se dizer que o nível municipal é o mais importante para o cidadão, pois é nele que acontecem as coisas que lhe dizem respeito diretamente. A união e os estados não existem concretamente, os municípios sim. É na porta dos prefeitos que os cidadãos batem na hora das dificuldades. Assim, se houvesse uma escala de importância entre as eleições dava para concluir que as municipais são as mais importantes, ademais por influenciarem as eleições estaduais e federais subsequentes.

Continue Reading

Share Button

Policlínica e eleições – artigo de José Antônio Lemos

Na quarta-feira passada recebi honroso telefonema do prefeito municipal de Cuiabá, Francisco Galindo, agradecendo-me pelo artigo do dia anterior “Policlínica à venda”. Com a simpatia que é peculiar à sua pessoa, disse-me que na tarde do dia anterior havia se reunido com seus assessores quando entenderam que o artigo tinha razão e que revogaria a lei autorizativa da venda da Policlínica do Verdão evitando que sua administração prosseguisse em um grave erro. Além da gentileza do agradecimento pessoal, o telefonema me alegrou como cuiabano, pois reconheci no gesto a perspectiva de que temos no Alencastro um prefeito com a grandeza de reconhecer um erro e corrigi-lo, condição indispensável ao cargo.

Continue Reading

Share Button

Ferrovia para levar e trazer – artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

Sempre que falamos em ferrovia em Mato Grosso sempre pensamos na ferrovia para levar, quase nunca na ferrovia para trazer, talvez pela nossa história de país colonizado, de cidade colonizada, onde tudo produzido era sugado pelos colonizadores. Cuiabá produziu muito ouro e todo ele foi sugado para fora do Brasil sem deixar nada de consolidado aqui. Esse ouro, junto com o de Minas e de Goiás acabou indo para a Inglaterra, ajudando a financiar a Revolução Industrial. Cuiabá só sobreviveu ao fim do ouro pelo fato de ser o último bastião português além de Tordesilhas, em pleno território então espanhol. Cuiabá resistiu e aqui permaneceu solitária como zelosa guardiã, célula-mater da ocupação de todo o imenso oeste brasileiro, e hoje é o polo de apoio de uma das regiões mais dinâmicas do planeta.

Todos os caminhos têm ida e volta, os de ferro também. E Cuiabá por estar no exato centro continental consolidou-se com um grande encontro de caminhos e sua vocação natural é o de transformar-se em breve no grande entroncamento intermodal central do continente. Mato Grosso é o maior produtor agropecuário do Brasil, sua produção ajuda a alimentar o país e o mundo. Tem carga e muita carga para o consumo interno nacional e para exportação. É claro que essa produção tem que deixar o estado e ir aos centros consumidores no país ou fora dele. Aliás, este constitui o principal gargalo do desenvolvimento ainda maior da agropecuária mato-grossense: a sua logística de transportes. Por ser um estado centro-continental fica distante dos portos para a exportação e dos principais centros consumidores do país e suas condições atuais de monomodalidade no transporte rodoviário reduz a competitividade de seus produtos com fretes e perdas elevadas, além da degradação ambiental e destruição de vidas humanas nas incríveis “roletas-russas” que viraram nossas rodovias. A questão dos transportes em Mato Grosso tem que ser resolvida urgente.

Continue Reading

Share Button

2º Festival Japão Mato Grosso abre com expectativa de receber 50 mil pessoas

O 2º Festival Japão Mato Grosso Tanabata Matsuri – Cuiabá foi aberto na noite desta sexta-feira (31.08) e segue até o próximo domingo (02.09), no complexo de estacionamento do Pantanal Shopping. O festival acontece numa grande parceria do Governo de Mato Grosso, Associação Nipo Centro-Oeste do Brasil, Prefeitura de Cuiabá e inúmeros patrocinadores e apoiadores, entre eles, com destaque para o Consulado Geral do Japão em São Paulo. O objetivo é divulgar a cultura japonesa em seus vários aspectos e promover o intercâmbio e o “abrir portas”, como expressou o vice-governador Chico Daltro, no ato representando o governador Silval Barbosa.

