Natal, pérolas e porcos – Artigo de José Antônio Lemos

Por José Antônio Lemos | Não se trata da Família Pig do desenho na TV, e sim de nós mesmos, ditos humanos, cidadãos. As coisas em si são boas e belas, pérolas para benefício da Humanidade, mas caídas em mãos humanas é preciso sorte para que não virem lama. Parece que confundimos o barro bíblico que nos modelou com a lama fétida dos chiqueiros e por isso também busquemos a lama para nosso destino enquanto espécie, levando junto tudo o que tocamos. Temos uma notável atração pela porcaria.

É difícil em pleno Natal iniciar um texto assim, em especial para quem às vezes é criticado justamente por ser otimista e esperançoso, condições aliás indispensáveis ao arquiteto e urbanista. Contudo, pensando bem, ao contrário do que parece, não existe ocasião mais propícia. O Natal ensina que a origem e destino do homem são divinos e não porcos, lembrando a chegada de Deus feito homem para nos ensinar a grande lição, o homem é filho de Deus, obra divina, criado para o bem, para o belo e para o justo. A cada Natal renasce essa esperança do reencontro com o divino e a certeza de ser esse o caminho.

Enquanto isso, todos vimos o que foi feito da “Casa de Bem Bem”. Uma pérola da cultura mato-grossense, uma joia a ser conservada e reverenciada com carinho. Nada mais compatível aos porcos do que destelhar a casa em pleno período de chuva e parar a obra! Na certa a taipa socada exposta à chuva daria uma boa lama em pleno centro histórico de Cuiabá, área tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional por sua importância nacional.  E não adianta jogar a culpa nas porcas autoridades responsáveis. Tal crime só aconteceu porque somos complacentes com a porcaria deixando que ela avance em seu chafurdar Expresso minha indignação na rede social, escrevo um artigo, desopilo o fígado e fica por isso mesmo. Logo os porcos nos indignarão de novo. Se a cada avanço da porcaria tivéssemos uma reação de fato contundente e objetiva ela não avançaria. Nossa leniência também nos faz porcos, ao menos cumplices da porcaria que assola Cuiabá, e o país.

Desculpem-me os porcos, hoje suínos, limpos, por compará-los aos que insistem em querer ser porcos, apesar de sua origem divina. Viva a esperança do Natal do Deus menino!

Também assistimos complacentes ao absurdo da profusão dos cabos desativados pendurados nos postes da cidade. A porcaria é também aérea. Falam que a prefeitura não pode fazer nada porque não existe lei que obrigue as concessionárias a retirar os cabos obsoletos. Elas que já deviam ter rebaixado a fiação em muitas áreas da cidade agora querem usar nossa paisagem como lixeira. A mesma lei que proíbe o cidadão deixar seu lixo nos logradouros públicos não serve para elas? Presente do Tricentenário? Esperam que algum motoqueiro seja degolado por um desses fios atravessados pelas ruas? Depois virão as lágrimas de crocodilo pela vítima e as promessas de “providências  enérgicas” para que o fato não se repita, lágrimas falsas que o bom português traduz como “de hoje para trás, nunca mais.”  E fica tudo assim.

Todos sabemos da podriqueira que virou nossa tão sonhada democracia, com os políticos chafurdando felizes às nossas custas. Às vésperas do Natal as câmaras de Cuiabá e Várzea Grande criaram o 13º salário para os vereadores. Falam que é legal mesmo afrontando a Moralidade, um dos princípios da administração pública no país. Pode? E o que fizeram com a Copa, a maior oportunidade de investimentos jamais vista por Cuiabá? Um retrato disso é o novo desbarrancamento da cabeceira da Ponte do São Gonçalo trajeto que se tornou indispensável a boa parte dos cuiabanos. Desculpem-me os porcos, hoje suínos, limpos, por compará-los aos que insistem em querer ser porcos, apesar de sua origem divina. Viva a esperança do Natal do Deus menino!

