Atenção poetas, prosadores, jornalistas de escol, compositores e escritores acadêmicos, a AML abre inscrições para a imortalidade

A Academia Mato-Grossense de Letras elegerá novos acadêmicos

Da Assessoria | O Presidente da Academia Mato-Grossense de Letras, professor Sebastião Carlos Gomes de Carvalho, acaba de publicar Edital comunicando a abertura de inscrições para duas Cadeiras Acadêmicas.

Serão preenchidas a Cadeira 12, cujo Patrono é o poeta Antônio Cláudio Soído, tendo sido seu último ocupante o poeta e jornalista Ronaldo de Arruda Castro, e a Cadeira 36, que tem por Patrono o poeta Pedro Trouy, por ultimo ocupada pelo também poeta e professor Luís Feitosa Rodrigues.

As inscrições deverão ser feitas na sede da AML, à Av. Barão de Melgaço nº 3.869, centro, até o dia 25 de abril próximo, as segundas, terças e quartas feiras, nos horários de 08h30min às 11h30min.

Entre as condições prévias para inscrição estão a comprovação de ser mato-grossense nato ou de estar domiciliado no Estado de Mato Grosso há mais de cinco anos e a de ter publicado trabalho literário ou científico. Maiores informações serão fornecidas no local.

O Presidente da Academia se mostra entusiasmado com a procura de informações por vários interessados, sobretudo tendo-se em vista que a instituição, já com 97 anos, está preparando as comemorações relativas ao seu centenário, sendo assim, ao lado do Instituto Histórico, as instituições mais antigas do Estado.

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Sebastião Carlos: O 8 de março é uma data importante para a reflexão para debater as discriminações e violências sejam físicas, morais ou sexuais ainda sofridas pelas mulheres

Dia da Mulher: Uma Trajetória de Lutas

Por Sebastião Carlos | Todas as datas comemorativas tendem a perder no transcorrer do tempo o sentido original de sua celebração. Se não perdem de todo, seguramente elas se diluem em seu significado mais expressivo. Diferente não deixaria de ser com o Dia Internacional da Mulher, comemorado neste 8 de março. Muitas vezes o sentido festivo, aí incluído um caráter comercial, esconde a força imagética do que motivou o nascimento dessa comemoração. A verdade é que não existe uma data comemorativa importante que não tenha surgido como fruto de lutas, sacrifícios, sangue, lágrimas, e por vezes, esporádicas alegrias.

Diferentemente não foi com este Dia Internacional dedicado às mulheres, ainda que todos os dias devessem sê-lo.

Muito embora desde o fim do século XIX, mulheres operárias, sob o impulso das ideias socialistas que ganhavam campo tanto na Europa como nos Estados Unidos, começaram a se unir em torno de movimentos operários, apresentando bandeiras especificas de defesa de seus direitos pela igualdade de salários e condições de trabalho. As duras jornadas de quase 15 horas diárias de trabalho e salários insignificantes, que atingiam também muitas crianças, levaram a uma crescente manifestação, com ressentimentos acumulados desde os primórdios da Revolução Industrial. Em maio de 1908, cerca de 1500 mulheres cruzam os braços e aderem massivamente pela primeira vez a uma manifestação de trabalhadores. O Partido Socialista dos EUA promove um protesto no centro de Nova York, o maior até então havido. A greve terminou em novembro de 1909 e contribuiu para o fechamento de mais de 500 fábricas têxteis. O dia 28 de fevereiro é colocado no calendário do movimento socialista como o Dia Nacional da Mulher

No ano seguinte, é realizada em Copenhague uma Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, com representantes de 17 países, na qual se discute, além da necessidade do direito de voto feminino em diversas nações, a proposta da alemã Clara Zetkin da criação de uma data anual comemorativa das lutas femininas. Mas um marco decisivo para a luta feminista no mundo é fruto de uma tragédia. No dia 25 de março de 1911, uma indústria têxtil de Nova York, por suas péssimas condições de instalações, pega fogo, e no incêndio morreram carbonizadas mais de 100 operárias. Esse fato trágico marcaria a trajetória das lutas operárias pelas décadas seguintes. Protestos eclodem em todo o mundo. Em 8 de março de 1917, [23 de fevereiro no antigo calendário Juliano] mulheres russas, sob o lema “Pão e Paz”, organizam em Moscou uma manifestação gigantesca contra o Czar Nicolau II, lutando contra as más condições de trabalho, exigindo comida e liberdade e criticando a participação da Rússia na Guerra Mundial [1914 – 1918]. O movimento é brutalmente reprimido, com dezenas de mortos, e tem imediata repercussão interna e no exterior.

Em nosso país, as manifestações em prol dos direitos das mulheres surgem nos primeiros anos do século passado, em meio aos sindicatos, jornais e grupos anarquistas, sobretudo em São Paulo. O tema era o mesmo: melhores condições de trabalho e de salários. Os movimentos revolucionários que eclodiram nas décadas seguintes dão mais um tema para a luta das mulheres: o direito ao voto. E esse objetivo seria alcançado na Constituição, outorgada por Getúlio Vargas, em 1932.

A grande manifestação das mulheres russas, dada a sua magnitude e a influência dos sindicatos socialistas na Europa, passou, em 1921, a ser considerada pelos meios operários como o Dia Internacional da Mulher. Mas foi só 24 anos mais tarde, que a ONU a tornou oficial e o primeiro acordo internacional, afirmando princípios de igualdade social, política e econômica entre homens e mulheres, foi firmado.

A década de 1960 foi, por assim, dizer os “anos de ouro” do movimento feminista. As reivindicações se alargam para além do campo trabalhista, para lutar por direitos nas áreas do comportamento e costumes, com um lema empolgante, o do direito de “a mulher ser dona de seu próprio corpo”. O ano de 1975 marca a primeira comemoração oficial do Ano Internacional da Mulher. No Brasil, o estado de São Paulo esteve na frente do reconhecimento dos direitos femininos como, por exemplo, quando cria, em 1982, o Conselho Estadual da Condição Feminina e, em 1985, com o surgimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Neste contexto, o 8 de março, embora com todas as conquistas e avanços legais e sociais é uma data importante para a reflexão para debater as discriminações e violências sejam físicas, morais ou sexuais ainda sofridas pelas mulheres.

Para encerrar, é preciso ressaltar que, em cada país e em cada época, existiram mulheres que estiveram à frente de seu tempo, embora lutando contra dificuldades e obstáculos hoje inimagináveis. Algumas se destacaram em movimentos que contribuíram para mudar o mundo em que viviam. Algumas se tornaram ícones de seu tempo. Hoje, nem sempre lembradas e celebradas. Lamentavelmente. Enumerar essas figuras será sempre correr o risco de estar deixando uma lacuna. Mas, o leitor e a leitora certamente me ajudará a completar esse painel honroso. Para ficarmos em fato mais recente, como não nos lembrarmos de uma costureira que se tornou o símbolo do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos ao se recusar, em 1955, a ceder seu lugar num ônibus a um branco. Isso, no Estado do Alabama, era contrariar a lei. No entanto, Rosa Louise McCauley, que se tornou conhecida como Rosa Parks, desafiou a lei e seu inusitado ato de resistência resultou na sua prisão, sendo o estopim para varias manifestações violentas. Foi o inicio da luta antissegregacionista. É claro que ela sofreu as duras consequências do ato, recebendo ameaças de morte e tendo enormes dificuldades em conseguir emprego. Posteriormente receberia o apoio de Luther King e durante todos os anos 60 teve destacada participação politica. Faleceu em 2005.

No Brasil, existe uma enorme plêiade de mulheres bravas, de fibra e destemidas que marcaram época e estiveram à frente de seu tempo. Para mim, uma das maiores foi certamente Bárbara Heliodora [1759 – 1819]. Culta, é tida como a primeira poeta brasileira, foi casada com o também poeta Alvarenga Peixoto. Mãe solteira, numa época em que isto era um grave desafio à sociedade e à Igreja, e mesmo depois de casada fez questão de manter o nome de solteira, outro desafio. Quando foi descoberta a Inconfidência Mineira, na qual teve participação ao lado do marido, que, em determinado momento quis se afastar do movimento, e por ela foi convencido do contrário, Bárbara enfrentou com dignidade todos os percalços de ser casada com um conjurado que, em 1789, foi preso em São João Del Rey e levado para o Rio de Janeiro e de lá degredado para a África, de onde nunca mais voltaria. Bárbara Heliodora nunca deixou de sofrer perseguições do governo, que lhe criava todos os tipos de dificuldades. Nem assim, se dobrou.

Há outros exemplos; claro que há. Mas agora vamos a algumas curiosidades. A primeira mulher eleita no Brasil, e na América Latina, foi Luíza Alzira Soriano Teixeira. Viúva, em 1928, aos 32 anos, disputou pelo Partido Republicano as eleições para a prefeitura de Lajes, município do Rio Grande do Norte. Venceu com 60% dos votos e tomou posse em 1º de janeiro de 1929. O curioso é que nessa época as mulheres não tinham direito ao voto. O que só conseguiriam em 1932. Em 1934, a médica paulista Carlota Pereira de Queiroz foi eleita para a Assembleia Constituinte, sendo a primeira mulher deputada federal. O Rio Grande do Norte foi também o primeiro a eleger uma deputada estadual, a professora Maria do Céu Pereira Fernandes, eleita em 1934. Outra grande liderança feminina tentou a eleição pelo Distrito Federal, ficando como suplente e só assumindo em 1936 com a morte do titular. Trata-se da cientista Bertha Lutz, que se tornaria conhecida como a maior líder na luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras. Formada em biologia na Sorbonne, onde participou de movimentos feministas que então surgiam, teve uma destacada atuação como cientista e politica. Em 1918, ao ingressar por concurso público no Museu Nacional, foi a segunda mulher a entrar no serviço público brasileiro. Em 1919, seria uma das fundadoras da Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino – FBPF.

