Tempo certo: poema de João Bosquo

O relógio, o espaço
horário do tempo certo
O sol mesmo sem se pôr
agora amanhece…

Os homens como ovelhas
correm mansos para o pasto
com sinais que determinam
paradas pra não dar tempo

Sonhos não se concretizam
lágrimas não se compram
a dor não se reparte
criam a solidão do só

Que mesmo acompanhados
nada mais são que só
Mesmo ouvindo-falando
nada mais são que mudos-surdos

(Na calçada chora a criança
que a mãe, por necessidade
e esperança-crença nos homens,
deixou-a para que a encontrassem).

><>Poema do livro “Sinais Antigos” (1984), que republicou. Sempre – é quase inevitável – acabou mexendo uma vírgula aqui, dois pontinhos ali.

Share Button