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O natal vem vindo devagar, vagamente

O natal vem vindo devagar, vagamente
Chega, depois de doze meses, no natal…
-Sempre, no natal

Meu desejo é que o natal se instale
Em nossos corações e permaneça
Com seu sentido pleno, completo
Desde o nascimento do Menino Jesus

Meu desejo, meus amigos*,
É que espírito de natal nos domine
De hoje até o final da galáxia
Quando finalmente começa
O outro amanhecer…

Feliz Natal, a todos vocês…
Não vou citar nenhum nome
Minha memória esconde meu afeto
E meu comportamento desafeto
Não me leva em consideração

Este natal vai embora, outro virá
No natal que vem e sempre desejo: Feliz Natal!

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Nossa Senhora Santa Mãezinha

Nossa Senhora Santa Mãezinha
neste período do ano,
quando se comemora
o nascimento de seu filho amado,
nosso irmão maior, Jesus de Nazaré,
te pedimos, Santa Mãe, olhai por nós.

Nossa Senhora Santa Mãezinha
infiltrai em nossos corações sofredores
uma gotinha de vosso amor
e que possamos sentir a alegria
de “amar do que ser amado”.

Nossa Senhora Santa Mãezinha
assopre no coração de cada um
e possamos dar ouvidos
e compreender que o presente
verdadeiro é o amor
de nós para com nós mesmos.

Nossa Senhora Santa Mãezinha
que ama a todos sem distinção
e a todo momento, cada instante
intercede por nós, te pedimos
ensinai-nos, na alegria de sermos filhos,
que poderemos um dia amar
nossos irmãos como Jesus
nos amou, ama e amará sempre.
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Este Natal sem Barba de Papai Noel

Este Natal, sinto, chegou primeiro
Mais depressa que os outros natais…

Será que é o Menino Jesus quem pede
Que andemos mais rápido,
Sejamos tolerantes, mais amigos,
Menos intransigentes com os outros?

Ou sou eu apenas, que velho,
Sem barba de Papai Noel, vejo o tempo
– apesar dos olhos fracos – doutro jeito
E chego sentir o meu tempo esvair?…

Não! O tempo está mais ligeiro e,
Creio também, Jesus tem pressa,
De que possamos encontrar
O sentido de comemorar o natal. Continue Reading

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Há Natal e Há Natais

A Glorinha Albuês

Existe, sim, um natal diferente do nosso.
Diferente de tudo aquilo que podemos apossar
com nossos olhos vorazes, dentro de uma casa
que difere de outras tantas casas de uma cidade.

(Essa diferença está na felicidade da fartura
àquele que não tem pão, o que muito tem é privação)

O natal do negro, negro, sempre negro,
por exemplo, é diferente do branco.

Como também é diferente o natal
dos que viveram das sombras nos porões
aos daqueles que sofreram suas torturas;
Embora contemporâneos não são cúmplices neste natal.

É, ainda, diferente o natal
que se levanta em duros tragos de cachaça,
em companhia do cansaço, fome, filhos e mulher,
e a certeza de que não está adiando um natal melhor;
daqueles à base de champanhe, vestindo chambre
ao lado do poder chanceler e dólares.

O natal do índio, que se tornou na marra cristão,
difere, em essência, do cidadão terno e gravata,
esquivo nos olhos, medo e avareza de ladrão.
Que outro ladrão terá 100 natais de perdão.

Como é avesso o natal das mulheres
que nunca sentem orgasmo,
foram estupradas em longínquas noites escuras
e procriam e criam como se isso fosse sina
daquelas que se perfumam e, mesmo no começo,
vivem o fim de suas vidas esposas
de uso exclusivo em serviço.

Como é diferente o natal
do homem doente ao do homem enfermo,
do homem demente ao do homem loquaz,
do homem mendigo ao homem subserviente,
do homem bandido ao do homem marginal,
do homem animal ao do homem falido…

E o natal se diferencia anualmente
em toda América Latina Operária que trabalha,
na esperança comum de um amanhã diferente,
e por que há no ventre de Maria
– concepção do amor pleno –
uma criança que vai se chamar Jesus Allende. Continue Reading

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A Paz Divina Vai Chegar, não Agora

Não temos como fugir e deixar de sermos sós
Embora queiramos parecer diferentes
Ao menos no Natal, quando se comemora
O nascimento do Menino Jesus entre nós

