Neste momento chove em Cuiabá. Para celebrar, um poema que fala ‘chuva’:

Nada é para sempre Nada é para sempre inclusive a manga verde que um dia ficará perpitola e um guri faminto vai passar a mão   Nada é para sempre… A manga rosa também será saboreada quando chegar a chuva da temporada   Nada é para sempre… – A mangueira, resultado de uma semente, treme ao vento.

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Antes da Física Quântica – uma imitação de soneto de João Bosquo

Não conhecer física, o princípio de Einstein, Demora mais para entender que o amor, Como as velhas e novas coisas universais, Também é variável no espaço e tempo O amor, embora a causa primeira de tudo, Em nós, enquanto gente = energia concentrada, É a mais instável dentre todas as equações E invariavelmente apostamos no contrário A causa primeira de

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Sereno – Uma imitação de soneto de João Bosquo

Vamos fechar nossos olhos, procurar o sereno Que se encontra nas partículas gotas da madrugada E suavemente deitam nas gramas dos jardins, Nos telhados, como um calmo lençol à forrar… Quando tudo serenar, ao fechar nossos olhos, Vamos olhar para dentro e ver que a alma ainda, Sendo alma, procura o ponto ideal de equilíbrio Serenar os ânimos em favor

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Poema Escrito – uma imitação de soneto de João Bosquo

Olho-te e vejo Como estás, Meio sem graça Não faço nada E me perguntas Se passo fome Respondo: não! E continuo são Na minha tarefa Isso te perturbas Vês assombrações, e Segues os meus passos Como se fosse possível Desentortar que está escrito… ><>Poema integrante do livro “Imitações de Soneto”, à venda, combinar pelo facebook.com/joaobosquocartola

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Como este poema desejo a todos, amigos, comparsas, companheiros e desafetos, um feliz ano 2018

Café do Ano Novo Estou aqui. Bebi o café quente do ano novo, lembrei-me de pessoas e dum livro de poemas lidos quando queria ficar triste, mas alegre permaneci olhando para fora da janela do próprio tempo Contar o tempo quando se vê no espelho do banheiro, ao fazer barba de pelos brancos, é obrigação diária sem se exaltar, sem

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Vanguarda – Uma imitação de soneto de João Bosquo

Qual é a saída pra vanguarda? Qual a saída pra crise, pela vanguarda? A vanguarda está em crise Ou a crise não afeta a vanguarda? O que é ser vanguarda? Sou fã ou fui guarda? A vanguarda vem de avião? Ônibus? De van? Vem pelo correio Ou pelos fios da internet? A vanguarda deixa-se ser metrópole se planta na interior

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Assim Caminha… – uma imitação de soneto de João Bosquo

O Brasil era Estados Unidos do Brazil Agora somos República Federativa A cidadania nem por isso ficou mais ativa Os gestores menos corruptos e espertos… O antigo Primário, o antigo Ginasial… Estudei em todos eles e mudaram de nomes Terminei, pois, o Segundo Grau Professores, por hora são educadores Como motorista passou a condutor Mas um não educa, nem outro

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Da Água que Bebo – Uma imitação de soneto de João Bosquo

Dessa água não beberei Depois de morto E enterrado acima da cabeira Do rio que desce Rumo ao mar Pantanal Posso beber, não sei, Das águas subterrâneas Que procriam águas As quais meu corpo líquido Em transparência procura Dessa água, repara, Que brota vívida, De mim, tem um pouco Como no ciclo eterno.

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De Alianças e Vaias – uma imitação de soneto de João Bosquo

Para João Batista Negrão Vejo alianças nas mãos das jovens médicas que vaiam Velhos médicos cubanos pretos como nós brasileiros Netos dos exilados da África em navios através dos mares Rumo aos berços de todas as nações das quais pertencemos…. Não quero, porém, falar de negros, navios ou exílios tristes Mas, sim das alianças nas mãos das médicas que vaiam

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Em Honra dos Josés – uma imitação de soneto de João Bosquo

O que me honra em ser brasileiro São as pessoas que foram aquilo Que por medo ou insegurança não fui Seus grandes e humildes poetas Escritores de pequenas linhas que li Quando estudava no Colégio dos Padres Foram os brasileiros soldados mortos Em estranhas lutas de ódio brasileiro Denominadas guerrilhas em florestas E ruas de cidades obscuras Se idade tivesse,