Em Mato Grosso a primeira deputada estadual foi Oliva Enciso, eleita em 1958, pela UDN, e a primeira prefeita, Sarita Baracat, eleita em 1966, pela ARENA, para a prefeitura de Várzea Grande.

Enfim, as mulheres com determinação e fibra, despojamento e dedicação estão realizando o que uma de nossas grandes poetas contemporâneas, Cora Coralina, predisse:

Eu sou aquela mulher
que fez a escalada da montanha da vida
removendo pedras
e plantando flores.

Essas merecem que celebremos o Dia Internacional das Mulheres.

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Breve [e oportuna] lição da História – Por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos | A vida política costuma ser um mar de decepções. Mas igualmente pode trazer ensinamentos.

A África do Sul é agora o último exemplo. A sociedade multirracial lá hoje existente é fruto da liderança tenaz de um homem invejavelmente corajoso. Nelson Mandela [18/07/18 – 05/12/13], que passou mais de três décadas preso, pelo “crime de consciência”, desejou construir uma pátria moderna, democrática e isenta da corrupção. Com a renúncia forçada pelo Parlamento do até então prestigiado presidente Jacob Zuma, um fiel discípulo seu, ocorrida ontem, sob pesadas acusações de corrupção, de incompetência e de malversação de bens públicos, o grande líder deve estar dando voltas no túmulo. Que legado inglório. Que traição a ideais tão longamente acalentados por gerações inteiras que morreram sob tortura nas masmorras do regime do apartheid? Que tisnaram de sangue as vielas das favelas de Johanesburgo, do Cabo, de Pretória? Tanto esforço, tantas esperanças. O antigo camponês, que foi igualmente figura importante na luta antissegregacionista, preso por dez anos e que passou mais de quinze anos no exílio, vice-presidente de Mandela e depois seu sucessor, a partir de maio de 2009, desandou totalmente quando assumiu o poder. Está sendo alvo de mais de 800 acusações que vão de investigações sobre corrupção ao favorecimento a empresários com concessões públicas milionárias. Foi forçado a renunciar por seu majoritário partido, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), e se não o fizesse esta semana mesmo sofreria um rápido processo de impeachment. Como, aliás, ocorre nos países que se querem democráticos. Não houve movimentos organizados que foram às ruas para defendê-lo. Não houve acusações de que havia um “golpe em andamento”. Sinal de amadurecimento político, de respeito e confiança nas instituições ou simplesmente descaso? O fato é que ninguém se atreveu a apoiá-lo. No entanto, a bem da verdade é preciso fazer um registro: pelo menos em sua ultima fala, em cadeia nacional de rádio e TV, foi honesto o suficiente para dizer que tinha que aceitar que “se meu partido e meus compatriotas desejam que eu saia, eles têm que exercer esse direito e fazer isso da maneira prescrita na Constituição“.

Ou seja, pelo menos por lá, ninguém ousou dizer que houve um “golpe”. Não que ele não tivesse sido eleito democraticamente, não que seu partido não tivesse maioria no Parlamento. Democracia é isso: respeito às leis e às instituições. Nesse ponto o grande Nelson deixou um legado vitorioso.

É oportuno lembrar que na Polônia ocorreu o mesmo. O Sindicato Solidariedade, originalmente formado por metalúrgicos, liderou a luta contra o governo autoritário. Vários de seus membros foram presos, torturados e exilados. Após a derrocada do regime comunista, seu líder, o operário Lech Walesa [Prêmio Nobel da Paz em 1983], foi eleito presidente para o período de 1990 a 1995. Deu impulsos a mudanças profundas na vida política, econômica e cultural polonesa, contribuindo para a transição política de um regime socialista governado por um partido único a uma economia de mercado nos moldes dos países da Europa ocidental. Todavia, tempos depois, acusações de corrupção e de incompetência administrativa, o tiraria do poder [também lá não houve acusações de “golpe” ou de ingratidão do povo] e Walesa, o então “respeitado e heroico” líder, e verdadeiramente o havia sido, seria levado ao ostracismo. Nos anos seguintes, o poderoso Solidariedade, que havia tido nos áureos tempos mais de 10 milhões de filiados, foi definhando para hoje não ter mais que alguns poucos milhares de seguidores. Nele não permaneceu nenhuma liderança importante, com capacidade para reerguê-lo. Os poloneses não lamentaram. Não tentaram armar nenhuma resistência ao poder constituído. O Estado de Direito estava fortalecido. E o país segue normalmente sua rota.

Haveria outros casos assemelhados? Claro que sim. Mas todos se encaixam conforme espelhou o gênio de N. Maquiavel: “Uma república sem cidadãos de boa reputação não pode existir nem ser bem governada; por outro lado, a reputação dos cidadãos é motivo de tirania das repúblicas”. Que pode muito bem ser complementada por esta outra: “O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta”.

Os exemplos servem para quê?

Para encerrar, voltemos a Mandela: “Perigos e dificuldade não nos travaram no passado e não nos assustarão agora, mas devemos preparar-nos para eles, como homens determinados quanto ao que pretendem e que não perdem tempo com conversas vãs e inação.”

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Sebastião Carlos Gomes de Carvalho é advogado e historiador. Publicou, entre outros, “Viagens ao Extremo Oeste – Desbravadores, aventureiros e cientistas nos caminhos de Mato Grosso” e “Perfis Mato-Grossenses”.

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Teatro de Mato Grosso nunca mais será o mesmo sem Luiz Carlos Ribeiro

Morte do mítico ator de Rio Abaixo, Rio Acima, de Gloria Albuês, está sendo chorada por seus amigos, colegas e admiradores

Por João Bosquo | Luiz Carlos Ribeiro não está mais em carne e osso entre nós, no entanto permanece, pois permanecer é a sina de todo grande artista, na memória coletiva de sua gente de seus amigos, afetos e – porque não – desafetos. Permanece na lembrança de cada cena, na sutileza do gesto teatral, do olhar e jeito de ver o teatro como instrumento de sensibilização da alma de um povo, de uma gente, de uma comunidade, de um estado, de um país. “Fica, Pedro!”, escrito em parceria com Flávio Ferreira, tem muito disso, do pulsar de denuncia social que toda grande obra deve ter.

Neste tributo a Luiz Carlos Ribeiro o olhar de cada um é um olhar particular, pessoal, daquilo que conseguimos enxergar num dado momento de nossas vidas e, por isso mesmo, o que mais amamos, sem que ninguém esteja certo absolutamente, mas ninguém está errado, pois não conseguimos absorver a humanidade em sua integridade. Bem como o pensar a cultura, o nosso bem maior.

Ivan Belém, ator e ativista, um dos criadores do Gambiarra: Luiz foi um dos principais líderes do movimento teatral organizado de Mato Grosso, atuando de forma a questionar as questões políticas e sociais e combater a ditadura militar. Ele tinha um escritório no calçadão de baixo. Era ali que nós artistas nos reuníamos frequentemente. Tinha uma preocupação com a nossa identidade e com a ocupação desordenada de nosso território. Protestava contra a indústria cultural, e contra a ideia da arte pela arte. Atuou muito na interiorização do teatro e na luta por uma dramaturgia que bebesse nas fontes da cultura popular mato-grossense, valorizando o siriri, o cururu, o Boi-à-Serra. Tudo isso fruto das suas origens em Santo Antônio de Leverger. Com isso, popularizou o teatro e deu à ele uma cara e um conteúdo local. Foi um dos autores mais escreveu peças para o Grupo Gambiarra, e para a dupla Liu Arruda e Ivan Belém. Em novembro do ano passado estreei uma remontagem da sua peça “Vespa 7”, à qual ele assistiu e saiu muito feliz com o que viu. Deixou um grande legado e uma grande quantidade de textos teatrais inéditos. Nós artistas e o povo mato-grossense, devemos muito a ele. Enfim, Luiz Carlos Ribeiro foi imprescindível”!

Clóvis Matos, do Inclusão Literária, afirma que “Luiz Carlos Ribeiro foi uma das poucas pessoas que todos chamavam pelo nome todo. Nome forte, marcante, como foram suas vidas, o homem e o criador. Bom e velho companheiro de algumas andanças com o Inclusão Literária pelas estradas desta nossa terra, onde o Mato é Grosso, mas, sua gente é sensível e criativa como o foi LUIZ CARLOS RIBEIRO”

O ator e comunicador Vital Siqueira reconhece que “Luiz é ilustre brasileiro que nasceu em Santo Antônio de Leverger e já brilhava desde criança. Estudou, desenvolveu o dom que Deus lhe deu. Se lapidou nos trilhos árduo do mundo artístico. Deixou um rico legado e foi brilhar em outras “Ribaltas”. A sua passagem telúrica ficou marcada! Vá em PAZ AMIGO!”.

