Um olhar amoroso de Tuca Reinés sobre as cidades brasileiras

A exposição ficará aberta ao público até o dia 19 de fevereiro, em horário comercial

Cada olhar é um olhar, diverso de tudo aquilo que possamos olhar e de como olhar. Assim somos nós, indivíduos isolados, e nos achamos, muitas das vezes, sabedores de tudo, inclusive o de ver, enxergar a nossa cidade… Mas, vamos combinar, nossa cidade – nossa querida Cuiabá 300-3, até abril próximo quando passamos para menos dois – ainda tem alguns ângulos diferentes para se olhar e a partir desse ponto tentar entender um pouco mais a nossa história, por meio da diversidade dos olhares.

A exposição “O Olhar Vertical – fotografias”, que abriu suas portas à visitação pública nesta quinta-feira, 20 de janeiro, e poderá ser visitada até o dia 19 de fevereiro, no Palácio da Instrução, apresenta a visão (particular) do repórter-fotográfico e urbanista Tuca Reinés de como ver as cidades brasileiras, entre elas Cuiabá.

Esse olhar a cidade, como está apresentado na exposição, foi um olhar formatado frente às demandas que apareceram ao longo do trabalho. Tuca Reinés foi contratado para realizar fotos para ilustrar as campanhas publicitárias do Banco Santander, que queria dar um caráter particular, que seriam expostas também em cada agência da instituição bancária.

As fotos, porém, apresentavam questões como direito de imagem das pessoas, direitos autorais dos autores das obras arquitetônicas e, aos poucos, surgiu a ideia de se fotografar as cidades do alto. Tuca Reinés conta que, ao longo do trabalho, começou a observar semelhanças entre as cidades, e a exposição mostra isso muito bem.

Na conversa com os jornalistas, Tuca Reinés apontou essas semelhanças entre as cidades: Cuiabá é representada com duas fotos. Na primeira, que mostra ao lado do rio que empresta o nome, o paralelo é com Londrina. O autor chegou a fazer referência proposital ou não a um ditado árabe – que diz sobre a “sabedoria divina que constrói as cidades ao lado dos rios”. Na segunda, a semelhança está nas proximidades dos morros. Na foto de Cuiabá vemos ao longe o Morro de Santo Antônio e na de Campos de Goytacazes também aparece lá o seu morrinho. Por que será? Confiram na mostra no Palácio da Instrução.

Ver, apreciar essa exposição, e poder observar esses pontos de semelhança – sem um guia, acredito, será um momento de prazer, mesmo porque as fotos estão colocadas lado a lado. Em alguns casos esses “pontos de encontros” são meio óbvios, outros já nem tanto, por isso a curiosidade de querer descobrir.

Como a exposição é resultado de uma campanha publicitária ela não tinha o caráter específico, mas que acabou sendo um ponto de diálogo sobre a ocupação do solo – quando se vê as favelas – de debate sobre as questões ambientais e, sim, economia já que entra a questão do turismo.

Como o autor tem uma origem urbanista também, ele lembra que a arquitetura é o que mais fomenta o turismo. O turismo, segundo ele, é o futuro do futuro. Repetindo algo que ouviu na internet “o turista é um cara único no mundo coloca mil dólares no bolso e sai para gastar, coisa que nenhum morador de uma cidade, ou classe social, faz. No entanto o turista faz. Imagina, agora, Paris que recebe 250 mil turistas por semana”. Ele lembra que o que motiva a visitar a cidade é a arquitetura, depois a comida e outros atrativos…

Então é preciso cuidar da cidade. Tuca Reinés – em sua fala – coloca alguns pontos que tornam a cidade mais agradável. Por exemplo, calçadas, ausências de fios nas partes histórica e urbanística importantes da cidade. Quando ele citou essa questão, lembrei-me que Cuiabá, trinta anos atrás, tinha um projeto de rebaixamento da fiação elétrica da região central de Cuiabá, justamente visando o tricentenário, mas nunca conseguiu sair do papel, por conta da falta de humildade de nossos gestores que não conseguem dar continuidade aos projetos das administrações anteriores…O urbanista José Antônio Lemos também tem escrito muito sobre esta demanda.

Voltemos ao Olhar Vertical, de Reinés. A exposição patrocinada pelo Santander é composta por 54 imagens aéreas ampliadas de cidades brasileiras, incluindo a capital mato-grossense. As imagens foram selecionadas pelo curador Agnaldo Farias a partir de uma série de 528 fotografias digitais que integram a Coleção Santander Brasil.

O único senãozinho é a edição do livro “Tuca Reinés – O olhar em suspensão”, que tem anexo uma folha de errata e não consta o país em que foi impresso.

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