Lembranças Eternas – Um poema de João Bosquo

Não tenho tantas dores para contar:
Quebrei o braço, fui pro Santa Casa,
Me roubaram a namorada e chorei,
Perdi o ônibus, atrasado, perdi o emprego…

As alegrias, por inúmeras, são várias
Que não saberia contá-las
Chego tentar calcular uma centena,
Uma milhar, como aquela aposta
E passou raspando

Ser alegre não é ser feliz,
Mas momentos felizes acontecem
Assim num repente,
Como o qual quando o filho nasce,
O coração palpita ao ver o bichinho no berçário…

Outra alegria, de menos é mais,
Quando, mesmo desempregado,
Alguém nos procura, não pra socorrer,
Mas pedir ajuda que só podemos dar…

A vida tem traços, nuances,
Marcas, algumas indeléveis,
Talvez, por isso, vale a pena viver
E forçar a memória
Pras lembranças eternas.

21/10/2017
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Desmoronamento – Uma imitação de soneto de João Bosquo

O tempo, repara,
Saiu de fora pra dentro
Como uma metáfora
E ficou parado

O tempo não é singular
Não é plural
Não é coisa alguma
O tempo é tempo

Quando só, olhando os velhos
Que andam na praça
Acompanhados de suas velhas,
Não posso deixar de observar
O tempo com o tempo
Brinca e desmorona as pessoas.

><>Poema do livro “Imitações de Soneto”.

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Quando Anoitece – uma imitação de soneto

Quando tudo começa anoitecer
algumas coisas simples acontecem…
Simples porque é da natureza
e elas se realizam quando adormecem

A cidade, quando anoitece,
começa exercitar noutra dimensão
outro parâmetro, outra média visão
e os gatos voltam a empardecer

As pessoas, quando a noite chega,
ficam mais sensíveis, mais suscetíveis
mais táteis, frágeis e imperceptíveis

A noite, quando se realiza, sempre
cumpre o mesmo traçado proposto
e não deixa de ser noite na cidade.

><>O livrinho “Imitações de Soneto” continua a venda. Desejando conhecer basta entrar em contato comigo pelo messenger do facebook.com/JoaoBosquoCartola

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O Poema Que se Pede – uma imitação de soneto de João Bosquo

Veja, o poeta se mete em enrascadas
Quando pessoas pedem um poema
Ele não sabe dizer não – bem feito –
E a poesia não se assunta de emergência

O poema – mesmo de estrutura simples
Sem rimas de valor estimado
Ou de prestígio duvidoso –
Não se encontra na esquina
Tampouco se saca num caixa eletrônico
De uma agência poética plantão 24 horas

O que vale é a musa bem humorada
Morando entre a floresta e a metáfora
E proporciona um sopro de inspiração
E nos leva, mesmo sem ritmo, a estrofar versos…

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No Meio do Livro, um poema de João Bosquo

No meio do livro
encontrei o poema lido
O poema lido no meio do livro…
Não consigo lembrar os versos
mas não posso esquecer esse fato
que alterou meu ponto de vista.

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Sete Sentidos – uma imitação de soneto

Não importa o abrir e fechar de portas
é sábado e só nos resta o caminhar
sempre em frente é essa a direção
determinada, embora sob contrariedade

O abrir e fechar cancela também acelera,
repara, as batidas do pobre coração,
não importa se de poeta, agricultor
ou enfermeiro recém saído da faculdade

O piscar também obedece a essa rotina
de abrir e fechar os olhos pálidos em ver
todas as coisas do mundo que permanecem…

O peixe constante abre e fecha as guelras
ao subir e descer os rios rumo ao Pantanal
e sem perceber penetra nos sete sentidos. Continue Reading

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Antigo Mar Chacororé – Uma imitação de soneto

Aqui na Baía de Chacororé, antigo mar,
Havia – do tempo de ter – um peixe sabido
Que fugia dos anzóis e tarrafas traçadas

E ensinava – que a vida é ensinar –
Os lambaris e outros peixes menores
Como se safar das armadilhas do destino
Impostas pelo próprio rio Pantanal…

Esse peixe sabido sempre nadava
Rio abaixo com as próprias nadadeiras
Sem jamais sonhar rio acima ou asas

No trecho de ir e vir – nascer e morrer
Em águas velhas ou renovadas águas
O peixe sábio, filho, pai e avô de peixes,
Não se deixa levar pela soberba de saber.