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Desmoronamento – Uma imitação de soneto de João Bosquo

O tempo, repara, Saiu de fora pra dentro Como uma metáfora E ficou parado O tempo não é singular Não é plural Não é coisa alguma O tempo é tempo Quando só, olhando os velhos Que andam na praça Acompanhados de suas velhas, Não posso deixar de observar O tempo com o tempo Brinca e desmorona as pessoas. ><>Poema do

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Minha Poesia Dramatiza – uma imitação de soneto de João Bosquo

Minha poesia dramatiza Qualquer mudança de endereço Mudança de tempo: vento em temporal, Mão de rua ou transformação urbana Minha poesia se solidariza Com o homem a passear sozinho Viúvo guardador de lembranças Que despedaçam o coração Minha poesia saiu de mãos dadas Bem humorada foi fazer um rolê Do Passeio Público à Santa Fé A minha poesia – repara

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Canto Pantaneiro – Uma imitação de soneto

O canto vivo do pantanal É o som do rio corrente Que corre como um signo Entre peixes e aquário O canto pantaneiro, amor Tem xis, chiados e pipios Entre a luz e o entardecer De todos os voos singulares… O canto é música sonora Que os ouvidos do coração Ouve sem precisar escutar O canto do pantanal – ouça

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Quando Anoitece – uma imitação de soneto

Quando tudo começa anoitecer algumas coisas simples acontecem… Simples porque é da natureza e elas se realizam quando adormecem A cidade, quando anoitece, começa exercitar noutra dimensão outro parâmetro, outra média visão e os gatos voltam a empardecer As pessoas, quando a noite chega, ficam mais sensíveis, mais suscetíveis mais táteis, frágeis e imperceptíveis A noite, quando se realiza, sempre

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Receita de Galáxia Entrelinhas – uma imitação de soneto de João Bosquo

Uma receita benquista de um poema saudosista Lembra, sem dar na vista, que o poeta dança na pista De mãos dadas com o planeta ribeirinho do sistema Logo ali no fim da curva da Galáxia Entrelinhas.

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A Minha Língua– uma imitação de soneto de João Bosquo

A minha língua, até aonde eu saiba, É a mesma língua falada por minha mãe… Foi ela que me ensinou “benção, mãe” E diuturnamente respondia “Deus te abençoe” Depois, mais tarde, outras línguas Dos guris da Rua da Fé, Travessa Dão Bosco Campo D’ourique das peladas e soltar pandorgas A primeira língua estranha foi da Escola Que juntava letras sinais,

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O Poema Que se Pede – uma imitação de soneto de João Bosquo

Veja, o poeta se mete em enrascadas Quando pessoas pedem um poema Ele não sabe dizer não – bem feito – E a poesia não se assunta de emergência O poema – mesmo de estrutura simples Sem rimas de valor estimado Ou de prestígio duvidoso – Não se encontra na esquina Tampouco se saca num caixa eletrônico De uma agência

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Quando Anoitece – Uma imitação de soneto

Quando tudo começa anoitecer algumas coisas simples acontecem… Simples porque é da natureza e elas se realizam quando adormecem A cidade, quando anoitece, começa exercitar noutra dimensão outro parâmetro, outra média visão e os gatos voltam a empardecer As pessoas, quando a noite chega, ficam mais sensíveis, mais suscetíveis mais táteis, frágeis e imperceptíveis A noite, quando se realiza, sempre

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Desapego – uma imitação de soneto

Sinto, como sinto, com o passar dos anos que Minha alma calmamente vai se desapegando Deste corpo que, em verdade, nunca me pertenceu O desapego do corpo não significa desprezo Não. Tenho muito apreço por este corpo Que me carrega para onde vou, quando vou Sem se importar qual seja este ou aquele lugar O corpo, repara, é um veículo,

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Minha Poesia Dramatiza – Uma imitação de soneto

Minha poesia dramatiza Qualquer mudança de endereço Mudança de tempo: vento em temporal, Mão de rua ou transformação urbana Minha poesia se solidariza Com o homem a passear sozinho Viúvo guardador de lembranças Que despedaçam o coração Minha poesia saiu de mãos dadas Bem humorada foi fazer um rolê Do Passeio Público à Santa Fé A minha poesia – repara

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Despermanecer – Uma imitação de soneto

Não permaneço onde estou No mesmo lugar, fora do tempo Dentro do eixo, por entre esquinas Enquanto vejo sóis e luas Anoitecerem dias-lunares Não permaneço um segundo Enquanto o mundo gira No mesmo ponto No mesmo intento De me encontrar Só importa pra onde vou Caminho rumo ao que pertenço… Despeço-me e me despedaço Enquanto matéria não amanheço.

