Lembranças Eternas – Um poema de João Bosquo

Não tenho tantas dores para contar: Quebrei o braço, fui pro Santa Casa, Me roubaram a namorada e chorei, Perdi o ônibus, atrasado, perdi o emprego… As alegrias, por inúmeras, são várias Que não saberia contá-las Chego tentar calcular uma centena, Uma milhar, como aquela aposta E passou raspando Ser alegre não é ser feliz, Mas momentos felizes acontecem Assim

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Manuel Bandeira: Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que

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Primeira Vez

Da primeira vez, solitário e triste, Que me vi, como num espelho, Tentei um sorriso e meio E quis enganar-me aos olhos… Da segunda vez, embora triste, Um tanto quanto solitário e só, Busquei dentro de mim Uma lenda e lembrei-me de você… Da terceira vez, solamente Quase uma semente, vi Atrás da íris quando estava Frente ao espelho –

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Sonho de Menino é Piraputanga no Anzol

Os peixes estão dormindo Embalados por sonhos úteisQue lembram antigos parentesPerdidos por outros rios… – Menino, menino, menino,Tira daí esse anzolE deixe os peixes do CuiabáSonharem em paz. Poemas de João Bosquo

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Mulheres Felizes Contagiam

para Adriana, Cláudia e Flávia Mulheres felizes contagiam o ambiente… Riem fácil, alegres, petizes nos corredores No andar de mãos dadas e cochicham Sobre tudo, sobretudo quando juntas Mulheres alegres e felizes, todos reparam, Não importam com o preço das verduras Não sabem da queda da bolsa de Chicago Dos conchavos nos parlamentos do mundoMulheres felizes não sabem conta de

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O Poema Que se Pede

para Adriana Zelaya Veja, o poeta se mete em enrascadas Quando pessoas pedem um poema Ele não sabe dizer não – bem feito – E a poesia não se assusta de emergência O poema – mesmo de estrutura simples Sem rimas de valor estimado Ou de prestígio duvidoso – Não se encontra na esquina Tampouco se saca num caixa eletrônico

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Cuiabá, cuiabanos e cuiabana

Cuiabá 300-6 é contagem regressiva Para o tricentenário da cidade verde Ano que vem será menos cinco E Cuiabá não para, não para, não para… Meu coração, enquanto bate, não para De ser cuiabano, de ser otimista De acreditar que o homem cuiabense Além de hospitaleiro é esse mesmo… Assim também é o cuiabanense Quando olha para o sol se

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A Camisa e o Abraço de Aline Romio

Tem uma camisa que me faz lembrar O abraço de Aline Romio… O abraço é uma ação que nos faz sentir Que não estamos sozinhos… O abraço não deixa Que o universo dentro de nós Exploda em novas explosões O Universo se expande O abraço, contudo, permite Que fiquemos juntos O abraço que se sente saudade Quando veste a velha

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Fora da grande área do poema

Eu nunca quiz ser volante, cabeça de área não desejei jamais jogar na defensiva como um beque desajeitado. Exclamação. Nunca me vi, sonhei ou cogitei ser beque. Em minhas visões no Dutrinha fui Bife, artilheiro, goleador, driblador até a meta, função maior de todos os cetroavantes, sem resquício de pena ou dó do zagueiro. Mas, sem talento, não cheguei a

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Quando o Sol Grita Bom Dia – poema de João Bosquo

Quando o sol, ao amanhecer, grita: Bom dia o dia amanhece em todas as partes da manhã e começa a procura pelo café preto, leite bom, pão com manteiga e conversa fiada tecelã… O dia bom, não importa se tem sol ou chuva, é pra viver a lavoura, o grão germinar na terra e frutificar, com doces alegorias, nosso coração

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Anjo de Cara Amarrada – poema de João Bosquo

Não vi o anjo de cara amarrada. Só vi o anjo (Não era pescador) Navegava na flor Pelos rios do Pantanal Os peixes seguiam Esse anjo em sua barca rosa As flores pantaneiras São naturais Estruturadas em comando singelo Triz de cor de arco-íris O anjo reconhecia todas Como de antes ser sementes As flores eram semelhantes Se mostravam brinlhantes