Queremos, todos, voltar para a pátria
Celestial, que vagamente lembramos
Quando sentimos saudades, sem saber
De que saudade estamos sentindo

Queremos que Jesus, esteja conosco,
No meio de nós, nos dando sua PAZ
De forma gratuita sem nos reformar…

Não, não é agora que teremos a paz divina
Se ainda neste momento de fraternidade
Praticamos holocaustos de aves e suínos. Continue Reading

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O Espírito de Natal chega no dia de Natal

O espírito de Natal chega perto da data de Natal
E se instala dentro da gente, mesmo sem querer,
E ficamos meio, como que bobos, desejando
A todos, independente de quem, Feliz Natal

Feliz Natal!, grita nosso coração, lá do fundo,
Para todas as pessoas deste imenso mundo
Que mal sabemos quantos bilhões somam
E, talvez por isso, sorrimos pra todos contente

Feliz porque o espírito natalino prospera
Pelo nascimento do Menino que nos espera
Com sentimento Divino que prometera…

Feliz Natal… É puro desejo que todos sentem
E por isso pedimos que ele permaneça, enfim,
Fincado perene dentro de nós pela vida eterna. Continue Reading

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A Cidade e o Natal – artigo de José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

José Antônio Lemos

     Venho do tempo em que se ensinava que a liberdade de um terminava onde começava a do outro. De lá para cá o mundo evoluiu muito, ou pelo menos se transformou e, mesmo que não quiséssemos, todos nos transformamos com ele. A vivência, a leitura, a conversa com os amigos ensinam que as melhores tendências do mundo atual apontam para uma visão de inclusão, compartilhamento e sustentabilidade. Melhor se diria hoje que a liberdade de um não mais termina, mas se complementa na liberdade do outro. Não mais a liberdade solitária, mas a liberdade solidária. Ou somos todos livres ou não somos livres.

     O Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo que veio para religar o homem a Deus, como Maomé, Buda e outras figuras grandiosas, conforme seus seguidores de fé. Aliás, a palavra “religião” vem de “religar”, expressando justamente essa “re-ligação” divina, o mais importante estágio da evolução humana, não importa o tanto que o homem ainda venha evoluir. Religado a Deus o homem começa a pensar no outro como irmão e que a felicidade está na comunhão, comum-união de todos na grande família divina. A felicidade solidária, não mais solitária. Amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas.

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A Paz Divina Vai Chegar, Porém não Agora – poema de João Bosquo

Não temos como fugir de sermos assim
embora queiramos parecer diferentes
ao menos no Natal, quando se comemora
o nascimento do Menino Jesus entre nós

Queremos, todos, voltar para a pátria
celestial, que vagamente lembramos
quando sentimos saudades, sem saber
de que saudade estamos sentindo

Queremos que Jesus, esteja conosco,
no meio de nós, nos dando sua PAZ
de forma gratuita sem nos reformar…

Não, não é agora que teremos a paz divina
se ainda neste momento de fraternidade
praticamos holocaustos de aves e suínos.

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Vamos festejar o Natal – Poema de João Bosquo

a Adir Sodré

Vamos festejar o Natal
do Menino Jesus em Cuiabá,
que veio andando, veio à tarde
que veio sem fazer alarde, aqui está

Vamos festejar com o Menino
– Não precisa tocar os sinos
será uma festa simples, pouca,
que vai durar a vida toda, não mais

Vamos festejar que é tempo…
O Menino, como todos os meninos,
está ansioso, quer comer o bolo,
chupar as frutas e beber guaraná

Vamos festejar o Natal
do Menino que veio da África,
passou por Portugal e agora está aqui
pra ser festejado no bairro do Pedregal.