Entre tantos trabalhos de mão dupla, idas e vindas, o Homem do Barranco, o poema dramático de Carlos Roberto Ferreira, está entre eles. Os dois no palco em diálogo, quando do retorno de Carlinhos aos palcos e agora nos revela que “Luiz Carlos Ribeiro é o ator mais pantaneiro do Mar de Xaraés. Luiz Carlos Ribeiro deixa o cerrado, pra viver eternamente no mundo do Pantanal. Advogado, Ator, Dramaturgo, Contador de causos e histórias, filho do Morro de Santo Antônio de Leverger, Luiz Carlos nos aplaude em pé, diante da ÚLTIMA CENA. O teatro e a cultura mato-grossense estão em luto. Mas as águas do Pantanal estão mais claras e mais brilhantes com o seu mais novo Embaixador Pantaneiro”.

Meire Pedroso, colega de palco e amiga e irmã na tradição cuiabana: “Eu passei pela vida de Luiz Ribeiro encantada pelo seu jeito de fazer teatro e por suas narrativas míticas. Em ‘Goodbay meu boizinho’ de sua autoria, guiada por sua sabedoria, eu reencontrei minhas raízes e retomei meu lugar no palco do Teatro cuiabano. A trajetória de Luiz cruza com a história dessa cidade e de seres da arte que nela habitam. Aqui, ele construiu personagens usando a emoção e a razão, contando causos pra espantar o medo do coração em tempos sombrios. Espero que os gestores de cultura saibam reverenciar com grandeza a sua importância para a memória cultural dessa Cuiabá e do Estado. Agora, resta pra nós, aprendizes de sua arte, puxar o mocho e prosear sobre as outras trezentas histórias dessa terra que já existia muito antes de Paschoal, muito antes de Sutil. Bem assim, como ele ensinou. E lá se foi… Quem conta um conto, aumenta um ponto”.

Lucia Palma, a nossa Cacilda Becker, que atuou junto com Luiz Carlos Ribeiro na mítica “Rio Abaixo, Rio Acima”, e ultimamente nos “Crônicos”, uma trupe de arte e humor, idealizada pela poeta Marília Beatriz de Figueiredo Leite. Em nossa conversa por WhatsApp, Lucia Palma diz que agora fica “matunano” em querer saber “quem me irá trazer aquelas mangas Rosa perpitas, do seu quintal? Apanhadas a mão cor você, Luiz? Não mais as longas conversas telefônicas três vezes ao dia, trocando ideias de artes, lembrando outras que fizemos no transcurso dos nossos longos anos de amizade. O ouvidor das minhas histórias, as últimas sobre um velório que fui e ele se esbaldava de rir e repetia: escreve Lúcia, escreve! As brigas eternas sobre qualquer bobagem, ficamos de mal: ‘Belém-Belém, nunca mais fico de bem’, como duas eternas crianças brincando de viver. Foi um prazer enorme Luiz Carlos Ribeiro, compartilhar tantas histórias, tantas vidas com você! Inté”.

E Marília Beatriz recita: “Luiz Carlos Ribeiro, expoente de nossa arte/cultura, mão doce para a colheita e justa para os desatinos escuta: o que você deixa é legado que como ressaltou Professor Dorileo ‘é difícil de aqui garimpar’ A estrada que ficou com a febre urgente de ganhar o fato cultural com suas idas e vindas na cena ou nas aulas ministradas ou nos sonhos, deve ser a bandeira que será conduzida.  Mas chegou sua hora concedida para o silêncio e à beatitude. Sobe os degraus é empurra a porta. Daqui para frente não tem que esperar incentivo de nada, agora tudo será amplidão e contemplação da VIA LÁCTEA, AMADO PARCEIRO”.

O poeta Aclyse Mattos diz que ficou “muito triste com a perda do grande Luiz Carlos Ribeiro!” e ao mesmo tempo lembra do último encontro, em 7 de dezembro, num evento literário na terra natal de Luiz Carlos Ribeiro. “Quando estivemos em Santo Antônio ele contou com orgulho do início no Teatro naquele mesmo palco. E na abertura da exposição Manoel de Barros nos brindou com um show de poesia acompanhado pelo Pescuma. O Teatro e as Artes de Mato Grosso devem muito a ele!”

A professora de dança Maria Hercília Panosso: “A princípio nossos caminhos eram paralelos. Foi uma longa jornada para que me chamasse de “Diva Madrinha”, neste ano que se passou. Emocionada agradeci e você me respondeu: ‘pela sua generosidade Maria Hercília’. Luiz Carlos Ribeiro. Esta sua ausência tão inesperada pegou-nos de surpresa e levou-me a reflexão de que não ha espaço e tempo no coração de nós, artistas. Somos o que somos e o que representamos em cena ou pela vida afora. A peça tanto queria, com certeza ira acontecer agora. Grande homem! Grande Mestre! Grande Amigo. Te sinto ao meu lado e assim, permaneceras”.

Carlos Gattass, o Carlão dos Bonecos, conta que tinha recém chegado em Cuiabá, no início da década de 80, e estava hospedado num dormitório, por nome Iporã, que fica na região central. Nesse mesmo hotel também estava hospedado Amauri Tangará. Os dois não se conheciam, não se falavam, nem davam bom dia. Bem, nesse período, no Colégio Estadual Liceu Cuiabano, estava sendo encenada a peça “Rio Abaixo, Rio Acima”.  Carlão conta que foi até lá pra assistir ao teatro. Antes, porém passou no Bar do Sinfrônio, que ficava de fronte do colégio. Lá estavam dois jovens senhores conversando sobre teatro. Um deles era o hóspede da pensão Iporã e o outro era o protagonista da peça: Luiz Carlos Ribeiro. “Comecei no teatro pelas mãos de Amauri Tangará, ao mesmo tempo conheci LCR”, destaca.

O escritor e acadêmico Eduardo Mahon, além do pesar pelo passamento artista, já está em luta contra a segunda morte, a do esquecimento. “Morreu Luiz Carlos Ribeiro. Mas, aqui em Cuiabá, é possível que o nosso grande teatrólogo morra uma segunda vez. Ou ainda, cumprindo o vaticínio de Estevão de Mendonça, morra para sempre. É que Luiz Carlos legou literatura e teatro para seu Estado. Importa agora saber como vamos honrar a produção de um dos maiores dramaturgos de Mato Grosso. Será lido? Será encenado? Por essas e outras, quero relembrar nossa batalha de incluir no curriculum escolar da rede pública de ensino a literatura produzida por nossos autores. Somente assim, não perderemos Luiz Carlos e tantos outros artistas que viverão em nossos sonhos, ajudando essa nova e trôpega civilização tão carente da luz que emanam”.

Sandro Lucose nos conta a sua última com o colega de arte: “Luiz sempre foi um ator maduro que sempre gostei de ver em cena e de conversar. Tive o privilégio de contracenar com ele em no filme “Khora”, direção de Duflair Barradas, que ainda será lançado. Nesse filme Luiz interpreta brilhantemente um cidadão Cuiabano que fica desnorteado com a verticalização da capital mato-grossense e não sabe que o estádio do Verdão foi demolido. Luiz fez comigo uma cena que é um plano sequência de atropelamento. Nunca mais esquecerei deste dia de filmagem e o que é melhor será eternizado pelo cinema mato-grossense”.

O jornalista e produtor, Luiz Marchetti: Muito do que ha em Mato Grosso, nos teatros, filmes e textos, tem um pouco do respeito conquistado por ele. Desde guri, em Cuiabá, eu acompanho Luiz Carlos Ribeiro como referencia essencial nas nossas artes. Como filho da atriz Wanda Marchetti, cresci aplaudindo Luiz Carlos em pé. Tive a sorte de bate papos incríveis e a eterna gratidão de dirigi-lo nos mais diferentes formatos, apresentações teatrais, vídeos, performances e mais recentemente no filme BALA PERDIDA, da dupla NICO E LAU. Um HOMEM DE TEATRO que por onde andou, plantou confiança e crença no/s artista/s ao lado. Nesta sociedade onde migalhas são atiradas para a indústria criativa, muitos artistas acabam se especializando no engalfinhar, no desdenhar do próximo pra se manter respirando, LUIZ CARLOS RIBEIRO foi impecável, sendo agregador, apaziguador e criativo.

O compositor e cantor Pescuma, que trabalhou junto na abertura da exposição sobre Manuel de Barros, escreve em música “um poeta não morre. Já nasce imortal! Principalmente se recebe de Deus alma linda igual o Pantanal” e por fim confessa “Pude conviver com o amigo, irmão e mestre das artes Luiz Carlos Ribeiro na vida e nos palcos. Um exemplo de ser humano e de artista: Generoso, sábio, apaixonado pela cultura de nossa terra”.

O presidente da Academia Mato-grossense de Letras, Sebastião Carlos, em manifestação nas redes sociais diz que “Pode ser um lugar comum, mas não há como deixar de repeti-lo num instante de lamento. O passamento de Luiz Carlos Ribeiro causa um vácuo em nossa escassa história do teatro em Mato Grosso”.

Raimundo Henrique, técnico em turismo e de assuntos culturais, na Casa da Cultura, sob Therezinha Arruda, hoje morando no Piauí, diz que “são tantas as lembranças que no momento, quilômetros distantes, aqui no planeta terra, nesta noite de 12 de janeiro de 2018, fitando no espaço infinito uma estrela distante, brilhando, para ela aceno, digo: “sempre foste uma estrela, estavas desgarrado, felicidade amigo, nos ilumine como sempre ocorreu”.

