Uma alegre aula de literatura mato-grossense

Escritores, artistas e músicos numa festiva apresentação a alunos da rede estadual de ensino

Alunos da E.E. Faustino Dias de Amorim na “aula” sobre literatura mato-grossense

Por João Bosquo | Uma aula de literatura, com presença de escritores, música, humor, quase que um laboratório de como atrair o aluno jovem às letras, foi o que aconteceu na quinta-feira, 11, no auditório do escritório do jurista, escritor e acadêmico da Academia Mato-grossense de Letras (AML), Eduardo Mahon.

Os mais de 80 alunos convidados vieram da Escola Estadual Faustino Dias de Amorim, localizada na comunidade de Varginha, município de Santo Antônio do Leverger.

Uma experiência para mostrar que as crianças, jovens (porque não adultos?) quando entram em contato com a nossa arte, música, enfim, com a nossa literatura eles descobrem algo que não conhecia e que é muito bom e não sabiam que existia.

Olga Maria Castrillon Mendes, Eduardo Mahon, Cristina Campos, Lucinda Persona, Marli Walker, Clóvis Matos, Aclyse Mattos e este repórter

A AML já apresentou um projeto para o Governo do Estado – por meio da Seduc – para se adotar livros de autores mato-grossenses na literatura, história, geografia. Uma iniciativa, se adotada, que vai divulgar todo esse universo cultural, intelectual e de pesquisa e ensino produzidos por nossos escritores, poetas, professores e pensadores, além, claro, de aquecer o nosso mercado editorial.

Aqui um pequeno parêntese: Há momentos que este repórter acredita que o livro, enquanto peça física, de papel, irá acabar, mas acabo lembrando-me de Bill Gates, quando do lançamento de um dos primeiros Windows, escreveu um livro para explicar, além do manual de instrução, qual era do OS (sistema operacional), daí porque da presença dos representantes das duas maiores editoras mato-grossenses, a Carlini & Caniato e Entrelinhas.

O evento – digamos assim – começou com as apresentações formais dos participantes Lucinda Persona, Marli Walker, Clóvis Matos, Cristina Campos, Olga Castrillon Mendes, professora da Unemat, Aclyse Mattos, este repórter, na condição de poeta, e o anfitrião Eduardo Mahon.

Grupo Camerata

Os atores do grupo Cena Onze realizaram uma esquete de humor, seguindo-se a apresentação do grupo musical Camerata, que abriu a apresentação com o clássico de Villa Lobos, “Trenzinho Caipira” (as rádios de hoje acreditam que não podem mais tocar boa música) e seguiu-se uma pequena e rápida apresentação de cada um dos presentes, do porque de escrever, como tudo começou e a leitura de um ou dois poemas.

Esse talvez fosse o momento para a reflexão. Imagina – vamos imaginar – uma aula com a escritora, poetisa Lucinda Persona, contando, comentando como a poesia acontece, como ela aprendeu a ler, por uma necessidade interior, e ela narra com tanta poesia. Uma aula com Aclyse de Mattos – sem a crise – que mistura poesia e letras de canções que falam das lembranças cuiabanas. Sempre cometo injustiças – já confessei – e acabo deixando de citar outras participações importantes como de Cristina Campos, Marli Walker e, claro, do nosso Papai Noel, Clóvis Matos.

O escritor Mahon diz que “a iniciativa privada é corresponsável por sugerir e criticar políticas públicas. É a força do exemplo que fala por si só. Os estudantes de Mato Grosso precisam urgentemente de educação, cultura, livros regionais e bibliotecas de consulta. Não só. Os professores estão igualmente carentes. Fiquei muito triste ao constatar que os alunos nem sequer sabiam quem foi Leverger. É um sintoma claro de que o Estado deve implantar o ensino de matérias regionais com toda urgência”.

A diretora da E.E. Faustino Dias de Amorim, Eliane Dolens, classificou o ‘evento’ como positivo, que além do contato com os escritores por parte dos alunos e a equipe gestora, tiveram um momento de cultura e – por que não? – de lazer. Foi uma aula com fins pedagógicos e de cidadania.

Em meio a isso tivemos ainda a presença da cantora Deize Águena Moreira e o grupo de cordas da Orquestra da UFMT, que também mostraram sua arte. Pra fechar, um lance, pois ninguém é de ferro. Tudo cronometrado, afinal os alunos precisavam retornar antes do sol se por.

Fonte: DC Ilustrado

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João Bosquo

João Bosquo, poeta e jornalista, editor deste blogue NAMARRA.COM.BR
nas redes sociais: @joaobosquo

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