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Se Jesus não tivesse nascido…

Feliz Natal, meu amigo.
Se Jesus Cristo tivesse morrido velhinho
E não na cruz como de fato aconteceu
Será que o natal seria diferente?
Será que essa vontade de morrer também
Ainda faria companhia para gente?
Quem sempre está só neste natal
Se Jesus tivesse ficado velhinho
Talvez estivesse com alguém ao lado
Para conversar, falar, rir e mentir

Feliz Natal, Ricardo

Se não estivesses aqui
E Jesus velhinho tivesse morrido
“Madona dos Páramos”, “Deus de Caim”
E o “Último Horizonte” seriam, com certeza,
Escritos numa língua diferente
– Quem sabe a germânica –
Falando duma realidade
Que não a de Mato Grosso

Feliz Natal, Dunga

Se não imaginasses Dunga
E Jesus não tivesse morrido
Da forma cruel e triste que morreu
Pregado numa cruz ao lado de ladrões
Talvez agora fosses avó,
Com netos peraltas a pedir histórias
Sobre uma Cuiabá que não existe mais

Feliz Natal, Gervane de Paula
Se não criasses artista pintor
E Jesus Cristo não estivesse na cruz
Talvez não tivesse o dom das tintas
Estarias em outras terras chupando mangas
Conversando debaixo do arco-íris
Sobre cores que pintam o universo

Feliz Natal, Montezuma
Se não escrevesse repórter-viajante
E Cristo não fosse filho de Deus
– Talvez Gutenberg não inventasse a imprensa
E os jornais não circulariam de manhã
Trazendo notícias de dois mil anos
Que insistem e se repetem todos os dias –
Sobraria tempo para inventar mais filhos

Feliz Natal, Dona Josefa
Se não fosse minha mãe
E Jesus Cristo nem tivesse nascido
Para não dar tempo de morrer na cruz
Talvez eu não estaria, agora, nesta hora
Escrevendo sobre minha vontade de ser
Carrasco de mim mesmo e tentar esquecer
Que Jesus é morto e está pregado na cruz

Feliz Natal, meus amigos
Se Jesus não tivesse nascido
Ou, melhor, nascido mulher
A memória, que tudo guarda,
E conta a história, companheiros
humanamente, seria diferente…
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O natal vem vindo devagar – poema no qual manifesto meu desejo de Feliz Natal

O natal vem vindo devagar, vagamente
Chega, depois de doze meses, no natal…
-Sempre, no natal

Meu desejo é que o natal se instale
Em nossos corações e permaneça
Com seu sentido pleno, completo
Desde o nascimento do Menino Jesus

Meu desejo, meus amigos,
É que espírito de natal nos domine
De hoje até o final da galáxia
Quando finalmente começa
O outro amanhecer…

Feliz Natal, a todos vocês…
Não vou citar nenhum nome
Minha memória esconde meu afeto
E meu comportamento desafeto
Não me leva em consideração

Este natal já chegou, outro virá
No natal que vem e sempre desejo: Feliz Natal!

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Este Natal sem Barba de Papai Noel – poema de João Bosquo

Este Natal, sinto, chegou primeiro
mais depressa que os outros natais…

Será que é o Menino Jesus quem pede
que andemos mais rápido,
sejamos tolerantes, mais amigos,
menos intransigentes com os outros?

Ou sou eu apenas, que velho,
sem barba de Papai Noel, vejo o tempo
– apesar dos olhos fracos – doutro jeito
e chego sentir o meu tempo esvair?…

Não! O tempo está mais ligeiro e,
creio também, Jesus tem pressa,
de que possamos encontrar
o sentido de comemorar o Natal…

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‘Se Jesus não tivesse nascido’, poema originalmente publicado no jornal Gazeta, lá nos anos 90

Se Jesus não tivesse nascido

Feliz Natal, meu amigo
Se Jesus de Nazaré tivesse morrido velhinho
E não na cruz como de fato aconteceu
Será que o natal seria diferente?
Será que essa vontade de não-morrer
Ainda faria companhia para gente?

