O Voo da Águia, artigo de José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos | Neste domingo do primeiro turno das eleições o Facebook trouxe uma foto e um comentário sobre o “Monumento Ulysses Guimarães” na avenida do CPA lembrando sua construção na gestão do prefeito Dante de Oliveira e que simbolizaria “a ação metafórica de uma Águia voando em direção à região norte do Estado de Mato Grosso, onde por certo está e estará ocorrendo o desenvolvimento, principalmente o econômico financeiro e ainda a miscigenação das culturas que para cá vieram…” Oportuna a lembrança justo na semana em que a Constituição Brasileira completava 30 anos e exato no dia da realização uma das eleições mais importantes e difíceis já realizadas no Brasil.

O monumento, hoje bem degradado, projetado com o colega Ademar Poppi, suscita algumas interpretações, umas lúcidas como esta da postagem, outras jocosas como a que dizia que o marco de fato apontava para o Palácio Paiaguás que seria o alvo político do então prefeito. Lembro também de uma tipo mundo-cão que via os círculos concêntricos em pedra portuguesa (não mais existente) em volta do monumento como se fossem ondas circulares no mar em torno do rabo semimergulhado do helicóptero em que faleceu o grande político brasileiro. Criatividade.

Mas, de fato o monumento foi proposto por Dante de Oliveira como uma homenagem a Ulysses Guimarães, o político fiador do processo de redemocratização do Brasil e de sua nova Constituição. Foi idealizado como expressão simbólica da transição entre o período militar e a democracia que se instalava no país. O partido arquitetônico foi então uma águia, uma ave forte, valente, criada pelo renomado escultor Nikos Vlavianos, simbolizando a democracia alçando seu voo no Brasil, um voo que se pretendia cada vez mais alto, livre, seguro e verdadeiro, como pretendemos até hoje. Uma vez aprovado o partido era preciso que ele tivesse uma direção, um rumo determinado e escolhemos o Norte, o marco zero da bússola, a partir do qual todas as direções se orientam.

Mais que agradável, a referência ao também chamado “Monumento à Democracia” neste momento é muito oportuna pois enseja uma avaliação de a quantas anda nossa águia democrática em seu tão acalentado voo alçado a cerca de três décadas atrás. Em especial agora em que acaba de ultrapassar um momento de enorme turbulência sendo bombardeada por todos os lados, à esquerda e à direita, talvez a maior barreira de fogos que já tenha enfrentado dentre os diversos momentos de risco que enfrentou. A morte de Tancredo, a posse de Sarney, os impeachments de Collor e Dilma foram momentos em que a democracia se mostrou suficientemente forte para resistir e resistiu, ainda que enlameada pela a corrupção que vinha se generalizando e se generalizou plenamente. No início de 2018 a agenda das enormes dificuldades para o ano já se mostrava lotada em especial com o julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula e seus graves desdobramentos e também com as eleições previstas para outubro que já se prenunciavam em tons de radical polarização. Tudo isso envolto em um ambiente de forte desemprego. Porém, além das previsões vieram o escândalo da JBS e a greve dos caminhoneiros. Muito difícil. As chances da nossa águia da democracia ser abatida tornaram-se então enormes.

Eis que em meio à tormenta surge uma força de alento com pesquisa Datafolha constatando o apoio à democracia por 69% da população brasileira, número jamais alcançado no Brasil, nem mesmo durante as primeiras eleições após a redemocratização, quando se instalou em Cuiabá a águia de bronze que lembramos hoje a alçar seu voo democrático em nosso país. Ainda que chamuscada, ferida, enlameada, a grande ave valente persiste em seu voo e vai vencendo os obstáculos.

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU/MT e professor universitário aposentado.