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Sete Sentidos – uma imitação de soneto

Não importa o abrir e fechar de portas é sábado e só nos resta o caminhar sempre em frente é essa a direção determinada, embora sob contrariedade O abrir e fechar cancela também acelera, repara, as batidas do pobre coração, não importa se de poeta, agricultor ou enfermeiro recém saído da faculdade O piscar também obedece a essa rotina de

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Antigo Mar Chacororé – Uma imitação de soneto

Aqui na Baía de Chacororé, antigo mar, Havia – do tempo de ter – um peixe sabido Que fugia dos anzóis e tarrafas traçadas E ensinava – que a vida é ensinar – Os lambaris e outros peixes menores Como se safar das armadilhas do destino Impostas pelo próprio rio Pantanal… Esse peixe sabido sempre nadava Rio abaixo com as

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Desapego – Uma imitação de Soneto

Sinto, como sinto, com o passar dos anos que Minha alma calmamente vai se desapegando Deste corpo que, em verdade, nunca me pertenceu O desapego do corpo não significa desprezo Não. Tenho muito apreço por este corpo Que me carrega para onde vou, quando vou Sem se importar qual seja este ou aquele lugar O corpo, repara, é um veículo,

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Uma imitação de soneto: Vagas Inspirações

Não há espaço para escrever mais nada. Tudo, tudo que possa ser imaginado, Já foi dito em poemas e romances Por escritores e poetas atemporais… Os poetas, em magnas poesias, Escritores, em homéricas narrativas, Impressos em preciosos livros, Estampados em distantes bibliotecas, Já discorreram sobre o amor teatral, A dor lancinante em perdas de bem amado E busca incessante da

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Uma imitação de soneto: Além da Imaginação

“Mil dias antes de te conhecer” Chico Buarque Quando os navios chegaram com as vidraçarias No antigo Porto Cuiabá pra construção do Palácio Dos intendentes que governavam a província Ninguém sabia que os cristais se espatifariam Quando o sol se pôs além do antigo oceano Que nasce nas chapadas dos ditos Guimarães A história, nossa história, ninguém sabia narrar Além

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Poesia Curta Metragem – uma imitação de soneto

Minha poesia é curta, pouca inteligência à mostra, poucos centímetros de um decassílabo e sobrevive apenas uma década A sobrevida dos versos, no papel ecológico, é menor ainda que na web escritos na memória A) do computador aposentado B) no notebook esquecido C) no desktop reformatado Pois Zé, a poesia não parte… “Stop!”, diz o poeta Silva Freire! É a

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Uma imitação de soneto: Anjo de Cara Amarrada

Não vi o anjo de cara amarrada. Só vi o anjo (Não era pescador) Navegava na flor Pelos rios do Pantanal Os peixes seguiam Esse anjo em sua barca rosa As flores pantaneiras são naturais Estruturadas em comando singelo Triz de cor de arco-íris O anjo reconhecia todas Como antes de ser sementes As flores eram semelhantes Se refletiam brilhantes

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Uma imitação de soneto: Manga Madura no Quintal

O amarelo Não é uma cor, apenas cor, Vai além do horizonte E acompanha o morrer do sol O amarelo Quando chega, de manhã cedinho, Provoca espantos, o galo canta… O amarelo, vê, é luz O amarelo, Na minha memória, é manga, Perpitola manga madura O amarelo Hoje para mim, saliva É água na boca.

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Uma imitação de soneto: Minha Poesia ao Léu

Minha poesia não é só minha. Ela também é de quem a lê e se sente enlevado por ela. Sente que as palavras escritas – desta maneira ou estilo – é o jeito de como se usar para dizer as mesmas coisas aqui ditas

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