Quem sempre está só neste natal
Se Jesus tivesse ficado velhinho
Talvez estivesse com alguém ao lado
Para conversar, falar, rir e mentir

Feliz Natal, Ricardo Guilherme Dicke
Se não estivesses aqui
E Jesus velhinho tivesse morrido
Madona dos Páramos”, “Deus de Caim”
E o “Último Horizonte” seriam
– ninguém tem certeza –
Escritos numa língua diferente
– Quem sabe a germânica –
Falando duma realidade
Que não a de Mato Grosso

Feliz Natal, Dunga
Se não imaginasses Dunga
E Jesus não tivesse morrido
Da forma cruel e triste que morreu
Pregado numa cruz ao lado de ladrões
Talvez agora fosses avó,
Com netos peraltas a pedir histórias
Sobre uma Cuiabá que não existe mais

Feliz Natal, Gervane de Paula
Se não criasses artista pintor
E Jesus-Cristo não estivesse na cruz
Talvez não tivesse o dom das tintas
Estarias em outras terras chupando mangas
Conversando debaixo do arco-íris
Sobre cores que pintam o universo

Feliz Natal, Montezuma
Se não escrevesses repórter-viajante
E Cristo não fosse unigênito de Deus
– Talvez Gutenberg não inventasse a imprensa
E os jornais não circulariam de manhã
Trazendo notícias de dois mil anos
Que insistem e se repetem todos os dias –
Sobraria tempo para inventar mais filhos

Feliz Natal, Dona Josefa
Se não fosses minha mãe
E Jesus Cristo nem tivesse nascido
Para não dar tempo de morrer na cruz
Talvez eu não estaria, agora, nesta hora
Escrevendo sobre minha vontade de ser
Autor de mim mesmo e tentar lembrar
Que Jesus é vivo mesmo pregado na cruz

Feliz Natal, meus amigos
Se Jesus não tivesse nascido
Ou, melhor, nascido mulher
A memória, que tudo guarda,
E conta a história, companheiros,
humanamente, seria diferente…

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‘Há natal e há natais’, um poema dos anos 80, feito a pedido da amiga Glória Albuês

Há natal e há natais

A Glorinha Albuês

Existe, sim, um Natal diferente do nosso
Diferente de tudo aquilo que podemos apossar
com nossos olhos vorazes, dentro de uma casa
e difere de outras tantas casas de uma cidade

(Essa diferença está na felicidade da fartura
àquele que não tem pão, o muito que tem é privação)

O Natal do negro, negro, sempre negro,
por exemplo, é diferente ao do branco

Como também é diferente o Natal
dos que viveram das sombras nos porões
aos daqueles que sofreram suas torturas;
embora contemporâneos
não são cúmplices neste Natal

É, ainda, diferente o Natal
que se levanta em duros tragos de cachaça
em companhia do cansaço, fome, filhos e mulher
e a certeza de não estar adiando um Natal melhor;
daqueles à base de champanhe, vestindo chambre
ao lado do poder chanceler e dólares

O Natal do índio, que se tornou cristão
difere, em essência, ao do cidadão terno e gravata
esquivo nos olhos, medo e avareza de ladrão
Que outro ladrão terá 100 Natais de perdão

Como é avesso o Natal das mulheres
que nunca sentem orgasmo,
são estupradas em longínquas noites escuras
e procriam e criam como se isso fosse sina
daquelas que se perfumam e, mesmo no começo
vivem o fim de suas vidas esposas
de uso exclusivo em serviço

Como é diferente o Natal
do homem doente ao do homem enfermo
do homem demente ao do homem loquaz
do homem mendigo ao homem subserviente
do homem bandido ao do homem marginal
do homem animal ao do homem falido…

E o Natal se diferencia anualmente
em toda América Latina operária que trabalha
na esperança comum de um amanhã diferente
e porque há no ventre de Maria
– concepção do amor pleno –
uma criança que vai se chamar Salvador Allende.

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Espírito de Natal, poema de João Bosquo

O espírito de Natal chega perto da data de Natal
E se instala dentro da gente, mesmo sem querer,
E ficamos assim, como que bobos, desejando
A todos, independente de quem, Feliz Natal

Feliz Natal!, grita nosso coração, lá do fundo,
Para todas as pessoas deste imenso mundo
Que mal sabemos quantos bilhões somam
e, mesmo assim, sorrimos pra todos, contente

Feliz porque o espírito natalino prospera
Pelo nascimento do Menino que nos espera
Com sentimento Divino que prometera…

Feliz Natal… É puro desejo que todos sentem
E por isso pedimos que ele permaneça, enfim,
Fincado perene dentro de nós pela vida eterna.

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