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O que será de nós? – Por João Eloy, o Doutor do Rasqueado

Flor Ribeirinha

Por João Eloy de Souza Neves | Neste momento difícil que todos nós artistas da música mato-grossense estamos atravessando em total desamparo, dou calorosos aplausos ao ilustre jornalista paulista da “Coluna Canal 1” do jornal “A Gazeta”, Flávio Ricco. Em desabafo disse, em letras garrafais: “Beira a imoralidade a apropriação do rádio e da TV pelas igrejas.”

Em seu artigo ele relata e protesta contra “a venda tresloucada de horários em emissoras de rádio e televisão para igrejas de todos os tipos. Pelo tamanho das quantias envolvidas, entende-se o interesse dos seus porta-vozes em fazer calar as opiniões em contrário e deixar correr solta esta imoralidade.”

De fato, nas grandes cidades a situação é pavorosa, um verdadeiro corporativismo desregrado.

Ora! Na concessão de um veículo de comunicação, existem cláusulas pétreas que obrigam a respeitar as características culturais de cada região, mas até algumas estações de rádio traíram seus ouvintes, mudando sua sede para outras cidades e também alterando, criminosamente, sua programação.

Em nosso país as leis são criadas, mas sempre deixando uma brecha para serem desrespeitadas. Um exemplo claro disso são as leis existentes em relação ao rasqueado cuiabano, a saber: “Lei nº 7070, de 07/12/1998, publicada no D.O. de 09/12/1998, assinada pelo então governador do Estado, Dante Martins de Oliveira, que dispõe sobre a divulgação dos artistas regionais nas programações das emissoras de rádio AM/FM no Estado (em horário nobre).” Também temos a “Lei nº 8203, de 11/11/2004, publicada no D.O. do mesmo dia, que declara o rasqueado como ritmo musical símbolo de Mato Grosso.” (deputado José Riva). Temos até dois dias oficiais para comemorarmos o rasqueado cuiabano: 7 de abril (deputado Roberto Nunes) e 15 de dezembro (vereadora Enelinda Scala).

Algumas emissoras de rádio, esporadicamente, estão tentando cumprir as referidas Leis, tocando rasqueado, lambadão e lambadinha em suas programações porém, nas datas comemorativas, como: o aniversário de Cuiabá, o aniversário de Mato Grosso, festival de pesca de Cáceres e a famosa EXPOAGRO sistematicamente nós, os artistas regionais, somos excluídos da programação.

Para os empresários e instituições responsáveis pelos eventos, não somos dignos de participar, porém temos a consciência tranquila porque nossos maiores avaliadores são nosso público fiel, que nos aplaude calorosamente em todas as festas, sejam na roça, cidade ou sertão.

O desamparo, entretanto, está se abatendo sobre nossos músicos e não querendo desmerecer outras profissões, infelizmente temos excelentes instrumentistas, transformando-se em serventes de pedreiro, pintores de parede, eletricistas, taxistas, etc.. Isso porque não conseguem viver somente da sua arte.

Nossa música raiz é forte, que nem nosso povo caboclo, resultante da miscigenação entre portugueses, africanos e indígenas, no decorrer de quase três séculos portanto, ela é autóctone. Somente aqui existem o cururu e o siriri, executados sob o som do ganzá, do mocho e da viola de cocho gerando, com a fusão da polca paraguaia, o rasqueado cuiabano.

Os cinco continentes do planeta já tomaram conhecimento de nossa música raiz e já a aplaudiram, de pé, através do Grupo Chalana e do Grupo de Siriri Flor Ribeirinha que, recentemente, se apresentou na Coreia do Sul, com grande sucesso.

São, com certeza, fatos que servem de fonte de inspiração para que continuemos caminhando com passos firmes e decididos, valorizando nossos: cururu, siriri, rasqueado, lambadinha e lambadão, alcançando as nuvens e nos dando as mãos.

