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Escritores contemporâneos em diálogo, por  Olga Maria Castrillon Mendes

Por Olga Maria Castrillon Mendes | Estamos diante de um fenômeno editorial em Mato Grosso, cuja festa maior se dará no próximo dia 10 de dezembro, às 19:30, na Casa Barão de Melgaço. Afinal de contas, teremos duas coleções de textos de escritores contemporâneos. A Coleção Olho d’água traz os poetas Ronaldo de Castro, Silva Freire, Santiago Villela Marques, Marília Beatriz Figueiredo Leite, Lucinda Persona e Matheus Guménin Barreto. A prosa aparece na Coleção Carandá, contemplando os escritores Eduardo Mahon, Lorenzo Falcão e Fátima Sonoda; Icléia Lima e Gomes e Aclyse de Matos. É uma iniciativa que comemora os 20 anos da Editora Carlini & Caniato, uma empresa bem mato-grossense, pois durante esses anos tem investido na produção local, muito antes da efervescência do recente panorama intelectual. Por ela, a literatura produzida em Mato Grosso adquire crescente visibilidade, mesmo à revelia de apoio institucional. No símbolo icônico dos títulos, um manancial literário e uma robusta árvore, sinalizam os novos caminhos, enfrentamentos, fontes e repositório de muitos estudos e pesquisas. Vai dar o que pensar e promete tirar o fôlego e a paz dos leitores.

Depois do projeto Obras Raras que relançou dez livros inéditos, em 2009, num esforço entre a Academia Mato-grossense de Letras/AML e a Universidade do Estado de Mato Grosso/UNEMAT, os dez títulos são um presente da Editora e seus apoiadores à comunidade leitora, num período em que clamamos por palavras e pelo poder que emana delas. Como todo livro, será motivo de questões e de possíveis respostas, além de revolucionar o mercado editorial, despertar leitores e mobilizar escritores, jornalistas e críticos. O que se espera é que, juntos, iniciativa privada, escritores e editores executem projetos que, bem operacionalizados e difundidos, como este, podem contribuir para minimizar as distâncias entre o produto cultural e o leitor. Continue Reading

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Lorenzo Falcão e Valério Mazuolli são eleitos novos acadêmicos da AML

Por S. Carlos Gomes de Carvalho

A ACADEMIA MATO-GROSSENSE DE LETRAS elege mais dois acadêmicos. Numa concorrida Assembleia Geral Extraordinária, realizada no ultimo sábado, 14, os acadêmicos elegeram dois novos membros. Sob a firme condução da poeta Lucinda Persona, vice presidente no exercício da Presidência, foram eleitos Lorenzo Falcão e Valério Mazuolli.

Lorenzo é jornalista, cronista e poeta, com trajetória na imprensa cuiabana e atualmente é responsável pelo blog de literatura ‘Thyrannus Melancholicus’, foi eleito para a Cadeira 12, cujo Patrono é o poeta Antônio Cláudio Soído e o último ocupante o jornalista e poeta Ronaldo de Arruda Castro.

Valério Oliveira Mazuolli, eleito para Cadeira 36 cujo Patrono é o poeta e causídico Pedro Trouy, e o último ocupante o professor e poeta Luís Feitosa Rodrigues, é professor titular na UFMT e convidado em Universidades de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do Paraná, conferencista e renomado autor de mais de duas dezenas de obras jurídicas. Frequentemente consultado e citado por ministros do STJ e do STF em suas decisões e acórdãos, Mazuolli é hoje nacionalmente considerado um dos nomes mais expressivos na área do Direito Internacional e do Direito Constitucional brasileiro.

Assim, a Academia que, dentro de três anos, completará seu primeiro centenário, se rejubila pelo ingresso de dois gabaritados intelectuais e que, com seus ingressos até o final do ano, comporão trinta e nove Cadeiras, das quarenta existentes.

