Meu nojo, por Ricardo Gondim

Por Ricardo Gondim | Na noite do primeiro turno das eleições de 2018 escrevi que estava com nojo do segmento evangélico que apoiou o “coiso”. Recebi algumas mensagens de apoio e, logicamente, milhares de críticas. Não retiro uma só letra do meu tuíte. Explico:

  • Fui vítima da ditadura de 1964. Meu pai, um homem honrado, honesto, trabalhador e gentil padeceu cadeia e tortura. Ele foi preso na madrugada entre 31 de março e 1 de abril. Minha mãe, grávida de gêmeos, agonizou por meses. Resultado: uma dos bebês morreu; e os traumas perduraram por décadas. Os horrores se multiplicaram. Eu era adolescente. Me recordo, entretanto, em mínimos detalhes, o que significa viver sob censura, medo, pânico.
  • Sou cristão e não posso admitir que a mensagem bela e nobre de Jesus seja raptada por um sujeito vil, que advoga metralhar, perseguir, ou medir outras pessoas por “arrobas”. O “coiso” se coloca, diametralmente, contrário a tudo o que preguei, ensinei, vivi. Ele não cabe no evangelho que aceitei desde minha adolescência. Seu discurso é abertamente racista, abertamente misógino, abertamente preconceituoso. O ex-capitão não tem valores familiares, não possui conteúdos éticos e nunca mostrou caráter suficiente que possa defender a moral cristã.

Senti tristeza e desânimo nas véspera do primeiro turno. Minha desilusão se misturou a um enorme  desencantamento. Doeu notar que gastei meus melhores anos malhando em ferro frio. Me esforcei para ensinar, depois de muito estudo, muita oração e muita dedicação, o que entendo sobre a vida, o exemplo e a mensagem de Jesus. Vi que não consegui. A esmagadora maioria dos crentes com quem lidei a vida inteira bandeava para uma pessoa que considero asquerosa.

Estou disposto a recomeçar na vida, no ministério e na igreja em que sou pastor. Não me importo de reiniciar a partir de um punhado de pessoas. Não tenho medo da pobreza e do anonimato. Se necessário vou para as margens, para o exílio ou para as montanhas. Mas, jamais, em tempo algum, em qualquer hipótese, apoiaria o “coiso”; sequer passaria a mão na cabeça de quem o considera digno do voto.

Soli Deo Gloria

Source: Meu nojo | Ricardo Gondim

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