Flávio Ferreira nos descreve, enfim, a Cena Final: “A GRANDE VIAGEM DE LUIZ CARLOS RIBEIRO – Luiz foi meu professor de teatro e de vida! Em rio abaixo, rio acima me apaixonei pela sua linguagem simples e bela. Com Luiz aprendi a dirigir, a escrever e a sonhar. Juntos escrevemos “Fica, Pedro!” Juntos sonhamos com um teatro rebelde, generoso e forte! Ficou um pouco do Luiz em mim e no Cena Onze. E Luiz pegou sua mala de fugir e viajou! Adeus amigo querido. Que o Mestre Jesus o acolha!”

(Texto modificado em 17/01/18)

 

Vai Luiz

Carlos Roberto Ferreira

Vai Luiz Carlos Ribeiro

Vai Dginho

Vai amigo-irmão-camarada de todas as horas

Atravesse as águas do Pantanal

Junte-se ao nosso Demiurgo Embaixador das Coisas do

Chão, Manoel de Barros

E gritem bem alto: que “o Pantanal não tem limites”!

Até logo, companheiro

Até então…

Adiante com o remo

Até mais tarde, talvez

Até um dia, quem sabe

Mas não teremos um ADEUS

Pois as cortinas do teatro, pra você, nunca estarão fechadas

Os aplausos serão e t e r n o s!

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Neurozito lança seu segundo livro que fala da década de 60 em Cuiabá

A Casa Barão de Melgaço abriu suas portas, nesta terça, 12, para o lançamento do livro “A música na década dos conflitos – A sina de um músico e a trajetória de uma banda”, de Neurozito, no qual ele – que foi um dos integrantes da lendária banda “Jacildo e Seus Rapazes”, narra um pouco de sua vida, a chegada dos rapazes em Cuiabá e a inserção desses acontecimentos no contexto regional, nacional e até mesmo internacional, “enquanto a capital de ares provincianos vivia uma espécie de isolamento em transe”.
O ator, produtor, escritor e diretor Justino Astrevo, o Lau da dupla Nico & Lau, foi um dos que entrou na fila para comprar e pegar o autógrafo, nem bem tinha passado os olhos pelo livro, lembrou que os anos 60 e 70 narrados no livro, são aqueles da época áurea do rock’n’roll. “O rock sempre foi uma música de atitude social, que fez um movimento importante na música internacional e o Brasil vivia um combate interno”, anlisa.
O cantor e compositor Dilson D’Oliveira, 59 anos, autor de músicas de carnaval e rasqueados de sucesso, conta que não chegou a conhecer os rapazes de perto, mas de ouvir falar e ouvir o LP “Lenha – Brasa e Bronca” constatou que o conjunto “tinha a mesma pegada dos Incríveis”. “É um livro importante porque resgata a história dessa banda e ao mesmo tempo que fala das grandes boates”.
O cantor, compositor e pesquisador Guapo, lembra que a década dos conflitos não era apenas aqueles narrados pelo autor, mas também os conflitos internos dentro da mundo musical brasileiro, de um lado a bossa nova, o acústico, e do outro a guitarra.
O poeta, letrista e membro da Academia Mato-grossense de Letras (AML), Moisés Martins, disse que “Neurozito escreve um livro que mexe com as emoções”. Ele comenta que chegou a assistir aos shows de “Jacildo e Seus Rapazes”, no antigo Cine Tropical, que na época foi considerado um dos cinemas mais bacanas do Brasil.
Sebastião Carlos Gomes de Carvalho, poeta, escritor e ensaísta, presidente da AML, saudou o autor do livro e “da oportunidade para ajudar a dar força as expressões musicais e também a história local e regional”. Sebastião Carlos lembra que “mais importante que a cultura de soja, a cultura que vai ficar é as artes, a literatura, a poesia e a música”.
O saxofonista do grupo, João Batista de Jesus, o nosso querido Mestre Bolinha que em sua fala disse que “estava sonhando, pois foi uma época importante da minha vida”.
Neurozito diz que buscou fazer “uma revisão da época áurea da Jovem Guarda.” Ele afirma ainda que partiu do geral para o particular. “A partir dos grandes eventos mundiais, nacionais e os locais, relacionando-os à música e ao nosso dia a dia. A falta de informação geopolítica mundial em Cuiabá dificultava a compreensão do mundo. Essa situação deixava a população à mercê de suas próprias condições o que obrigava a criar seu próprio estilo de vida.”
Presentes ainda a cantora Vera Capilé, Julio Coutinho, Caio Matoso, o poeta Eduardo Ferreira, Waldir Bertulio entre outros.

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Sebastião Carlos assume a presidência da AML em substituição a Marília Beatriz

Historiador volta à presidência pela terceira vez e noitada na Casa Barão serviu para revelar a arte da pequena Áurea Maria

Aurea Maria a jovem estrela na posse de Sebastião Carlos

Por João Bosquo | A posse de Sebastião Carlos Gomes de Carvalho na presidência da Academia Mato-grossense de Letras (AML) já tem um marco. A revelação da voz e do carisma da jovem – joveníssima – cantora Aurea Maria Barbosa Monteiro, de apenas 13 anos, que encantou a todos e marcou a noite.

Foram apenas duas, tão somente duas, canções uma de João Bosco e Aldir Blanc, o clássico “O Bêbado e o Equilibrista”, e outro clássico “Como Nossos Pais”, do recentemente falecido Belchior, que marcam momentos de excelência de nossa MPB e também marcam épocas na vida de nosso País. Foram dois momentos, mas quando a jovem talento terminou de cantar e o público pediu outra, era um sinal que o público ficou realmente extasiado.

A troca de presidentes da mais venerada casa de letras de Mato Grosso, a AML, aconteceu na noite desta terça-feira, 31. Deixou o comando a acadêmica Marilia Beatriz de Figueiredo Leite que, em seu discurso de despedida, fez um breve relato de sua gestão – que, segundo ela, foi bastante prejudicada pela ‘interminááááável’ reforma ou revitalização da Casa Barão de Melgaço.

Lembrou que a sua posse – dois anos atrás – nada mais, nada menos, contou com a presença do poeta goiano Gilberto Mendonça Teles, famoso pela exegese na obra de Drummond, e a inesperada aparição de Wladimir Dias-Pino – ambos se encontravam em Cuiabá participando do Setembro Freire. Falou da primeira reunião, ainda na Casa Barão e depois o périplo cuiabano, com destaque para uma realizada na Confeitaria Colombo.

Lembrou também – por conta da não entrega da obra – do protesto que alguns acadêmicos e jornalistas fizeram pichando os tapumes com versos. Até Ianara Garcia, da Globo local, neste dia fez-se poeta. Disse, não lembro, que uma viatura apareceu… Citou as comemorações do centenário de Gervásio Leite e a comemoração dos 95 anos da AML, no Palácio da Instrução, os dois eventos em 2016. Falou-se também da notificação extrajudicial que não resultou em nada, pois a Casa Barão de Melgaço só foi entregue pela atual gestão municipal, depois da intervenção do secretário Francisco Vuolo, da Cultura, que acertou os pormenores. E por derradeiro citou a instalação da Biblioteca “Therezinha de Jesus Arruda”, inaugurada no sábado, dia 28 de outubro.

O novo presidente abre o seu discurso falando do “Casarão de Barão de Melgaço” bicentenário, no qual se reunem vozes em defesa da soberania do solo pátrio, como também da cultura, da beleza da poesia e falou do grande legado de Augusto de Leveger, o nosso Barão de Melgaço, que hoje empresta o nome à casa.

Sebastião Carlos resgatou seu passado de militante político e fez uma dura crítica ao momento político que o país sobrevive ao citar nomes de acadêmicos que fizeram a história da entidade naquela casa – Dom Aquino Corrêa, José Barnabé de Mesquita, Lenine Póvoas, Clóvis de Mello, Silva Freire, Rubens de Mendonça, Maria Muller, Dunga Rodrigues, Estevão de Mendonça, Virgílio Corrêa… (devo ter omitido alguns nomes, não o acadêmico) e fez referência a um membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, um dos nomes de um dos nossos mais importantes heróis nacionais que é Cândido Mariano da Silva Rondon.

Carlos Gomes ressaltou, contudo, dando a coloração política, que esses notáveis não podem ser recordados apenas como referências de estudos, pesquisas, mas também como “luz, como uma importante faceta, nesta hora triste, sombria, vergonhosa que a pátria atravessa. Os exemplos de homens públicos são raros e se escasseiam a olhos vistos e a ética é destroçada em praça pública, a verdade humilhada, a virtude desprezada e o patriotismo tratado de modo vi. Esses mato-grossenses devem ser recordados e engrandecidos como exemplos de cidadania”. Faltou apenas, na boca do novo presidente, um FORA TEMER para arrematar com chave de honra o apaixonado pronunciamento.

Citou, como não podia deixar de citar, o trabalho de sua passagem anterior pela presidência da AML, a edição da Coleção Obras Raras de Mato Grosso que reúne obras literárias (romances, contos e poesias) publicadas entre os anos de 1917 e a década de setenta. Ele lembrou que, ao entregar essa coleção de livros na Biblioteca Nacional, um dos diretores comentou que seria importante para a cultura brasileira se, em cada um dos estados brasileiros, tivesse uma coleção como essa. São livros que se encontravam esgotados e esquecidos – incluindo aí o primeiro romance publicado por um autor nascido em Mato Grosso – e que, por sua importância para a história literária regional, foram reeditados a partir de 2008.

Uma falha imperdoável não poderíamos deixar de registrar, porém. Por que a leitura de correspondência de congratulações naquele momento de festa? Se a leitura, no nosso modesto modo de ver, não cabia a que se referia aos “mato-grossenses do NORTE”, menos ainda, já que não existe um Mato Grosso do Norte.