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Valério Mazuolli

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Lorenzo Falcão

Source: (2) S Carlos Gomes de Carvalho

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Eduardo Mahon lança livro e João Gordo estreia filme nesta terça, 1 de agosto

O livro é “Contos Estranhos” e o filme é “O Poder da Palavra” que movimentam, nesta terça-feira, o Cine Teatro

Integrantes do Bonde do Mahon – Foto: Divulgação

O lançamento… Ops, o ciclo de lançamento do livro “Contos Estranhos”, de Eduardo Mahon, se encerra neste dia primeiro de agosto, terça-feira, com um evento no Cine Teatro Cuiabá, quando também (além dos autógrafos, tête-à-tête do escritor e o seu público amado leitor – que não é pequeno – tão tradicional num lançamento de livro) acontece a avant-première do filme-documentário “O Poder da Palavra”, de João Manteufel, o João Gordo, que conta com a participação de Aclyse Mattos, Lorenzo Falcão, Luciene Carvalho, Lucke Mamute, Marília Beatriz de Figueiredo Leite, Ramon Carlini, Vera Capilé, Waldir Bertúlio e, claro, do escritor Eduardo Mahon. O filme tem 60 minutos e não sei quantas palavras, por isso tudo o evento está sendo tratado como “Bizarro, incomum, esquisito”.

Este repórter não vai discordar do “bizarro, incomum e esquisito” dos lançamentos deste 10cimo livro de Eduardo Mahon que, como noticiamos a primeira vez neste mesmo Namarra, começou em março, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, depois se desdobrou pelas mato-grossenses Cáceres, Sinop, Pontes e Lacerda e também na FLIC de Chapada de Guimarães, onde a festa contou também com a participação de outros escritores – Ivens Cuiabano Scaff, Olga Maria Castrillon-Mendes, Cristina Campos e Marli Walker – que também participaram dos eventos. Agora, se junta à trupe, um cineasta, o João.

O filme começa a ser exibido às 19h30, portanto não percamos a hora.

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Tenho pouco para falar do filme. A única informação que recebi é que a poeta (desde Cecília Meireles, todas querem ser chamadas de ‘poeta’, contrariando o gênero poetisa) Luciene Carvalho faz um depoimento emocionante, pra lá de bacana, e se revela como atriz… Mas, pelo que me lembro dos tempos do Flamp, Luciene já era uma estrela.

Vamos ao livro. “Contos Estranhos”, recapitulando, começou – segundo o autor – a partir de uma prosaica pergunta “e se?” e de tal pergunta se prolongou a imaginação criadora e surgiram os contos, como “A Hérnia”, “A menina que roubava cores”, “O homem sem gravidade” e outros, somados 35 foram reunidos e mais a novela “O Homem do País Que Não Existe”.

Para quem vem acompanhando a produção do ativo advogado, polemista e escritor, os resultados são surpreendentes. Os romances “O Cambista” (2015) e “O Fantástico Encontro de Paul Zimmermann” (2016), ambos tem uma narrativa cinematográfica que envolve o leitor pela clareza textual. Não é fácil. Isso sem falar da necessidade de se fazer que produto final, o livro, suporte da história chegue até as mãos do leitor.

Olga Castrillon-Mendes, professora e pesquisadora de literatura da Unemat, que prefacia o livro, destaca o trabalho de Mahon, ao espalhar os seus textos para um número maior de possíveis leitores.

Eduardo Mahon, segundo Olga Castrillon-Mendes, “é um dos que mais se comunica com o leitor em potencial pela forma como distribui e faz circular sua obra. Certamente contribuindo para a configuração da cadeia sistêmica que envolve meio social, história, produção e formação, como aquela traduzida por Antônio Cândido e repensada por críticos e teóricos contemporâneos”.

A poeta e acadêmica Lucinda Nogueira Persona, no posfácio do livro, falando em linguagem, diz que “em Contos Estranhos, importa salientar, entre outros elementos, a economia da linguagem. Em cada frase, o autor opta por um enxugamento que agiliza a marcha da escrita e jamais prorroga o desfecho. Assim, o narrador revela-se resoluto do início ao fim”.