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Desapego – Uma imitação de Soneto

Sinto, como sinto, com o passar dos anos que
Minha alma calmamente vai se desapegando
Deste corpo que, em verdade, nunca me pertenceu

O desapego do corpo não significa desprezo
Não. Tenho muito apreço por este corpo
Que me carrega para onde vou, quando vou
Sem se importar qual seja este ou aquele lugar

O corpo, repara, é um veículo, tem regras próprias
E, qual a sua lógica, desde antes mesmo de ser
Comigo dentro, elas já estão lá manipulando
A enzima mais precária ao ar que circula vermelho…

O corpo é um ciclo que se cumpre perenemente
E a alma, com o tempo, percebe melhor ao tempo
Qual o momento do desapego total e voar ao sol…
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Poesia Curta Metragem – uma imitação de soneto

Minha poesia é curta,
pouca inteligência à mostra,
poucos centímetros de um decassílabo
e sobrevive apenas uma década

A sobrevida dos versos,
no papel ecológico,
é menor ainda que na web
escritos na memória

A) do computador aposentado
B) no notebook esquecido
C) no desktop reformatado

Pois Zé, a poesia não parte…
“Stop!”, diz o poeta Silva Freire!
É a rima que se parte em sons. Continue Reading

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Uma imitação de soneto: Anjo de Cara Amarrada

Não vi o anjo de cara amarrada.
Só vi o anjo (Não era pescador)
Navegava na flor
Pelos rios do Pantanal
Os peixes seguiam
Esse anjo em sua barca rosa

As flores pantaneiras são naturais
Estruturadas em comando singelo
Triz de cor de arco-íris

O anjo reconhecia todas
Como antes de ser sementes
As flores eram semelhantes
Se refletiam brilhantes
Na face do navegante feliz. Continue Reading

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Uma imitação de soneto: Manga Madura no Quintal

O amarelo
Não é uma cor, apenas cor,
Vai além do horizonte
E acompanha o morrer do sol

O amarelo
Quando chega, de manhã cedinho,
Provoca espantos, o galo canta…
O amarelo, vê, é luz
O amarelo,
Na minha memória, é manga,
Perpitola manga madura

O amarelo
Hoje para mim, saliva
É água na boca. Continue Reading

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Uma imitação de soneto: A poesia escondida

A poesia, enquanto poesia,
Se esconde em nós
Ou se esconde de nós?

Eis a interrogação
Que se faz quando
Se olha para o azul

O azul da cor
Do céu furta-cor
Do olhar azul
Perdido na imensidão…

A poesia
Esconde-esconde
Põe o poeta à prova
Porém não corresponde. Continue Reading

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Uma imitação de soneto: Minha Poesia ao Léu

Minha poesia não é só minha.
Ela também é de quem a lê
e se sente enlevado por ela.

Sente que as palavras escritas
– desta maneira ou estilo –
é o jeito de como se usar para
dizer as mesmas coisas aqui ditas

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Gosto de falar e falo Cuiabá em poemas; hoje 8 de abril a capital verde festeja 300-2 anos de fundação

Gosto de Ser Cuiabá

Gosto de ser Cuiabá
Do gosto de peixe
Peixe de rio, frito
Ensopado e mojica

Gosto de ser Cuiabá
De ser sal da terra
De pé rachado
E caminhar à tarde

Gostar de Cuiabá
É trazer – preguiça –
Traços de verde
Correr na veia

Gostar do gosto
Que Cuiabá supera.