*JOÃO ELOY é cantor, compositor, historiador e poeta, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, médico aposentado e ex-professor da UFMT. E-mail: joaoeloycantor@hotmail.com

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O blogueiro Enock Cavalcanti amplia o tempo e espaço e diz que tudo “Começou com Dante”

 

Começou com Dante

Por Enock Cavalcanti | Meus amigos, meus inimigos: de repente, se percebe que tem mídia de menos para tanta corrupção revelada pelo garimpeiro Silval. O cidadão mais consciente tem que comprar os dois jornais, acessar todos os sites, se integrar em número infinito de grupos de WhatsApp para conseguir um mínimo de entendimento sobre o que aconteceu, na gestão passada, em Mato Grosso.

Velhos vícios e políticos viciados são expostos em toda a sua sordidez. Nomes sempre comuns nas denúncias, como Gilmar Fabris, Sérgio Ricardo, agora aparecem ao lado de debutantes como Luciane Bezerra. Você se espanta – e percebe que sabe muito pouco do que realmente aconteceu.

O governador Zé Pedro Taques quando fala de corrupção, gosta muito de limitar o espaço temporal. E só aponta seu dedo duro para Silval, como se toda a bandalheira deste Estado fosse responsabilidade única do afoito garimpeiro. Mas qual! O garimpeiro, no final das contas, até que está sendo legal, contando tanto – e muita coisa documentada por vídeos reveladores. Como é que Emanuel e Alexandre César irão desmentir a força daquelas imagens?

O desafio é levar a apuração até o fim. Pra começar, é preciso superar a limitação que Zé Pedro tenta impor aos fatos. Que Silval que nada, começou bem antes! Na administração do parceiro do Zé Pedro, Blairo Maggi, a maracutaia andou solta, e o sojicultor passará o resto da vida se explicando na Justiça sobre a grana que teria jorrado em seus bolsos e de seus parceiros.

Éder Moraes é criatura de Maggi, mas a gente deve lembrar que José Riva iniciou sua carreira quando Dante de Oliveira e Antero mandavam e desmandavam. Se Sérgio Ricardo comprou sua vaga, se a Mesa da Assembleia tinha sempre um preço, o que será que se descobrirá se tivermos a coragem de investigar como Dante e Antero orientavam suas nomeações? E Jayme Campos? Dona Thelma parece que não perdeu o jeito, e surge agora apontada como mulher de garganta profunda na hora da propina. E tudo que Palmério Dória revelou sobre o possível enriquecimento do Homem das Diretas e seus familiares, jamais foi contestado.

E por que não recordar a ação popular que Chico Daltro impetrou contra Riva, Antero, Bosaipo e Dante, cobrando a devolução do dinheiro do antigo Bemat que teria ido irrigar campanha do Manoel do Presidente a prefeito de Tangará?

Não, não, Zé Pedro Taques! A coisa não começa com Silval. Tenha a coragem de percorrer conosco todo o caminho. E iremos chegar ao governador que era chamado Dom Ratão – e continuar avançando…

ENOCK CAVALCANTI jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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O Gás de Mato Grosso e suas Ilações – Por José Antonio Lemos