Com outras palavras – creio – a poeta Lucinda Persona está nos dizendo do drama do escritor, como no poema “O Lutador”, de Carlos Drummond de Andrade que afirma que “Lutar com palavras/ é a luta mais vã/ Entanto lutamos/ mal rompe a manhã/ São muitas, eu pouco./ Algumas, tão fortes/ como o javali/ Não me julgo louco/ Se o fosse, teria poder de encantá-las/ Mas lúcido e frio/ apareço e tento/ apanhar algumas /para meu sustento num dia de vida”.

A luta empreendida por Mahon é pela economia da linguagem – como destaca Lucinda – tanto que os contos são um paragrafo só. Os diálogos dentro do texto dispensam os sinais gráficos – (travessão) e “” (aspas) por exemplo e o leitor não precisa dessas sinalizações para compreensão da narrativa direta, intuitiva e – alguns momentos – chocante.

A leitura dos livros de Mahon, no atual contexto mato-grossense, é interessante inclusive para compreensão do universo literário no qual vivemos. Boa leitura.

Lá no início foi escrito que o ciclo de encerramento se esgota em agosto. Mentimos. Em outubro o autor já tem agendado o lançamento do livro Contos Estranhos em São Paulo, em destacada livraria paulista.

Fonte: DC Ilustrado

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A 2ª FLIC mostra que letras de MT estão vivas

A Festa Literária se expandiu e recebeu convidados de outros Estados e o escritor angolano Pepetela

O público prestigia a abertura da 2ª FLIC em Chapada dos Guimarães Foto: Junior Silgueiro

“Uma festa imodesta como esta
Vamos homenagear
Todo aquele que nos empresta sua festa
Construindo coisas pra se cantar”…  Cantava Chico Buarque pela primeira vez, nos anos 70, os versos de Caetano Veloso, quando o “sinal está fechado” como cantaram também Belchior e Paulinho da Viola… Os tempos atuais são nublados, a nossa democracia sob vários ataques, mesmo assim uma Festa Literária, a segunda, se manifestou ‘imodesta’ e a literatura mato-grossense foi o grande destaque, ‘construindo coisas para se ler’, parodio Caetano “para nós que somos jovens”.

Este repórter – de forma imperdoável – não pode ir a esta Festa, por conta de suas limitações e idade, mas faz questão de registrar a importância deste magnífico evento (também por se meter a ser poeta) que aconteceu no último fim de semana, em Chapada dos Guimarães que foi a 2ª Festa Literária de Chapada (FLIC).

“A segunda FLIC levou para Chapada dos Guimarães uma programação ampla, democrática, onde toda a família foi contemplada”, disse a historiadora e diretora do Instituto de Estudos Socioculturais (IESC), Maria Amélia Assis Alves Crivelente, idealizadora do projeto. Continue Reading

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Master Literário foi um sucesso

Por João Bosquo

O evento literário no Colégio Master no último sábado, 8, foi verdadeiramente uma festa. Um encontro de escritores, alunos, aplicados alunos, falando de poetas, contistas, romancistas e movimentos literários, além de livreiros, pessoas que gostam, amam os livros e – para não deixar de ser – pais e mães de alunos observando essa organizada algazarra que foi o Master Literário, idealizado para divulgar na nossa mais recente produção literária e cultural.

O evento consistia em criar salas para conhecer os escritores. Os escolhidos para esta primeira edição foram Aclyse de Mattos, Eduardo Mahon, Flávio Ferreira, Ivens Cuiabano Scaff, Luciane Carvalho, Lorenzo Falcão, Lucinda Persona, Marilza Ribeiro e Marta Helena Cocco; e como sala especial a homenagem maior ao nosso mais laureado poeta: Benedito Santana da Silva Freire, ou apenas Silva Freire.