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A Poesia Está Além

A poesia está além do plano mental Além da matéria, das artérias Dos canais, dos sinais Do plano do planalto Além das montanhas Além da onde a vista alcança a olho nu Ou com binóculos Computadores Além, além da visão digital Desmaterializada nos confins da internet Das correntes magnéticas Dos embustes das palavras A poesia está além do papel Do

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Internamente – poema de João Bosquo

Internamente Guardo alguma coisa Que nem sei Seu preciso formato Está guardada em mim Sei, por instinto de saber… O que é, como e porquê Não digo Nem posso adivinhar Porém lá está Eternamente.

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Finalmente – poema de João Bosquo

Finalmente estou só No meio de mim mesmo Segredo sem saída… Estou só, confirmo, Sem saber Uma sílaba sequer Da linguagem do falar Internamente.

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Primeira Vez

Da primeira vez, solitário e triste, Que me vi, como num espelho, Tentei um sorriso e meio E quis enganar-me aos olhos… Da segunda vez, embora triste, Um tanto quanto solitário e só, Busquei dentro de mim Uma lenda e lembrei-me de você… Da terceira vez, solamente Quase uma semente, vi Atrás da íris quando estava Frente ao espelho –

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Como uma teoria

Como descansar no bosque, Como brincar com as crianças, Como sentir de novo a grama, Como voltar a ter esperanças? Como? – A resposta é complexa A massa caminha com pressa Depressa! Depressa! diz a voz Atroz e nem sabemos de quem é Respondemos sem familiaridade Num impulso, dentro do prazo De validade e não sermos descartes… As artes só

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De musas e Gonçalves Dias

Tristes musas tardias De um romantismo Arredio De um não-Gonçalves Dias. II Passam os anos Passam os meses Passam Gonçalves Dias E as musas não vêm.

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Minha Poesia ao Léu – poema de João Bosquo

Minha poesia não é só minha. Ela também é de quem a lê e se sente enlevado por ela. Sente que as palavras escritas (assim dessa maneira, estilo) é o jeito se queria usar para dizer os mesmos sons ali ditos Minha poesia não é só minha. Antes de me pertencer, a poesia pertence ao papel sob o qual se

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Apóstolos da palavra – poema de João Bosquo

O homem procura a si mesmo, sozinho Por uma vereda desconhecida, agora E não entra sem saída e paga ingresso O tudo que aqui sobra é o nada hoje Era luz, primavera, verão, inverno outro Outono, nenhuma outra estação era Era a estação das cruzes, do fuso horário De trocar vestimentas, homem, mulher A mulher procura a si mesma, também

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Tempo das águas – poema de João Bosquo

Antes de se chegar ao Pantanal A poesia procura o prumo das águas E tenta primá-la em palavras Fluviais, flutuantes frente ao início… Antes de iniciar a chegar a termo O tempo das águas se faz presente Num ritmo freqüente em chuvas Em pingos gotejantes como dum rio Que cai do céu para dentro de mim As gotas são tantas,

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Inteira – poema de João Bosquo

Não há poesia sozinha Poesia só sua, só minha Não há poesia daninha Poesia erva… Não há poesia serva Poesia sobremesa Não há poesia meio… Meia poesia Meio tanto estética Outro nem tanto Veio meio-a-meio Sem risco é dito: Não há poesia Anti-poética!

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Tempo certo: poema de João Bosquo

O relógio, o espaço horário do tempo certo O sol mesmo sem se pôr agora amanhece… Os homens como ovelhas correm mansos para o pasto com sinais que determinam paradas pra não dar tempo Sonhos não se concretizam lágrimas não se compram a dor não se reparte criam a solidão do só Que mesmo acompanhados nada mais são que só

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Espírito de Natal, poema de João Bosquo

O espírito de Natal chega perto da data de Natal E se instala dentro da gente, mesmo sem querer, E ficamos assim, como que bobos, desejando A todos, independente de quem, Feliz Natal Feliz Natal!, grita nosso coração, lá do fundo, Para todas as pessoas deste imenso mundo Que mal sabemos quantos bilhões somam e, mesmo assim, sorrimos pra todos,

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