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Poema que de alguma forma falo Cuiabá, que hoje comemora 300-2 anos de fundação

Cuiabá, Cuiabanos e Cuiabana

Cuiabá 300-6 é contagem regressiva
Para o tricentenário da cidade verde
Ano que vem será menos cinco
E Cuiabá não para, não para, não para…

Meu coração, quando bate, não para
De ser cuiabano, de ser otimista
De acreditar que o homem cuiabense
Além de hospitaleiro é esse mesmo…

Como também é o cuiabanense
Quando olha para o sol se pondo
E lembra: amanhã é dia de fazer feira

Cuiabá caminha, calma e solene
No seu andar, morena… Antes de tudo
Melhor de tudo é o coração da cuiabana. Continue Reading

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Hoje, 8 de abril, comemora-se os 300-2 anos de fundação de Cuiabá

Cuiabá entre Leds

Andar pelas ruas da Cuiabá antiga em dias de agora
Já não trazem sentimentos, destarte ser cuiabano
Do século antigo, também conhecido como século XX,
De como quando morador daquelas outras ruas

Cuiabá, repara, pulveriza-se entre leds, lembranças
Dos velhos neons, cine poeiras e bares Atlânticos
Armazéns de secos e molhados, vendas a granel

Andar pelas ruas, sem medo de atropelamento,
É sonho que não se realiza no dia-a-dia, por do sol
Levantar cedo e caminhar pelo quintal de casa…

Que digo? O sentimento está entre vértebras
Correndo como sangue do e para o coração
Que pulsa e não desiste de bombardear
Enquanto a memória procurar reescrever: amor. Continue Reading

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Uma imitação de soneto: Minha Poesia Dramatiza

Minha poesia dramatiza
Qualquer mudança de endereço
Mudança de tempo: vento em temporal,
Mão de rua ou transformação urbana

Minha poesia se solidariza
Com o homem a passear sozinho
Viúvo guardador de lembranças
Que despedaçam o coração

Minha poesia saiu de mãos dadas
Bem humorada foi fazer um rolê
Do Passeio Público à Santa Fé

A minha poesia – repara – não é poética
Entretanto salta que salta de cabeça do lápis
Para o palco da folha de papel em branco.

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Menina de Abril – um poema de João Bosquo

Menina de abril
dia primeiro
mentira foi

Não tem pão
legumes não tem

Menina de abril
dia primeiro
mentira foi

O prato sobre a mesa
vazio se encontra
A saliva mata a sede
a forme mata a fome

Menina de abril
dia primeiro
mentira foi

Ventos não ventam
salários não aumentam

Menina de abril
tudo é mentira
Que Pedro operário
de vida melhorou
que a chuva
na lavoura choveu
que a colheita foi boa

Dia primeiro
mentira foi. Continue Reading

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Uma imitação de soneto: Os Navegantes

Quando os ingleses saíram para pescar
Os mares já estavam cheios de tubarões
De outros tubarões

Quando os espanhóis saíram para descobrir
Os mares já estavam coalhados de navios
E aí vieram os franceses Continue Reading

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Hoje é aniversário de Milena, minha neta, filha de Cessa Lenine

MILENA

Assusta, Milena
O novo ano
O novo século
O novo milênio
Chamam por você

Está tão criança
E ainda bem separou
Do cordão umbilical materno
E és chamada à nova aurora

Assusta, Milena
Abre os olhinhos
Veja teu avô criança (caduco)
Meio negro, meio índio
Que não aprendeu polonês
E aparece no gen de tua mãe

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Todos os Poemas que Busco – uma imitação de soneto de João Bosquo

Todos os poemas, os quais busco
Dentro e fora de minha alma,
Não são lidos, nem lindos, mas
Meros versos nos quais escrevo: Só

Só escrevo poemas vasculhados
Pelo sentir desembrulhados
Dos olhos abertos ao ver tudo
Inclusive o rio a só correr solene…

Os poemas são uma busca
Uma procura de sentido da vida
De um ou dois porquês e ser poeta

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Nossa Senhora de Nossas Mães, poema em homenagem ao dia das Mães

Nossa Senhora de Nossas Mães
olhai por Dona Josefa
que toda vida me teve
sempre, com bons olhos
boa intenção e boa comida

Nossa Senhora de Nossas Mães
olhai por Eunice Aparecida
que é mãe e filha
só não sei ao momento
se é mais mãe ou mais filha

Nossa Senhora de Nossas Mães
olhai por todas as mães do mundo
pelas mães escondidas
nos gestos mais duros

Olhai assim, pela mãe
de Tereza, Ninha e Dôra
embora minhas irmãs
nossa mãe em nós
não e a mesma

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