Inadvertidamente o chefe do grupo J&F em sua polêmica gravação no Jaburu pode ter prestado um grande serviço a Mato Grosso. Preferia vê-lo preso pelos prejuízos que causou e continua causando ao Brasil, e em especial a Mato Grosso, maior produtor de gado do país e ele o maior o maior produtor de proteína animal do mundo. Um dos focos de sua famosa conversa com o presidente Temer foi um pedido de interferência presidencial junto ao CADE em uma suposta discriminação da Petrobrás contra a Termelétrica de Cuiabá em termos do preço do fornecimento de gás para a usina hoje de propriedade do grupo.
A Termelétrica de Cuiabá é fruto da visão de futuro de um dos maiores estadistas que o Brasil teve, Dante de Oliveira, não valorizado entre nós como merecia justamente por ser daqui. Integra um complexo com o gasoduto Bolívia-Brasil (Cuiabá) implantado a um custo total de US$ 1,0 bilhão à época. Com sua perspectiva de futuro o então governador anteviu a grande produção agropecuária atual de Mato Grosso, já prevendo a energia e a logística de transportes como os dois gargalos para esse desenvolvimento. Hoje Mato Grosso é o líder do agronegócio nacional, fiador fundamental do saldo comercial e do PIB nacional, mas está encalacrado na logística e na energia para ir além.
Instalado no estado um parque agropecuário de alta tecnologia e produtividade, Dante via ser fundamental a criação das condições para a verticalização no estado de toda essa produção, agregando valor à produção primária. Gerar empregos aqui em vez de exportá-los. Entendia que a Baixada Cuiabana poderia ser a base desse processo de verticalização com apoio da ZPE de Cáceres. Para esse salto restava resolver as questões da energia e do transporte para levar e trazer o desenvolvimento. Arrancou assim das barrancas do Paraná os trilhos da Ferronorte, criou o FETHAB, implantou o Porto Seco e internacionalizou o Aeroporto Marechal Rondon, providenciando sua ampliação a quatro mãos com o também saudoso Orlando Boni, cuiabano então presidente da Infraero. Na questão da energia destravou a APM de Manso, com canteiro de obras e máquinas parados a bastante tempo e trouxe a Enron.
Então o complexo foi implantado com o gasoduto, a Termelétrica, e as vantagens regionais comparativas para a indústria e outros investimentos. Só que o plano não avançou a ponto do gás hoje não sensibilizar nem os taxistas e a Termelétrica ter um funcionamento descontinuado. Inconfiabilizados, em suma. Tirando a falência de seu primeiro dono, a Enron, outro grupo internacional logo assumiu, sempre me intrigou as causas desse aparente insucesso e do estranho silêncio de nossas lideranças empresariais e políticas sobre o assunto.
Entre as causas está a interrupção do fornecimento do gás pelo governo Evo Morales, recém empossado, mantendo o fornecimento para outros ramais do Brasil. Começava a discriminação e também minhas ilações, palavra tão na moda hoje. Discutia-se a instalação de uma grande fábrica de fertilizantes da Petrobrás para atender o Centro-Oeste, cuja melhor localização seria uma posição central, no caso, Cuiabá. O gás era a principal matéria-prima. O governo boliviano, com os governos federal e de Mato Grosso do Sul, então companheiros ideológicos, queriam a fábrica no estado irmão. E o gás para Mato Grosso foi cortado, sob mil pretextos. A primeira ilação estava pronta. Com a omissão das lideranças políticas e empresariais mato-grossenses a fábrica foi instalada em Três Lagoas, colada a São Paulo, excêntrica a seu mercado. Agora aparece a reclamação do chefe da J&F. Seria verdade? Por que a diferenciação contra a Termelétrica de Cuiabá? Não é Brasil? Outras ilações ficam para futuros artigos.

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Entre Aspas da Gazeta: Dinheiro da AL comprou vaga de Sérgio Ricardo, diz Riva

COMPRA E MENSALÃO

Dinheiro da AL comprou vaga de Sérgio Ricardo, diz Riva

Foto: João Vieira/AGazeta

Rafael Costa, repórter do GD O ex-deputado estadual José Riva (sem partido) revelou na tarde desta sexta-feira (31) que a quantia de R$ 2,5 milhões desviado dos cofres da Assembleia Legislativa serviu de pagamento para comprar a vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) em favor do ex-deputado estadual Sérgio Ricardo.

Atualmente, Sérgio Ricardo está afastado do TCE desde janeiro deste ano por força de uma liminar concedida pelo juiz da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Popular, Luis Aparecido Bortolussi Júnior.

O Ministério Público Estadual (MPE) acusa Sérgio Ricardo de comprar a vaga de conselheiro do TCE de Alencar Soares pelo valor de R$ 12 milhões. Continue Reading

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O Vale do Cuiabá – por José Antônio Lemos

Teria sido uma sutil provocação ao governo pela falta dos devidos cuidados? Gastar em uma obra de arte maravilhosa e depois regatear recursos para sua manutenção e iluminação como elemento de atração turística é desperdício de dinheiro público.