O Festival Japão Mato Grosso, em sua segunda edição, acontece em um espaço mais amplo, com mais conforto para o público visitante, por conta do enorme sucesso do primeiro evento. Em 2011, os organizadores trabalhavam com uma expectativa de três mil pessoas por dias e, no entanto, chegou na casa dos 10 mil pessoas/dia, somando mais de trinta mil. Este ano, segundo o presidente do Festival do Japão – MT, Yuji Izawa, espera-se ao final dos três dias que mais de 50 mil pessoas assistam as diversas apresentações.

O vice-governador Chico Daltro destacou a grande aceitação pelo público e essa aceitação fez com que o governo voltasse a participar dessa manifestação como reconhecimento e agradecimento por tudo que a colônia japonesa fez pelo progresso de Mato Grosso. Daltro destacou também que o festival é um grande intercâmbio cultural com grande apelo turístico.

“O Festival Tanabata Matsuri vai abrir muitas portas e a primeira delas é a do turismo”, afirma. Ele lembra que ano passado 15 municípios enviaram caravanas, incrementando o turismo interno e este ano já tem a participação de cinco estados. Os participantes estão aqui, aproveitam para visitar o Pantanal, conhecer Chapada dos Guimarães e, obviamente, conversar sobre negócios.

Yuji Izawa explica que o Tanabata Matsuri é um entre tantos eventos da cultura japonesa que acontecem pelo Brasil. Tanabata Matsuri é uma celebração que acontece há mais de mil anos no Japão. Em São Paulo há quatro décadas e este é o primeiro Tanabata Maturi fora de São Paulo. A escolha, segundo Izawa, deve-se à relação da comunidade nipo de Mato Grosso com a Associação de Miyagui.

O vice-cônsul Yusuke Nakayama classifica o festival como “um evento cultural gigante, uma oportunidade de aproximação maior entre Japão e Mato Grosso, que atrai muito interesse dos investidores japoneses”.

O evento foi aberto com a apresentação da Orquestra da UFMT, que executou os hinos nacionais do Japão e do Brasil, e depois da cerimônia de abertura, apresentou um repertório variado e fechou com a música Pixé, de Pescuma e Moisés Martins, em arranjo para orquestra.

O público visitante, além das apresentações musicais, números de mágica e karaokê, vai encontrar uma infinidade de bazares e barracas de culinárias típicas japonesas.

Neste sábado (01.09), o público terá oportunidade de assistir a apresentação de taiko local, Lolitas, concurso de Consplay, Street Dance (MS), números de mágica com Edson Ilusionista e Concurso de Miss Nikkey.

Continue Reading

Share Button

Agora estamos sem José Meirelles, ex-prefeito de Cuiabá, um dos maiores estudiosos de Pietro Ubaldi

No intervalo do Congresso Pietro Ubaldi, aproveitei e fiz um registro deste blogueiro ao lado Cel. Meirelles, no último dia 18

José Meirelles, ou apenas Cel. Meirelles, ex-prefeito de Cuiabá, desencarnou nesta terça-feira (28.08),aos 89 anos, no hospital Jardim Cuiabá, no qual estava internado desde o início da tarde.

Meirelles chegou em Mato Grosso, no inicio da década de 70, quando comandava o 9º BEC, para executar a construção da BR-163, a Cuiabá-Santarém, o trecho de 1.100 quilômetros, de Posto do Gil à serra do Cachimbo (PA), no período de 1971 a 73.

Meirelles assumiu a Prefeitura de Cuiabá em 1994, quando Dante de Oliveira deixou o Palácio Alencastro para disputar eleição vitoriosa ao governo do Estado.

José Meirelles, entre nós espíritas, era um dos maiores estudiosos de Pietro Ubaldi, tanto que participou ativamente da organização do XVII Congresso Pietro Ubaldi, realizado nos dias 18 e 19, Cuiabá.

Continue Reading

Share Button

Cuiabá 300-7

Comemorando os 293 anos de Cuiabá retomo a contagem anual regressiva para o tricentenário da cidade, como faço desde 2009. Agora, só faltam 7 anos. Aniversário de Cuiabá é festejar uma cidade que brotou entre as pepitas de um corguinho com tanto ouro, que era chamado pelos nativos de Ikuiebo, córrego das estrelas. E o córrego das estrelas desaguava em um belo rio, num lugar de grandes pedras onde se pescava com flecha-arpão, e que se chamava Ikuiapá, lugar onde se pesca com flecha-arpão, em bororo. E a cidade floresceu bonita e se chamou Cuiabá, célula-mater do oeste brasileiro, mãe original de tudo o que veio a suceder na região, mãe de cidades e de estados.