As salas temáticas, sobre a vida e obras dos autores, foram abertas – algumas de livre acesso, enquanto outras com ‘excursão’ obedecendo a um roteiro contando a trajetória literária e ‘pregando sustos’ ao visitante.

Todos, independentes de pontos de vista, adoraram a realização do evento. A poeta Marilza Ribeiro, sempre atenta, foi recepcionada com alegria pelos alunos de sua sala e participou da excursão, para saber o que se falava dela. Legal. Também é a opinião de Lorenzo Falcão. Ele disse que não se lembrava de um evento dessa magnitude no qual reuniu tantos escritores ao mesmo tempo e destacou como o fato mais importante a proximidade com os jovens. “Só isso já está valendo”, disse.

As salas cada uma teve sua performance, digamos, singular. Na sala da poeta, escritora infanto-juvenil e professora, Marta Cocco, uma dupla formada pelos jovens Bia Garcia Marques e Eduardo Salomão, faziam o som ambiente ao acompanhados pelo violão.

Aqui vale um parênteses: Bia Garcia, é bom ressaltar, também participou no varal de poesia, nas proximidades onde as jovens escritoras Stela Oliveira e Poliana Marques, autografavam os seus livros “Campostela: A velha cadeira” e “Gatos da Noite, e “O Passado de Joanna”. As duas são colegas no curso de Comunicação na UFMT. O premiado escritor e jornalista Rui Matos também se fez presente, participando de um ativo escambo com os outros escritores.

A mais singela, opinião deste repórter, foi a de Lucinda Nogueira Persona, com o tema “País da Poesia”, com uma bela retrospectiva fotográfica. Fotos em destaque também aconteceram na sala do poeta Aclyse de Mattos. Luciane Carvalho, com suas ‘quatro estações’, uma das mais performáticas, como a do escritor Eduardo Mahon. A sala do teatrólogo Flávio Ferreira, vizinha exigia uma atenção especial pra localizar. A mais cuiabana, talvez, era a do poeta escritor infanto-juvenil Ivens Scaff, que tem no meio o sobrenome Cuiabano.

O livreiro e ativista cultural, Clóvis Matos, se dizia supersatisfeito com o sucesso do evento. Ele montou sua banquinha (modo de dizer) com sua infinidade de títulos e assuntos durante toda a semana pré-evento e descobriu os jovens estão com sede de leitura.

O editor Carlos Alberto Ozelame, da Editora Entrelinhas, destacou o fato dos alunos trabalharem a regionalidade, os autores locais. “Temos aqui oito salas, oito autores, que os alunos trabalharam os temas, entrevistando os escritores, proporcionando o devido respeito que cada um tem que ter”. Falando do mercado editorial mato-grossense, ele lembra que o Brasil já tem um índice baixo de leitura e em Mato Grosso não é diferente, mas vem se trabalhando junto com as escolas para superar essa deficiência de leitura.

Téo Miranda, da Editora Sustentável, que iniciou suas atividades em parceria com outras entidades fazendo projetos sociais com foco na educação, agora se inicia a publicar livros e o de estreia é o “Amor Essencial”, de Niara Terena, nascida em 2006, e começou a escrever o livro em 2011 que concluiu agora com 10 anos. Quanto ao evento, disse que foi uma iniciativa importante, no sentido de incentivar o jovem no mundo da leitura. A Sustentável, como costuma trabalhar em parceria, procura disponibilizar as suas publicações de forma gratuita.

Ramon Carlini, da Carlini & Caniato, também avaliou como extremamente positiva mostrar a produção regional. A Editorial Carlini & Caniato, para se ter ideia foi a editora que publicou as nove edições dos vencedores do primeiro concurso MT Literatura. Ah, sim, os livrinhos da poeta Stela Oliveira, também são pela C&C. Viva o livro, viva os escritores, viva a escrita.

Leia mais sobreo assunto: Festival “Master Literário” é apresentado aos alunos

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