Uma festa modesta no Paiaguás, mas real, para premiação dos escritores do 2º MT literatura

Foto: Chico Valdiner / GCom

Por João Bosquo | A festa de entrega do II Prêmio MT Literatura no palácio Paiaguás – um arranjo de última hora – foi bem mais modesta que o esperado. O público – por diminuto que seria – foi menor ainda por conta de não se combinar com São Pedro que decidiu liberar uma pancada de chuva que caiu na região e, com certeza, ajudou a afugentar o público mais ainda.

A alegria dos vencedores, é claro, superou tudo isso. A alegria, principalmente, por poder tornar público os trabalhos em livro e fazer o árduo trabalho de atrair leitores. Atrair leitores, vamos combinar, não é o mesmo que vender livros.

Dos dez vencedores do II Prêmio MT Literatura, somados aos dez do prêmio passado, poucos, pouquíssimos são figuras carimbadas. Da eleição anterior lembro aqui do nome de Marilza Ribeiro e nesta os de Cristina Campos e Luiz Renato de Souza Pinto. Os demais todos são novos valores, alguns com potencial incrível, entre as quais a jovem poética de Helena Werneck.

O governador Pedro Taques imitando Pedro Taques – ou fazendo remake de outras aparições, na área cultural – como sempre não deixou de provocar o cerimonial (ou aquilo que estava combinado): ao ser chamado para falar, ordenou que a ordem fosse inversa e o secretario de cultura, Leandro Carvalho, abriu a falação prometendo ser breve, mas não escapou de fazer um resumão de toda as atividades da pasta, na qual o prêmios está inserido. Lembrando que o Prêmio Mato Grosso de Literatura integra as políticas públicas implementadas pela SEC-MT na área da literatura, previstas no Plano Estadual de Cultura, que inclui o Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de Mato Grosso (PELLLB-MT).

As metas do PELLLB-MT, por sua vez, objetivam a democratização do acesso ao livro; fomento e valorização da leitura, literatura e bibliotecas; formação de mediadores para o incentivo à leitura; valorização institucional do livro, leitura, literatura e bibliotecas; desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia estadual; fomento à cadeia criativa e produtiva do livro; acesso aos bens culturais e desenvolvimento intelectual e promoção da cidadania no Estado.

O governador Pedro Taques após a explanação do secretário Leandro Carvalho, fez uma enquete, tipo “quem sabia dessas ações desenvolvidas pela SEC, que levantasse o braço” e ficou surpreso, digamos, com o resultado. Muita gente levantou os braços. Mas, vamos combinar, o maior veículo de comunicação estado não colabora para com essa efetiva divulgação, com reportagens mais completas sobre ações noutras áreas que não apenas o denuncismo pelo denuncismo.

Voltemos ao prêmio. O governador até ia bem quando disse que a “cultura é a forma de viver de cada um. Nós conhecemos o mundo por meio de determinados autores. O mais importante desse prêmio é poder revelar aqueles que sabem contar o que somos, o que queremos e o que desejamos. Cultura não tem fronteiras, quero que o mundo conheça a nossa literatura, que não é de Mato Grosso e sim, universal”, para, no final, pisar na bola ao dizer que nenhum governo antes tinha feito um prêmio como este.

Ora, ora é o típico pensamento de quem acha que chegou em Cuiabá junto com Miguel Sutil e Pascoal Moreira Cabral ou que começou o governo da província junto com Rolim de Moura, só pode ser.

Olha que o governador é mato-grossense de quatro costados. Assim de cabeça, lembro que nos anos 80, no governo de Carlos Bezerra, a Fundação Cultural de Mato Grosso, então sob o comando de Sebastião Carlos Gomes de Carvalho (que nesta terça toma posse como novo presidente da Academia Mato-grossense de Letras) editou cinco ou seis livros entre os quais o primeiro livro de poemas de Ricardo Guilherme Dicke, que já tinha faturado o prêmio Walmap, com de “Deus de Caim”, o prêmio Remington de Literatura com “Caeira”, mas não tinha nenhum livro de poemas publicados. Assim também aconteceu com Ronaldo de Castro, Dom Pedro Casaldálica, que teve então o seu primeiro livro em território mato-grossense, Silva Freire e o próprio Sebastião Carlos.

Nesses mesmos anos, mais precisamente em 1988, a prefeitura de Cuiabá, na gestão de Dante de Oliveira, por meio da Casa da Cultura, patrocinou a edição do livro “Último Horizonte”, de Ricardo Guilherme Dicke… Ah!, a prefeitura de Wilson Santos ameaçou a fazer um concurso, mas, na reta final, cancelou o evento sob a singela desculpa de não haver trabalhos qualificados.

Voltemos mais uma vez ao prêmio. A cerimônia contou com a presença dos escritores premiados no certame que, na ocasião, lançaram e autografaram as obras selecionadas.

No final, por derradeiro, o governador convidou os premiados para um almoço, que pelo site da SEC ficamos sabendo, com registro de fotos, que o mesmo aconteceu.

Foram ao todo 89 inscrições e dez obras literárias contempladas com R$ 30 mil cada, totalizando R$ 300 mil em investimentos. Os trabalhos são inéditos e contemplam as seguintes categorias: duas obras em poesia, quatro obras em prosa, duas obras na categoria revelação e duas obras na categoria infanto-juvenil, uma novidade nessa segunda edição.

Para o escritor Victor Angels, vencedor na categoria infanto-juvenil com a obra “Mundo dos sonhos, o ferreiro e a cartola”, ter sido contemplado com a primeira história escrita para crianças foi uma grata surpresa e um incentivo a se manter no gênero literário. O autor, que se inspirou na própria infância, já possui um romance para jovens adultos lançado em Portugal.

Luiz Renato Souza Pinto, vencedor na categoria poesia com a obra Gênero, Número, Graal, foi o porta voz dos premiados e disse que antes fazia desfeita dos livros premiados e agora vê com orgulho o selo na capa do seu livro. Ele incentivou ainda os escritores a participar da próxima edição do prêmio. “As pessoas precisam acreditar, se inscrever, participar. Me sinto orgulhoso de ter recebido esse prêmio e pretendo estar presente na próxima edição, seja como participante ou para prestigiar os vencedores”, ressaltou.

Além dos citados, as obras vencedoras foram “Entraves”, poesia, de Divanize Carbonieri; na categoria prosa: “Os mesmos”, de Teodorico Campos de Almeida Filho; “O assassinato na Casa Barão”, de Marcelo Leite Ferraz; “Contos do Corte”, de Afonso Henrique Rodrigues Alves; “As intermitências da água”, de Fernando Gil Paiva Martins. Na categoria infanto-juvenil: “Papo cabeça de criança travessa”, de Cristina Campos. E na categoria revelação, além “NU”, de Helena Werneck, foi premiada a obra “Tikare, alma de gato”, de Alexandre Marcos Rolim de Moraes.

Em tempo: em conversa com nosso editor, Enock Cavalcanti, o governador Pedro Taques registrou que já tem dois livros publicamos, mas que não pretende, nunca, disputar uma vaga na Academia Mato-grossense de Letras.

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Minuta do edital do Prêmio MT de Literatura já está disponível para contribuição da sociedade; o prazo termina dia 30

 

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