Presentes os acadêmicos Pedro Dorileo, Lucinda Persona, Tertuliano Amarilha, Moisés Martins, Nilza Queiroz, Elizabeth Madureira, Ubiratã Nascentes, José Carrara, Louremberg Alves, Eduardo Mahon, Fernando Tadeu, Ivens Scaff, Agnaldo Silva, João Vicente, Cristina Campos, Olga Castrillon e Luciene Carvalho.

O ativo secretário de Cultura de Cuiabá, Francisco Vuolo, compôs a mesa. Na distinta plateia juiz Antônio Pereira, os juristas Elarmin Miranda e Fábio Capilé, o advogado Renato Nery, o performático Neneto Sá, a ex-primeira dama do Estado, Maria Lygia Borges Garcia, acompanhada de seu filho o empresário Carlos Antonio, o juiz Jamilson Haddad, e o secretário de Cultura, Francisco Vuolo, no ato representando o prefeito Emanuel Pinheiro, entre outros.

Na parte cultural tivemos ainda as performances de Caio Augusto e Edilaine ‘recitando’ poemas de Carlos Gomes de Carvalho e as execuções dos hinos nacionais e do estado por conta do belo Quinteto Ciranda Mundo.

Voltemos ao início para fechar. Aurea Maria canta desde os sete anos, quando começou a estudar no Conservatório Dunga Rodrigues e, em 2012, faz sua estreia pública ao participar do recital no Colégio dos Padres. Está cursando a sétima série no Colégio Coração de Jesus, onde participa do coral; estuda técnica vocal com Raquel Rocha e piano. E de sua carreira, certamente, falaremos mais adiante nas páginas deste também histórico e persistente Diário de Cuiabá.

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S. Carlos Gomes de Carvalho assume hoje a presidência da Academia Mato-grossense de Letras

Por João Bosquo | A inauguração da Biblioteca Therezinha de Jesus Arruda foi – digamos – a última atividade de Marília Beatriz de Figueiredo Leite já que hoje ela entrega o bastão ao acadêmico Sebastião Carlos Gomes de Carvalho, que assume a presidência para o biênio 2017 – 2019.

Gomes de Carvalho é autor de livros e ensaios nas áreas jurídica, de História, de literatura, ecologia, poesias e um reunindo estudos sobre Direito, Filosofia da História e Literatura. Também publica artigos em revistas de instituições como o Instituto dos Advogados Brasileiros (RJ), da Associação Catarinense do Ministério Público, da Revista de Cultura Vozes, (Rio de Janeiro), do Curso de Direito da Univ. Federal de Uberlândia (MG), da Editora Revista dos Tribunais, (São Paulo), além da revista do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e da Academia Mato-Grossense de Letras.

Coordenou e editou a Coleção Obras Raras de Mato Grosso que reúne obras literárias (romances, contos e poesias) publicadas entre os anos de 1917 e a década de setenta. Todos esses livros se encontravam esgotados e esquecidos – incluindo aí o primeiro romance publicado por um autor nascido em Mato Grosso – e que, por suas importâncias para a história literária regional, foram reeditados a partir de 2008. Anteriormente fizera idêntico trabalho, coordenando e editando a Coleção Letras Mato-grossenses, série Poetas Contemporâneos, (com seis poetas), e dirigiu ainda a revista Monções. Ambas as iniciativas adotadas quando foi presidente da Fundação Cultural.

A solenidade de posse acontece às 19h30, na Casa Barão de Melgaço.

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Uma festa modesta no Paiaguás, mas real, para premiação dos escritores do 2º MT literatura

Foto: Chico Valdiner / GCom

Por João Bosquo | A festa de entrega do II Prêmio MT Literatura no palácio Paiaguás – um arranjo de última hora – foi bem mais modesta que o esperado. O público – por diminuto que seria – foi menor ainda por conta de não se combinar com São Pedro que decidiu liberar uma pancada de chuva que caiu na região e, com certeza, ajudou a afugentar o público mais ainda.

A alegria dos vencedores, é claro, superou tudo isso. A alegria, principalmente, por poder tornar público os trabalhos em livro e fazer o árduo trabalho de atrair leitores. Atrair leitores, vamos combinar, não é o mesmo que vender livros.

Dos dez vencedores do II Prêmio MT Literatura, somados aos dez do prêmio passado, poucos, pouquíssimos são figuras carimbadas. Da eleição anterior lembro aqui do nome de Marilza Ribeiro e nesta os de Cristina Campos e Luiz Renato de Souza Pinto. Os demais todos são novos valores, alguns com potencial incrível, entre as quais a jovem poética de Helena Werneck.

O governador Pedro Taques imitando Pedro Taques – ou fazendo remake de outras aparições, na área cultural – como sempre não deixou de provocar o cerimonial (ou aquilo que estava combinado): ao ser chamado para falar, ordenou que a ordem fosse inversa e o secretario de cultura, Leandro Carvalho, abriu a falação prometendo ser breve, mas não escapou de fazer um resumão de toda as atividades da pasta, na qual o prêmios está inserido. Lembrando que o Prêmio Mato Grosso de Literatura integra as políticas públicas implementadas pela SEC-MT na área da literatura, previstas no Plano Estadual de Cultura, que inclui o Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de Mato Grosso (PELLLB-MT).

As metas do PELLLB-MT, por sua vez, objetivam a democratização do acesso ao livro; fomento e valorização da leitura, literatura e bibliotecas; formação de mediadores para o incentivo à leitura; valorização institucional do livro, leitura, literatura e bibliotecas; desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia estadual; fomento à cadeia criativa e produtiva do livro; acesso aos bens culturais e desenvolvimento intelectual e promoção da cidadania no Estado.

O governador Pedro Taques após a explanação do secretário Leandro Carvalho, fez uma enquete, tipo “quem sabia dessas ações desenvolvidas pela SEC, que levantasse o braço” e ficou surpreso, digamos, com o resultado. Muita gente levantou os braços. Mas, vamos combinar, o maior veículo de comunicação estado não colabora para com essa efetiva divulgação, com reportagens mais completas sobre ações noutras áreas que não apenas o denuncismo pelo denuncismo.

Voltemos ao prêmio. O governador até ia bem quando disse que a “cultura é a forma de viver de cada um. Nós conhecemos o mundo por meio de determinados autores. O mais importante desse prêmio é poder revelar aqueles que sabem contar o que somos, o que queremos e o que desejamos. Cultura não tem fronteiras, quero que o mundo conheça a nossa literatura, que não é de Mato Grosso e sim, universal”, para, no final, pisar na bola ao dizer que nenhum governo antes tinha feito um prêmio como este.

Ora, ora é o típico pensamento de quem acha que chegou em Cuiabá junto com Miguel Sutil e Pascoal Moreira Cabral ou que começou o governo da província junto com Rolim de Moura, só pode ser.

Olha que o governador é mato-grossense de quatro costados. Assim de cabeça, lembro que nos anos 80, no governo de Carlos Bezerra, a Fundação Cultural de Mato Grosso, então sob o comando de Sebastião Carlos Gomes de Carvalho (que nesta terça toma posse como novo presidente da Academia Mato-grossense de Letras) editou cinco ou seis livros entre os quais o primeiro livro de poemas de Ricardo Guilherme Dicke, que já tinha faturado o prêmio Walmap, com de “Deus de Caim”, o prêmio Remington de Literatura com “Caeira”, mas não tinha nenhum livro de poemas publicados. Assim também aconteceu com Ronaldo de Castro, Dom Pedro Casaldálica, que teve então o seu primeiro livro em território mato-grossense, Silva Freire e o próprio Sebastião Carlos.

Nesses mesmos anos, mais precisamente em 1988, a prefeitura de Cuiabá, na gestão de Dante de Oliveira, por meio da Casa da Cultura, patrocinou a edição do livro “Último Horizonte”, de Ricardo Guilherme Dicke… Ah!, a prefeitura de Wilson Santos ameaçou a fazer um concurso, mas, na reta final, cancelou o evento sob a singela desculpa de não haver trabalhos qualificados.

Voltemos mais uma vez ao prêmio. A cerimônia contou com a presença dos escritores premiados no certame que, na ocasião, lançaram e autografaram as obras selecionadas.

No final, por derradeiro, o governador convidou os premiados para um almoço, que pelo site da SEC ficamos sabendo, com registro de fotos, que o mesmo aconteceu.

Foram ao todo 89 inscrições e dez obras literárias contempladas com R$ 30 mil cada, totalizando R$ 300 mil em investimentos. Os trabalhos são inéditos e contemplam as seguintes categorias: duas obras em poesia, quatro obras em prosa, duas obras na categoria revelação e duas obras na categoria infanto-juvenil, uma novidade nessa segunda edição.

Para o escritor Victor Angels, vencedor na categoria infanto-juvenil com a obra “Mundo dos sonhos, o ferreiro e a cartola”, ter sido contemplado com a primeira história escrita para crianças foi uma grata surpresa e um incentivo a se manter no gênero literário. O autor, que se inspirou na própria infância, já possui um romance para jovens adultos lançado em Portugal.

Luiz Renato Souza Pinto, vencedor na categoria poesia com a obra Gênero, Número, Graal, foi o porta voz dos premiados e disse que antes fazia desfeita dos livros premiados e agora vê com orgulho o selo na capa do seu livro. Ele incentivou ainda os escritores a participar da próxima edição do prêmio. “As pessoas precisam acreditar, se inscrever, participar. Me sinto orgulhoso de ter recebido esse prêmio e pretendo estar presente na próxima edição, seja como participante ou para prestigiar os vencedores”, ressaltou.