O dia 27 de março marca o aniversário da Ponte Sérgio Motta, que preferia denominada Ponte Dante de Oliveira, sem nenhum demérito ao ex-ministro que empresta seu nome a tão bela e importante construção, e que também foi homenageado pelo então ex-prefeito Roberto França dando nome ao complexo cultural formado pelo Museu do Rio e o antigo Aquário Municipal. Este ano comemoramos, ou pelo menos deveríamos comemorar os 15 anos de sua inauguração. Minha preferência de denominação vem das dificuldades do então governador para justificar sua tecnologia inovadora mais onerosa e acabou pagando por isso na eleição seguinte quando seu adversário disse que com o dinheiro gasto naquela ponte ele construiria 3 ou 4 pontes convencionais. Imagino que o adversário vencedor naquela eleição reveria sua argumentação hoje já que passou pelos dissabores de pesadas críticas ambientais em nível nacional e evoluiu muito nessa área. O Dante, como sempre, estava na frente com ideias, obras e proposições que até hoje muita gente importante não entendeu, mesmo alguns de seus auxiliares na época.

Trata-se da primeira ponte estaiada do Brasil feita em pré-moldados de concreto e a terceira estaiada de um modo geral no país. Ponte urbana, sobre rio, creio que tenha sido a primeira. E qual a necessidade dessa inovação de valor mais elevado? Justamente o meio ambiente. A tecnologia dos estais permite a construção sem que se toque na água ou no leito do rio. Nosso renitente complexo de pequi roído não nos permite enxergar algumas maravilhas de nossa própria terra, e assim a maioria de nós jamais percebeu que a ponte de fato não toca o rio Cuiabá, que passou incólume mesmo durante sua construção. Essa preocupação não aconteceu com as novas pontes sobre o mesmo rio, cujos paliteiros de pilares fincados no rio estão lá para todos verem. Oxalá as novas e importantes pontes projetadas para o rio Cuiabá pelo atual governo levem em conta tão precioso tema. Continue Reading

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Wellington Fagundes que sonha com o Paiaguás em 2018 diz que eleição em Cuiabá foi anti-Taques

Wellington Fagundes Foto: MidiaNews

><>Em matéria assinada pelo jornalista Airton Marques, do MidiaNews, abram aspas: “o senador Wellington Fagundes (PR) avalia que a vitória do deputado estadual Emanuel Pinheiro (PMDB) na disputa pela Prefeitura de Cuiabá foi movida pela força dos insatisfeitos com a gestão de Pedro Taques (PSDB) no Estado.

Para o senador – que coordenou a campanha de EP no segundo turno, a eleição na Capital pode ser considerada como uma avaliação de Taques no Executivo”, fecham aspas.

Meu Peixe lembra que o senador WF sonha, como sonha, em ocupar a cadeira de governador de Mato Grosso.

No entanto, bom lembrar, seu nome sempre foi preterido e ele nunca demonstrou disposição em se impor dentro do grupo político a que pertencia.

Agora, porém, com o mandato de senador a situação muda totalmente. Primeiro, com senador ele não precisa renunciar ao cargo, como aconteceu como atual governador que também era senador e na disputa não tinha nada a perder, muito pelo contrário.

Com a derrota de Wilson Santos o governador José Pedro Taques enfraquece a sua base de apoio, mas não está de tudo perdido. Meu peixe lembra que ao disputar a reeleição no cargo, Dante, Maggi e Silval Barbosa demonstraram que a máquina estatal é uma arma poderosa. Principalmente Dante que está desgastadíssimo e se reelegeu.