No breve tempo que durou o ouro, Cuiabá chegou a ser a mais populosa cidade do Brasil. Mas o metal acabou rápido e seu destino seria o das cidades-fantasmas garimpeiras não fosse a localização mágica, centro do continente, cuja expectativa de riqueza interessava a Portugal. Então, o papa decide que o limite entre as duas coroas ibéricas não seria mais dado por Tordesilhas, mas pela posse das terras. Aí Cuiabá vira um bastião português e sobrevive como apoio aos interesses lusos em terras então espanholas em seu primeiro salto de desenvolvimento, o da sobrevivência, que lhe permitiu continuar viva.

Logo Portugal criou a Capitania de Mato Grosso com sua sede instalada em Cuiabá, enquanto era construída a futura capital Vila Bela. Por dois séculos sobreviveu a duras penas, mesmo tendo voltado a ser capital, período heroico em que forjou uma gente brava, sofrida, mas alegre e hospitaleira, capaz de produzir um dos mais ricos patrimônios culturais do Brasil, com vultos e proezas que merecem ser melhor tratados e destacados pela história oficial brasileira. Como um astronauta contemporâneo, vanguarda humana na imensidão do espaço, ligado à nave apenas por um cordão prateado, assim Cuiabá sobreviveu por séculos, solta na vastidão centro-continental, ligada à civilização apenas pelo cordão platino dos rios Cuiabá e Paraguai.

Até que na década de 60 a cidade vibra novamente, transforma-se no “portal da Amazônia” e em pouco tempo sua população decuplica. Foi o salto da quantidade, a expansão necessária para ser a base de ocupação da Amazônia meridional, a qual se deu sem a menor preparação ou apoio da União, que lhe era devido pela função estratégica que desempenhava. Sozinha e sem recursos, apoiando uma região ainda vazia economicamente, Cuiabá explodiu em todos os sentidos, inclusive em sua estrutura urbana, despreparada para tão grande e súbita demanda.

No alvorecer do novo milênio, Cuiabá está em seu terceiro salto de desenvolvimento, agora o salto da qualidade. Não é mais o centro de um vazio. Ao contrário, polariza uma das regiões mais dinâmicas do planeta, que ajudou a construir e que hoje não apenas lhe demanda o apoio, mas também a empurra para cima cobrando sempre mais, em um sadio e maduro processo de simbiose regional ascendente.

Continue Reading

Share Button

O prefeito do Tricentenário -artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

Vivendo o melhor momento econômico de sua história, a Grande Cuiabá chega a 2012 com a perspectiva de mais um ano forte, cheio de situações extremas, positivas e negativas. Como o ano que passou e os próximos neste seu terceiro grande salto de desenvolvimento, 2012 não será um ano qualquer pois forçará seus dirigentes a decisões ou omissões importantes que marcarão a cidade do futuro, para o bem ou para o mal. Ao cidadão cabe uma participação ativa nesse processo com a crítica consciente do aplauso e da reprovação, do apoio e da cobrança, e, em especial, com a força construtiva de seu voto nas eleições deste ano. Os cuiabanos – dirigentes e cidadãos – que vivem este momento mágico da cidade tem a responsabilidade de otimizar as oportunidades positivas na construção da cidade que receberá a Copa do Pantanal e em 7 anos festejará seu tricentésimo aniversário.

No auspicioso emaranhado de situações que o ano de 2012 trará ao cuiabano, tentaria identificar dois grandes compromissos para o cidadão, dono da cidade. Primeiro, um intransigente acompanhamento ao pacote de obras que a cidade recebe como sede da Copa do Pantanal, e também como pólo de um das regiões mais dinâmicas do planeta. Segundo, as eleições municipais, afinal, elas poderão eleger o prefeito do Tricentenário de Cuiabá. Os dois compromissos se fundem, uma vez que as obras de hoje constroem a cidade da festa dos 300 anos, ela própria seu verdadeiro bolo comemorativo.