Além dos citados, as obras vencedoras foram “Entraves”, poesia, de Divanize Carbonieri; na categoria prosa: “Os mesmos”, de Teodorico Campos de Almeida Filho; “O assassinato na Casa Barão”, de Marcelo Leite Ferraz; “Contos do Corte”, de Afonso Henrique Rodrigues Alves; “As intermitências da água”, de Fernando Gil Paiva Martins. Na categoria infanto-juvenil: “Papo cabeça de criança travessa”, de Cristina Campos. E na categoria revelação, além “NU”, de Helena Werneck, foi premiada a obra “Tikare, alma de gato”, de Alexandre Marcos Rolim de Moraes.

Em tempo: em conversa com nosso editor, Enock Cavalcanti, o governador Pedro Taques registrou que já tem dois livros publicamos, mas que não pretende, nunca, disputar uma vaga na Academia Mato-grossense de Letras.

LEIA TAMBÉM: SEC corre contra o tempo e marca para a próxima quarta-feira, 25, a entrega dos prêmios aos contemplados do MT Literatura

Minuta do edital do Prêmio MT de Literatura já está disponível para contribuição da sociedade; o prazo termina dia 30

 

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Ainda sobre censuras – Por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos | Há duas semanas estive no Museu Egípcio de Barcelona. Há nele, por exemplo, toda uma ala dedicada ao erotismo. E isto com esculturas de há 4000 anos antes de Cristo. A humanidade não tem sido diferente ao longo dos séculos. E mesmo em plena Idade Média, com o domínio absoluto do puritanismo religioso, havia os espíritos inconformados, rebeldes. Nos séculos seguintes, para só citar um exemplo, entre tantos, um veneziano de nome Zorzi Baffo [1694 – 1768] se torna com os seus sonetos-crônicas o observador por excelência daquela Veneza ao mesmo tempo pudica e libertina. E neste caso foi tanto execrado e difamado como celebrado. Artistas, poetas, novelistas alguns hoje completamente esquecidos ou outros que o tempo consagrou não deixaram de abordar temas considerados por seus contemporâneos como escabrosos. No já licencioso anos 1800 Coubert, Daumier, Toulose-Lautrec e outros foram ignorados e depois combatidos pelas boas e ricas famílias de uma França que se tornava o centro cultural do mundo. Hoje são celebrados. Uma tela de Picasso, [1881 – 1973], “Mulher de virtude fácil”, de 1903, já na modernidade do século XX, causou enorme escândalo, ou mesmo “O Sonho”, de 1932, um retrato erótico de sua jovem amante Marie-Therèse Walter, espantou e foi detestada, e nem se fale nas várias telas do surrealista Salvador Dali [1904 – 1989], como, por exemplo, a denominada [os pudicos saltem esta linha] “O Grande Masturbador”, que se encontra exposta no Museu Nacional Centro de Arte Moderna e Contemporânea Reina Sofia, em Madrid. Ambos se tornariam em mestres consagrados, disputadíssimos por marchands e colecionadores endinheirados do mundo todo e expostos nos principais museus símbolos da civilização. Tanto estes dois espanhóis, bem assim como aqueles que os antecederam nos século anteriores, enfrentaram o fundamentalismo da censura. Não da crítica, que esta é sempre bem vinda, mas da censura que não quer convencer, mas derrotar, destruir, fazer desaparecer.
Mas não são apenas aquelas obras tidas como pornográficas ou atentatórias à moral, que são hostilizadas pelos censores. Eles se preocupam, e muito, quando a obra fere questões sociais que incomodam os bem postos na vida. Assim, atenção, a censura às vezes começa em um ponto tendo um objetivo especifico e não tarda, seja pela velada aquiescência ou omissão de muitos, a estender seu manto sobre outros aspectos da obra de arte. Não vamos longe nos vários exemplos. Fiquemos com um de nossos grandes. Cândido Portinari [1903 – 1962] com os seus quadros e murais de forte denuncia social, e quem não se impacta diante de “Criança Morta” ou “Os Retirantes”, ambos de 1944, foi um perseguido, censurado e até exilado político. Com isso, Portinari seria primeiro reconhecido fora do Brasil. Hoje é um nome dos mais respeitados da pintura mundial.
A censura tem quase sempre duas características básicas: por um lado, presta subordinação e atende aos interesses dos grupos dominantes, sejam eles políticos, religiosos ou econômicos e, por outro, é sempre apresentada como uma medida que visa ao bem comum, de interesse coletivo da sociedade. O estadista que foi Mário Soares, vitorioso após 40 anos da ditadura salazarista, constatou que “De todos os mecanismos repressivos, a Censura foi sem dúvida o mais eficiente, aquele que conseguiu manter o regime sem alterações estruturais durante quatro décadas.”.
Impedir um artista de expor seus quadros ou esculturas ou um escritor de publicar ou fazer circular seus livros seja pela força bruta ou por esquemas de pressão burocrática, seja pela mal disfarçada censura econômica, representa uma faca na cabeça do artista ou uma tesoura aberta na garganta do poeta. Todavia a Historia mostra que não será por esse mecanismo que se impedirá o surgimento de manifestações artísticas. Para a arte, a força bruta nada vale, apenas adia a sua emergência. Mesmo porque o que a faz sobreviver é só o verdadeiro talento. E não é a censura que faz essa escolha. Esse tipo de contraste existirá sempre. Faz parte da vida. O artista tem que demonstrar com determinação que o seu talento vencerá a perspectiva transmontana vigente em todas as épocas. Este é um processo argumentativo dialético. Bom lembrar Picasso: “Não se consegue convencer um rato de que um gato pode trazer boa sorte”.
Como sabemos, o futuro sempre se pronuncia sobre quem fica na História: o censor ou o criador. Desnecessário dizer que os censores vêm perdendo essa batalha

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João Manteufel, promotor de exposição diz que tirou quadro de Gervane por medo

A decisão de retirar a obra questionada pelo consumidor aconteceu após a veiculação do vídeo contra exposição de obra de arte. Manteufel isenta o Shopping Pantanal

Por João Bosquo e Enock Cavalcanti | A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), por meio da Comissão de Cultura e Responsabilidade Social, irá promover no próximo dia 27, quarta-feira, às 16 h, uma reunião pública de manifesto contra a censura às artes e liberdade de expressão, em Cuiabá.

Tudo porque, no início desta semana, um quadro que integrava o painel do artista plástico Gervane de Paula na exposição “Eu Amo Cuiabá”, que acontece no Shopping Pantanal foi retirado após a reclamação de um cliente.

O curador da exposição, o cineasta e produtor cultural João Manteufel, o João Gordo, confessa que a decisão de retirar o quadro do artista Gervane de Paula foi uma decisão sua e que o Shopping Pantanal não teve nenhuma participação nessa decisão.

“Eu tirei por medo de meu funcionário que estava sendo coagido, sofrendo ameaças. Tive de colocar seguranças. Não foi por censura, foi por medo. o radicalismo assusta. Somos pessoas de bem, com intuito de fomentar cultura. Não estamos acostumados à violência. Foi uma decisão minha, exclusiva”, garante João Manteufel.

Em sua página no Facebook, João Manteufel posta que “na verdade, aqui, deveríamos elogiar a coragem do Shopping Pantanal em fazer uma exposição, pagar os artistas, pagar o local de exposição para que a população tenha acesso aos mais proeminentes artistas da nossa cidade. Afinal, uma empresa particular está fazendo o papel que deveria ser dos museus, que estão todos fechados e as autoridades competentes estão se lixando para a cultura do nosso Estado. Mas hoje todo mundo julga. Todo mundo é entendido. A geração dos head lines está se tornando perigosa. Triste. Triste”.

Um dos head lines a que se refere o promotor de artes, com certeza, é o repórter Arthur Garcia que, em seu canal postou um ‘video-denuncia’ e já alcançou milhares de visualizações, como vemos, tentando intimidar ainda mais o funcionário da promotora do evento.

As ironias dessa trágica história é que, lembramos aqui, o repórter trabalha na Band Mato Grosso, a emissora que se propõe a incentivar a arte e inclusive é mantenedora de uma Galeria de Arte com o nome de seu fundador: Beccari. É repórter de um programa popular, o Pop Show, que diz defender os interesses da comunidade.

O medo, a que se refere João Gordo, é o indutor da censura que o fez retirar, mesmo que contrariado, o quadro do artista da exposição.

O jornalista e professor Johnny Marcus lembra o poeta Ferreira Gullar, autor de “Poema Sujo”, proibido pela ditadura militar que colocou o Brasil por duas décadas nas trevas.

“Gullar nos ensina que ‘a arte existe porque a vida não basta’. E a vida não basta porque é preciso enxergá-la, também, com outros olhos, até mesmo para reforçar nossas crenças e convicções. A melhor forma de se fazer esse distanciamento é justamente através da arte. E ela tem mesmo essa função essencial de incomodar, de confrontar, de promover a discussão. É inaceitável que, em pleno século 21 ainda persistam pensamentos obscurantistas, impregnados de um moralismo anacrônico. A Era das Trevas já acabou faz muito tempo. Que artistas livres sejam os profetas a anunciar o nascimento de um admirável mundo novo”, disse.

O ator, diretor e escritor Ivan Belém também está preocupado com essa histeria que se instala no país e agora em Mato Grosso.