Wellington Fagundes por seu turno já conta com duas bases: Cuiabá e Rondonópolis…Mas Meu Peixe não deixa esquecer. Ele cita que o atual prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, ao não disputar as eleições foi também um dos grandes vitoriosos nesta eleições e chega em 2018 com moral  quem cumpriu os quatro anos e os dois anos iniciais de Emanuel Pinheiro poderão dar mais combustível – independente da avalição que a população possa fazer. 

Fonte: MidiaNews Clique e leia mais

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Linha Internacional – por José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos

O que tem a ver aeroporto internacional, gasoduto, Manso, ferrovia, Porto Seco, Arena Pantanal e até o nosso queridíssimo Sol com eleições municipais, vereadores e prefeitos, conforme venho tratando nos últimos artigos? De fato, alguns questionam, parece claro que não se trata de assuntos da alçada municipal. A estes argumento que o prefeito é a maior autoridade pública municipal estando na Lei Orgânica entre suas atribuições “fiscalizar e defender os interesses do Município”. Aos vereadores cabe entre outras coisas cobrar e fiscalizar em nome do povo o cumprimento da lei. Inclusive o exercício dessa atribuição. Óbvio que existem competências administrativas e legislativas que não podem extrapolar os limites do município, mas essa história de cada um no seu quadrado só vale na música popular atual. Até ao cidadão cabe cuidar de sua cidade e lutar por ela. O que seriam “interesses do Município” citados na Lei Orgânica?

    Valendo para quaisquer dos assuntos citados no início do artigo cito por exemplo a inauguração da linha aérea entre o Aeroporto Marechal Rondon em Várzea Grande e Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, prevista para o próximo de 5 de dezembro, a partir de articulações do governador Pedro Taques. É claro que não se trata de assunto da competência administrativa nem legislativa do governo do estado, mas como é um assunto do maior interesse para um estado centro continental, em especial para Cuiabá e Várzea Grande, o governador, com apoio de diversos segmentos da sociedade, correu atrás dos setores competentes em todas as esferas públicas e privadas, e chegou à definição da linha. Não se trata portanto apenas de mais uma linha aérea para o 14º aeroporto mais movimentado do país, mas sua primeira linha internacional com fortes possibilidades de consolidação ligando direto o centro da América do Sul a um outro país, concretizando a internacionalização do Marechal Rondon, podendo puxar outras linhas internacionais e ajudando a alavancar novas perspectivas para a economia de Mato Grosso, turismo, comércio, lazer, cultura, etc.

    A grande vocação natural de Cuiabá com sua posição central no continente é ser um grande encontro intermodal de caminhos. Basta reparar que do jogo de xadrez ao futebol, o meio do campo tem papel fundamental e é o espaço de maior movimentação. Na logística a tendência é acontecer o mesmo. Aproveitar essa potencialidade natural foi a motivação do então prefeito Dante de Oliveira, e depois como governador, buscar a internacionalização do Marechal Rondon. Como Taques, também estava fora de seu quadrado administrativo, mas no mais absoluto sentido de responsabilidade política para com os interesses do estado. Agora falta 1 mês para a inauguração prevista e tudo ficou quieto. Não se fala mais no assunto. O que estaria acontecendo?

    Certamente que a ligação internacional de Cuiabá não é um tema inócuo, mas envolve interesses de outras cidades que também pleiteiam tal privilégio. Pauzinhos podem estar sendo mexidos contra o projeto de Mato Grosso. Já tivemos por duas vezes uma linha internacional que foram interrompidas por questões absolutamente fáceis de superar quando existe determinação política em todos os níveis para superá-las. Não seria importante neste momento a intervenção dos prefeitos da Região Metropolitana ou, ao menos dos de Cuiabá e Várzea Grande, das Câmaras Municipais, das lideranças empresariais, em especial do trade turístico? Ou vamos deixar que a oportunidade passe novamente até que um dia a vantagem comparativa natural da posição central seja usurpada e inviabilizada definitivamente por outras localidades com mais disposição de lutar pelos próprios interesses municipais e regionais?

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU-MT e professor universitário.             joseantoniols2@gmail.com

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