Quanto às obras, hoje merecem atenção especial o Aeroporto Marechal Rondon e o VLT. Numa visão otimista restam 2 anos para as obras, mas até agora não vieram a público seus projetos técnicos. A Infraero outro dia apresentou a maquete de um estudo preliminar e a Secopa falou em um “termo de referência” para o VLT. Dada a urgência, nessa cobrança o cidadão vai ter que clamar com a arma do voto em punho a ação dos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores. Não tem essa de cada um se esconder em seu quadrado, municipal, estadual ou federal. A cidade é só uma e é obrigação de todos eles. O aeroporto e a mobilidade urbana são projetos imprescindíveis para a Cuiabá do futuro e para a Copa, e têm que estar executados até o final de 2013.

Quanto às eleições, a escolha dos dirigentes municipais na Grande Cuiabá – prefeitos e vereadores – é essencial pois deles dependerá a preparação da cidade para o seu Tricentenário, a mais significativa efeméride cuiabana no século, sua maior festa e maior projeto. O Bom Jesus de Cuiabá deu uma forte mãozinha arranjando a Copa do Pantanal como um poderoso instrumento nessa preparação, em termos de obras e serviços públicos, bem como treinamento e avaliação dos gestores públicos e da própria cidadania. Contando com uma muito provável reeleição, o futuro prefeito será o prefeito do Tricentenário. Mesmo não reeleito, ainda assim será responsável por 4 dos 6 anos após sua posse até 2019. A responsabilidade é grande, tanto dos eleitores como dos partidos na escolha de candidatos a altura dessa honraria.

Melhor. O Tricentenário traz também a possibilidade de Cuiabá livrar-se da desgraça de ser tratada apenas como um trampolim político, balcão eleitoral visando o governo do estado. Quando qualquer processo de planejamento urbano exige um horizonte mínimo de 20 anos, em Cuiabá é de 2, cativo ao calendário eleitoral. Nada interessa além disso. Impossível! Ser o prefeito de Cuiabá no ano do Tricentenário será um laurel político e histórico, mas exigirá a permanência no cargo, abdicando à eleição ao estado de 2018. Daí talvez Cuiabá volte a ter um governante que resgate na prefeitura seus amplos horizontes e busque apenas a honra de bem governar sua cidade.

* JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário

Share Button

Um balanço na Copa – Artigo de José Antônio Lemos

Um balanço rápido sobre a preparação da Copa do Pantanal e as perspectivas de legado para Cuiabá e o estado, mostra que até agora a grande resposta positiva tem vindo da iniciativa privada. Dentre seus maiores empreendimentos, destacam-se o setor hoteleiro com 15 torres (até o momento) e um sofisticado resort de R$ 63,0 milhões no Lago de Manso, a indústria imobiliária com quase 100 projetos de grande porte, muitos com várias torres, o setor comercial com o Shopping Goiabeiras triplicando sua área, em um investimento de R$ 85,0 milhões e no setor industrial a fábrica de cimento de R$ 390,0 milhões no Aguaçu. Trata-se de um considerável aporte de recursos em um curto prazo. Viriam nesse volume sem a Copa? Acho que não tão cedo. E seria mais com alguma campanha oficial externa para atração de investimentos.

Entretanto, a situação é alarmante quanto às intervenções de responsabilidade dos governos. Bem verdade que existem pontos positivos, como o andamento das obras da Arena Multiuso, o recapeamento asfáltico da cidade e a duplicação da ponte e avenida Mário Andreazza. Porém é quase só e chega ao absurdo quanto ao aeroporto e a mobilidade urbana. Com a Arena, são os três projetos fundamentais para a Copa acontecer. Até hoje a Infraero não apresentou o projeto básico da nova estação, prometido primeiro para junho, depois para setembro, depois para dezembro e agora para março do ano que vem. Seria fruto do pouco caso com que a Infraero sempre tratou Cuiabá ou o atraso na conclusão do projeto do VLT estaria atrasando a Infraero? Como a data da Copa não muda, creio que o aeroporto chegou ao limite de alerta máximo, mesmo considerando a obra em três turnos.