“Vejo com muita preocupação essa onda de caça às bruxas que se instalou no país. De repente, seguindo tal caminho, um sujeito despreparado posta um vídeo se queixando da obra de Gervane de Paula, fazendo uma análise pobre e moralista, e outros ignorantes o acompanham. E o artista e sua obra passam a ser linchados. A arte, a cultura, a identidade, tornaram-se assuntos de polícia…Como assim? Tristes tempos estes! Acho que tudo isso é reflexo da falta de mais investimento em educação e cultura. Um povo educado, com acesso à arte e à cultura, jamais protagonizaria tamanha barbárie. Sinto-me envergonhado!”

Sebastião Carlos Gomes de Carvalho, jurista, poeta, escritor, crítico literário e próximo presidente da Academia Mato-grossense de Letras, é taxativo: “Toda censura é odienta”.

“A arte, em sua essência, é o contraponto do conformismo e do acomodamento mental. E isso não é agora. Quem minimamente conhece a história da arte sabe que ela surge como um elemento de inquietação, de questionamento, de provocação. Neste ponto, Ocidente e Oriente se encontram. É bem verdade que não é (somente) por este aspecto que ela se valoriza, ou se eterniza. Outros elementos transportam um quadro, uma escultura ou um livro para o patamar da qualidade que transpõe os séculos. Não estou em Cuiabá há vários meses, portanto não vi a exposição da qual Gervane participa, mas sob esse artista, que conheço há décadas, posso afirmar, em sã consciência, que se trata de um dos melhores e mais instigantes da breve história das artes plásticas em Mato Grosso. O futuro sempre se pronuncia sobre quem fica na História: o censor ou o criador”, declarou.

O jornalista e escritor Antônio Peres Pacheco acredita que o tema é polêmico e confessa que não gostou da participação de Gervane na referida mostra.

“Vi a exposição e, pessoalmente, achei de mau gosto e inapropriada as duas obras do Gervane de Paula que, nesta ‘fase negra’ de sua produção artística, explora abertamente a escatologia em várias obras e performances, com um apelo sexual bastante forte e isso gera mal-estar. Mas, vamos lá. Primeiro: sou contra a censura de todo tipo e plenamente a favor da classificação etária para exibição de obras de arte e acesso à literatura. Entendo que essa “onda” moralista, que alguns classificam como fascista, é um efeito colateral do estado de libertinagem e corrupção ética e moral da sociedade brasileira como um todo”.

Segundo Pacheco, “tem faltado bom senso aos curadores. É preciso respeitar a suscetibilidade dos outros para sermos respeitados de volta. Chocar, denunciar, fazer pensar é função da arte, mas, não se deve fazer sexo ou expor cenas do ato sexual em praça pública nem defecar na porta de uma igreja para criticar a repressão sexual e a alienação pela fé e dogmas religiosos, por exemplo. A retirada das obras da exposição, ao meu ver, foi acertada”.

A cantora e compositora Vera Capilé, comentando o vídeo de Arthur Garcia disse que “o que presenciamos é a violência contra a arte, é praticamente um retorno rumo a Idade Média, onde a repressão à mensagem da arte, como no caso do pensamento e pinturas de Gervane de Paula, representa um atraso civilizatório e conservadorismo inconcebíveis! A pintura de Gervane tem uma estética de indignação contra a injustiça, na grita permanente contra o racismo, em sua negricia poética! Viva Gervane! Uma vergonha para o primeiro passo de repressão, negação a verdadeira história dos 300 anos de Cuiabá! Sabe o que acho mesmo? Que estes outros grandes artistas da exposição se retirem desta malfadada experiência que, para mim, é um desprezo profundo a verdadeira arte!”.

Leia também: OAB-MT promove reunião contra a censura

O Moralista no Divã – Por Eduardo Mahon

Pantanal Shopping retira quadro de Gervane de Paula da mostra “Eu Amo Cuiabá”

“Lamentavelmente, é impossível ignorar a ignorância”, diz Mahon

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A canção que celebra a vida – Por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos | Produtor dos melhores vinhos da América, o Chile é também fonte das melhores poesias. E não digo apenas por seus dois mais conhecidos, e por isso ganhadores do Nobel de Literatura, Gabriela Mistral [em 1945] e Pablo Neruda [em 1971]. Poderíamos dizer, e eu o digo com prazer por ser desde sempre admirador desse país e de seu povo, tratar-se de uma terra de poemas e de vinhos. Lá estive por algumas vezes, e na última visitei as três casas, hoje museus, em que viveu Pablo Neruda. Foram os poemas de Neruda, ao lado dos brasileiros Thiago de Melo e Ferreira Gullar, que contribuíram para manter em minha juventude a chama viva da resistência política e literária durante o regime militar. Embora Neruda, com seus ‘Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”, entre outros, tenha nos inspirado a modos de viver com paixão e tesão.

Esses dois, Neruda e Mistral, pertencem a uma geração que mostrou o melhor do Chile poético. Para só ficarmos a partir das três décadas iniciais do século passado, a eles se somam dois outros grandes poetas, embora muito pouco conhecidos no Brasil. No entanto, Vicente Huidobro [10/01/1893 – 2/01/1948] e Pablo de Rokha [17/10/1895 – 10/12/1968] trouxeram uma contribuição de fundamental importância para a literatura latino-americana, em que mesclaram um estilo inovador e de ruptura com o passado a uma acentuada visão socialista, na qual a militância contestatória esteve presente. A exceção a essa militância foi Gabriela Mistral, que se manteve sempre distante dos embates políticos. No entanto, do ponto de vista estritamente literário esses poetas são considerados “os quatro grandes do Chile”. Mas esse pequeno – grande país, naturalmente, não se resume a uma magnífica plêiade de poetas, novelistas e romancistas.

O que hoje quero aqui falar aqui é sobre outra grande mulher, já que semanas atrás comentei sobre Gabriela Mistral e o verdadeiro culto que lhe fazem nas escolas chilenas. E indaguei, quando isso será possível no Brasil com os nossos poetas maiores? Bem, vamos ver sobre uma poeta e cantante, esta bem mais conhecida. Violeta Parra. Por que falo sobre ela? Entre outras razões, porque há cinquenta anos foi composta e gravada por ela uma das musicas e letras mais marcantes deste nosso tumultuado e áspero tempo. Violeta pertence a uma espécie a que os hispanos denominam de cantautora. Compôs inúmeras canções e poesias marcantes por sua sensibilidade e humanismo. Canções e poemas que tocam a alma e mobilizam a mente.

Violeta del Carmen Parra Sandoval [San Carlos, 4/10/1917 – Santiago do Chile, 5/02/1967] além de poeta, compositora, cantora, foi artista plástica, ceramista e folclorista. Autodidata. A pobreza extrema a forçou, desde os nove anos, com os irmãos, a cantar em bares e circos. A partir de 1961 passou longos períodos fora de seu país, apresentando-se na Argentina e depois na Europa. Em 1965 retorna definitivamente, move-lhe a ambição de criar, com seus filhos e alguns amigos, um centro de estudos e de referência da cultura folclórica chilena. Próximo a Santiago, instala uma grande tenda que denomina de ‘Comuna de la Reina’. Não obteve o apoio que esperava para seu projeto e a iniciativa fracassaria, trazendo-lhes prejuízos financeiros e emocionais. Na sequência, um rompimento amoroso causa-lhe grande trauma. Acha-se abatida e derrotada. Em 5 de fevereiro de 1967 a grande e atormentada cantante comete suicídio. É hoje tida por muitos críticos como a fundadora da atual música popular chilena e inspiradora do movimento estético-musical-político chamado de ‘Nova Canção Chilena’.

Poderia falar mais sobre Violeta e sobre as suas inúmeras canções marcantes e sensíveis. Mas quero me referir [o espaço é pequeno] a uma só canção que por sua grandeza, lucidez e humanismo, baila no peito dos homens e das mulheres que sonham e lutam por um mundo mais justo. Refiro-me a ‘Gracias a la vida’.

Seja na pioneira e conhecidíssima gravação de Mercedes Sosa [1971] ou nas interpretações de Joan Baez [1974], cujo objetivo nas apresentações era denunciar os crimes da ditadura de Pinochet, de Elis Regina [1975] ou até mesmo do pianista Richard Clayderman [1992], além de centenas de outras, inclusive sueco e finlandês. Qualificada como um “hino humanista” e considerada uma obra universal, ‘Gracias a la vida’ é uma das musicas latino-americanas mais conhecidas e interpretadas no mundo.

Gracias a la vida que me ha dado tanto

Me ha dado la risa y me ha dado el llanto

Así yo distingo dicha de quebranto

Los dos materiales que forman mi canto

Y el canto de ustedes que es el mismo canto

Y el canto de todos que es mi propio canto

Gracias a la vida, gracias a la vida.

________________________

  1. Carlos Gomes de Carvalho é professor. Publicou, entre outros, ‘Pássaros sonhadores’ e ‘A Arquitetura do Homem’.

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Breves Notas de Fim de Semana – Por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos | 1. Nomes que assustam
Três Rodrigos estão tirando o sono de Temer. O Janot que quer por que quer tirá-lo do Planalto, o Rocha Loures que pode incriminá-lo definitivamente e o Maia, presidente da Câmara, que pode acelerar o processo de impedimento e que irá substitui-lo. E, entre tantos Rodrigos, só faltou mesmo o Sant’Anna. Faltou, virgula, porque entre tantas gafes e mancadas do Presidente não há como deixar de lembrar do humorista do Zorra Total. Como poucas vezes, a origem etimológica do nome calhou tão bem. Rodrigo, em alemão antigo, significa “poderosamente famoso”.