Quanto à mobilidade, depende muito da conclusão do projeto do VLT que também não veio à luz até agora. Já manifestei minha curiosidade técnica pela solução da integração de mais de 40 mil passageiros na Prainha sem as desapropriações no Morro da Luz. A conclusão do projeto do novo modal é também determinante para a geometria das avenidas por onde passa, que são as vias estruturais da cidade, logo, as mais importantes no contexto da mobilidade. Já as demais vias estruturais fora do trajeto do VLT chegaram a ter suas licitações suspensas pelo DNIT por motivos risíveis que mais pareciam desculpas para não fazer. Felizmente o bom senso prevaleceu e o governador assinou na semana passada um convênio de R$ 165,0 milhões com o órgão federal para as obras. Ainda bem, mesmo que o cronograma de obras tenha sido empurrado desnecessariamente para os limites da viabilidade construtiva, considerado um regime de três turnos. Ainda assim, viva!

O Dutrinha é emblemático neste quadro. Desde a demolição do Verdão foi prometida sua adaptação para voltar a ser provisoriamente o único estádio da Grande Cuiabá nas competições estaduais e nacionais. Pois bem, passaram os campeonatos do ano e o Cuiabá, sozinho, classificou-se brilhantemente para série “C” mas ainda não tem onde jogar. Pintaram os muros, derrubaram a única árvore lá existente e a prefeitura comprou o estádio como condição legal para os investimentos do estado. Porém nada de adaptação de fato. Parece que na preparação da festa máxima do futebol mundial, o futebol local foi esquecido.

Continue Reading

Share Button

Ambulantes, camelôs e transeuntes – Artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

Ainda que comemorando as vitórias seguidas do Cuiabá Esporte Clube e do Cuiabá Arsenal, rumo à série C do Campeonato Brasileiro e ao bicampeonato nacional de futebol americano respectivamente, não há como deixar de comentar a questão dos camelôs na capital de Mato Grosso. Vale lembrar que, em princípio, ambulantes e camelôs são iguais conceitualmente, ambos exercendo seu pequeno comércio ambulando ou camelando, isto é, transitando de um lugar para outro sem ter um ponto fixo no espaço urbano. Junto a eles sempre esteve o transeunte, o cidadão no exercício de um de seus direitos básicos, o de ir e vir, a pé ou não. Os três têm como qualidade original o uso do espaço público de forma itinerante, transitando. Até aí, tudo bem. Só que em momentos de fragilidade no gerenciamento urbano a relação entre essas figuras entra em desequilíbrio gerando um sério conflito urbano.

Meu primeiro trabalho no assunto foi como superintendente do finado IPDU, em 1993, quando o então prefeito Dante de Oliveira cobrou uma solução permanente para esse problema que entravava o centro de Cuiabá. Vendo de cima já não se enxergava os pisos da Rua de Baixo e das praças da República e Caetano de Albuquerque, cobertas por lonas e plásticos coloridos emendados. Nos espaços públicos do centro de Cuiabá encontrava-se de tudo. De calçinhas, calções, óculos e bonés até roda-gigante, bancas de jogos, drogas, armas, etc., em barracas, algumas com telefone (só fixo então), luz elétrica e até nota fiscal. Para ir do Palácio do Comércio até a Travessa João Dias, o cidadão tinha que caminhar por baixo das lonas, meio recurvado, submetido ao mau-cheiro e ao risco de pisar em coisas desagradáveis. Não gosto de falar mal de minha cidade e só descrevo a situação para lembrar os que já se esqueceram dela e para os novos evitarem que aconteça novamente.

Continue Reading

Share Button

Águas de Manso – artigo de José Antônio Lemos

Nestes tempos em que as autoridades de Cuiabá mostram-se tão preocupadas em resolver o problema de abastecimento de água na cidade, uma pergunta mostra-se oportuna. Será que alguém ainda se lembra do que significam aquelas três letras A, P e M que antecedem a denominação da barragem de Manso? Seguramente alguns ainda se lembram, muitos já se esqueceram e a maioria jamais soube, em especial os mais jovens. Imperdoável é que algumas autoridades, que tinham a obrigação de saber, também não sabem. O tempo passa e a gente vai se esquecendo.

Manso surgiu da trágica cheia de 1974 do rio Cuiabá, que em 17 de março atingiu 10,87 m de altura e uma vazão de 3.250 m³/s, destruindo os bairros do Terceiro, Ana Poupino e Barcelos, os mais populosos da cidade na época. Foi o primeiro grande problema do governo Ernesto Geisel, empossado dois dias antes, que enviou de imediato seu ministro do Interior para conhecer a situação e tomar providências. O ministro determinou a demolição do que restou dos bairros atingidos e a construção de conjuntos habitacionais para a população flagelada. Mais importante, determinou a realização de estudos de soluções que impedissem novas inundações daquelas dimensões em Cuiabá. Daí surge Manso como um equipamento de proteção urbana para Cuiabá, com objetivo único na época de regularizar a vazão do rio, reduzindo as cotas máximas nas cheias e garantindo uma vazão mínima nas secas. Sei que em 15 de janeiro de 2002, logo após sua inauguração, Manso já protegeu a cidade de uma vazão de 3250 m³/s, superior a de 74. Manso é um dos mais importantes equipamentos da Grande Cuiabá, mesmo distante dela.

Em 1978, por ocasião dos estudos para o Programa Especial de Desenvolvimento de Mato Grosso, criado pela lei da divisão estadual de 1977, as equipes técnicas de Cuiabá e de Brasília tinham que solucionar a questão energética, o principal problema de então. Havia o projeto da Usina do Funil, também no rio Cuiabá, mas não havia dinheiro. A Eletronorte estava empolgada com Tucuruí e não se interessava por outra coisa. Então a solução necessária exigia criatividade. Daí surgiu a proposta de se energizar Manso, cujas obras seriam iniciadas naquele ano. Uma solução brilhante, que suspendeu o início das obras da barragem e determinou a revisão geral do projeto, que passou a adotar a filosofia do uso múltiplo, então inédito no país. Não mais apenas um “açudão” controlador de cheias. Além de regularizadora de vazão do rio, Manso seria também geradora de energia, com previsão ainda de atender projetos de irrigação de 50 mil hectares no vale do Cuiabá e de abastecimento de água para Cuiabá, Várzea Grande e cidades próximas. E mais, no lago da barragem poderiam ser desenvolvidos projetos de piscicultura, turismo e lazer diversos.

Continue Reading

Share Button

Boas – artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

Persistindo no esforço de fugir um pouco das coisas ruins – se é possível – e focar apenas as coisas boas que acontecem para Cuiabá e Mato Grosso, vale registrar as da semana passada. Começando pelo futebol, o Luverdense arrancou importante vitória no Acre, evoluindo em suas participações na série C, já que nos anos anteriores havia perdido todas lá. Agora ganhou, mesmo com o forte apoio do governo local aos seus times. Já o Cuiabá perdeu também no Acre, mas apesar da derrota os dois times de Mato Grosso estão na liderança de suas chaves, alentando esperanças de ascensão do futebol mato-grossense.

Outra boa notícia é que finalmente teria sido iniciada a montagem do MOP no Aeroporto Marechal Rondon, simpaticamente conhecido como o “puxadinho” da Infraero. Trata-se de uma obra emergencial destinada a melhorar as atuais péssimas condições de desembarque, enquanto é construída a nova estação de passageiros para a Copa de 2014. Apesar de emergencial faz quase 1 ano desde que foi licitada pela primeira vez. A conclusão está prometida para novembro próximo, e tem tudo para este prazo ser cumprido, pois se trata de uma montagem na qual a Infraero já tem experiência e a construtora é uma empresa local reconhecida. Não há por que novos atrasos. Aliás, ainda em relação à Infraero, setembro está chegando e é o prazo para entrega do projeto básico do novo aeroporto. Barbas de molho! Não se tem notícias sobre o andamento do projeto, o qual não pode atrasar, pois a viabilização das demais etapas desta obra-chave para a Copa do Pantanal depende deste projeto básico. Entendo inclusive que o governo do estado poderia propor à Infraero uma redução no prazo da etapa seguinte, que é a elaboração do projeto executivo, permitindo alguma antecipação na licitação para as obras, favorecendo a conclusão do novo aeroporto em tempo hábil. E tempo hábil significa a tempo de Cuiabá disputar a realização da Copa das Confederações.

Continue Reading

Share Button

Canto para pátria: poema de João Bosquo

Perdoe-me, Cuiabá,
se não canto
suas belezas
suas ruas
suas pessoas
que honram de serem cuiabanas,
suas moças morenas
seus jardins públicos
seus parcos poetas
seu sol da tarde
no crepúsculo
seus rios
sua história
seus colégios
suas igrejas…

Perdoe-me, Cuiabá,
Se não canto,
É pura simplicidade…

Continue Reading

Share Button