2. Enquanto isso em Mato Grosso
Um nome só criou um reboliço não só assustando mas derrubando muitos poderosos. Valtenir reentrou no PSB e incomodou e desalojou uma bancada inteira de deputados estaduais e federais. Todos fizeram pesadas críticas ao colega deputado. E o ex-prefeito da Capital chamou de safadeza essa chegada arrasadora do ex-companheiro e, ante a hipótese de uma candidatura ao Senado, afirmou que o mesmo não tem envergadura e credibilidade, ou seja, lhe falta estatura política e moral. Somos obrigados a convir que, quer se queira ou não, o deputado trapezista é mesmo muito forte porque forçou a que o ex-prefeito voltasse ao palco político. Ele mesmo que no minuto final da última campanha abandonara a candidatura à reeleição, causando decepção a seus abnegados seguidores, sob o argumento de que iria cuidar da família e dos negócios. Diante disso, como não dizer que o homem incomoda e assusta mesmo. Nem que seja aqueles que com ele convivem. Menos mal.

3. Quais sonhos?
E somos levados a acreditar que um dos responsáveis por tanta força que ganhou o novo presidente do PSB se deve a um seu adversário. Estranho, não? Pois foi o governador que acaba de declarar: “… se o PSB com a nova direção desejar ir para a oposição, eu vou lembrar Roberta Miranda: vá com Deus”. Ora, a não ser que se trate de um ateu, não há melhores votos do que desejar que uma pessoa siga na companhia de Deus?

E já que o governador citou a conhecida musica de Roberta Miranda, por que não lembrar de outro trecho que diz: “É pena que este amor / Não teve consciência / Dos sonhos que sonhamos em segredo.” E então perguntarmos: estes sonhos sonhados em segredo o foram quando ele foi eleito pelo PDT, com o qual o PSB tem uma proximidade histórica, ou esses sonhos foram tidos já no seu atual Partido, com o qual o velho PSB (não o atual e descaracterizado) nada tem a ver?
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Sebastião Carlos Gomes de Carvalho é advogado e professor.

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Quais ouvidos estão do outro lado da linha? – por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos | A água segue borbulhando. Mas, e depois que passar estes primeiros momentos da fervura, o que resultará? É esta a questão que se coloca. O primeiro round ainda não terminou. A denúncia contundente do promotor de Justiça, ex-secretário de Segurança Pública, aponta o dedo para o governador. O mandatário maior do Estado se defende dizendo que não sabia do grave fato que transcorria sob a sua administração e que igualmente fora pego de surpresa. Na sequência, acusa o ex-auxiliar dizendo que o ofício que este diz que lhe teria encaminhado contendo a grave denúncia está com a data do protocolo adulterada, portanto feita em data a posteriori. Entendo que, substantivamente, a esta altura e pela gravidade, tal circunstância passa a ser de somenos importância, podendo ser melhor esclarecida no momento próprio. A questão central agora, e enfatizo o agora, é a de saber qual a mão está por trás desse nefasto e provavelmente inédito processo de espionagem instaurado em terras rondoninas.

Parafraseando os melhores autores policiais, um Conan Doyle [1859 – 1930] ou Agatha Christie [1890 – 1976], por exemplo, a pergunta que se impõe diante de um fato criminoso cuja autoria é em tese desconhecida é: a quem interessa o crime? Em outras palavras, a quem ele beneficia? Quem dele tirará proveito? Se o caso fosse de outra ordem (ou é, também?) pode-se utilizar o caminho indicado por Alexandre Dumas [1802 – 1870] na expressão por ele cunhada e que se tornou célebre: “Cherchez la femme, pardieu! Cherchez la femme.” O personagem repete ao longo do romance: “Há uma mulher em todos os casos. Assim que alguém me traz um relatório, eu digo: Procure a mulher!” Nos grampos pantaneiros há que se perguntar: a quem interessa a oitiva clandestina? Quem é o possível beneficiário das conversas gravadas? No artigo da semana passada levantei onze pontos que gostaria de ver esclarecidos, embora a pergunta final seja uma só e única: a quem aproveita as escutas clandestinas, a quem as interessa? Continue Reading

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A praça que já não é do povo – por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos | Árvores foram inexplicável e brutalmente derrubadas na principal praça da outrora “cidade verde”. O poeta que amorosamente assim denominou a sua cidade e o governante que recebeu a homenagem, como agradecimento de para cá ter transferido a capital, já há bastante tempo teriam se sentidos desconfortáveis. Com o que fizeram à sua cidade e, em particular com o que vem sofrendo a sua praça mais representativa, o cognome está de há muito ultrapassado.

O processo de desrespeito para com as praças, os monumentos, os pontos históricos de Cuiabá é crescente, e parece inexorável. Governo após governo. A mais que centenária Praça Alencastro, que já deveria estar tombada como patrimônio urbanístico da capital, sofreu um recente exemplo de ataque e desrespeito com o lamentável corte de árvore, velha de dezenas de anos. A alegação de que estaria doente se sustenta? Como tal não foi previamente divulgado, não se sabe, fiando-se então na palavra do responsável pelo corte. Que só veio depois de terem aparecido alguns poucos protestos pelo abate. O argumento de que tal se deu para que o espaço seja “revitalizado” não tem apoio diante de conceito moderno de urbanismo, e nesse contexto, o de que vem a ser o espaço conhecido como praça. Revitalizar cortando arvores é seguramente um contrassenso. Mais ainda quando se diz que comporá esse espaço um “moderno ponto de ônibus”. Continue Reading

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Um Candidato para o Supremo – por Sebastião Carlos

Por Sebastião Carlos

Se a escolha de juízes e de ministros do Judiciário no Brasil fosse pelo voto direto dos cidadãos, eu já estaria pronto para começar uma campanha. Penso que ela até poderia empolgar o Brasil. Muito embora a eleição para juízes e para ministros seja um tema polêmico, sobretudo pelo temor da politização, não que nas indicações havidas não tenha existido, seria agora, não obstante, um interessante exercício de prática democrática. No entanto, o fato de não poder fazer campanha eleitoral não me impede de, cidadão e advogado, lembrar um nome para que Temer, sobretudo neste momento crucial do país, alargasse o círculo de suas consultas. De igual modo, mesmo que já tenha retirado do colete o nome de sua preferencia, tal não me impede de publicar este lembrete. Quem sabe possa servir para o futuro, até mesmo como paradigma para as futuras indicações.

Tenho um candidato para a vaga aberta no Supremo. Homem de origem humilde, lutador intimorato, conhecedor e experiente na aplicação do Direito. Sua biografia honra seus pares e o povo brasileiro. Sua trajetória de vida e de profissão é das mais exemplares. Por ela, paga um preço caríssimo em sua vida pessoal. Há quase duas décadas vive sob escolta policial 24h por dia. Sua cabeça está a prêmio e os policiais que o cercam andam o tempo todo armados com submetralhadoras e pistolas, inclusive dentro de sua própria casa onde dispõem de um quarto reservado. São dez investigadores da Polícia Federal, que vêm de fora do Estado e se revezam no turno de 24 horas. A cada dois meses há troca de agentes. Gravações telefônicas, bilhetes saídos de presídios, cartas, recortes de jornal e extensas investigações tratam do cerco cruel a que está submetido e comprovam os planos e ameaças para matá-lo. As derrotas que ele infringiu aos criminosos são representativas do ódio que lhe devotam. Certa vez disse: “Desde que sou protegido, até meus sonhos, quando durmo, mudaram. Às vezes, sonho que estou fugindo dos policiais, pulando o muro de minha casa, depois bate um desespero, cadê os policiais? Mesmo quando sonho com outra coisa, vejo, na cena, um policial, é um tormento”. Não creio existir no Brasil um magistrado com a vida em tal nível de risco. Um risco do qual não tem recuado ao longo de todos esses anos e que até inspirou um filme. Entre a ficção e o documentário “Em Nome da Lei” de Sergio Rezende, com os conhecidos Mateus Solano e Paolla Oliveira, mostra os desafios colocados diante de um magistrado sem medo. Continue Reading

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300 anos: a omissão – por Sebastião Carlos

Sebastião Carlos

As datas comemorativas representam momento significativo, seja para a vida de uma pessoa ou para a de um povo. Sobre isso parece não pairar dúvida. E quando ela é contada em séculos, o relevo é sem dúvida maior.

Cuiabá, que é mais antiga que Mato Grosso, em dois anos completará seu tricentenário. Pelo que representa, não apenas sob o aspecto afetivo para a maioria dos que aqui vivem, mas do ponto de vista histórico e, neste sentido para todo o Brasil, esse aniversário tem um valor de grande alcance.

A cidade tem sido reconhecida e celebrada por seus poetas, cronistas e historiadores como a de ser uma terra generosa, aberta, hospitaleira e acolhedora. O seu calor fraterno supera ao do clima e são raros os que, vindo das mais distantes paragens e inclusive do exterior, não se sintam aqui fraternalmente acolhidos como filhos adotivos. Para a história brasileira, Cuiabá foi a vanguarda da civilização lusitana nos trópicos, a ponta de lança na defesa da soberania nacional, a sentinela avançada da integridade territorial brasileira, a guardiã dos feitos heroicos na conquista do extremo Oeste. Continue Reading

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